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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

CREDO DO AVESSO




Não creio no evangelho corrompido dos evangélicos que colocam a graça divina à venda e negociam a misericórdia do Senhor em troca de dízimos e ofertas, entoando o canto sedutor da prosperidade e prometendo supostos privilégios espirituais que, na verdade, representam o oposto dos mais evidentes ensinamentos bíblicos.
Não creio no evangelho distorcido dos evangélicos que se afastam do sentido original das Escrituras e, sem qualquer coerência exegética ou hermenêutica, atribuem ao texto sagrado suas próprias e pobres interpretações, não raro repletas de interesses pessoais, quase sempre encharcadas de intenções inescrupulosas e frequentemente ornamentadas com argumentações enganadoras e dissimuladas.
Não creio no evangelho desfigurado dos evangélicos que propagam superstições ridículas e crendices risíveis, protagonizam cenas grotescas de pajelança, promovem exorcismos descabidos e conduzem sessões de curas melodramáticas que servem, tão só, para manipular a fé e o bolso dos incautos movidos a carências e cobiças.
Não creio no evangelho maculado dos evangélicos que amam apaixonadamente o poder e o dinheiro, misturando púlpito com palanque, bíblia com cofre ou fé com manobra, sempre à disposição das artimanhas políticas, das pretensões meramente lucrativas e dos desavergonhados apelos em favor da vaidade e do orgulho, ainda que sob a camuflagem da mais inocente e piedosa espiritualidade.
Não creio no evangelho falsificado dos evangélicos que perseguem o elogio, o aplauso e a exaltação, importando-se apenas com a publicidade da mídia, os refletores do palco e a adulação dos admiradores alienados, por meio de quem só se produz a falação sem fala, a louvação sem louvor e a espiritualização sem espírito.
Não creio no evangelho mascarado dos evangélicos que só sabem exibir a fé sem obras, o amor sem compromisso, o discurso sem ação, a religião sem conversão, a graça sem mudança, o carisma sem caráter, o dom sem virtude, o poder sem compaixão, o prodígio sem ética, a adoração sem santidade, o culto sem obediência, a doutrina sem misericórdia, a tradição sem justiça, o rito sem coração, a liturgia sem piedade e o fervor sem contrição.
Não creio no evangelho insosso e apagado dos evangélicos que, em vez de ser sal da terra e luz do mundo, preferem refletir as sombras da malícia, reproduzir os descaminhos do ódio e retratar os cinzentos horizontes do egoísmo, insistindo em usar o nome de Deus para justificar palavras e ações que em nada correspondem a qualquer ação ou palavra divina.
Não creio no evangelho desvirtuado dos evangélicos que, com a desculpa de prestarem um serviço a Deus, são capazes de praticar contra os seres humanos as piores desumanidades e, sob o hipócrita véu da obediência à vontade divina, agir com desamor em nome do amor, com injustiça em prol da justiça e com violência em defesa da paz.
Não creio no evangelho mentiroso dos evangélicos que, sem maiores pudores ou constrangimentos, marcam e remarcam a volta de Cristo entre maldições e ameaças, aproveitando-se do medo daqueles que os ouvem para submetê-los a legalismos sem sentido e costumes religiosos que não passam de fardos insuportáveis e grilhões incompatíveis com a dignidade humana.
Não creio no evangelho da autojustificação farisaica, das indulgências modernas, do paganismo contemporâneo, das feitiçarias esotéricas, do dogmatismo insensível, do tradicionalismo intolerante, da aparência sem essência e dos rompantes emocionais inconsequentes.
Não creio nesse evangelho que é outro evangelho, e não o de Jesus, dos apóstolos, de Pedro e Paulo, do arrependimento sincero, do novo nascimento, da mente transformada, da nova vida, da salvação pela fé, do perdão pela confissão e da verdade defendida em amor.
Não creio nesse evangelho que, mesmo anunciado por anjos com auréolas, profetas iluminados ou pregadores eloquentes, deve ser rejeitado e desprezado por aqueles que estão comprometidos com o autêntico Evangelho da graça de Deus.
Não creio, nem quero crer, nesse evangelho sem boas novas.
Não creio, nem quero crer, nessas palavras sem a Palavra.
Não creio, nem quero crer, nessas lâmpadas sem luz, nesses poços sem água, nesses templos sem igreja e nesses sepulcros caiados que só acumulam corpos apodrecidos e fétidos.
Não creio, nem quero crer, nesse cristianismo sem Cristo.
Não creio, nem quero crer, nesses evangélicos sem Evangelho.

Fonte: Blog do Pr. Novaes da igreja Batista

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