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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus



 
                                                        Josivaldo de França Pereira


A autodesignação de Paulo comoprisioneiro de Cristo Jesus é comum em suas epístolas (cf. Ef 3.1; Fm 1,9).[1]Certamente foi da providência de Deus que Paulo ficasse em prisões muitas vezes (cf. 2Co 11.23), a fim de que, de dentro delas ele escrevesse, por exemplo, boa parte de suas epístolas. Ademais, o cuidado do Senhor com a integridade física do seu apóstolo era evidenciado nessas prisões. Jesus protegia seu servo dos perigos de morte constantemente impostos por seus perseguidores.
A carta a Filemom é a única epístola de Paulo que inicia com a expressão "prisioneiro de Cristo Jesus". Ele a repete no verso nove. É provável que o apóstolo quisesse mostrar a Filemom que se ele (Paulo) podia ser prisioneiro de Cristo, Filemom não devia ter dificuldade em fazer algo menor, isto é, receber de volta o escravo fugitivo Onésimo, não maiscomo escravo, mas agora como irmão caríssimo (Fm 16).
Contudo, o que significava ser "prisioneiro de Cristo Jesus" para Paulo? Além de demonstrar amor aos gentios (Ef 3.1) e contribuir para o progresso do evangelho (Fp 1.12-14), ser prisioneiro de Jesus significava desfrutar da segurança divinal de Jesus. Paulo nunca foi abandonado pelo Senhor e sabia que jamais o seria (cf. 2Tm 4.17,18). Um bom exemplo disso é o fato do apóstolo não ter problema com as autoridades enquanto estava preso.
Na cidade de Filipos, juntamente com Silas, Paulo não foi impedido de cantar e orar (At 16.25). Em Jerusalém as autoridades o salvaram do espancamento dos judeus que o levaria à morte (At 21.30-34). Em Cesaréia o governador Félix "mandou ao centurião que conservasse a Paulo detido, tratando-o com indulgência e não impedindo que os seus próprios o servissem" (At 24.23). Lucas conclui o livro de Atos dizendo que em Roma "Por dois anos, permaneceu Paulo na sua própria casa, que alugara, onde recebia todos que o procuravam, pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as cousas referentes ao Senhor Jesus Cristo" (At 28.30,31).
A falta de liberdade gerada pela prisão - o direito de ir e vir - representava liberdade em Cristo dentro da prisão. Por mais paradoxal que isso pareça ser, era assim que Paulo via as coisas (cf. Fp 1.12-14). Leia a epístola de Paulo aos Filipenses, escrita também da prisão, e você a achará cheia de alegria, triunfo e confiança no Senhor. É por isso que os cristãos não deviam ficar envergonhados por aqueles que iam para a prisão por causa do evangelho (2Tm 1.8,16).
Depois de dois anos prisioneiro na Palestina (Cesaréia), Paulo foi mandado a Roma numa viagem marítima muito perigosa, que acabou em naufrágio na ilha de Malta. Por conseguinte, ele chegou são e salvo à capital do império, conforme a promessa de Deus (At 27.23,24). Em Roma, Paulo foi prisioneiro de Nero, um dos mais tiranos imperadores, porém, em nenhuma de suas cartas o apóstolo faz referência a si mesmo como sendo prisioneiro de César. Ele sempre diz que é o prisioneiro do Senhor porque, além das correntes, dos guardas e dos processos imperiais de justiça, ele via a mão de Jesus dirigindo todas as coisas. Em momento algum ele se lamenta por estar na prisão, como se dissesse: "Com tanta coisa para se fazer lá fora, e eu perdendo tempo aqui dentro".
Na prisão, Paulo ocupou muito bem o seu tempo com a pregação do evangelho à guarda pretoriana, àqueles que o visitavam e escrevendo suas cartas.
 



[1] Para outras expressões correlatas em Paulo, veja Rm 16.7; 2Co 6.5; 11.23; Ef 4.1; 6.20; Fp 1.7,13,14,17; Cl 4.3,10,18; 2Tm 1.16; 2.9; Fm 10,13,23.

CARTAS DA PRISÃO





Enquanto estava preso pela primeira vez, em Roma, o apóstolo Paulo escreveu cartas aos Efésios, Filipenses, Colossenses e a seu amigo Filemom.



Aos Efésios
Escrita entre 60 e 61 (dC) - Confinado e aguardando julgamento (3.1; 4.1; 6.20), o apóstolo escreve esta carta, uma espécie de circular - para ser lida por várias outras congregações.
Éfeso era um importante porto da Ásia Menor, localizado perto da atual Izmir ( ou Esmirna, na Turquia). Éfeso está presente também em  Ap 2-3. É o lugar onde Paulo, em sua terceira viagem missionária, cerca de 10 anos antes, permaneceu por cerca de três anos, fazendo maravilhas extraordinárias ( ver Atos 19-11 ).
A mensagem mais forte  de Efésios é  “Para louvor de Sua (Cristo) glória” (1.6,12,14). A palavra glória ocorre oito vezes no texto. O seu grande objetivo é a  ênfase no compromisso de Jesus em construir uma igreja ( corpo de Cristo )  gloriosa, madura sem mácula, nem ruga... (5.27).
Efésios revela Deus  trazendo a igreja para seu objetivo que é Cristo. Os passos básicos de amadurecimento são dados na direção do compromisso da igreja em lutar contra os poderes do mal. A carta divide-se em duas seções: A) Os capítulos da 1 a 3 são de natureza doutrinária e tratam dos privilégios espirituais da Igreja; B) Os capítulos de 4 a 6 são exortações e tratam das responsabilidades espirituais dos cristãos.
Referencias a Cristo: Aos Efésios  foi chamado de “Os Alpes do NT”, “O grande Cânon da Escritura” e “O ápice real das Epístolas”, não somente por seu grande tema, mas devido à majestade do Cristo revelado aqui. Cap. 1: Ele é o redentor (1.7), aquele em quem e por quem a história será definida (1.10); Ele é o Senhor ressuscitado que  ressuscitou dos mortos e do inferno e que reina como Rei, derramando sua vida através de seu corpo, a igreja - a expressão atual dele mesmo na Terra (1.15-23). Cap. 2: Ele é o pacificador que reconciliou o homem com Deus e que também possibilita a reconciliação entre os homens (2.11-18); Ele é a principal pedra da esquina do novo templo, que consiste no seu próprio povo sendo habitado pelo próprio Deus (2.19-22). Cap. 3: Ele é o tesouro em que são encontradas as riquezas inescrutáveis da vida (3.8); Ele é o que habita nos corações humanos, garantindo-nos o amor de Deus (3.17-19). Cap.4: Ele é o vencedorque acabou com a capacidade do inferno de manter a humanidade cativa (4.8-19). Cap. 5:Ele é o marido modelo, dando-se sem egoísmo para realçar sua noiva - sua igreja (5.25-27, 32). Cap.6: Ele é o Senhor, poderoso na batalha, a força necessária para seu povo enquanto eles se armam para a batalha espiritual (6.10).
Referências ao Espírito Santo: Assim como Cristo, o ES é revelado de uma forma ampla e através do crente: em 1.13, ele é o selador, autorizando o crente a representar Cristo; em 1.17 e 3.5, ele é o revelador, iluminando o coração para aprender o propósito de Deus; em 3.16, ele é o doador, a quem Cristo dá força; em 4.3, ele é o Espírito da unidade, desejando sustentar a ligação de paz no corpo de Cristo; em 4.30, ele é o Espírito de santidade, que pode se entristecer por causa da carne; em 5.18, ele é a fonte através da qual todos devem ser continuamente cheios; em 6.17-18 ele é que dá a Palavra como espada para uma batalha e o assistente celeste que nos foi concedido para nos ajudar a orar e a intervir até que obtenhamos a vitória.


Aos Filipenses
A Igreja de Felipo foi estabelecida por Paulo, por volta do ano 51 dC, e está registrada no livro dos Atos dos Apóstolos 16:12-40. Desde o começo, a Igreja apresentava um forte zelo missionário e era constante em seu apoio ao ministério de Paulo.
Paulo desfrutou de uma amizade mais próxima com os filipenses do que com qualquer outra igreja.
Paulo escreveu esta carta  por volta de 61 dC, para agradecer suas contribuições, aproveitando para elogiar a Epafrodito, que tinha trazido a doação de Filipos, e a quem Paulo estava enviando de volta.
Em muitos aspectos, esta é a mais bela cara de Paulo, cheia de ternura, calor e afeição. Seu estilo é espontâneo, pessoal e informal, apresenta-nos um diário íntimo de suas próprias experiências espirituais de Paulo. A sensação dominante por toda a carta é a alegria triunfante. Paulo, embora prisioneiro, era muito feliz, e invocava seus leitores para sempre se regozijarem em Cristo. Para Paulo, Cristo era mais do que um exemplo, Ele era a própria vida do apóstolo.
A mensagem permanente aos filipenses diz respeito à natureza e base de alegria cristã. Para Paulo, a verdadeira alegria não é uma emoção superficial que depende de circunstâncias favoráveis do momento. A alegria cristã é independente de condições externas, e é possível mesmo em meio a circunstâncias adversas, como sofrimento e perseguição.
A alegria definitiva surge da comunhão com Cristo ressuscitado e glorificado. Por toda a carta, Paulo fala da alegria do Senhor, enfatizando que somente através de Cristo se alcança a alegria. Essencial para essa alegria é a convicção da autoridade de Cristo, baseada na experiência do poder de sua ressurreição. Devido a essa convicção, a vida de Paulo ganhou sentido.
Mesmo a morte tornou-se uma amiga, pois o levaria a uma maior experiência da presença de Cristo (v 1.21-23) A alegria apresentada em filipenses envolve uma expectativa ávida da volta eminente de Cristo.
Paulo também descreve uma alegria que surge da comunhão na propagação do evangelho. Ele começa a carta agradecendo aos filipenses por sua parceria na divulgação dos evangelhos através de suas ofertas monetárias. As ofertas, entretanto, são apenas uma expressão de seu espírito de comunhão, ou como ele coloca em 4.17, “o fruto que cresça para a vossa conta”.
Sendo assim, a alegria cristã é uma conseqüência de estar em comunhão ativa com o corpo de Cristo.
Referências a Cristo:Para Paulo, Cristo é a soma e a essência da vida. Pregar Cristo era sua grande paixão; conhecê-lo era sua maior aspiração; sofrer por ele era um privilégio. Seu principal desejo para seus leitores era de que eles pudessem ter a mente de Cristo. Para sustentar sua exortação de humildade, o apóstolo descreve a atitude de Cristo, que renuncia à glória dos céus para sofrer e morrer por nossa salvação (vers 2.5-11),realçando tanto a divindade quanto a humanidade de Cristo.
O Espírito Santo: A obra do Espírito é mencionada 3 momentos: primeiro, Paulo declara que o Espírito de Jesus, juntamente com as orações dos filipenses, será o responsável por sua libertação. (vers 1.19). O Espírito Santo também promove unidade e comunicação com o corpo de Cristo, um só espírito e uma só atitude (vers 2.1).Então, sem rituais e formalidades, o Espírito Santo inspira e direciona o louvor dos verdadeiros crentes (vers 3.3).


Aos Colossenses
Paulo nunca tinha visitado Colossos, uma pequena cidade na província da Ásia, a cerca de 160 km de Éfeso. Epafras, um nativo da cidade e provavelmente convertido pelo apóstolo, talvez tenha sido o fundador e líder da igreja ( 1:7-8; 4:12-13). A igreja aparentemente se reunia na casa de Filemom (Fm 2).
Está carta foi escrita por volta do ano 61 dC. Em algum momento da prisão de Paulo Epafras solicitou sua ajuda para lidar com falsas doutrinas que ameaçavam a igreja em Colossos (2:8-9) e, ao que tudo indica ensinava que Jesus não era nem completamente Deus e nem completamente homem, mas apenas um dos seres semi-divinos que ligavam o abismo entre Deus e o mundo.
Nenhum outro livro do NT apresenta de forma tão completa a autoridade universal de Cristo ou a defende com tanto cuidado.
Colossenses  apresenta Cristo como o Senhor supremo em cuja suficiência o crente encontra perfeição (1:15-20). Os primeiros dois capítulos apresentam e defendem essa verdade; os últimos dois desvendam as implicações práticas.
Paulo declara a autoridade de Cristo de três formas : Primeiro, Cristo é o Senhor de toda a criação. Sua autoridade abrange todo o universo material e espiritual (1:16). Como isso inclui os anjos e planetas (1:16; 2:10), só Cristo merece ser louvado e não os anjos (2.18). Além disso, não há motivo para temer os poderes espirituais demoníacos ou buscar através de superstições  sua proteção  pois Cristo neutralizou o poder deles na cruz (2:15). Como soberano e detentor de todo o poder, Cristo não é apenas o Criador do universo, mas também o preserva (1:17), é seu princípio e seu fim (1:16).
Em segundo lugar, Jesus é o superior na igreja (1:8). Ele é a vida e líder dela, e a igreja só deve submeter-se a Ele. Os colossenses devem permanecer arraigados a Ele (2:6-7) ao invés de se encantarem com especulações e tradições vazias (2:8,16:18).
Em terceiro lugar, Jesus é supremo na salvação (3:11). Nele somem todas as distinções criadas pelo homem e caem as barreiras. Ele transformou os cristãos em uma única família onde os membros são iguais em perdão e adoção; é Ele quem importa, em primeiro e em último lugar. Portanto, contrário à heresia, não há qualificações ou exigências especiais para vivenciar o privilégio de Deus (2:8-20).
Os caps. 3-4 lidam com as implicações práticas de Cristo na vida diária dos colossenses. Paulo usa a palavra “Senhor” nove vezes em 3:1-4:8, o que indica que a supremacia de Cristo invade cada aspecto de seus relacionamentos e atividades.
Paulo eleva Cristo como o centro de tudo que existe,  Ele é a revelação e representação exata do Pai (1:5), bem como a encarnação da total divindade (1:19; 2:9). Ele, que é Senhor da criação (1:16), da igreja (1:18), e da salvação (3:11), habita os crentes e é sua “esperança e glória” (1:27). O supremo criador e mantenedor de todas as coisas (1:16-17) também é um salvador suficiente para seu povo (2:10)
A Carta aos colossensses faz uma única referência explícita ao ES, usada em associação com o amor (1:8). Alguns sábios também entendem “sabedoria e inteligência espiritual” em 1:.9 em termos de dons do Espírito. Para Paulo, a autoridade de Cristo na vida do crente é a evidência mais crucial da presença do Espírito.


A Filemon
Juntamente com a carta que escreveu aos colossenses, de sua prisão romana, por volta de 61 dC, Paulo enviou essa pequena epistola, ao seu amigo pessoal Filemom.
Tudo indica que Filemom tinha se convertido sob o ministério de Paulo (v.10), que morava em Colossos, e que a igreja colossense se reunia em sua casa (v.2). Onésimo, um de seus escravos tinha fugido para Roma, aparentemente depois de danificar ou roubar a propriedade do mestre (vs. 11,18). Em Roma, Onésimo entrou em contato com o preso Paulo, através do qual se converteu aos caminhos do Senhor (v.10). Tíquico e o próprio Onésimo aparentemente entregaram as duas cartas (Cl 4.7-9; Fm 12).
O relacionamento próximo de Paulo e Filemom é evidenciado através de suas orações mútuas (vs 4 e 22) e de uma hospitalidade que deixa as “portas abertas” (v.22). Amor, confiança e respeito caracterizavam a amizade deles (v 1, 14,21) O Apóstolo desejava uma verdadeira reconciliação cristã entre o proprietário de escravos que fora lesado e o escravo, agora convertido. Paulo, com delicadeza, mas com urgência e, sem se utilizar de sua autoridade apostólica, intercedeu por Onésimo e expressou total confiança de que a fé e amor de Filemom resultariam no perdão (vs 5,21).
Mesmo sendo a mais curta das epístolas de Paulo, Fm é uma profunda revelação de Cristo operando em sua vida  e na vida daqueles à sua volta. Ela revela como Paulo endereçou com educação, porém com firmeza, expressando o tema central da vida cristã, isto é, o amor através do perdão. A epístola é uma revelação autêntica dos verdadeiros relacionamentos cristãos.
Depois de agradecer pessoalmente a Filemom e seus companheiros crentes, Paulo dá graças por seu amor e fé em relação a Cristo e a seus companheiros crentes. O amor fraternal normalmente exige graça e misericórdia práticas, e Paulo logo chega a esse tópico. Ele explica a conversão de Onésimo e o novo valor do escravo no ministério e família de Jesus Cristo (12-16).
Essa transformação, junto com a profunda amizade de Paulo com os dois homens, é a base de um novo começo. Não se trata de um apelo superficial de Paulo, pois ele preenche um “cheque em branco” em nome de Onésimo para pagar qualquer tipo de dívida (vs 17-19). Ele faz a petição já sabendo que o amor e caráter de Filemom prevalecerão.
Essa epístola é um exemplo poderoso da mensagem do evangelho. Antes um escravo alienado, Onésimo agora também é um “querido Irmão” em Cristo (v.16). Dessa forma Filemom é desafiado a mostrar o mesmo perdão incondicional que ele recebeu através da graça e amor de Jesus. A oferta de Paulo em pagar uma dúvida que não era sua é um quadro claro da obra do Calvário. A intercessão de Paulo é, além disso, tipifica à intercessão contínua de Cristo junto ao Pai em nosso nome.
Mesmo não mencionando especificamente o Espírito Santo, foi ativo no ministério de Paulo e na vida da igreja. É o ES que batiza todos os crentes, seja escravo ou livre, no corpo de Cristo (1Co 12.13); e Paulo aplica essa verdade na vida de Filemom e de Onésimo. O amor, fruto do Espírito, é evidente por toda a carta.

domingo, 25 de novembro de 2012

CUIDE BEM DE SUA FÉ


“De fato, sem fé é impossível agradar a
Deus, porquanto é necessário que aquele que
se aproxima de Deus creia que ele existe e que
se torna galardoador dos que o buscam”.
(Hebreus 11:6)

            A fé é um dom extraordinário. É a primeira e a mais importante ligadura entre você e Deus. Pois, “quem vai a Deus, precisa crer que ele existe e que recompensa os que o procuram”. (Hb. 11:6). Por meio da fé, você dá conta de suas obrigações morais para com Deus e o impossível torna-se possível. Assim como o cano transporta a água do reservatório à torneira e o fio transporta a energia elétrica do gerador à
lâmpada, assim, também, a fé transporta o que é de Deus para você. Somente pela fé você é capaz de crucificar o seu eu, dizer não à sua carne, obedecer a Deus, contemplar à distância o galardão, ver o invisível, tirar força da fraqueza e passar, vitoriosamente, pela prova de escárnio e açoite. (Hb. 11:4-40).
            Cuide muito bem de sua fé em Deus. Faça-a engordar, faça-a crescer, faça-a constante. Alimente-a com a leitura da Palavra: “a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo”. (Rm. 10:17). Exercite-a a cada dia. Faça aquela curiosa e humilde oração do pai do jovem possesso: “eu creio, ajuda-me na minha falta de fé”. (Mc. 9:24).
            A fé o fará olhar firmemente para Jesus (Hb. 12:2) e desviará a sua atenção da força dos ventos contrários. Qualquer esforço para guardar a fé é altamente compensador. Não se esqueça da oração de Isaías: “Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme, porque ele confia em ti”. (Is. 26:3). Nada neste mundo vale mais do que a perfeita paz interior.
            Trate bem de sua fé agora, pois quando vier o que é perfeito, a fé se tornará desnecessária. Agora você não vê a Deus face a face, mas, na eternidade e na nova Jerusalém, a visibilidade será total (1 Co. 13:10-12). Então, você poderá guardar a sua fé numa caixinha de jóias apenas como lembrança histórica e como troféu de muitas vitórias. Até que chegue este final, use plenamente a fé.
No amor de Cristo.

domingo, 23 de setembro de 2012

QUATRO DECISÕES QUE PRECISAMOS TOMAR



Filipenses 3:13-14


 INTRODUÇÃO
Na Vida tomamos decisões todos os dias. O que muita gente nunca parou para pensar é que toda decisão exige de nós algumas escolhas extremamente importantes. Aliás, as decisões da vida nos desafiam a repensar os nossos princípios, valores e ideais; a definir situações que atrapalham o nosso modo de viver; a julgar aquelas questões que interferem na realização dos nossos sonhos; a analisar aqueles pormenores que interferem diretamente nos nossos fracassos do dia-a-dia e que impedem a concretização nossos projetos.
           
O apóstolo Paulo, neste texto de Filipenses 3 está tomando quatro decisões importantes que deveriam chamar a sua e a minha atenção. E por que deveríamos analisar estas quatro decisões do apóstolo? Em primeiro lugar, eu creio que devemos fazer esta análise porque toda decisão mexe com as nossas preferências; em segundo lugar, porque toda decisão exige a solução de alguma dificuldade e em terceiro, porque algumas decisões que tomamos podem determinar o destino da nossa vida, da nossa família, dos nossos projetos, dos nossos amigos ou de uma nação inteira.

I – PRECISO ABRIR MÃO DE ALGUMAS COISAS (Versos 5-8)

1. O apóstolo Paulo abriu mão do seu status: ele era de linhagem nobre, israelita de nascimento, da tribo de Benjamim, de sangue hebreu (verso 5). E mais: a História da Igreja confirma que ele era doutor da lei, membro do Sinédro (a suprema corte judaica), grande orador, exímio poliglota e um pensador profundo formado pelas universidades de Tarso, Atenas e Jerusalém.

2. O apóstolo Paulo abriu mão da sua religiosidade doentia: ele era fiel seguidor do judaísmo, um fariseu fanático que perseguia a igreja de Cristo (verso 6). Agora que Cristo o transformara ele tinha consciência clara de que era o principal dos pecadores, pois fora brasfemo, perseguidor e opressor da igreja de Cristo (veja I Timóteo 1:13).

3. O apóstolo Paulo abriu mão de muitas vantagens, lucros e direito para cumprir os propósitos do reino de Deus neste mundo (Veja os versos 7 e 8).

4. Você já abriu mão de alguma coisa que comprometesse a imagem do reino de Deus ou da igreja de Cristo? Você já fez alguma renúncia por amor a Deus?

5. Você sabe o que significa abrir mão de comodidades, de vantagens, de uma carreira promissora, de direitos e lucros, só para agradar a Deus?

6. O apóstolo Paulo teve que abrir mão de algumas coisas para ser um vaso escolhido que levaria o nome de Jesus diante dos gentios (estrangeiros), dos reis e dos filhos de Israel (Atos 9:15).

7. O apóstolo Paulo teve que abrir mão de algumas coisas porque Jesus o comissionou para ser pregador da Palavra de Deus, apóstolo e doutor dos gentios na fé e na verdade (I Timóteo 2:7).

8. Você se sente comissionado por Jesus para fazer algo importante no reino de Deus?

 II – PRECISO ESQUECER AS COISAS PASSADAS (Verso 13)

1. O apóstolo Paulo fez uma declaração inquietante e contundente: “... mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam...”

2. O apóstolo Paulo tinha pressa de cumprir os grandes projetos do reino de Deus porque sabia que os dias em que vivia eram maus (Veja Efésios 5:16).

3. O apóstolo Paulo não tinha tempo para reclamar dos seus sofrimentos, das suas frustrações, dos seus traumas, das suas tristeza ou das injustiças sofridas.

4. Paulo, o apóstolo, era um homem de mente renovada, ele não deixava nenhum lixo emocional se juntar na sua mente. Ele simplesmente esquecia porque o Espírito Santo de Deus o capacitava para isto. Sua personalidade era cheia de vida.

5. Existe o perigo de nos envolvermos com coisas que ficaram para trás. Muitas vezes fazemos como a esposa de Ló, que olhou para trás e virou uma estátua de sal (Gênesis 19:26). Às vezes, olhamos para trás e a nossa vida espiritual fica paralisada com as nossas lembranças. As amarguras petrificam o nosso coração e não conseguimos exercitar o perdão; a desesperança toma conta dos nossos pensamentos e paralisam os nossos sonhos e ideais.

6. Muitas vezes pegaremos no arado do reino de Deus e olharemos para trás por causa do sentimento de incompetência que há em nós, contudo, o apóstolo Paulo nos ensina uma verdade contundente: “... mas a nossa capacidade vem de Deus...” II Coríntios 3:5).

7. Deus quer que destruamos os velhos arquivos da nossa vida que nos impedem de crer nos seus milagres. Existem gavetas em nossas mentes que precisam ser limpas para que possamos ver novas possibilidade de Deus atuar em nós ou através de nós.

8. Existem entulhos em nossas mentes que atrapalham a nossa maneira de compreender quem é Deus e como ele pode nos usar hoje, aqui e agora.

9. Gosto muito do conselho que Deus deu ao seu povo pela instrumentalidade do profeta Isaías:
“Não vos lembrei das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eis que farei coisa nova, e, agora, sairá a luz; porventura, não a sabereis? Eis que porei um caminho no deserto e rios, no ermo.” (Isaías 43:18-19).

10. Esqueça as coisas passadas que não edificam a sua vida espiritual. Esqueça aquelas coisas que estão adoecendo a sua vida emocional. Faça como o apóstolo Paulo, ponha uma pedra sobre questões passadas, esqueça tudo aquilo que pode matar a sua motivação de servir a Jesus.


 III – PRECISO AVANÇAR NA DIREÇÃO DOS DESAFIOS (Verso 13)

1. O apóstolo Paulo disse: “Avanço para o que está diante de mim...”

2. Paulo avançou destemidamente na direção dos desafios porque o Espírito o dotou de uma visão profética. Ele sabia que não podia fugir dos desafios do mundo e da vida. O foco da sua vida era abraçar e realizar todos os projetos do reino de Deus enquanto tivesse vida, saúde, inteligência, dons e talentos, disposição e paixão.

3. O povo de Israel ao sair do Egito ficou com saudades das panelas de carne, dos alhos e das cebolas, mas Josué e Calebe olharam para a frente e focavam a terra prometida.

4. Nas nossas igrejas, hoje, só existem dois grupos de crentes: os que OLHAM PARA TRÁS e querem viver de saudades e reclamarem do presente e os que OLHAM PARA A FRENTE e querem ver Deus fazer milagres maiores do que já foram feitos. E mais: esses crentes querem ser usados por Deus para fazerem uma revolução na igreja; eles querem ser agentes da nova historia que Deus quer escrever nesta igreja, nesta cidade, neste Estado, neste país! Amém.

5. Quem avança quer fazer a diferença e quem está fazendo diferença no mundo tem três características marcantes: é inconformado, é inovador e é ousado.

6. O apóstolo Paulo ousou avançar dizendo: “... e não vos conformeis com este mundo...” (Romanos 12:2).

7. O apóstolo Paulo era tão ousado que na sua epístola aos Efésios fez a seguinte ponderação: “E orem também por mim, a fim de que Deus me dê a mensagem certa para que, quando eu falar, fale com coragem e torne conhecido o segredo evangelho” (Efésios 6:19, NTLH).

8. O apóstolo era tão inovador que quando estava em Atenas foi convidado para ir ao areópago falar das últimas novidades pôde debater com os estóicos e os epicureus usando da contextualização cultural para chegar ao coração dos gregos. O seu artifício para entrar na cultura grega foi a expressão AO DEUS DESCONHECIDO (Atos 17:23).

9. Você está fazendo diferença? Você está avançando ou retrocedendo? Você está olhando para frente e querendo ser usado por Deus ou está olhando para trás, vivendo de passado?

10. A Bíblia diz em Hebreus 10:39 que nós, os crentes verdadeiros que olhamos para frente e para cima, não fazemos parte do grupo que retrocede na fé e em outras coisas.

 IV – PRECISO PROSSEGUIR NA DIREÇÃO DE DEUS (Versos 12 e 14)

1. A Bíblia ensina em Hebreus 12:1 que a vida cristã é uma corrida que precisa ser feita com perseverança e fé. Nessa corrida você e eu não veremos nenhuma placa com a inscrição PARADA PARA DESCANSO. E sabe por quê? Porque o crente que não prossegue, não cresce e nem amadurece.

2. Quando o apóstolo Paulo disse: “... prossigo para o alvo...”, na realidade ele estava falando que continuava perseguindo o seu alvo; que estava focado em Jesus e no prêmio que ele iria lhe dar.

3. Prosseguir exige renúncia de alguma coisa. Você está disposto a renunciar alguma coisa deste mundo para receber um prêmio de Deus?

4. Prosseguir exige determinação. Você tem o hábito de começar as coisas e terminar ou para no meio do caminho?

5. Quem prossegue na vida cristã precisa de metas para viver. Quais são as suas metas de vida?

6. A igreja do Senhor Jesus precisa ser mais ousada nos seus projetos e nas suas estratégias! O mundo já aprendeu uma lição antiga que alguns de nós procuram ignorar, qual seja: “Só pode ser bem sucedido quem persegue e cumpre as metas que foram estabelecidas.”

7. Esta lição é muito bem ensinada na Universidade do Inferno. As hostes espirituais da maldade seguem ao pé da letra a estratégia de Satanás, que é a seguinte: “Só destruiremos a igreja de Cristo se cumprirmos as metas de Satanás com inteligência, objetividade, fidelidade e dedicação incondicional”.

8. As igrejas evangélicas que estão fazendo a diferença neste mundo global não abrem mão de uma regra: prosseguir na direção de Deus e dos seus projetos. Elas são disciplinadas, focadas, determinadas, perseguem metas e cumprem todas as metas estabelecidas pelo reino de Deus. Você sabe cumprir metas?

9. O autor da epístola aos Hebreus ensinava a Igreja Primitiva essa mesma lição. Ele dizia que a igreja tinha que prosseguir “olhando para Cristo, autor e consumador da fé...” (Hebreus 12:2).

10. Sem olhar para Cristo, você não vai prosseguir na sua jornada para o céu. Sem olhar para Cristo você não vai perseverar na fé. Sem olhar para Cristo você não vai viver uma vida de santidade e temor. Sem olhar para Cristo o seu cristianismo será inconstante, pobre e medíocre. Olhe para Cristo e você cumprirá as metas dos seu reino.


CONCLUSÃO
            O foco da vida do apóstolo Paulo era ser fiel ao Senhor Jesus e cumprir as metas do reino de Deus. Ele tomou as quatro decisões porque queria agradar o coração de Deus. Qual é o foco da sua vida? Em que os seus olhos estão focados?
            O apóstolo Paulo decidiu quatro coisas: 1) Preciso abrir mão de algumas coisas; 2) Preciso esquecer as coisas passadas; 3) Preciso avançar na direção dos desafios; 4) Preciso prosseguir na direção de Deus.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A Natureza e Papel da Fé




 Escrito por: Vincent Cheung



Deus… nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos… (2 Timóteo 1.9)
A doutrina que é Deus e somente Deus quem salva se estende à natureza e papel da fé na salvação. Os cristãos estão acostumados à ideia que somos “salvos pela fé”, mas nem sempre é claro para eles o que isso significa. Paulo coloca a fé em contraste com as obras em suas exposições sobre a salvação. Contudo, as ideias simples de fé e obras são apenas abreviações de visões mais completas sobre o assunto. O apóstolo se opõe à visão que diz “Eu salvo a mim mesmo por minhas obras”, mas ele não substitui isso por “Eu salvo a mim mesmo por minha fé”! Todavia, alguns cristãos falam e pregam como se essa fosse a doutrina apostólica, que não nos salvamos pelas obras, mas nos salvamos pela fé. Quando os cristãos esquecem que a salvação pela fé é posta como um contraste contra a salvação pelas obras, eles tendem a colocar o foco sobre a fé como tal como o caminho ou o meio para a salvação. Mas a fé em si não pode salvar. Fé é um termo relacional – você crê em algo. É esse “algo” que salva você. Fé é somente um termo descritivo para a relação.
Isso é essencial porque Paulo não diz que Deus te salva porque você colocou sua fé nele. De fato, isso seria verdadeiro a partir de uma perspectiva – depende do que “porque” significa – mas Paulo está considerando o cerne da questão. Ele diz que Deus te salva por causa do seu propósito e graça. Isto é, ele te salva por causa da sua própria razão e bondade. Se é assim, então pelo menos quando falando neste nível, não podemos dizer que Deus te salva por causa de sua fé, visto que sua fé não é o mesmo que o propósito dele, e sua fé não é a graça dele. E se Deus não te salva por causa de sua fé, então ele não te salva por causa de fé prevista. Deus não te escolheu para salvação porque ele sabia de antemão que você creria em Cristo. Antes, ele te escolheu por causa do propósito dele, à parte da sua fé.
Estamos prontos para abordar um defeito generalizado no entendimento da salvação pela fé. Muitos cristãos falham em definir fé de tal forma a distingui-la das obras de forma significativa. Eles reconhecem que somos salvos pela fé, não pelas obras. Contudo, fé, ou crer, é algo que fazemos, ou não? Eles respondem que a fé não é uma ação que produz mérito para conquistar a salvação; antes, o crente é como uma pessoa que estende sua mão para aceitar um presente, não conquistado, mas dado gratuitamente por outra pessoa.
Há pelo menos dois problemas com isso. Primeiro, é arbitrário insistir que essa ação não é meritória ou pelo menos uma bondade moral, especialmente quando a Bíblia chama a incredulidade de pecaminosa. A fé é de fato uma bondade moral. Segundo, isso não pode explicar o porquê uma pessoa crê enquanto outra não. Deve haver alguma diferença entre as duas pessoas. Visto que é moralmente bom crer em Cristo, e visto que é moralmente mau rejeitar a Cristo, se a fé é como um homem que estende uma mão para aceitar algo, então a diferença entre as duas pessoas deve incluir uma dimensão moral também. Em outras palavras, sob essa visão, uma pessoa que aceita a Cristo o faz porque ela já é uma pessoa melhor que aquela que rejeita a Cristo mesmo antes de realmente aceitar a Cristo. Os cristãos são pessoas melhores que os não cristãos antes de se tornarem cristãos. Contudo, Paulo chama a si mesmo de o pior dos pecadores.
A Escritura define fé de uma forma diferente. Paulo diz que a própria fé é um dom (Efésios 2.8). E se a própria fé é um dom, o que é a mão que recebe a fé? A analogia da mão é inexata e inútil, mas se formos mantê-la por causa da ilustração, então ela deve ser drasticamente modificada. Visto que a própria fé é um dom, então a salvação não pode consistir em Deus estender o dom da justiça para nós enquanto esticamos a mão da fé para tomá-lo. Antes, não começamos com nenhuma mão, mas Deus cria uma mão onde não existia nenhuma antes. Então, ele chega, toma a nossa mão e a puxa, e coloca o dom da justiça na mão que ele criou, e após isso ele empurra a mão de volta para o nosso lado. Ela é “nossa” mão somente no sentido que está ligada a nós, mas ela é um dom e uma criação de Deus, e sujeita ao seu controle. É somente nesse sentido que Deus nos salva “por causa” da nossa fé, isto é, no sentido que fé é parte da sua obra de salvação em nós e que fé é parte do processo pelo qual ele nos salva. Dessa forma, permanece o fato que ele nos salva por causa dele mesmo. É mais preciso dizer que temos fé porque ele nos salva, e não que ele nos salva por causa da nossa fé.
Não somos salvos pela fé como tal, ou pela própria fé; antes, somos salvos por Cristo somente, e ele nos salva dando-nos fé. Fé é nossa consciência de sua operação em nós quando ele estabelece uma relação espiritual conosco. É correto dizer que somos salvos pela fé, conquanto percebamos que isso é uma forma resumida de dizer que é Cristo quem nos salva dando-nos fé, e a questão é posta dessa forma para fazer um contraste contra a visão que somos nós quem salvamos a nós mesmos por nossas obras, ou que Deus concede salvação a alguns e não a outros sobre a base das nossas obras. O dom da justiça é dado aos escolhidos por meio do dom da fé. Se você tem fé, é porque é o propósito de Deus que você tenha fé. Se você crê em Jesus Cristo, é porque Deus decidiu, à parte de algo em você ou sobre você, que você creria em Jesus Cristo. A salvação é totalmente uma obra de Deus, de forma que não existe nenhum lugar para nos orgulharmos, nem mesmo pelo fato de termos fé.
FonteReflections on Second Timothy
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto, julho/2010
Fonte: http://monergismo.com/vincent-cheung/a-natureza-e-papel-da-fe/