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quinta-feira, 31 de março de 2011











Batismo e Circuncisão


Rev. Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto


Um dos argumentos para o batismo infantil ou de famílias é a
correspondência entre circuncisão e batismo. Isso não é fácil de ver, visto que
os sinais externos parecem ser inteiramente diferentes um do outro.
Deve ser apontado, contudo, que o que referimos como circuncisão e
batismo são apenas os sinais; e até onde diz respeito o significado desses sinais,
eles são exatamente o mesmo. A realidade da circuncisão é exatamente a mesma
realidade do batismo.
A circuncisão real e o batismo real são a própria salvação, isto é, a
remoção do pecado pelo sacrifício de Cristo na cruz. No caso da circuncisão,
isso é claro a partir de Deuteronômio 30:62 e Colossenses 2:113, e no caso do
batismo a partir de Romanos 6:1-64 e 1 Pedro 3:215. Os sinais são exatamente
os mesmos até onde diz respeito a realidade espiritual, e embora os sinais em
si possam parecer muito diferentes, eles simbolizam a mesma verdade
espiritual.
Dizer que os dois são completamente diferentes é cair no erro do
dispensacionalismo e dizer que existem dois caminhos diferentes de salvação, um no
Antigo e outro no Novo Testamento. A maioria dos Batistas tentam evitar
isso insistindo, a despeito de Deuteronômio 30:6 e Colossenses 2:11, que a
circuncisão no Antigo Testamento não era um sinal de salvação, mas apenas
certo tipo de marca para identificar os membros da nação de Israel.
Isso Paulo rejeita em Romanos 2:286, onde ele insiste que a circuncisão
exterior não é a coisa real de forma alguma, e que ser um judeu exteriormente
não é nada: a única circuncisão que importa é aquela do coração, e o único
judeu é aquele que é interiormente. Todos aqueles que desejam manter que
existe algo especial sobre ser um descendente natural de Abraão deveriam ler
esse versículo.
Por que, então, existe uma diferença entre os sinais exteriores da
circuncisão e do batismo? Isso pode ser visto à luz da principal diferença entre
o Antigo e Novo Testamento. No Antigo Testamento todas aquelas coisas
que apontavam para Cristo envolviam o derramamento de sangue (Hb. 9:22),
mas uma vez que o sangue de Cristo foi derramado, não poderia mais haver
nenhum derramamento de sangue (Hb. 10:12), nem mesmo na circuncisão.
Essa é a única diferença real entre os sinais da circuncisão e do batismo.
Em significado e realidade eles são exatamente a mesma coisa. A própria
Escritura os identifica em Colossenses 2:11, 12. Talvez porque essa é uma
longa sentença em dois versículos, somos inclinados a perder o ponto que
Paulo está fazendo. Ele diz ali que ser circuncidado é ser batizado. Esse é um
dos pontos principais de Colossenses 2. Falando aos crentes gentios, Paulo
lhes diz que eles têm todas as coisas em Cristo (vv. 10, 11), incluindo a
circuncisão! Eles não têm carência de nada em Cristo, em quem habita a
plenitude da divindade corporalmente (v. 9).
O fato que a circuncisão e o batismo não somente têm o mesmo
significado, mas são também a mesma coisa até onde diz respeito as suas
realidades espirituais, é a razão pela qual os sinais exteriores devem ser
administrados (sob o único e eterno pacto de Deus) ao povo de Deus,
incluindo os infantes, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko,
Reformed Free Publishing Association, p. 269-70.
O Sinal e a Realidade do Batismo

Rev. Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

É fundamental, quando falando de batismo, perceber que o uso da
palavra batismo no Novo Testamento tem dois sentidos diferentes. A falha em
reconhecer isso freqüentemente leva ao equívoco e erro.
Algumas vezes quando o Novo Testamento usa a palavra batismo, ele
está se referindo ao sacramento ou ritual: o que poderíamos chamar de batismo
com água (Mt. 3:7; Mt. 28:19; Atos 2:38, 41; 1Co. 10:2). O batismo com água na
verdade não é batismo, propriamente falando, mas o sinal do batismo, um
símbolo apontando para uma realidade invisível e espiritual.
Em distinção do símbolo ou sinal, a realidade do batismo é o lavar dos
pecados pelo sangue e Espírito de Jesus Cristo. Essa é a realidade da qual o
batismo com água é apenas uma figura. Falando de batismo nesse sentido
espiritual, é inteiramente apropriado dizer que o batismo nos salva (1Pe. 3:21).
Muitas passagens no Novo Testamento falam dessa realidade salvífica
espiritual e não do sinal do batismo com água. As mais notáveis dessas são
Romanos 6:3-6,2 1 Coríntios 12:13,3 Gálatas 3:27,4 Efésios 4:5,5 Colossenses
2:12,6 e todas aquelas passagens que falam de ser batizado no ou com o
Espírito Santo.
Nenhuma dessas passagens fala de batismo com água. A menos que
percebamos isso, cairemos em todos os tipos de erros e chegaremos a
conclusões muito errôneas, tais como pensar que a água salva (1Pe. 3:21) ou
que a água nos traz à união e comunhão com Cristo (1Co. 12:13).
A diferença entre sinal e realidade é evidente no fato que nem todos os
que são batizados com água recebem a realidade do batismo. Nem todos os
que permanecem sem serem batizamos com água perdem por causa disso a
realidade espiritual do batismo, pela qual somos salvos.
Todavia, os dois estão relacionados. O primeiro é o sinal ou figura do
outro, e isso não pode ser esquecido. Um sinal no qual lemos “Chicago”, mas


aponta para “Houston” seria apenas ilusão e engano. O sinal sempre deve
apontar para a realidade, se há de ser útil para nós. Assim, o sinal deve estar de
acordo com a realidade, e a realidade com o sinal.
Por exemplo, a questão do modo do batismo com água pode até certo
ponto ser respondida examinando-se o modo do batismo espiritual. Se
perguntarmos, “Como somos batizados pelo sangue e Espírito de Cristo?”, a
resposta da Escritura é, “por aspersão ou derramamento”. Seria estranho, para
não dizer enganoso, se o sinal e a realidade não estivessem de acordo nesse
ponto.
Da mesma forma, a realidade também deve estar de acordo com o
sinal. Não teria sentido de forma alguma ter o comer o pão e o beber o cálice,
embora também representem a morte de Cristo, como símbolos da limpeza do
pecado pelo sacrifício de Cristo. O sinal também deve sugerir limpeza.
De fato, Cristo nos deu o sinal para nos ajudar a entender e crer na
realidade. Eu posso dizer: “Pode algo realmente lavar o meu pecado – remover
todos eles? Isso é inacreditável! Meus pecados são grandes e muitos”. Então o
sinal do batismo diz, “Tão verdadeiramente como a água remove a sujeira do
corpo, assim o sangue de Cristo remove verdadeiramente o pecado”, e isso
encoraja a minha fé em Cristo e no seu sacrifício.

Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko,
Reformed Free Publishing Association, p. 259-60.

quarta-feira, 30 de março de 2011


O Modo do Batismo

Rev. Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1





Ao falar do modo do batismo, não desejamos antagonizar ninguém ou
promover divisão dentro da igreja de Cristo. É nosso profundo desejo ver
unidade nessas questões, especialmente com aqueles que de outra forma
concordam conosco.
Contudo, freqüentemente ouvimos que não há base bíblica para
aspergir infantes e que tal prática é simplesmente uma influência do
Catolicismo Romano. De fato, há vários livros anti-Calvinistas no mercado
que simplesmente assumem que se uma igreja batiza infantes, ela deve estar
errada em outras questões também.
Até onde diz respeito o modo do batismo, não somente cremos que há
uma base bíblica e sólida para a prática da aspersão, mas também que esse é o
único modo de batismo reconhecido pela Escritura. Olhemos para a questão
mais detidamente.
Quanto à acusação que a aspersão é simplesmente uma influência do
Romanismo, apontaríamos que isso não é argumento de forma alguma. Se
tudo o que Roma ensina deve ser descartado no Protestantismo, até mesmo a
doutrina da Trindade deve ser abandonada! Além do mais, a liturgia Romana
para o batismo das crianças diz em suas instruções para as pessoas que estão
realizando o batismo, “Ele imerge a criança ou derrama água sobre a sua cabeça”.
Roma também pratica a imersão! Portanto, o assim chamado argumento sobre
o Romanismo pode ser descartado.
Quanto ao fundamento bíblico para aspersão ou infusão,2 a evidência,
parece-me, é inequívoca. Apontaremos os seguintes fatos:
Todos os batismos cerimoniais do Antigo Testamento foram realizados
por aspersão ou infusão. Que esses foram batismos reais é claro a partir de
Hebreus 9:10, onde a palavra grega do NT baptismos é usada, mas traduzida
nas versões ACF, ARA e ARC como “abluções” (veja também vv. 13, 19, 21).
O batismo do Espírito Santo, simbolizado pelo batismo com água, é
sempre descrito na Escritura em termos de aspersão ou infusão (Is. 44:3; Ez.
36:25; Joel 2:28, 29; Ml. 3:10; Atos 2:17, 18; Atos 10:44, 45).
Da mesma forma, a aplicação do sangue de Cristo em nós, simbolizada
pela água do batismo, é sempre descrita na Escritura como sendo aspergida
(Is. 52:15; Hb. 10:22; Hb. 12:24; 1Pe. 1:2).
Os grandes batismos tipológicos do Antigo Testamento, chamados de
batismos no Novo Testamento (1Co. 10:2; 1Pe. 3:20, 21), não foram por
imersão. De fato, os únicos que foram imersos nesses batismos tipológicos
foram Faraó e o seu exército, e o mundo ímpio dos dias de Noé. Assim,
também, o ímpio será imerso no lago de fogo. A imersão é uma figura,
cremos, de julgamento, e não de salvação.

Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko,
Reformed Free Publishing Association, p. 262-63.

O Significado do Batismo

Rev. Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1






É freqüentemente alegado que a palavra batismo do Novo Testamento
significa apenas “imergir” ou “submergir”. Sem entrar aqui no todo da questão sobre o modo do batismo, um pequeno estudo da palavra mostrará
que este não é o caso.
Tal estudo mostrará que há várias passagens no Novo Testamento nas
quais a palavra batismo não pode e não têm o significado de
“imergir/submergir”. Imploramos, portanto, que aqueles que crêem de outra
forma, ouçam nosso lado da questão e não nos acusem cegamente de seguir
tradições humanas ao não praticar o batismo por imersão. Batismo não
significa imersão em nenhuma das seguintes passagens da Escritura:
Marcos 10:38, 39: “Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis
vós beber o cálice que eu bebo, e ser batizados com o batismo com que eu
sou batizado?”. Isso fala de batismo, mas entender batismo como imersão
nesta passagem não tem sentido. Jesus está se referindo, sem dúvida, ao seu
sofrimento e morte nestes versículos (veja também Lucas 12:50). Dizer que
ele seria imerso no sofrimento ou morte não tem nada a ver.
1 Coríntios 10:2: “E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no
mar”. Este versículo fala dos israelitas sendo “batizados” em Moisés. Eles não
foram batizados na nuvem ou no mar, mas literalmente, no grego, “em”
Moisés “pela” nuvem e mar. Pode o versículo estar dizendo que eles foram
imersos em Moisés? A palavra batismo, portanto, deve significar algo mais.
1 Coríntios 1:13: “Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós?
ou fostes vós batizados em nome de Paulo?”Aqui Paulo usa linguagem similar
à de 1 Coríntios 10:2, e o próprio Jesus fala similarmente em Mateus 28:19. O
que poderia significar ser imerso no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,
ou em qualquer outro nome?
1 Coríntios 12:13: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito,
formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e
todos temos bebido de um Espírito”. Pode a Palavra de Deus estar dizendo
que somos imersos em um corpo? É difícil ver como isso poderia ter algum
significado. De fato, a própria Palavra não fala ali de imersão, mas de beber!

Versículos que falam do batismo em ou com o Espírito Santo não se
referem a uma imersão, mas à efusão, derramamento ou aspersão do Espírito
(Atos 1:5; Atos 2:17, 18). Nós não somos imersos no Espírito Santo.
O que, então, a palavra batismo significa? Significa “trazer duas coisas a
um contato próximo, de forma que a condição da primeira é transformada
pela outra”. A palavra não diz nada sobre como este contato acontece: se por
aspersão, derramamento, imersão ou qualquer outro modo.
Portanto, ser batizado em Moisés, como diz 1 Coríntios 10:2, significa
que Israel foi trazido a um contato com ele como o mediador apontado por
Deus, um tipo daquele que haveria de vir. Desta forma, a condição deles foi
transformada de escravidão à liberdade. Que Cristo foi batizado com morte
não significa que ele foi imerso nela, mas que foi trazido ao contato mais
próximo possível com ela, de forma que sua condição foi transforma de ser
culpado diante de Deus por nossa causa, para ser justificado em nosso favor.
Quando Romanos 6:1-6 diz que fomos batizados na morte e
ressurreição de Cristo, a passagem não está dizendo que de alguma
forma fomos imersos nestes eventos (o que quer que isso signifique).
Ela se refere ao fato que, através da fé, fomos trazidos ao contato
com sua morte e ressurreição, de tal forma que nossa condição é
totalmente e para sempre transformada. Este é o significado e a
realidade do batismo para os crentes.

Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko,
Reformed Free Publishing Association, p. 261-62.

O Simbolismo do Batismo

Rev. Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1





Começamos nosso estudo do batismo com certo temor, conhecendo as
diferenças que existem entre os cristãos sobre este assunto importante.
Todavia, embora não tenhamos o desejo de ofender aqueles que são de uma
persuasão Batista, cremos que o testemunho da Escritura é claro. Apenas
pedimos que eles ouçam o que temos a dizer.
A primeira questão, então, é o simbolismo do batismo. Não cremos que a
água do batismo tenha alguma eficácia ou poder, como o Romanismo,
Anglicanismo e Luteranismo ensinam. Seu valor está no fato de que ela é um
símbolo.
Todos concordariam, estamos certos, que a água do batismo simboliza
o sangue de Cristo, e que a aplicação da água (por ora, deixamos de lado a
questão de como ela é aplicada) representa o lavar dos pecados pelo sangue
precioso de Cristo.
Em outras palavras, o batismo representa a aplicação da salvação na
justificação (a remoção da culpa dos nossos pecados) e santificação (a
remoção da sujeira e poluição dos nossos pecados). Portanto, ele representa o
perdão dos nossos pecados quando recebemos tal perdão em nossa
justificação e através da fé, como também a obra de Deus pela qual somos
feitos santos na regeneração e santificação.
Enquanto o batismo representa a aplicação da salvação – o lavar dos
nossos pecados na justificação e santificação – a água representa não somente
o sangue de Cristo, mas também o Espírito de Cristo. Ele é aquele em quem e
por quem somos lavados (batizados), tanto para remissão como para a
purificação dos nossos pecados.
Esta é a razão pela qual a Escritura descreve o dom do Espírito como
um batismo (Mt. 3:11; Atos 1:5; Atos 11:16; 1Co. 12:13). Ele é um batismo,
por nenhuma outra razão senão a de que o Espírito tem uma função
importante na purificação do pecado. Ele é aquele que aplica em nós o sangue
de Cristo, tanto para nossa justificação como para a nossa santificação, e visto
que ele faz isto dando-nos ele mesmo, podemos ser ditos como tendo sido
batizados não somente no sangue, mas também em ou com o Espírito quando
somos salvos.

Isto tem muitas conseqüências importantes. Primeiramente, ela é uma
resposta ao erro do Pentecostalismo, que ensina que o batismo no Espírito é
algo adicional ou subseqüente à salvação. O batismo no ou com o Espírito
não é outra coisa senão a salvação. Isso é claro a partir da Escritura (Atos
2:38, 39; Rm. 5:1-5; Rm. 8:9; 1Co. 12:13 comparado com João 7:37-39; Gl.
3:2; Ef. 1:13, 14).
Tudo isto tem conseqüências também para o modo do batismo. Se a
água do batismo representa tanto o sangue como o Espírito de Cristo, então
deve ser observado que a Escritura descreve invariavelmente a aplicação de
ambos em termos de derramar ou aspergir. Este é um ponto que explicaremos
em “O Modo do Batismo”. O ponto aqui é que o batismo simboliza
belamente o lavar e a remoção dos pecados pelo sangue e pelo Espírito de Jesus
Cristo, e assim, nos mostra como entramos no pacto de Deus: pela graça
somente e por Cristo somente.

Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko,
Reformed Free Publishing Association, p. 258-59.

sábado, 26 de março de 2011


QUEM É REALMENTE REFORMADO? RELEMBRANDO CONCEITOS BÁSICOS DA FÉ REFORMADA


RESUMO
O objetivo deste artigo é oferecer uma visão panorâmica da fé reformada
na busca de uma identificação mais precisa dessa tradição. Ainda que alguns
tópicos aqui discutidos mereçam análises particulares, o propósito deste estudo
é estabelecer o mapa geral para que se encontre mais facilmente o ponto específico
a ser cuidadosamente investigado. Desta forma, busca-se corrigir algumas
concepções genéricas e distorcidas sobre o tema. O artigo está dividido em
três secções básicas. Primeiramente, são analisados os aspectos históricos; em
seguida, os princípios doutrinários e, por último, a perspectiva cultural da fé reformada. Ainda que limitados, esses tópicos parecem oferecer uma estrutura
básica do sistema em questão.

INTRODUÇÃO
A conhecida revista americana Christianity Today trouxe, como artigo
de capa em sua edição de Setembro de 2006, uma reportagem sobre o ressurgimento
do interesse pela teologia reformada nos Estados Unidos.1 Segundo o
articulista, esse fenómeno tem atingido especialmente os jovens que “rejeitam
o evangelicalismo genérico e propagam os benefícios de um conhecimento
mais profundo da doutrina bíblica”.2 Para surpresa de muitos, esse interesse
da juventude pelo Calvinismo é maior do que pelo Movimento da Igreja Emergente (cuja proposta dirige-se especialmente à sua faixa etária). É verdade
( .sobre este assunto da igreja emergente Clique aqui para abrir o PDF. )
que a “‘conversação emergente’ recebe muita atenção da mídia, mas o novo
movimento reformado parece ser um fenómeno mais abrangente e profundo”.3

O fato é que, devido a esse recente acontecimento, alguns pastores têm mudado
de opinião no que diz respeito ao trabalho com a mocidade. Segundo Joshua
Harris, “a expectativa de muitos é que o adolescente não consegue digerir verdades
doutrinárias ou que elas são repulsivas para eles, mas a experiência tem
provado exatamente o contrário”.4 Esses fatores certamente poderão produzir
uma mudança dramática de paradigmas quanto ao ministério com jovens. Somente
o tempo revelará o que este novo apelo da fé reformada poderá causar
nas igrejas e na cultura

Notícias de outros países confirmam a redescoberta da fé reformada
também por outros povos. Na Escócia, as Conferências Reformadas Lambert
continuam atraindo considerável número de participantes.5 Na Albânia,
alguns protestantes alimentam esperanças de que a literatura reformada seja
instrumental na correção da confusão religiosa que assola o país.6 Em Zâmbia,
cresce o número de participantes de uma fraternidade que comunga convicções
doutrinárias reformadas, celebra conferências anuais e edita trimestralmente um
periódico próprio.7 Há que se lembrar ainda do crescente impacto da teologia
reformada na Coréia do Sul e no Japão. Tudo isso aponta para um notável
progresso da teologia reformada ao redor do mundo.

No Brasil, há poucos anos o termo “reformado” poderia ser confundido
com a aposentadoria de militares ou com o processo de restauração de algum
imóvel. Uma igreja reformada era apenas uma igreja na qual haviam sido feitas
obras de melhoramento estético. Hoje, todavia, há uma crescente quantidade
de pessoas familiarizadas com o termo, e muitas delas identificam-se com a
teologia que ele representa. Parte dessa mudança deve-se ao crescente número
de publicações reformadas, traduzidas ou produzidas originalmente em português.
Algumas denominações históricas redescobriram, já há décadas, o valor
de seus documentos confessionais e os vêm enfatizando em seus seminários
e cursos de pós-graduação. Há que se considerar ainda as contribuições das

conferências de conteúdo reformado realizadas em diversas partes do país, bem
como os esforços de algumas instituições de ensino que possuem tal orientação
teológica. O fato é que a palavra “reformado” já não causa mais estranheza
aos ouvidos do mundo evangélico; ela “realmente se tornou popular”.8 Mas
não se pode afirmar que todos os que a usam compreendem realmente o seu
significado. Nem todos aqueles que se apresentam como reformados aderem
aos pontos essenciais da fé reformada, quer por ignorância, quer por sutileza
política.9
Familiaridade nunca foi sinônimo de profundidade e, portanto, é possível
que muitos que se identificam com o conceito reformado ainda careçam de
uma compreensão mais profunda e abrangente daquilo que ele representa. Isto
foi especialmente indicado por Richard D. Phillips em uma palestra na Conferência
de Teologia Reformada, em Filadélfia, em 2004. Segundo Phillips, no
processo de uso excessivo da palavra reformado, “o termo começou a receber
uma definição tão ampla que o seu sentido ficou diluído”.10 Além do mais, o
número de variações existentes sobre diferentes assuntos na tradição reformada
contribui para que haja sérias confusões a esse respeito. Por exemplo,
muitos que seriam mais bem identificados como hipercalvinistas, teonomistas,
tradicionalistas, neo-ortodoxos ou até antinomistas, ecumênicos e partidários
do liberalismo teológico alemão do século 19, poderão identificar-se como
reformados e se ressentirão se alguém disser o contrário.11 Nunca será fácil
determinar quem é de fato reformado e quem não é. Por essa razão, há que se
considerar que muitos dos que se professam reformados na verdade apenas
redefinem o termo de acordo com a sua conveniência pessoal.
O objetivo deste artigo é oferecer uma visão panorâmica da fé reformada
na busca de uma identificação mais precisa.12 Ele não tem o propósito de
apresentar um compêndio sistemático, com elaborações e discussões sobre
pontos específicos, mas expor as principais características do Calvinismo e

leia texto inteiro Clique aqui para abrir o PDF
* Valdeci da Silva Santos* O autor é ministro presbiteriano, pastor da Igreja Evangélica Suíça de São Paulo e professor de teologia pastoral e sistemática no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper

sexta-feira, 25 de março de 2011



Por
Taciano Cassimiro

É fato o crescimento assombroso e “ maravilhoso “ dos evangélicos ,principalmente, no Brasil. Igrejas abarrotadas, repletas de pessoas que buscam paz, felicidade e muita prosperidade e, alguns poucos em busca do verdadeiro evangelho.

Mas, De que tipo de pessoas a igreja precisa?

1. A igreja precisa de pessoas com discernimento

Somos convidados pelas Escrituras a provar se os espíritos procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. E não raro encontramos pessoas que são instruídas no evangelho de Jesus Cristo, porém, se deleita em programas evangélicos de televisão que pregam de tudo, menos o evangelho. Evangélicos que assistem o Rev. Hernandes Dias Lopes pregar no Programa Verdade e Vida e, depois assiste Waldemiro Santiago, mais conhecido como o “ multiplicador de igrejas “, e RR. Soares pregarem e não percebem diferença alguma chegando à conclusão de que, falando de Deus ta tudo bem, e que ambos estão falando as mesmas coisas, sendo que de forma diferente.

A igreja precisa de pessoas que saibam distinguir o ensino bíblico genuíno, do ensino falso oriundo de homens que na verdade buscam a fama e o poder. Pra que isto aconteça é preciso retornar a fonte, ler a fonte, se alimentar na fonte chamada Bíblia, pois é ela quem nos mostra o certo e o errado. Ela nos ajudará a discernir tudo.

2. A igreja precisa de pessoas devotadas a Jesus Cristo

Igrejas abarrotadas, catedrais, templos e mais templos sendo construídos para comportar o povo. Nunca se vendeu tantas Bíblias, tantos livros evangélicos, e tantos CDs e DVDs com músicas e mensagens. Mas, todos esses dados não reflete a realidade do nosso povo. Estamos diante de uma multidão de pessoas que não levam a sério a vida Cristã, a vida de oração e obediência aos ensinamentos de Cristo.
A igreja precisa de pessoas que sejam devotadas a Cristo, que o busque em oração, que se alimentem de sua Palavra, de pessoas que carregue em seu corpo as marcas de Cristo. De pessoas que ande na luz, vivam na luz, se relacionem na luz, e trate as pessoas pela e com a luz de Cristo. Somente as pessoas que o amam farão e viverão estas palavras.

3. A igreja precisa de pessoas praticantes da Palavra

As igrejas estão repletas de membros, cristãos nominais, se é que existe. Pessoas que andam com a Bíblia, falam da Bíblia, dormem com a Bíblia aberta na cabeceira de suas camas, no entanto, não obedecem os ensinamentos da Bíblia, que são os ensinamentos de Deus.

A prova de que alguém é de Cristo reside na obediência a sua Palavra. Se é alguém é de Cristo obedecerá a seus ensinamentos, pelos frutos seremos conhecidos.

O pastor Isaltino Gomes Coelho Filho um dos maiores expoentes bíblicos no Brasil, conta que: No interior de São Paulo, havia um pastor. Homem simples, sem erudição secular e que não manifestava muita elegância na forma de vestir. Mas, os próprios incrédulos o respeitavam e diziam: “ Lá vai o santo dos protestantes.” Diziam isso por causa do seu caráter que impressionava a todos.
É isto mesmo que acontece quando praticamos a Palavra de Deus.

Que o Senhor Jesus nos ajude a sermos praticantes, e por certo, através de nosso testemunho, o nosso pai celestial que está nos céus será glorificado.


Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.
João 14.23

O que é Teologia Reformada?



Resposta:
De uma forma geral, Teologia Reformada inclui qualquer sistema de crença que traça suas raízes à Reforma Protestante do século 16. Claro que os Reformadores basearam sua doutrina nas Escrituras, como indicado no credo de “sola scriptura”, então teologia Reformada não é um “novo” sistema de crença mas um que procura dar continuação à doutrina apostólica.

Geralmente, teologia Reformada defende a autoridade das Escrituras, a soberania de Deus, salvação pela graça através de Cristo e a necessidade de evangelismo. Às vezes é chamada de Teologia do Pacto por causa da ênfase dada à aliança que Deus fez com Adão e a nova aliança que veio através de Jesus Cristo (Lucas 22:20).

Autoridade das Escrituras. Teologia Reformada ensina que a Bíblia é a inspirada e confiável Palavra de Deus, suficiente para todos os assuntos de fé e prática.

Soberania de Deus. Teologia Reformada ensina que Deus reina com controle absoluto sobre toda a criação. Ele predeterminou todos os eventos e, portanto, nunca se frustra com as circunstâncias. Isso não limita a vontade da criatura, nem faz de Deus o autor do pecado.

Salvação pela graça. Teologia reformada ensina que Deus em Sua graça e misericórdia escolheu redimir um povo para Si mesmo, livrando-os do pecado e morte. A doutrina de salvação reformada é também conhecida como os cinco pontos do Calvinisno (ou pelo acróstico TULIP, referente às iniciais dos pontos em inglês):

T- Depravação Total do Homem (Total depravity).O homem é completamente fraco em seu estado de pecado, está sob a ira de Deus e de forma alguma pode agradar a Deus. Depravidade total também significa que o homem não vai naturalmente procurar conhecer a Deus, até que Deus graciosamente o encoraje a assim agir. (Gênesis 6:5; Jeremias 17:9; Romanos 3:10-18).

U – Eleição incondicional (Unconditional election). Deus, da eternidade passada, escolheu salvar uma grande multidão de pecadores, a qual nenhum homem pode numerar (Romanos 8:29-30; 9:11; Efésios 1:4-6:11-12).

L- Expiação limitada (Limited Atonement). Também chamada de “redenção particular”. Cristo tomou sobre Si o julgamento do pecado dos eleitos e, portanto, pagou por suas vidas com a Sua morte. Em outras palavras, Ele não só tornou salvação “possível”, Ele na verdade a obteve por aqueles que Ele tinha escolhido (Mateus 1:21; João 10:11; 17:9; Atos 20:28; Romanos 8:32; Efésios 5:25).

I - Graça irresistível (Irresistible Grace). Em seu estado depois da Queda ao pecado, o homem resiste ao amor de Deus, mas a graça de Deus trabalhando em seu coração faz com que tal homem deseje o que ele tinha previamente resistido. Quer dizer, a graça de Deus não vai falhar em realizar o seu trabalho de salvação na vida dos eleitos (João 6:37,44; 10:16).

P – Perseverança dos santos (Perseverance of the saints). Deus protege Seus santos de se desviar totalmente; por isso salvação é eterna (João 10:27-29; Romanos 8:29-30; Efésios 1:3-14).

A necessidade de evangelismo. Teologia reformada ensina que Cristãos estão nesse mundo para fazer a diferença, espiritualmente através de evangelismo e socialmente através de uma vida santa e de humanitarismo.

Outras características da teologia Reformada geralmente incluem a observância de dois sacramentos (batismo e comunhão), uma opinião de que certos dons espirituais cessaram (esses dons não foram mais passados à igreja), e uma opinião não dispensacionalista das Escrituras. As igrejas reformadas dão grande valor ao ensino de João Calvino, John Knox, Ulrico Zuínglio e Martinho Lutero. A Confissão de Fé de Westminster incorpora a teologia da tradição Reformada. Igrejas modernas na tradição reformada incluem a Prebisteriana, Congregacionalista e algumas Batistas.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Mãe se acorrenta para salvar filho do fanatismo da IURD .


.
Foto: Deurico/Capital News
Mãe se acorrenta a pilar de igreja em Campo Grande e diz que filho está sendo enganado pela instituição.

Acorrentada em um dos portões da sede da Igreja Universal do Reino de Deus da Avenida Mato Grosso, uma mãe tenta convencer o filho de 17 anos a abandonar o "fanatismo".

Na tarde desta quinta-feira (13), S. F. M., 41 anos, protesta para que o adolescente deixe de ter o comportamento atual de descaso e julgamento para com a família que, segundo ela, passou a ter após ingressar na igreja.

S. argumenta que o filho vem sofrendo influências de pastores e, inclusive, tem deixado de ir à escola devido à sua devoção exacerbada. “Só saio daqui quando fizerem justiça”, diz.

Populares acionaram o 1º Batalhão da Polícia Militar, porém acabaram sendo dispensados pelo pastor que responde pela igreja, que alegou não haver necessidade da presença da polícia ali. A imprensa procurou a administração da instituição, mas ninguém quis se pronunciar.

Conforme S., o filho está na igreja há dois anos e meio.
Desde então, passou a até vender as roupas para doar o dinheiro à igreja.

O rapaz é líder de um grupo jovem da instituição. S. tem outros dois filhos. Todos moram juntos numa casa no Centro, mas o filho estuda em um bairro na região do Lagoa, segundo ela. Ele teria começado a se comportar de forma fanática há cerca de 2 anos e meio, quando entrou para a igreja.
Nesse período, o jovem teria vendido eletrodomésticos, roupas e calçados para poder pagar os dízimos que a instituição estaria pedindo.

Em outra ocasião, o fiho chegou a pedir a chave de uma das classes de sua escola para poder "pregar" aos colegas. Acabou sendo repreendido pela escola, conforme a mãe.

S. conta que é ex-pensionista do pai que era militar. Por enquanto, está desempregada.

Conforme ela mesma, em um momento “de desespero” em 18 de novembro, interrompeu um culto noturno na igreja para saber o que realmente estava acontecendo com o seu filho. Fez isso porque procurou diversos pastores e eles não a atendiam, afirma. Admitiu que errou e, foi levada à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) e lá teria sido agredida por um homem que se identificou como delegado de Polícia, além de esperar várias horas para ser liberada. "Perguntava se estava presa e os policiais me diziam que eu estava detida, somente isso. Cheguei a ficar várias horas sem beber água também, só depois fui liberada". Meses depois, segundo ela, após ter o carro roubado e ir procurar a Delegacia para formular boletim de ocorrências, descobriu que estava fichada na Polícia.
Aparelho para medir possessão

S. afirma que o filho pode estar usando em outros adolescentes um aparelho denominado psicoscópio, que serviria para medição do grau de possessão em alguma pessoa. Ela conta que ouviu falar disso e que o filho, por ser um dos líderes do grupo de jovens, poderia ter acesso ao suposto equipamento. O equipamento teria sido dado pela igreja. "Depois que conversei com outras pessoas, fiquei sabendo que a igreja estaria usando um aparelho chamado psicoscópio. E que esse aparelho era dado para cada líder da Força Jovem. O meu filho é líder da Força Jovem. Esse aparelho mostra se a pessoa está ou não possuída."





Além do aparelho, S. diz que o filho está usando um óleo ungido pela igreja e passando nas partes íntimas. O motivo, de acordo com ela, seria para deixar de ter desejos carnais. "Para mim, isso é óleo de cozinha, mas, meu filho está usando. Se funciona ou não funciona, não sei, mas, meu filho está usando."

Aparentemente, ela demonstra estar bem de saúde. Ela também não aparenta ter problemas mentais.

Ela permanece esperando o filho, que, segundo ela, deve ir à igreja no fim da tarde.
Ela mostra óleo que o filho usaria enganado pela igreja;
utilização seria para diminuir desejos sexuais (Foto: Deurico/Capital News)

Por: Marcelo Eduardo e Jefferson Gonçalves
Fonte: [
Capital News ]
Via: [
Tela Crente ] / [ Web Evangelista ]

Psicoscópio? Óleo ungido nas partes íntimas? Vender roupas e objetos para pagar dízimo? O que dizer sobre este absurdo? lamentável o que temos testemunhado sobre esta "seita" IURD! Os "líderes" desta já estão passando dos limites da loucura e do bom senso em detrimento do verdadeiro, simples, bíblico e genuíno evangelho de Jesus Cristo. Oro para que esta família encontre o verdadeiro cristianismo que valoriza principalmente a união familiar e o equilíbrio emocional.

Srs. líderes da IURD: vocês vão dar conta à Deus de todas as famílias que vocês estão destruíndo!


terça-feira, 22 de março de 2011



Por: Rev. Paulo Sergio da Silva

“É necessário que Ele cresça e que eu diminua.” João 3:30.

A humildade é uma excelente virtude que deve ser buscada, cultivada e valorizada no seio da Igreja. Para sermos fortes na fé necessitamos ser humildes. Ao nos empenharmos em servir o Senhor Jesus, rapidamente notamos quão necessário é sermos humildes. João Batista falou, inspirado por Deus, acerca dessa virtude, não como algo opcional, mas como uma NECESSIDADE. A humildade pode ser comparada ao oxigênio, pois sem ele não há vida, e sem humildade não há vida espiritual. Morremos sufocados por nosso orgulho quando rejeitamos o ensino do Mestre acerca da humildade. A humildade não é opcional, mas necessária à nossa sobrevivência espiritual (Pv 16:18; Tg 4:6; 1 Pe 5:5). Quem quer agradar a Deus precisa ser humilde, quem quer servir ao Espírito Santo precisa ser humilde, quem quer ir para o Céu precisa ser humilde.

Assim como as demais virtudes espirituais, a humildade deve ser aprendida, pois não somos humildes por natureza, pelo contrário, fomos concebidos e nascemos com o DNA do orgulho humano. A Bíblia nos ensina de um modo majestoso, o que é SER HUMILDE: “…que Ele (Jesus) cresça e que eu diminua”. Essa é a fórmula da humildade! O seu efeito é progressivo e transformador. Verifiquemos se as nossas atitudes são semelhantes às de Jesus, e se o nosso procedimento, reações e decisões têm como base os ensinamentos de Cristo, ou a nossa própria vontade e temperamento (Mt 5:1-12).

A Igreja necessita de servos (as) humildes, para que a obra de Deus seja realizada a contento. Sem a humildade a vida cristã torna-se um deserto árido, com a humildade ela se torna um manancial de águas vivas (Sl 84:5-6; Is 58:11; Jo 7:38). “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a Si mesmo Se esvaziou, assumindo a forma de Servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a Si mesmo Se humilhou, tornando-Se obediente até à morte e morte de Cruz.” Fp 2:5-8.

Jesus nos deu o maior exemplo de humildade. Sigamos o Seu exemplo. Deus te abençoe! Uma ótima semana a todos.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Os Reformadores: Lutero, Úlrico Zwinglio, Guillherme Farel, João Calvino e John Knox.

A partir do ano 1300, o mundo ocidental experimentou um sentimento crescente de nacionalismo. Os povos não queriam sujeitar-se a Roma. Aspiravam ver surgir uma igreja nacional. Esse clima favoreceu o surgimento dos Precursores da Reforma. Eram homens cultos, de vida exemplar, que tinham prazer na leitura e na exposição da Bíblia Sagrada. São chamados precursores porque antecederam aos reformadores e, principalmente, porque não conseguiram superar o legalismo religioso – não descobriram a graça salvadora. Queriam fazer alguma coisa para alcançar a salvação, quando a Bíblia afirma: “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8,9).
Os principais precursores da Reforma foram: João Wyclif (1328?-1384), professor na Universidade de Oxford, na Inglaterra: João Huss (1373?-1415), professor na Universidade de Praga, que foi queimado por causa de sua fé; e Girolano Savonarola (1452-1498), monge dominicano, que foi enforcado e queimado por ordem do Papa Alexandre VI, em Florença, na Itália.
Além dos movimentos liderados pelos Precursores da Reforma, ocorreram outras tentativas de reformar a igreja, mas sem êxito. No século XVI a situação era bastante propícia a uma reforma da igreja. A Europa estava no limiar de uma nova época política e social. Gutemberg revolucionara o processo de impressão de livro; Colombo descobrira a América... E o descontentamento com a igreja persistia. Tudo isso preparava o terreno para a reforma. E Lutero foi o homem que Deus levantou para desencadear o movimento que resultou na Reforma Religiosa do Século XVI.

MARTINHO LUTERO (1483-1546)
Martinho Lutero nasceu no dia 10 de novembro de 1483. Sua família era pobre e ele lutou com muita dificuldade para estudar. Preparava-se para ingressar no curso de Direito, quando resolveu tor¬nar-se monge. Entrou para o mosteiro agostiniano de Erfurt, em 1505, antes de completar 22 anos de idade. Dois anos depois foi ordenado sacerdote. No ano seguinte foi para Wittenberg preparar-se para ser professor na recém-criada universidade daquela cidade. Foi lá que Lutero dedicou-se ao estudo das Escrituras. E ao estudar a Epístola aos Romanos, descobriu que “O justo viverá por fé” (Romanos 1.17). Ele já havia feito tudo que a igreja indicava para alcançar a paz com Deus. Mas sua situação interior só piorava. Ao descobrir a graça redentora, entregou-se a Jesus Cristo, pela fé, e encontrou a paz e a segurança de salvação.
No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou, na porta da capela de Wittenberg, as suas 95 teses. Era o início da Reforma.
Lutero tentou reformar a igreja, mas Roma não quis se reformar. Antes o perseguiu violentamente. Em 1521 ele foi excomungado. Neste mesmo ano teve que se es¬conder durante 10 meses no castelo de Wartburgo, perto de Eisenach, para não ser morto. Depois voltou para Wittenberg, de onde comandou a expansão do movimento de reforma.
Lutero faleceu em Eisleben, no dia 18 de fevereiro de 1546.

ÚLRICO ZWÍNGLIO (1484-1531)
Paralela à reforma de Lutero, surgiu na Suíça um reformador chamado Úlrico Zwínglio. Era mais novo do que Lutero apenas 50 dias, mas tinha formação e idéias diferentes do reformador alemão.
Úlrico Zwínglio nasceu na Suíça, no dia 1º de janeiro de 1484. Seu pai era magistrado provincial. Sua família tinha uma boa posição social e financeira, o que lhe permitiu estudar em importantes escolas daquela época. Estudou na Universidade de Viena, de Basiléia e de Berna. Graduou-se Bacharel em Artes, em 1504, e Mestre dois anos depois.
Em 1506 Zwínglio tornou-se padre, embora o seu interesse pela religião fosse mais intelectual do que espiritual. Em 1520 Zwínglio passou por uma profunda experiência espiritual, causada pela morte de um irmão querido. Dois anos depois iniciou um trabalho de pregação do evangelho, baseando-se tão somente na Escritura Sagrada. O Papa Adriano VI proibiu-o de pregar. Poucos meses depois, o governo de Zurique, na Suíça, resolveu apoiar Zwínglio e ordenou que ele continuasse pregando.
Em 1525 Zwínglio casou-se com uma viúva chamada Ana Reinhard. Nesse mesmo ano Zurique tornou-se, oficialmente, protestante. Outros cantões (estados) suíços também aderiram ao protestantismo. As divergências entre estes cantões e os que permaneceram fiéis a Roma iam-se aprofundando.
Em 1531 estourou a guerra entre os cantões católicos e os protestantes, liderados por Zurique. Zwínglio, homem de gênio forte, também foi para o campo de batalha, onde morreu no dia 11 de outubro de 1531.
Zwínglio morreu, mas o movimento iniciado por ele não morreu. Outros líderes deram continuidade ao seu trabalho. Suas idéias foram reestudadas e aperfeiçoadas. As igrejas que surgiram como resultado do movimento iniciado por Zwínglio são chamadas de igrejas reformadas em alguns países, e igrejas presbiterianas em outros. Dentre os líderes que levaram avante o movimento iniciado por Zwínglio destacam-se Guilherme Farel e João Calvino.

GUILHERME FAREL (1489-1565)
Guilherme Farel nasceu em Gap, província francesa do Delfinado, no ano de 1489. Os seus biógrafos o descrevem como um pregador valente e ousado. Embora sua família fosse aristocrática, ele era rude e tosco. Sua eloqüência era como uma tempestade.
Farel converteu-se em Paris. O homem que o levou a Jesus Cristo era seu professor na universidade e se chamava Jacques LeFévre. Parece que Farel inicialmente não pretendia deixar a Igreja Católica, pois em 1521 ele iniciou um trabalho de pregação sob a proteção do bispo de Meaux, Guilherme Briçonnet. Mas logo depois foi proibido de pregar e expulso da França, acusado de estar divulgando idéias protestantes.
Em 1524 estava em Basiléia fazendo as suas pregações. Mas a sua impetuosidade o levou a ser expulso da cidade.
Em 1526 Farel iniciou o seu trabalho de pregação na Suíça de fala francesa. Ligou-se aos seguidores de Zwínglio. Conseguiu implantar o protestantismo em vários cantões (estados) suíços. E em 1532 entrou em Genebra pela primeira vez. Sua pregação causou tumulto na cidade. Teve que se retirar... Mas voltou logo depois. E no dia 21 de maio de 1536, a Assembléia Geral declarou a cidade oficialmente protestante.
Mas Genebra aceitara o protestantismo mais por razões políticas que espirituais. E agora Farel tinha uma grande tarefa pela frente: reorganizar a vida religiosa da cidade.
Guilherme Farel era um homem talhado para conquistar uma cidade para o protestantismo. Mas se perdia completamente no trabalho que vinha a seguir. Não sabia planejar, nem organizar, nem liderar, nem pastorear. Mas, felizmente, conhecia suas limitações e convidou João Calvino para reorganizar a vida religiosa de Genebra.
No dia 23 de abril de 1538, Farel e Calvino foram expulsos da cidade. Calvino foi para Estrasburgo, onde pastoreou uma igreja formada por refugiados franceses. Farel foi para Neuchâtel, uma cidade que havia sido conquistada por ele para o Evangelho. Calvino voltou para Genebra em 1541. Farel permaneceu em Neuchâtel, onde faleceu em 1565, com 76 anos de idade.

JOÃO CALVINO (1509-1564)
O homem responsável pela sistematização doutrinária e pela expansão do protestantismo reformado foi João Calvino. O “pai do protestantismo reformado” é Zwínglio. Mas o homem que moldou o pensamento reformado foi João Calvino. Por isso, o sistema de doutrinas adotado pelas Igrejas Reformadas ou Presbiterianas chama-se calvinismo.
João Calvino nasceu em Noyon, Picardia, França, no dia 10 de julho de 1509. Seu pai, Geraldo Calvino, era advogado e secretário do bispado de Noyon. Sua mãe, Jeanne le Franc, faleceu quando ele tinha três anos de idade.
A família Calvino tinha amizade com pessoas importantes. E a convivência com essas famílias levou João Calvino a aprender as maneiras polidas da elite daquela época.
Geraldo Calvino usou o seu prestígio junto ao bispado para conseguir a nomeação de seus filhos para cargos eclesiásticos, conforme os costumes daquela época. Antes de completar doze anos, João Calvino foi nomeado capelão de Lá Gesine, próximo de Noyon. Não era padre, mas seu pai pagava um padre para fazer o trabalho de capelania e guardava os lucros para o filho. Mais tarde essa capelania foi trocada por outra mais rendosas.
Em agosto de 1523, logo depois de ter completado 14 anos, João Calvino ingressou na Universidade de Paris. Ali completou seus estudos de pré-graduação no começo de 1528. A seguir foi para a Universidade de Orléans onde formou-se em Direito.
Em maio de 1531 faleceu Geraldo Calvino. E João, que estudara Direito para satisfazer o pai, resolveu tornar-se pesquisador no campo de literatura e filosofia. Para isto, matriculou-se no Colégio de França, instituição humanista fundada pelo rei Francisco I. Estudou Grego, Latim e Hebraico. Tornou-se profundo conhecedor dessas línguas.
Em 1532 João Calvino lançou o seu primeiro livro: Comentários ao Tratado de Sêneca sobre a Clemência. Os intelectuais elogiaram muito a obra. Era um trabalho de grande erudição. Mas o público ignorou o lançamento – poucos compraram o livro.
João Calvino converteu-se a Jesus Cristo entre abril de 1532 e o início de 1534. Não se sabe detalhes da sua experiência. Mas a partir daí Deus passou a ocupar o primeiro lugar em sua vida.
No dia 1º de novembro de 1533 Nicolau Cop, amigo de Calvino, tomou posse como reitor da Universidade de Paris. O seu discurso de posse falava em reformas, usando linguagem semelhante às idéias de Lutero. E o comentário geral era que o discurso tinha sido escrito por Calvino. O rei Francisco I resolveu agir contra os luteranos. Calvino e Nicolau Cop foram obrigados a fugir de Paris.
No dia 4 de maio de 1534 Calvino compareceu ao palácio do bispo de Noyon, a fim de renunciar ao cargo de capelão. Foi preso, embora por um período curto. Libertado logo depois, achou melhor fugir do país. E no final de 1535 chegava a Basiléia cidade protestante, onde se sentiu seguro.
Em março de 1536 Calvino publicou a sua mais importante obra – Instituição da Religião Cristã. O prefácio da obra era uma carta dirigida ao rei da França, Francisco I, defendendo a posição protestante. Mas a Instituição era apenas uma apresentação ordenada e sistemática da doutrina e da vida cristã. A edição definitiva só foi publicada em 1559.
A Instituição da Religião Cristã, conhecida como Institutas de Calvino, é a mais completa e importante obra produzida no período da Reforma. [Veja a seção As Institutas do site Teologia Calvinista]
Em julho de 1536 Calvino chegou a Genebra. A cidade tinha se declarado oficialmente protestante no dia 21 de maio daquele ano. E Guilherme Farel lutava para reorganizar a vida religiosa da cidade.
Calvino estava hospedado em uma pensão, quando Farel soube que ele estava na cidade. Foi ao seu encontro e o convenceu a permanecer ali para ajudá-lo na reorganização da cidade.
Calvino era bem jovem – tinha apenas 27 anos. A publicação das Institutas fizera dele um dos mais importantes líderes da Reforma na França. Mas o seu início em Genebra foi muito modesto. Inicialmente ele era apenas um preletor de Bíblia. Um ano depois foi nomeado pregador. Mas enquanto isso elaborava as normas que pretendia implantar e fazer de Genebra uma comunidade modelo.
João Calvino teve muitos adversários e opositores em Genebra. À medida que ele ia apresentando as normas que pretendia implantar na cidade, a fim de torná-la uma comunidade modelo, a oposição ia crescendo. Finalmente a oposição venceu as eleições. E no dia 23 de abril de 1538, Calvino e Farel foram banidos de Genebra.
Calvino foi para Estrasburgo, onde pastoreou uma igreja constituída de refugiados franceses. Ali viveu os dias mais felizes de sua vida. Casou-se. A escolhida se chamava Idelette de Bure. Era holandesa. E viúva.
Genebra, enquanto isso, passava por várias mudanças. Os adversários de Calvino foram derrotados. E, no dia 13 de setembro de 1541, ele entrava novamente em Genebra. Voltava por insistência de seus amigos. Voltava fortalecido. E, enfim, pôde reorganizar a vida religiosa da cidade.
Calvino introduziu o estudo do seu catecismo, o uso de uma nova liturgia, um governo eclesiástico presbiterial, disciplinou a vida civil, estabeleceu normas para o funcionamento do comércio e fez de Genebra uma cidade modelo.
No dia 29 de março de 1549 Idelette faleceu. Mas Calvino continuou o seu trabalho. Pesquisava, escrevia comentários bíblicos e tratados teológicos, administrava, pastoreava, incentivava...
Em 1559 fundou a Academia Genebrina – a Universidade de Genebra. Jovens de vários países vieram estudar ali e levaram a semente do evangelho na volta à sua terra. Esses jovens se espalharam pela França, Países Baixos, Inglaterra, Escócia, Alemanha e Itália.
João Calvino faleceu em Genebra, no dia 27 de maio de 1564. Mas a sua obra permaneceu viva. [Veja a seções João Calvino e As Institutas]

JOHN KNOX (1505/15?-1587)
Os seguidores do movimento iniciado por Zwínglio e estruturado por Calvino se espalharam imediatamente por toda a Europa. Na França eles eram chamados de huguenotes; na Inglaterra, puritanos; na Suíça e Países Baixos, reformados; na Escócia, presbiterianos.
A Escócia é uma país muito importante na história do protestantismo reformado. Foi lá que surgiu o nome presbiteriano. Por isto, alguns livros de história afirmam que o presbiterianismo nasceu na Escócia.
O grande nome da reforma escocesa é John Knox. Pouco se sabe a respeito dos primeiros anos de sua vida. Supõe-se que tenha nascido entre os anos 1505 a 1515. Estudou teologia e foi ordenado sacerdote, possivelmente em 1536. Não se sabe quando e em que circunstâncias ocorreu a sua conversão. Em 1547 foi levado para a França, onde ficou preso dezenove meses, por causa de sua fé. Libertado, foi para a Inglaterra, onde exerceu o pastorado por dois anos. Em 1554 teve que fugir da Inglaterra, indo, inicialmente, para Frankfurt, e depois para Genebra, onde foi acolhido por Calvino. Em 1559 voltou para a Escócia, onde liderou o movimento de reforma religiosa. Sua influência extrapolou a área religiosa, atingindo também a vida política e social do país. Sob a sua influência, o parlamento escocês declarou o país oficialmente protestante, em dezembro de 1567. A igreja organizada por ele e seus auxiliares recebeu o nome de Igreja Presbiteriana. John Knox faleceu no dia 24 de novembro de 1587.
O presbiterianismo foi levado da Escócia para a Inglaterra; de lá, para os Estados Unidos da América.
Em 1726 teve início um grande despertamento espiritual nos Estados Unidos. Este despertamento levou os presbiterianos a se interessarem por missões estrangeiras. Missionários foram enviados para vários países, inclusive o Brasil. No dia 12 de agosto de 1859 chegou ao nosso país o primeiro missionário presbiteriano: Ashbel Green Simonton. [Este foi fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil www.ipb.org.br .]

Autor: Rev. Adão Carlos Nascimento
Igreja Presbiteriana de Campinas, site http://www.ipcamp.org.br