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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Batismo Infantil – Uma doutrina peculiar aos Presbiterianos




INTRODUÇÃOEste assunto é muito polêmico, há muitos que têm preconceito com este assunto.Isso porque muitos de nós temos o pensamento de que o batismo de bêbes é uma prática da Igreja Católica Romana. Outros pensam que é uma prática bíblica. Mas o que diz a Bíblia. E o debate sobre este assunto gira em torno da seguinte pergunta: Será que existe no Novo Testamento um mandamento ou ordenança para batizar os Filhos dos crentes? Os contrários à prática do batismo infantil dizem: Já que no Novo Testamento não podemos achar uma ordenança clara para batizar crianças,então, não devemos batizá-las.Para eles isso encerra o assunto. Na verdade podemos dizer sobre o assunto mais do que se imagina. Há coisas que a igreja crê e que não está claramente mostrado na Bíblia: Por exemplo, podemos citar a doutrina da Trindade – a Bíblia nunca diz que Deus é três Pessoas distintas e co-eternas. Mas, nem por isso deixamos de crer na doutrina ali revelada. Qual é o problema com a doutrina? Podemos sugerir algumas respostas:

1) É um problema de Metodologia: Se nos aproximamos da Bíblia acreditando que a igreja é um fenômeno do Novo Testamento somente, jamais vamos entender o Batismo de Crianças; a Bíblia diz que a igreja sempre existiu em Atos 7.38[1] está escrito “a igreja que estava no deserto”.
2) É um problema de não considerar a unidade da Bíblia: O problema aumenta quando nós não consideramos a unidade entre o V.T e o N.T. Não se conhece que há uma unidade entre os dois testamentos. O Velho Testamento é Palavra de Deus tanto quando o Novo Testamento.
3) É um problema de desconhecimento da eclesiologia: Muitos não aceitam a doutrina do Batismo infantil porque desconhecem o que seja a igreja. Há muita falta de conhecimento sobre isso na igreja atual.

Diante disso, podemos agora considerar o nosso assunto com muita cautela. O que podemos dizer sobre o Batismo Infantil? O que diz o nosso Catecismo maior sobre isso? “A quem deve ser administrado o Batismo? O Batismo não deve ser administrado aos que estão fora da Igreja visível, e assim estranhos ao pacto da promessa, enquanto não professarem a sua fé em Cristo e a obediência a Ele, porém as crianças cujos pais, ou um só deles professarem a fé em Cristo e obediência a Ele,então, quanto a isto, dentro do pacto e devem ser batizadas”(Catecismo Maior, Questão 166)

I – ANALISANDO O ANTIGO TESTAMENTO

Por onde devemos começar o nosso estudo? A resposta é no Antigo Testamento. Nós presbiterianos podemos dizer que este ensino começa com Abraão. Você pode dizer que é um crente do Novo Testamento e que o Antigo Testamento tem nada haver com você.Mas quero dizer-lhe que cada mensagem e doutrina no N.T tem as suas raízes no V.T. Se desejarmos conhecer profundamente a doutrina do pecado, é necessário ir até as páginas do Gênesis. Se quisermos conhecer adequadamente a Cruz precisamos ir aos cinco primeiros livros do V.T. Da mesma forma dizemos que se você quer aprender sobre o Batismo infantil ouPedobatismo
[2] é preciso começar com o Antigo Testamento.
Deus ao Criar o homem deu-lhe uma ordem de “crescer e multiplicar”(Gn.1.27-78) o propósito desta ordem é que Deus quer trazer ao mundo uma geração santa. Os filhos do primeiro casal devem ser santos. Vocês acham que Deus criou Adão e Eva para ficarem sozinhos? A resposta é Não! Este não é o propósito da família.
Em Gênesis 3 vemos o homem cair do estado em que foi criado, então , Deus vem ao homem vs.9 e pergunta: “onde estás?” é a graça de Deus vindo até o pecador.Antes da queda tínhamos a esperança de se ter filhos santos, mas agora temos uma geração de pecadores. Mas Deus não quer esses pecadores, decide fazer uma promessa de redenção Gn 3.15, Deus vem até a primeira família dizer que há esperança . Existe a esperança de que Ele ainda trata com gerações. Deus quer se relacionar com famílias, e isso, incluem os filhos de Adão e Eva.
Nos dias de Noé temos a mesma coisa.Deus não salva apenas uma pessoa, mas uma família conforme vemos Gênesis 6.9. A redenção vem em termos de família, em termos de gerações. Deus ao longo da História vem tratando com a família.
Alguns exemplos são pertinentes quando a isso: Abraão foi salvo por Deus. Em Romanos 4, Paulo explica que a Salvação de Abraão foi pela graça e pela fé.Gênesis 15.6; Romanos 4.9, então toda a doutrina nasce no Antigo Testamento.
No texto de Gênesis 17.7-14 o pacto é chamado de eterno. Deus escolhe o sinal da circuncisão para simbolizar a salvação. Deus dá um sinal que indica a salvação aos adultos como as crianças. Para alguém se tornar o seguidor de Javé era necessário ser circuncidado Êxodo 12.48. Todo crente do A.T deveria circuncidar o Filho, imagine-se no A.T Testamento e o que você faria? Certamente você circundaria o seu filho


II – O NOVO TESTAMENTO
O que o Novo Testamento tem a nos ensinar sobre este assunto? Os anti-pedobatistas dizem que para uma pessoa ser batizada é necessário crer. E citam Marcos 16.15-16. O ato de crer precede o de batizar, e assim, as crianças não podem crer, logo, não devem ser batizadas. Essa é uma conclusão dos anti-pedobatistas, todavia, vejamos o que diz o texto:
QUEM CRER E FOR BATIZADO SERÁ SALVO – esta declaração é correta, mas dizer que isso invalida o batismo de bêbes é um absurdo, pois, os nossos oponentes não leram o resto do versículo que diz:
POREM, QUEM NÃO CRER ESTÁ CONDENADO – isto significa que para ser salva a criança precisa crer, e ela não crer, logo,ela está condenada.
Se o batismo é símbolo da fé, então como entender Romanos 4.11. A circuncisão é vista como o símbolo da fé que Abraão teve, e este símbolo foi aplicado aos bêbes do V.T, logo, a criança deve ser batizada. O batismo é o cumprimento da circuncisão.
Paulo no N.T diz que o “batismo” é a “circuncisão de Cristo” Colossenses 2.11-12. O apóstolo Pedro fala do batismo de Criança quando proclama sobre Cristo em Atos 2.38-39 – A palavra grega usada aqui é teknia (teknia) que significa “criancinhas” filhos pequeninos, crianças de peito.Ele diz isso porque sabe que Deus continua agindo com família ao longo da história redentiva do povo do pacto. E, assim entendemos porque Paulo diz que os filhos dos crentes na igreja são santos em 1 Corintios 7.14.
Há também o batismo de famílias inteiras registradas nas paginas do N.T Atos. 11.14,44-48; 16.14-15; Atos 16.31

III – A HISTORIA E O BATISTMO INFANTIL

Neste momento desejamos mostrar os indícios de que a história confirma o Batismo infantil. Este ponto é importante para mostrar que a igreja sempre praticou o pedobatismo.
IRINEU( do 1 século) - Escreveu sobre o batismo infantil dizendo que Cristo mandou a igreja batizar todos os que foram alvos do evangelho, e assim, as criancinhas deveriam ser batizadas, ele declara isso em seu livro “Contra as Heresias, Livro III, Capítulo 9”.

JUSTINO, O MARTIR – Confirma o testemunho de Irineu dizendo que ele está referindo-se ao batismo de Criancinhas, ele diz isso no seu livro “Apologia I”.,
TERTULIANO – Ele é um teólogo do 3 século, defendia que seria melhor aos homens serem batizados mais tarde, pois, entendia que o batismo perdoa os pecados, e assim diz que as criancinhas deveriam ser batizadas mais tarde. Pelo testemunho de Tertuliano percebemos que o batismo de Crianças era uma prática comum na história da Igreja
Lembremos que isso não é do período da Igreja Católica Romana, mas é muito antes.
ORIGENES – Escreve dizendo que a “Igreja tinha dos apóstolos a tradição(ordem) para administrar o batismo as criancinhas”.
As tradições não devem ser abandonadas, especialmente, aquelas advindas dos apóstolos 2 Tess. 2.15;3.6
O CONCILIO DE CATARGO – Esse concílio responde a uma carta de Fido sobre que tempo deve-se esperar para batizar uma criancinha, o concílio com 66 bispos, decidiram unanimente que a Criança poderia ser batizada antes do oitavo dia de nascido.
PELÁGIO – No ano 350 escreveu o seguinte:”Nunca tive conhecimento de alguém, nem mesmo o mais ímpio herege, que negasse o batismo às criancinhas”.
AGOSTINHO – Conhecido como o doutor da graça escreveu defendendo o Batismo infantil como sendo a fonte de redenção dos pequeninos.
ConclusãoO Batismo infantil é uma prática Bíblica e histórica da Igreja e precisamos resgatá-la em nosso meio, pois, ela nos garante a certeza de que a criança faz parta da igreja de Deus como povo do pacto do Senhor.
BIBLIOGRAFIA:
1) Estudos Bíblicos sobre o Batismo de Crianças – Philippe Landes – Casa Editora Presbiteriana, S.D.
2) Confissão de Fé e Catecismo Maior da Igreja Presbiteriana do Brasil - Casa Editora Presbiteriana, 1980.
3) Batismo Infantil – O que os Pais deveriam saber acerca deste sacramento – Editora Os Puritanos, 2000.
4) Batismo – O Sinal do Pacto, Rev.Onezio Figueiredo, Sínodo de São Paulo, Presbitério de Casa Verde – IPB, 1993.
5) Revistas Os Puritanos – Vamos a Casa do Senhor & A família do Pacto – Artigo: Batismo Infantil, Kenneth Wieske,2005 & 2006.
[1] O termo grego ekklhsia(ekklesía) significa igreja, Congregação dos chamados para fora do mundo e consagrados para Deus.[2] A expressão grega “pedobatismoV” significa batismo de bêbes recém-nascidos.

Vocação Eficaz.




Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça."
Introdução: A nossa Confissão passa agora a afirmar uma das grandes doutrinas presbiterianas, conhecida como a Vocação eficaz. Esta doutrina tem sido negligenciada em muitos púlpitos modernos em nossas Igrejas, e precisamos trazê-la mais uma vez para o nosso bojo teológico.
O que esta doutrina significa para cada um de nós? Esta é uma grande pergunta que precisa ser considerada. Ela significa que toda a obra da salvação está vinculada a ação de Deus na vida do pecador. Deus soberanamente decide atrair para si os seus eleitos por meio da ação amorosa e soberana do seu Espírito Santo. É diante desta doutrina que nos encontramos no presente momento. Então, o que podemos de fato aprender sobre isso nesta manhã?

I – APRENDEMOS QUE A VOCAÇÃO EFICAZ É DESTINADA SOMENTE AOS PREDESTINADOS.Isso nos diz que apenas aqueles a quem o Pai desde toda a eternidade escolheu para encontrar a vida em Cristo. Daqui temos duas grandes verdades:
1. Que essa vocação ocorre no tempo devido de Deus: O criador do universo decidiu o mês, ano e tempo no qual ele chamaria os seus eleitos no tempo para encontrar vida.
2. Que esse chamado, na vida do eleito, é sempre eficaz no tempo estabelecido por Deus.
Mas, antes de tudo isso ocorrer se percebe, segundo nossa Confissão de Fé, que tal vocação ou chamado ocorre após a predestinação. Isso fica claro na passagens que vemos nas Escrituras; destacamos algumas delas:
Romanos 8.30 – o que está envolvido aqui?
a. Está envolvido uma perspectiva escatológica: Ou seja, Deus nos predestinou e nos chamou e o fim último – que é a glorificação – é contemplada neste texto como algo já acontecido; ou seja, apenas os que foram eleitos e chamados têm a esperança escatológica de que já estão glorificados em Cristo.
b. Também está envolvido uma realidade já consumada: Pois, os que foram conhecidos e predestinados são contemplados como chamados – o já e o ainda-não da salvação sendo vivenciado pela Igreja de Cristo, está presente na perspectiva soteriológica de Paulo.
Aprendemos , por várias passagens das Escrituras, que a salvação torna-se real na vida daqueles são chamados. Romanos 11.7 nos ensina que vida salvadora é possível por causa da eleição de Deus.
Também vemos que a eficácia do chamado eficaz tem como base a vontade predestinadora de Deus conforme aprendemos em Efésios 1.10,11.

II –APRENDEMOS QUE A VOCAÇÃO EFICAZ ACONTECE PELA UNIDADE ENTRE O ESPÍRITO E A PALAVRA.
Há algumas pessoas que defendem uma regeneração (sinônimo de vocação eficaz segundo a nossa Confissão de Fé) que pode acontecer sem a instrumentalidade da Palavra –e essa perspectiva é chamada de regeneração imediata – onde apenas o Espírito Santo opera tal ação vivificadora. Essa foi a posição de Zwínglio o grande reformador de Zurique, mas tal concepção ignora a relação existente entre a Palavra de Deus (tanto pregada quanto manifestada de forma visível pelos sacramentos) e o Espírito Santo; e ainda, tal visão está longe do ensino claro das Escrituras. O que a nossa Confissão afirma é que tal vocação deve acontecer pelo Espírito e pela Proclamação da Palavra. O que isso implica para nós?
1. Implica que não existe vocação sem a Palavra escrita e pregada de Deus.
2. E que o Espírito nunca opera sem a Palavra e nem contra a Palavra.
A harmonia entre o Espírito e a Palavra deve ser preservada dentro da Igreja, por isso, não há nada mais perigoso para a Igreja do que uma pneumatologia que ignora a Palavra de Deus. Veja essa unidade em dois textos fundamentais:
2 Tessalonicenses. 2.13,14 “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelos Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também voschamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo”. Perceberam a relação existente entre a santificação do Espírito e o chamado feito pela Palavra de Deus - chamada aqui de evangelho.
O segundo texto é Romanos 10.17 : “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação pela Palavra de Cristo”. Perceberam que há uma relação entre a fé e a pregação? A primeira só é gerada por causa da Segunda.

III – APRENDEMOS QUE CRISTO É O MEIO EFICAZ DA AÇÃO DA PALAVRA E DO ESPÍRITO PARA A CONCRETIZAÇÃO DA SALVAÇÃO.
A nossa Confissão nos ensina que Cristo nos chama pela obra do Espírito e da Palavra nos seguintes termos:

1. Somos salvos do estado de Pecado morte no qual por natureza nos encontramos – isso é chamado de regeneração (Ef.2.1-5).
2. A autêntica vida espiritual tem a sua base na Pessoa de Cristo. (Rm.8.1-2).
3. A vida que encotramos em Cristo é manifestada na vocação eficaz e no poder do Evangelho que revela a justiça de Deus.( 2 Tm. 1.9,10; Rm.1.16-17).

IV – APRENDEMOS COMO ESSA VOCAÇÃO É OPERADA NO HOMEM.
Como é operada tal vocação eficaz na vida do homem? Como o homem é chamado eficazmente para Cristo?
Ela operada da seguinte forma:

1. Mediante a iluminação da mente e do coração mediante a obra do Espírito Santo e da Pregação: A Escritura nos ensina que a vocação é operada na vida do homem por meio da obra iluminadora do Espírito Santo. Paulo diante de Agripa coloca-nos exatamente este ensino de forma cristalina em Atos 26.18; Ef.1.17-18 somos informados que os olhos do coração do homem é iluminado pela atividade do Espírito Santo.
2. O Remover do Coração de Pedra: Essa vocação torna-se uma realidade na vida do homem quando Deus, soberanamente, remove o coração de Pedra dos pecadores e coloca um coração sensível ao seu Espírito (Ez.36.26)
Surge-nos uma pergunta: Qual é o propósito disso tudo? Podemos oferecer duas respostas singulares a essa questão.
a. Humilhá-los por sua incapacidade: A doutrina da vocação eficaz mostra a incapacidade do homem de se mover sozinho para a vida; e mostra, que o homem não pode se auto-vivificar.
b. Para indicar a plena manifestação da graça na vida dos eleitos: A graça da salvação é mostrada aos eleitos de forma muito clara. Pois, Deus fez de tudo para trazê-los à fé em Cristo Jesus.

V – APRENDEMOS QUE A VOCAÇÃO EFICAZ NÃO ELIMINA A VONTADE DO HOMEM.
Se a vocação eficaz opera tudo isso. Então, ela elimina a vontade do homem? Será que haverá pessoas salvas de forma forçada? A resposta é não. Aprendemos em nossa Confissão que a vontade do homem é:
1. Renovada a querer o bem salvador: É exatamente isso que aprendemos no texto de Fp.2.13, Deus opera em nossa vontade para querermos o que é bom e agradável aos seus olhos, ou seja, a nossa vontade é renovada por Deus.
2. Determinada e ordenada a fazer o que é bom: Dois texto nos mostram isso de forma clara. Em Dt. 30.6 – Deus determina o povo que escolham a vida! – e o outro texto que temos em Ez.36.27 a vontade do homem é ordenada a cumprir os decretos de Deus.
3. É atraída para Cristo: Somos iluminados e atraídos segundo a eficácia do poder de Deus em Efésios 1.18-19; e Deus é autor dessa atração somos arrastados a Cristo por meio de Deus, isso é muito claro em João 6.44,45.
4. Mas são livremente achegados a graça de Deus; ou seja eles vêm livre até a graça de Deus revelada em Cristo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sobre jugos desiguais



Jugo, ou cangalha, como se diz aqui no Espírito Santo, é o nome dado àquela peça de madeira que é colocada sobre dois animais para que possam puxar a carroça, o arado, etc. Quando se colocam animais para puxar uma carga, deve-se ter o cuidado para que não sejam de tamanho ou força “desigual” a fim de que um deles não fique sobrecarregado, ou seja, para que não seja um “jugo desigual”. A Bíblia fala sobre jugos desiguais e é bastante clara ao afirmar que os crentes não devem se prender a jugo desigual com os incrédulos. Na segunda epístola aos Coríntios Paulo escreveu: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?” (2Co 6.14-15). O ensino diz respeito a qualquer associação entre um crente e um incrédulo, apesar de ser mais comumente usado para se referir ao chamado “casamento misto”. A razão para essa ordenança, creio ser bem simples de se compreender. Tendo princípios e motivações diferentes, sempre haverá uma carga mais pesada para uma parte que para a outra e, geralmente, pesando para o lado do crente. Ouvi certa vez, de alguém que não via problemas no casamento misto, que a ordem de Paulo se referia apenas a sociedades civis, mas pense na implicação dessa posição: você pode casar com um incrédulo e dividir com ele a grande responsabilidade de educar os filhos, mas não pode abrir um negócio com o cônjuge. Isso chega a soar de forma ridícula. Um cristão comprometido com o Senhor deve ponderar muito bem sobre essa questão, pois as dificuldades certamente virão e, ainda que fosse possível garantir que elas não fossem surgir, a desobediência continua existindo. Eu sei que existem, e conheço alguns, casamentos assim, em que os cônjuges vivem bem e outros em que a parte incrédula acabou se convertendo, mas isso é pura graça e misericórdia do Senhor, e constituem-se exceções. A regra continua sendo o ensino de Paulo, que simplesmente ecoa o que outras passagens das Escrituras ensinam (Gn 6.1-3; Ex 34.12-17; Ne 13.23-27; 1Co 7.39). São várias as razões que levam um crente a buscar relacionamento com um incrédulo e por trás de todas elas, indubitavelmente, está a vontade de satisfazer os próprios sentimentos em vez de obedecer ao Senhor e esperar nele. Por vezes, a ansiedade de conseguir um cônjuge torna-se um peso tão grande que a paciência em “esperar” alguém com a mesma fé dá lugar ao afoito desejo de fazer as coisas do seu próprio jeito e, assim, estabelece-se o jugo desigual, tão claramente desautorizado pela Palavra. Mas, se por um lado a Escritura proíbe o jugo desigual com os incrédulos, por outro lado, ela nos ordena entrar numa relação que também é de jugo desigual, porém com o Senhor Jesus. Foi ele mesmo quem disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30). No relacionamento com Cristo Jesus ele assume todo o peso, em nosso favor. A Bíblia nos mostra que, além do peso do pecado, o homem tem sobre si outro grande fardo, pois para que ele seja salvo Deus requer dele o cumprimento da Lei. O problema é que, por ser pecador, o homem não tem condições de guardá-la de forma plena e tem sobre si o peso da condenação do Senhor. Jesus guardou a Lei de forma perfeita, tomou sobre ele os nossos pecados e recebeu sobre si o peso da nossa condenação. Descrevendo o sofrimento do Servo do Senhor, Isaías afirmou que “certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si [...] ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.4-5). O apóstolo Pedro, citando o texto de Isaías, nos ensina como deve ser a nossa vida, após sermos aliviados pelo Senhor, do peso da condenação: “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas fostes sarados” (1Pe 2.24). Por carregar o peso por nós, Jesus pode então ordenar e afirmar: “Tomai sobre vós o meu jugo [...] porque o meu jugo é suave.” Sem o peso da condenação o crente pode cumprir os mandamentos, não para autojustificação, mas para honrar aquele que o justificou, entendendo que “os seus mandamentos não são penosos” (1Jo 5.3). O cristão pode ainda lançar todo o peso causado pelas ansiedades (incluindo a busca pelo cônjuge) sobre aquele que o carrega por nós, como exortou Pedro: “Lançando sobre ele a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.7). Não insista em buscar um jugo que o Senhor afirma ser sobremodo pesado, antes, tome sobre você o jugo suave daquele que suporta o peso por nós, honrando-o em todo tempo no cumprimento dos seus mandamentos.

Escrito por  Milton Jr.


Fonte:     Sociedade Calvinista

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Professora que orava no início das aulas tem 15 dias para se explicar ao MP



O aluno chegou a dizer que está sendo ameaçado pelos colegas, outros estudantes, porém dizem que não é verdade




A professora de História Roseli Tadeu Tavares Santana tem 15 dias para se explicar ao Ministério Público de São Paulo para mostrar quais os objetivos pedagógicos que a levavam a gastar 20 minutos de sua primeira aula fazendo orações e pregando o evangelho.
A professora que dá aulas na Escola Estadual Antônio Caputo, em São Bernardo do Campo, foi acusada de impor sua religião aos alunos que teriam praticado bullying contra um estudante de 15 anos que é adepto do candomblé.
Os pais do garoto, que são sacerdotes da religião, e a Afecab (Associação Federativa da Cultura e Cultos Afro-Brasileiros) criticam a demora do Estado em responder ao caso, afastando a professora do caso.
A direção da escola também terá que mostrar o material usado nas aulas e esclarecer sobre os recursos pedagógicos que são aplicados pela professora Roseli que continua dando aulas.
Segundo reportagem do Diário do Grande ABC os alunos dizem que a professora não faz mais as orações e que está muito triste. “As aulas estão cada vez mais tristes. Ela sentiu bastante toda essa história. Sinto falta de como era”, disse um deles.
O aluno chegou a dizer que foi ameaçado pelos colegas, mas outros estudantes negam o fato. “Não teve nada disso. Ninguém fala com ele”, disse uma aluna de 15 anos que estuda na mesma turma. “Sinto falta das reflexões da professora e por causa disso, perdemos. Por besteira. Vamos protestar se ela sair”, completou a aluna.
Ao que parece o período de oração foi substituído por cinco minutos de “reflexão”. Ao jornal os pais do aluno disseram que vão levar o caso para o governador e para a presidente se a secretaria regional não tomar providências.
“Minha bronca não é nem com a escola, mas sim com a secretaria. Eles precisavam dar resposta imediata. Vou ter que procurar direto o governador e a presidente”, ameaçou o pai do garoto, Sebastião da Silveira, 64 anos.

Com informações Diário do Grande ABC