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sábado, 14 de agosto de 2010

A Existência de Deus

A GRANDE PRESSUPOSIÇÃO

Para nós a existência de Deus é a grande pressuposição da teologia. Não há sentido em
falar-se do conhecimento de Deus, se não se admite que Deus existe. A pressuposição da
teologia cristã é um tipo muito definido. A suposição não é apenas de que há alguma coisa,
alguma idéia ou ideal, algum poder ou tendência com propósito, a que se possa aplicar o nome de
Deus, mas que há um ser pessoal auto-consciente, auto-existente, que é a origem de todas as
coisas e que transcende a criação inteira, mas ao mesmo tempo é imanente em cada parte da
criação. Pode-se levantar a questão se esta suposição é razoável, questão que pode ser
respondida na afirmativa. Não significa, contudo, que a existência de Deus é passível de uma
demonstração lógica que não deixa lugar nenhum para dúvida; mas significa, sim, que, embora
verdade da existência de Deus seja aceita pela fé, esta fé, se baseia numa informação confiável.
Embora a teologia reformada considere a existência de Deus como pressuposição inteiramente
razoável, não se arroga a capacidade de demonstrar isto por meio de uma argumentação
racional.


Fonte: Teologia Sistemática de Louis Berkhof

A Condição Original do Homem como a Imagem de Deus.

É muito estreita a conexão existente entre a imagem de Deus e o estado original do homem
e, por isso ambos são geralmente considerados juntos. Uma vez mais teremos que distinguir
entre diferentes conceitos históricos da condição original do homem.

1. O CONCEITO PROTESTANTE.
Os protestantes ensinam que o homem foi criado num estado de relativa perfeição,
um estado de justiça e santidade. Não significa que ele já tinha alcançado o
mais elevado estado de excelência de que era suscetível. Geralmente se admite que
ele estava destinado a alcançar um grau mais elevado de perfeição pela obediência. Um tanto
semelhante a uma criança, era perfeito em suas partes, não porém em grau. Sua condição era
preliminar e temporária, podendo levar a maior perfeição e glória ou acabar numa queda. Foi por
natureza dotado daquela justiça original que é a glória máxima da imagem de Deus e,
conseqüentemente, vivia num estado de santidade positiva. A perda daquela justiça significaria a
perda de uma coisa que pertencia à própria natureza do homem em seu estado ideal. O homem
podia perdê-la e ainda continuar sendo homem, mas podia não perdê-la e continuar sendo o
homem no sentido ideal da palavra. Noutras palavras, sua perda significaria realmente uma
deterioração e um enfraquecimento da natureza humana. Além disso, o homem foi criado imortal.
Isto se aplica não à alma somente, mas a toda a pessoa do homem; e, portanto, não significa
apenas que a alma estava destinada a ter existência permanente. Tampouco significa que o
homem foi elevado acima da possibilidade de ser presa de morte; isto só se pode afirmar sobre os
anjos e os santos que estão no céu. Significa, porém, que o homem, como criado por Deus, não
levava dentro de si as sementes da morte e não teria morrido necessariamente em virtude da
constituição original da sua natureza. Embora não estivesse excluída a possibilidade de vir a ser
vítima da morte, não estava sujeito à morte, enquanto não pecasse. Deve-se ter em mente que a
imortalidade original do homem não era uma coisa puramente negativa e física, mas era também
uma coisa positiva e espiritual. Significava vida em comunhão com Deus e o gozo do favor do
Altíssimo. Esta é a concepção fundamental da vida, segundo a Escritura, assim como a morte é
primariamente a separação de Deus e a sujeição à Sua ira. A perda dessa vida espiritual daria
lugar à morte, e redundaria também na morte física.

Fonte: Teologia Sistemática - Louis Berkhof