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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sermão 21 de Março 2010 - Igreja Presbiteriana de Rio Doce (Podcast)


"Ezequiel 37:1-14"


reinaldo
Rev. Reinaldo Burgos Jr.

Para você que não pode ir a Igreja ou gostaria de reviver o momento da pregação, estamos disponibilizando em fase experimental a pregação dos pastores da nossa igreja. Abaixo segue o link para você baixar o arquivo em formato MP3 para você escutar no carro, no ônibus no seu MP3 Player ou escutar em casa mesmo.
Obs: Caso você não deseje baixar o arquivo, mas escuta-lo diretamente no seu navegador, na página do Download, existe uma opção para isto.

poscast Audio da Pregação do Pr. Reinaldo Burgos
Formato: MP3
Tamanho : 29MB
Tempo Aproximado: 30 min



Ezequiel 37:1-14

1 Veio sobre mim a mão do SENHOR, e ele me fez sair no Espírito do SENHOR, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos.
2 E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos.
3 E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor DEUS, tu o sabes.
4 Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR.
5 Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.
6 E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o SENHOR.
7 Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso.
8 E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito.
9 E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.
10 E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo.
11 Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados.
12 Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel.
13 E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu.
14 E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o SENHOR, disse isto, e o fiz, diz o SENHOR.

Sermão 14 de Março 2010 - Igreja Presbiteriana de Rio Doce (Podcast)

"Marcos 10:32-34"

Pastor Diego Ramon
Pr. Diego Ramon

Para você que não pode ir a Igreja ou gostaria de reviver o momento da pregação, estamos disponibilizando em fase experimental a pregação dos pastores da nossa igreja. Abaixo segue o link para você baixar o arquivo em formato MP3 para você escutar no carro, no ônibus no seu MP3 Player ou escutar em casa mesmo.

Obs:
Caso você não deseje baixar o arquivo, mas escuta-lo diretamente no seu navegador, na página do Download, existe uma opção para isto.





Marcos 10:32-34
32 E iam no caminho, subindo para Jerusalém; e Jesus ia adiante deles. E eles maravilhavam-se, e seguiam-no atemorizados. E, tornando a tomar consigo os doze, começou a dizer-lhes as coisas que lhe deviam sobrevir,
33 Dizendo: Eis que nós subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condenarão à morte, e o entregarão aos gentios.
34 E o escarnecerão, e açoitarão, e cuspirão nele, e o matarão; e, ao terceiro dia, ressuscitará.

As leis da oração

Introdução: Mc. 11:22-26

Esse texto fala sobre o poder da fé – Jesus diz: Tende fé em Deus
- Conta-se a história de um farmacêutico que certo dia, quando já estava fechando a farmácia, chegou uma criança com um bilhete nas mãos, solicitando um remédio.
- Ele disse que já estava fechado, mas a criança, com lágrimas nos olhos, informou-o que sua mãe estava muito mal e precisava com urgência daquela medicação.
- Devido à insistência da menina, mesmo contrariado resolveu reabrir a farmácia e vender o remédio, mas, devido à sua insensibilidade e com pressa, não acendeu a luz e pegou um remédio errado, cujo efeito era exatamente o contrário do que aquela mulher precisava e, certamente, iria matá-la.
- Em pânico, tentou alcançar a menina, sem êxito.
- Então voltou para a farmácia e, sem saber o que fazer, com a consciência pesada e com medo - de ser processado ou até mesmo preso, de perder tudo o que levou a vida inteira para construir - instintivamente fez algo que nunca havia feito:
- ajoelhou-se e orou com fé e confiança.
Mesmo sendo um ateu, seu espírito o levou a buscar o Criador e clamar por ajuda.
- Enquanto estava ali orando, de repente, sentiu uma mão a tocar-lhe o ombro esquerdo e ao se virar, deparou-se com a criança:
- Ela disse: "Senhor, por favor, não brigue comigo, mas é que eu caí e quebrei o vidro do remédio. Dá pro senhor me dar outro?".
- O texto que lemos trás algumas palavras tais como: fé, duvidar, monte, mar e oração.
> Entendo que o assunto principal do texto é ORAÇÃO. Falar em fé, necessariamente se fala em oração.
Proposição: “Como orar verdadeiramente para ser ouvido por Deus ”
-Como se diz por aí a fora, oração forte, - não duvidar no seu coração – tudo quanto pedirdes em oração, crede que recebereis e será assim. Pensando nisto, em fé, em oração, em receber o que se pede de Deus, vejamos o que o texto pode nos ensinar:
1. Orar com fé – vs. 23
>Tende fé em Deus. Não se está falando para ter fé em qualquer coisa. Nem num deus criado pela nossa mente, nem em qualquer pessoa ou qualquer santo por aí a fora.
> A fé que Jesus diz para ter é em DEUS – naquele que criou os céus e a terra, o que criou o monte e o mar. Pois, só a esse o monte obedece quando você mandá-lo para o mar.
Contudo, quero explicar para os amados o que significa esse dizer de Cristo. A frase sobre mover montanhas era uma expressão judia muito comum na época de Jesus. Era uma maneira de referir-se vividamente a remoção de dificuldades. Aplicava-se especialmente aos mestres sábios.
> O bons mestres que podiam tirar as dúvidas dos seus alunos, que esclareciam as interrogações ensinando os seus alunos, eram esses chamados de “removedores de montanhas”.
> Alguém que ouviu o seu mestre ensinar ele disse a respeito do mesmo o seguinte: “ Eu vi o meu mestre como se estivesse arrancando montanhas, tirando-as, e aplainando de tal forma que não restava nenhuma dúvida a mim”
- Assim pois, a frase significa que se temos verdadeira fé, a oração é um poder que pode resolver qualquer problema e fazer-nos capazes de enfrentar todas as dificuldades.
- Isso parece muito fácil, mas implica duas coisas:
> primeiro que devemos estar dispostos a levar nossos problemas a Deus. Isto em si é uma prova muito real.
> As vezes nossos problemas são que queremos ter algo que não deveríamos desejar, desejamos alguma coisa que na realidade é proibido. Queremos encontrar a maneira de fazer algo que não deveríamos pensar em fazer, ou justificar o que fazemos, posto que nunca deveríamos ter colocado as mãos nem aplicado a mente.
> Uma das maiores provas de qualquer problema consiste simplesmente: porque levar isso a Deus e pedir sua ajuda?
> Segundo, implica que devemos estar dispostos a aceitar a direção de Deus quando Ele nos dá. É muito comum alguém pedir conselho, mas lá no seu íntimo já sabe o que vai fazer, só deseja a aprovação de alguma ação que já está decidida a realizar.
> É inútil orar a Deus a não ser que estejamos bastante humildes e obedientes para aceitar a sua vontade.
> mas se levarmos os nossos problemas a Deus e estar o suficiente firmes para aceitar a direção divina na nossa vida, então receberemos poder para vencer as dificuldades tanto de pensamento como de ação.
> Jesus mesmo disse a Jairo: “ não temas, crê somente!” . E ainda disse para o pai do menino epiléptico: “Tudo é possível ao que crê”.
> Ezequias, rei de Judá, ao saber que as tropas da Assíria estavam sitiando Jerusalém e que Rabsaqué afrontava a todos, inclusive ao Deus de Israel, ele vai até o templo e ora com fé.
2. Orar com expectativa – vs. 23
Ø É uma realidade universal que qualquer coisa que se faz ou intenta com espírito de esperança e confiança tem mais do que o dobro de possibilidade de êxito.
Ø O paciente que toma o remédio do médico confiando que vai ser sarado tem muito mais possibilidade de ficar curado do que aquele que não tem confiança no médico que passou.
Ø A oração não pode ser uma mera formalidade, nem um ritual sem esperança.
Ø Para muitos a oração é um ritual piedoso ou uma esperança perdida.
Ø Todavia, a oração tem que ser uma ardente expectação de que será realizada tal pedido.
Ø A dificuldade na maior parte das vezes está em que queremos que Deus nos dê a nossa resposta, e quando não a recebemos não reconhecemos como resposta de Deus.
Ø “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Ef 3:20)
Ø Deus deseja para os seus filhos uma vida feliz e com grande satisfação.
Ø O tipo de vida que nós vivemos hoje e amanhã está e estará diretamente relacionado com nossos pensamentos.
Ø Pensamentos são importantes porque refletem nas nossas atitudes e sentimentos e que refletem no que falamos e agimos.
Ø Algumas pessoas sentem tanto medo de receberem más notícias que elas se esquecem de orar para receberem boas notícias.
Ø Se nós queremos ouvir a voz de Deus e receber o seu poder em nossas vidas, nós precisamos ter atitudes que agradam a Deus e ter grandes expectativas ao orarmos.
Ø “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.” (Hb 11:6)
Ø “Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” (Rm 5:5)
Ø Não há nada negativo em Deus e nem em suas ações, tudo o que Ele faz é para o nosso bem, o que nós precisamos é ter grandes expectativas enquanto oramos.
Ø Nós não podemos orar e depois esperar se Deus irá fazer alguma coisa, nós devemos orar na expectativa de que Deus vai fazer muito mais do que pedimos ou pensamos.
Ø Fé é ter expectativas!
Ø “Então, lhes tocou os olhos, dizendo: Faça-se-vos conforme a vossa fé.” (Mt 9:29)
Ø Mude suas expectativas e suas condições. Comece a agir como se esperasse o sucesso, alegria e abundância; se prepare para o melhor!
Ø “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação.” (Sl 62:1)
Ø “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança.” (Sl 62:5)
Ø “Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas.” (Lc 1:37)
Ø “Mas ele respondeu: Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus.” (Lc 18:27)
Um senhor morava num imenso quintal, onde plantou diversas árvores frutíferas. Certa vez plantou um pé de caqui, mas, apesar dos seus cuidados, ele secou.

Certa manhã cedo ele foi arrancar o pé de caqui que ele achava que não tinha vingado. Pegou uma pá e foi até o pé de caqui, mas, quando foi arrancá-lo, teve uma feliz surpresa: ele havia largado uma única e pequeníssima folha verde. Parecia querer dizer: "Não me arranque. Não estou morto!".

Redobrou os seus cuidados e o pé de caqui "agradeceu " crescendo cada vez mais ficando bonito e cheio de vida, dando saborosos caquis-café, da melhor qualidade. Aquele homem teve a expectativa de colher frutos daquele pé de caqui e de fato alcançou o que havia desejado.
Aplicação: devemos ter a expectativa de sermos atendidos por Deus, pelas orações.
Ø Se você ora para passar num concurso, pense em estar lá trabalhando; creia que Deus vai lhe dar aquela vaga. Pense, lute, busque, faça tudo o que está ao seu alcance para receber o que você está pedindo.
3. Orar com amor
A oração de uma pessoa amargurada não pode penetrar a muralha da sua própria amargura.
Ø Temos que falar com Deus – é preciso haver algum vínculo entre nós e Deus.
Ø Nunca pode haver intimidade entre duas pessoas que não tem nada em comum.
Ø O princípio de Deus é o amor, porque Deus é amor.
Ø Se o principio do coração do homem é malícia e espírito rancoroso, isso faz uma barreira entre Deus e ele.
Ø Para que a oração não fique sem resposta, primeiro tem que orar para que Deus limpe o coração do espírito de rancor e ponha o espírito de amor.
Ø Então haverá diálogo entre Deus e o homem, podendo o homem ouvir a voz divina e também expressar a sua oração.
Ø O vs. 25 diz: e quando estiveres orando se tendes algumas coisa contra alguém, perdoai, para que vosso pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.
- A idéia de perdão inclui amor, onde há perdão há amor, onde não há perdão não há amor.
- O perdão é a maior prova de amor de uma pessoa para com outra. A maior prova de amor de Deus para com o homem é o perdão dos seus pecados. Assim também entre os homens.
> Em Mateus Jesus diz: se você vem a igreja para cultuar a Deus e lembra que alguém tem alguma coisa contra você, deixa o culto aqui, deixa a sua oferta e vai lá e reconcilie com o seu irmão.
> Está falando de amor e de perdão. Existe aqui o vs. 26 que não está nos melhores manuscritos, mas que perfeitamente engloba a idéia da oração que o Senhor nos ensinou, quando diz: perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores.
> vs. 26 – diz a mesma coisa com palavras diferentes: se não perdoardes também o vosso Pai celestial não vos perdoará as vossas ofensas.
ILUSTRAR:
Eu li isto: "Não há montanhas por demais altas; nem desertos por demais perigosos quando o motivo que nos impele a atravessá-los é o amor".
Quantos crentes não conversam, não olham nos olhos, muito menos sentam perto de outros irmãos. "Se o fulano for a igreja eu não vou, quero distância dele". Que amor é esse que não perdoa?
CONCLUSÃO:
Portanto, devemos buscar a Deus em oração. A oração deve ser embasada pela fé. A fé que crê em Deus como o criador dos céus e da terra. Fé que remove montanhas, fé que faz a diferença entre os fatos e acontecimentos, fé que crê no impossível.
Deve a oração também ser cheia de expectativa. Crer que Deus vai mudar as circunstâncias, vai mudar a situação, vai mudar as coisas. Expectativa de que o Senhor pode fazer o que bem quiser.
Deve a oração ser feita com amor e perdão. O amor ao Senhor, o amor a Deus, o amor a todos.

sábado, 27 de agosto de 2011

Que tipo de evangelho é esse? Igreja Mundial irá entregar meias ungidas em monte para gerar milagre na vida de fiéis

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Com base do versículo 3 do primeiro capítulo de Josué, o apóstolo Valdemiro Santiago iniciou a campanha da meia “Sê Tu Uma Benção”. Com elas os membros terão um elemento profético para cumprir o que diz o texto bíblico já citado. “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés.”
A campanha “Sê Tu Uma Benção” foi inaugurada com toalhas de rosto que eram distribuídas em todas as Igrejas Mundial do Poder de Deus. A essas toalhas são atribuídas diversas curas e libertações que são testemunhados durante os cultos.
No Rio de Janeiro, antes de serem distribuídos, os pares de meias foram consagrados no monte pelo bispo Pereira, que foi acompanhado por bispos e pastores, levando também as toalhinhas “Sê tu uma Bênção”. Tanto as meias como as toalhas são distribuídas gratuitamente na “Terça-feira do Milagre Urgente”.
Fonte: Gospel Prime

sábado, 20 de agosto de 2011

Charles Thomas Studd


Charles Thomas Studd (1860-1931) poderia ter sido mais um atleta que gastou seus dias em árduas competições e apenas isso. Entretanto, sua biografia demonstra que quando Deus toca o coração de alguém, seus rumos e planos são mudados dramaticamente, de uma maneira maravilhosa.

O inglês Charles Studd era considerado um dos maiores desportistas do final do século 19. Milionário, ele herdara da família a importância de 29 mil libras esterlinas, uma fortuna naquela época, mas se recusara a tirar proveito dela, temendo que o dinheiro pudesse atrapalhar seus nobres ideais. Determinado a investir na obra de Deus, enviou cinco mil libras esterlinas para o missionário James Hudson Taylor, que se tomou uma lenda ao ser o primeiro a levar a Palavra ao interior da China; outras cinco mil libras para um pastor, William Booth, fundador do Exército da Salvação; cinco mil para Dwight L. Moody, para que este iniciasse o estabelecimento do Instituto Bíblico Moody.

Studd doou ainda outras importâncias, sobrando-lhe apenas 3.400 libras, as quais ele, no dia do seu casamento, deu à esposa. Esta também doou o presente e comentou, na época: Jesus pediu ao jovem rico que desse tudo aos pobres. E Studd completou: Agora nos achamos na situação de poder dizer que não possuímos nem prata nem ouro, referindo-se ao texto de Atos 3.6. Loucura? Não. Charles Thomas Studd tinha a certeza de que o Senhor era o dono de todas as coisas. Essa demonstração de entrega total foi apenas o começo. Todavia, foi o suficiente para que o Senhor desse a Charles um novo rumo. Mais tarde, Ele o chamaria para o ministério.

Studd viajou para a China, onde trabalhou como missionário. Posteriormente, foi para a Índia e para o continente africano. Seu pensamento era: "Se Jesus é Deus e Ele morreu por mim, então nenhum sacrifício pode ser muito grande para nós". Como resultado de seus esforços, foi fundada, um pouco antes de sua morte, a Cruzada de Evangelização Mundial, que hoje conta com mais de mil missionários em todo o mundo. A mensagem deixada por Studd foi simples: enquanto a maioria investe em bens materiais, outros investem no Reino de Deus.

Família - Essas lições de Charles Studd foram aprendidas desde muito cedo. Ele era filho de um fazendeiro de origem indiana, Edward Studd, que se havia aposentado na Índia e mudado para uma casa rural no município de Tidworth, em Wiltshire, Inglaterra.

O pai de Studd, curiosamente, tinha-se convertido em 1877, quando um amigo o levou para ouvir uma pregação de Moody, o mesmo pastor que seria ajudado por seu filho, Charles Studd, anos mais tarde. Após a conversão, Edward, imediatamente, deixou as atividades seculares e passou a usar sua casa para reuniões evangelísticas até o dia de sua morte, em 1879.

Charles Studd e seus dois irmãos, Kynaston e George, estudavam longe de casa. Curiosamente, os três converteram-se a Cristo em um culto doméstico, e terminaram apaixonados pelo Evangelho. Os três irmãos eram campeões de críquete, um dos esportes mais tradicionais da Inglaterra. As habilidades excepcionais mostradas por Charles Studd naquele esporte fizeram com que ele ganhasse um lugar na seleção inglesa, em 1882, época em que a equipe havia perdido uma partida para a Austrália e estava desacreditada. Sob a liderança de Charles Studd, os ingleses jogaram na Austrália, no ano seguinte, e recuperaram o troféu.

Tempo de confrontação - Dois anos após a conquista do campeonato, no entanto, com a doença e morte de George, Charles Studd sentiu-se confrontado pela seguinte pergunta: De que adiantam toda a fama e valor de lisonja quando um homem tem de enfrentar a eternidade? Ele percebeu, então, que sua conversão, ocorrida seis anos antes, não havia produzido frutos. Resoluto, ele declarou: O críquete não vai durar; a honra também não, bem como nada neste mundo. Mas tenho que viver para o mundo que há de vir.

A partir de então, Charles começou a testemunhar de Jesus aos amigos e jogadores da mesma equipe. Sua intenção era captar recursos para o ministério de seu irmão, Kynaston, que tinha fundado uma organização missionária entre estudantes. Logo, ele teve a alegria de conduzir outros a Deus.

Até aquele momento, Studd testemunhara entre os próprios sócios e amigos. Contudo, depois de ouvir, na China, uma pregação na qual um missionário falara da necessidade de os servos de Deus agirem como pescadores de almas, tudo mudou. Ele sentiu que Deus o estava chamando. Embora seus amigos e parentes tentassem dissuadi-lo, Charles começou a considerar a pregação que ouvira e marcou uma reunião com o Pr. James Hudson Taylor, o diretor da missão no interior da China.

Rumo à China - A decisão de Studd foi seguida por mais seis amigos dele. Ao mesmo tempo em que o grupo se preparava, uma onda de conversões ocorria entre os estudantes das maiores Universidades da Grã-Bretanha, graças à missão fundada por Kynaston, anos antes. Alunos de Edimburgo, Londres, Oxford e Cambridge entregavam-se ao Senhor como jamais ocorrera antes. Eles se transformariam, anos depois, nos missionários que difundiriam a Palavra de Deus pelo mundo. Em pouco menos de dois meses, Studd e alguns amigos já estavam prontos para a viagem à China.

Lá, Charles Studd passou dez anos. Quando, finalmente, retomou à Inglaterra, ele foi convidado a visitar a América, onde Kynaston havia organizado um movimento evangelístico entre os estudantes locais. Durante aquela excursão, ele testemunhou o derramar de bênçãos poderosas em muitas faculdades e igrejas. Aquilo mexeu tanto com Studd, que ele iniciaria uma seqüência de viagens missionárias impressionante.

Missões na Índia e na África - De 1900 a 1906, Studd pastoreou uma igreja em Ootacamund, no Sul da Índia. Naquela região, diversos funcionários britânicos se converteram a Cristo. Depois de um rápido retomo à Inglaterra, ele partiu, em 1910, para o Sudão, na África. Studd ficara impressionado com o fato de a Palavra ser quase totalmente desconhecida na África Central, e lá fundou uma missão, a Heart of Africa Mission (Missão Coração da África).

Em sua primeira viagem ao Congo Belga*, em 1913, ele estabeleceu quatro missões em uma área habitada por oito tribos diferentes. A partir dali, Charles começaria a viajar sozinho — sua esposa ficara doente. Entretanto, o trabalho do Senhor e o chamado da família não mudaram. De sua casa, na Inglaterra, ela e as quatro filhas do casal coordenavam o ministério de Studd. Sua esposa era a responsável por missões em diversos países da África, do Oriente Médio e da China.

Ela fez uma última visita ao Congo em 1928, reviu o marido e faleceu pouco tempo depois. Em 1931, aos 70 anos, Charles Thomas Studd morreu, entretanto, até os seus últimos dias, ele pregou a salvação pela fé em Jesus Cristo, no campo missionário, em Málaga, na África. Foi, de fato, um gigante. Um herói da fé.

* (Até 1971, este país tinha o nome de Congo Belga. Depois, Mobuto Sese Seko o batizou com o nome de Zaire. Em 1997, passou a se chamar República Democrática do congo)

Autor: Marcelo Dutra

Agostinho (354-430)


Introdução
by Vania DaSilva

Filósofo e Teólogo de Hipona, Norte da África. Polemista capaz, pregador de talento, administrador episcopal competente, teólogo notável, ele criou uma filosofia cristã da história que continua válida até hoje em sua essência.Vivendo num tempo em que a velha civilização clássica parecia sucumbir diante dos bárbaros, Agostinho permaneceu em dois mundos, o clássico e o novo medieval.

Nascido em 354, na casa de um oficial romano na cidade de Tagasta em Numidia, no norte da África, era filho de um pai pagão, Patrício, e de uma mãe crente, Mônica. Apesar de não serem ricos, era uma família respeitada. Sua mãe dedicou-se à sua formação e conversão à fé cristã.

Com muito sacrifício, seus pais lhe ofereceram o melhor estudo romano. Seus primeiros anos de estudo foram feitos na escola local, onde aprendeu latim à força de muitos açoites. Logo, foi enviado para a escola próximo a Madaura, e em 375 à Cartago, para estudar retórica.

Longe da família, Agostinho se apartou da fé ensinada por sua mãe, e entregou-se aos deleites do mundo e a imoralidade com seus amigos estudantes. Viveu ilegitimamente com uma concubina durante treze anos, a qual lhe concedeu um filho, Adeodato, em 372. O mesmo morreu cerca do ano 390.

Na busca pela verdade, ele aceitou o ensino herético maniqueísta, o qual ensinava um dualismo radical: o poder absoluto do mal -- o Deus do Antigo Testamento, e o poder absoluto do bem -- o Deus do Novo Testamento. Nesta cegueira ele permaneceu nove anos sendo ouvinte, porém, não estando satisfeito, voltou à filosofia e aos ensinos do Neo-platonismo. Ensinou retórica em sua cidade natal e em Cartago, até quando foi para Milão, Itália, em 384. Em Roma, foi apontado pelo senador Símaco como professor de retórica em Milão, e depois para a casa imperial. Como parte de seu trabalho, ele deveria fazer oratórias públicas honrando o imperador Valenciano II.



Sua Conversão

No ano 386, quando passava várias crises em sua vida, Agostinho estava meditando num jardim sobre a sua situação espiritual, e ouviu uma voz próxima à porta que dizia: “Tome e Leia”. Agostinho abriu sua Bíblia em Romanos 13.13,14 e a leitura trouxe-lhe a luz que sua alma não conseguiu encontrar nem no maniqueísmo nem no neo-platonismo. Com sua conversão à Cristo, ele despediu sua concubina e abandonou sua profissão no Império. Sua mãe, que muito orara por sua conversão, morreu logo depois do seu batismo, realizado por Ambrósio na Páscoa de 387. Uma vez batizado, regressou um ano depois para Cartago, Norte da África, onde foi ordenado sacerdote em 391. Em Tagasta, ele supervisionou e instruiu um grupo de irmãos batizados chamados de “Servos de Deus”. Cinco anos depois, foi consagrado bispo de Hipona por pedido daquela congregação, onde permaneceu até sua morte. Daí até sua morte em 430, empenhou-se na administração episcopal, estudando e escrevendo.

Suas Obras

Agostinho é apontado como o maior dos Pais da Igreja. Ele deixou mais de 100 livros, 500 sermões e 200 cartas. Suas obras mais importantes foram:

Confissões, obra autobiográfica de sua vida antes e depois de sua conversão;

Contra Acadêmicos, obra onde demonstra que o homem jamais pode alcançar a verdade completa através do estudo filosófico e que a certeza somente vem pela revelação na Bíblia;

De Doctrina Christiana, obra exegética mais importante que escreveu, onde figuram as suas idéias sobre a hermenêutica ou a ciência da interpretação. Nela desenvolve o grande princípio da analogia da fé;

De Trinitate, tratado teológico sobre a Trindade;

De Civitate Dei, obra apologética conhecida como Cidade de Deus. Com o saque de Roma por Alarico, rei dos bárbaros em agosto 28 de 410, os romanos creditaram este desastre ao fato de terem abandonado a velha religião clássica romana e adotado o cristianismo. Nesta obra, põe-se a responder esta acusação a pedido de seu amigo Marcelino.

Agostinho escreveu também muitas obras polêmicas para defender a fé dos falsos ensinos e das heresias dos maniqueus, dos donatistas e, principalmente, dos pelagianos. Também escreveu obras práticas e pastorais, além de muitas cartas, que tratam de problemas práticos que um administrador eclesiástico enfrenta no decorrer dos anos do seu ministério.

A formulação de uma interpretação cristã da história deve ser tida como uma das contribuições permanentes deixadas por este grande erudito cristão. Nem os historiadores gregos ou romanos foram capazes de compreender tão universalmente a história do homem. Agostinho exalta o poder espiritual sobre o temporal ao afirmar a soberania de Deus sobre a criação. Esta e outras inspiradoras obras mantiveram viva a Igreja através do negro meio-milênio anterior ao ano 1000.

Agostinho é visto pelos protestantes como um precursor das idéias da Reforma com sua ênfase sobre a salvação do pecado original e atual através da graça de Deus, que é adquirida unicamente pela fé. Sua insistência na consideração dos sentido inteiro da Bíblia na interpretação de uma parte da Bíblia (Hermenêutica), é um princípio de valor duradouro para a Igreja.

Seus últimos meses

Durante os últimos meses de vida, os vândulos tomaram a cidade fortificada de Hipona por mar e terra. Eles haviam destruído as cidades do Império Romano no Norte da África e as evidências do Cristianismo. A cidade estava cheia de pobres e refugiados, e a congregação de Agostinho não era uma excessão. No final de sua vida, ele foi submetido a uma enfermidade fatal, e com 75 anos ele pediu que ficasse só, a fim de se preparar para encontrar com o seu Deus. Um ano depois da morte de Agostinho em 430, os bárbaros queimaram toda a cidade, mas felizmente, a biblioteca de Agostinho foi salva, e seus escritos se perpetuam em nosso meio até a nossa era.




Agostinho de Hipona 2
Por Sérgio Paulo de Lima
Fonte: Revista Palavra Viva - Boas-Novas de Alegria, Editora Cultura Cristã.

Agostinho não morreu martirizado, porém, desenvolveu a Doutrina da Graça de modo tão Bíblico que Calvino o abraçou. Sendo assim, vamos estudar a vida deste servo de Deus e, como os reformadores fizeram, aproveitar de seus ensinos o que tem respaldo bíblico.

A origem

Agostinho nasceu em 13 de novembro de 354, em Tagasta, na África (hoje Argélia) e faleceu em 28 de agosto de 430 em Hipona. Foi um dos maiores pensadores da Igreja. Era filho de Patrício, homem de recursos, pagão, mundano, mas que se converteu nos últimos anos de sua vida e de Mônica, cristã que sempre manteve esperanças em relação ao filho, embora Agostinho tenha vivido sensual e desregradamente até os 32 anos, quando ocorreu sua conversão. Fez os estudos secundários em Madauro e estudou retórica em Cartago.

Agostinho foi um aluno brilhante e capaz em Literatura, línguas e retórica (a arte do bem falar). Aos 17 anos ingressou na fase da imoralidade, teve uma amante, e com ela um filho chamado Deodato. Foi muito imoral e mulherengo. Nesta época, ao orar dizia: “Senhor dá-me continência e castidade, mas não hoje”.

A busca pelo conhecimento

A leitura do Hortensius, de Cícero, o despertou para a filosofia. Por esta época aderiu ao Maniqueísmo, do qual falaremos adiante.

Em 383, desiludido com o Maniqueísmo, aproximou-se temporariamente do Ceticismo. Depois de ter ensinado retórica em Cartago e Roma, em 384 foi nomeado professor em Milão, onde, entrou em contato com Ambrósio, bispo desta cidade.

A conversão

Conta-se que, certo dia, no final do verão de 386, num jardim, numa casa de campo em Milão, na Itália, se encontrava Agostinho assentado num barco. Ao seu lado estava um exemplar das epístolas de Paulo. Mas, ele parecia não estar interessado, pois experimentava uma intensa luta espiritual, uma violenta agitação de coração e mente. Levantando-se do banco, foi para baixo de uma figueira. Ali ouviu a voz de uma criança que dizia “toma e lê, toma e lê”. Quando voltou ao banco e abriu a Bíblia, encontrou a passagem de Rm 13.14,15 . Leu e se converteu ao Cristianismo.

Em 387 foi batizado por Ambrósio e , na volta para Tagasta, perdeu sua mãe, Mônica. Este fato lhe causou grande tristeza.

Renunciou, então, a todos os prazeres, depois de grande luta interior, e retirou-se para Cassiaciacum, perto de Milão, para meditar.

Atraído pelo ideal de recolhimento e ascese, resolveu fundar um Mosteiro em Tagasta. De sua cidade natal dirigiu-se para Hipona, no inicio de 391, onde foi ordenado sacerdote, e quatro anos mais tarde, bispo-coadjutor, passando a titular com a morte do bispo diocesano Valério.

Mesmo assim, não abriu mão do ideal de vida monástica, fundado nas dependências de sua catedral uma comunidade que foi modelo para muitas outras e um centro de irradiação religiosa.

O mundo em que viveu

Agostinho viveu num momento crucial da história- a decadência do Império Romano e o fim da Antiguidade Clássica. A poderosa estrutura que, durantes séculos, dominou o mundo, desabou pela desintegração do proletariado interno e pelo ataque externo das tribos bárbaras.

Em 410 foi testemunha da tomada de Roma pelos visigodos de Alarico. E, ao morrer, em 430, presenciou o sitio de Hipona por Gensérico, rei dos vândalos, e a destruição do poderio romano na África do norte. Foi nesse mundo convulsionado por lutas internas que Agostinho exerceu o magistério sacerdotal e escreveu sua obra, de tão decisiva importância na história do pensamento cristão.

O pensamento

Escreveu contra os maniqueus, defendeu as autoridades das escrituras, explicou sobre a criação, abordou a origem do mal, debateu sobre a questão do livre-arbítrio, quando então, se tornou um grande defensor da predestinação.

A maior de suas lutas foi contra o pelagianismo; estes negavam o pecado original e aceitavam o livre-arbítrio afirmando que o homem tem o poder de vencer o pecado. Afirmavam que o homem podia pecar ou não pecar, logo, tinha vontade livre. Agostinho por sua própria experiência, percebeu o erro disso.

As obras

Além dos inúmeros sermões e cartas, das volumosas interpretações da Bíblia, além de obras didáticas, de catequese e de polemicas contra várias heresias de seu tempo (maniqueísmo, donatismo, pelagianismo), deve-se mencionar, entre as mais importantes de Agostinho:

As confissões de Agostinho (400), uma autobiografia espiritual em que faz ato de penitência e celebra a glória de Deus; relata nela sua piedade; “Tu nos fizeste para ti e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso”.

De Trinitate (400-416), um tratado filosófico e teológico;

Civitas Dei ou cidade de Deus (413-426), uma justificação de fé cristã e teologia histórica, da qual é considerado o fundador. É uma síntese do pensamento filosófico – teológico e político de Agostinho. É considerada pelos críticos como uma filosofia racional da história.

Escreveu-a quando os bárbaros invadiam e Europa e Roma estava sitiada pelos infiéis.

Posições de Agostinho

Agostinho defendeu a imutabilidade de Deus, o princípio da livre criação, isto é, Deus não criou nada por imposição. Sustentou também, ao contrario dos que criam os maniqueístas, que o diabo não era igual em força de Deus. Deus é o único criador, e superior a qualquer força contraria.

Agostinho combateu com grande capacidade as heresias de seu tempo e exerceu decisiva influência sobre o desenvolvimento cultural do mundo ocidental. É chamado de “Doutor da Graça”, pois, como ninguém, soube compreender os seus efeitos. Na sua grande obra “cidade de Deus”, que gastou 13 anos para escrever, afirma: “Dois amores fundaram, pois, duas cidades, a saber: o amor próprio, levado ao desprezo de si próprio, a celestial”.

Isto resume a sua obra.Como disse alguém, “seu símbolo é um coração”. Em chamas e o olhar voltado para as alturas”.

Agostinho foi um pregador incansável (400 sermões autênticos).Grande estudioso e teólogo, seu pensamento estava centrado em dois pontos essenciais: Deus e destino do homem.

Conclusão

Agostinho foi exemplo de alguém que saiu de uma vida confusa e desregrada, para uma vida de total consagração a Deus. O texto de Romanos 13.13,14, transformou sua vida cheia de pecados e se revestiu de Cristo, na alimentando a carne. Que essa consagração sirva de exemplo para nós.

João Wycliffe (1330-1384)




John Wycliff e os lolardos
João Wycliffe nasceu na terra natal de Occam, na Inglaterra, aproximadamente na mesma data em que o exilado excomungado morreu de peste em Munique. Embora chegassem a muitas conclusões idênticas no tocante à igreja, Wycliffe e Occam divergiam grandemente nas abordagens básicas da filosofia e da teologia. Wycliffe era realista em relação às proposições universais, mas acreditava, assim como Occam, que o papa era corrupto e que a igreja deveria ser governada pelo povo de Deus com seus respectivos representantes e não pela estrutura hierárquica clerical.
Wycliffe nasceu por volta de 1330 em Lutterworth, no condado de Yorkshire, na Inglaterra. Morreu ali em 1384 como pároco, depois de ter sido afastado da Universidade de Oxford pelos seus colegas e pelos líderes eclesiásticos, devido aos seus ensinos radicais. Ainda jovem, Wycliffe tornou-se mestre no Balliol College da Universidade de Oxford, alcançou rapidamente posição de destaque e adquiriu grande reputação como erudito e forte defensor de reformas na igreja. Enquanto dava aulas em Oxford, assim como muitos outros catedráticos, Wycliffe era funcionário do rei da Inglaterra de quem recebia proteção contanto que suas opiniões concordassem com as da realeza. Serviu de mediador entre a igreja e a corte real nas disputas a respeito dos bens imóveis da igreja, impostos e de outras questões conflitantes entre a igreja e o estado e escreveu dois grandes livros sobre a teoria governamental: On divine lordship [Do senhorio divino] e On civil lordship [Do senhorio civil]. Escreveu, também, On the king's office [Do papel do rei], On the truth of the Holy Scriptures [Da veracidade das Sagradas Escrituras], On the church [Da igreja], On the power of the pope [Do poder do papa], On the eucharist [Da eucaristia] e On the pastoral office [Sobre o cargo pastoral]. Defendia a tradução da Bíblia inteira para a linguagem do povo para que todos os cristãos pudessem lê-la e estudá-la por conta própria. Graças a isso, é lembrado no nome da maior sociedade de tradução bíblica do mundo.

Wycliffe não era nada diplomático ou flexível em questões que envolviam suas fortes convicções. Censurava a corrupção e abusos dentro da igreja e condenava duramente os papas de sua época por causa da secularidade e obsessão pelo poder e dinheiro. Um exemplo de sua invectiva contra o papa oferece uma amostra de sua inclinação à polêmica: “Portanto, o papa corrupto é anticristão e maligno, por ser a própria falsidade e o pai das mentiras”6. Chamou os ubíquos frades de seu país de “adúlteros da Palavra de Deus, que usam as vestes e véus coloridos das prostitutas”7. Wycliffe antecipou os ataques de Lutero contra a corrupção da igreja de forma mais veemente em sua crítica às indulgências. As indulgências eram documentos de absolvição do castigo temporal (como o purgatório) dos pecados vendidos por agentes dos papas. Wycliffe condenou severamente essa prática, assim como Lutero o fez em seus dias. A respeito das críticas que o teólogo de Oxford fez contra a igreja, um biógrafo moderno de Wycliffe escreve: “Um ataque como esse foi necessariamente o prelúdio para a Reforma e uma contribuição importante de Wycliffe. De fato, pode-se dizer que o ataque de Wycliffe foi tão direto, tão devastador que poupou os reformadores do século XVI o trabalho de realizar a tarefa sozinhos”8.
Em 1377, dezoito “erros” de Wycliffe foram condenados pelo papa a pedido de alguns de seus colegas em Oxford. Ele foi intimado a comparecer diante dos bispos da Inglaterra para se defender. Nessa ocasião, conseguiu evitar a confrontação apenas porque a rainha-mãe o defendeu firmemente. Em 1378, Wycliffe começou a criticar o Grande Cisma do Ocidente, no qual dois homens e, posteriormente, três alegavam ser papas. Suas críticas, no entanto, não se restringiram ao papado. Elas se estenderam às doutrinas católicas essenciais como a transubstanciação, que se tornou dogma semi-oficial da igreja no tocante à eucaristia no Quarto Concílio Laterano em 1215. A família real apoiou e protegeu Wycliffe até 1381, quando ele simpatizou abertamente com a revolta dos camponeses. Sofrendo grandes pressões do corpo docente de Oxford e dos bispos da Inglaterra, Wycliffe voltou à sua paróquia natal em Lutterworth, onde passou o resto de seus dias escrevendo e organizando uma sociedade de pregadores leigos pobres, conhecidos como lollardos. Morreu de derrame enquanto conduzia o culto no último dia de 1384 e foi condenado como herege e oficialmente excomungado pelo Concílio de Constança em 1415; ali também foi queimado na fogueira seu dovoto seguidor boêmio, João Hus. Os restos mortais de Wycliffe foram exumados, queimados e jogados no rio Swift pelo bispo de Lincoln em 1428.
Ossos de Wycliff são queimados, do livro de Fox.
Diferentemente de Occam, Wycliffe era um ardoroso realista no tocante às proposições universais. Nessa questão, assim como também em muitas outras, ele recorreu à tradição cristã platônica da igreja primitiva e de Agostinho e se posicionou com Anselmo. Empregava a lógica escolástica, mas dava pouco valor ao aristotelismo de Aquino e ao nominalismo de Occam. O realismo de Wycliffe manifestou-se em várias áreas da sua teologia, mas em nenhum outro lugar com tanta força quanto em sua crítica à doutrina da transubstanciação. Segundo ela, quando o sacerdote pronuncia as palavras da consagração na celebração da missa, o pão muda de substância e torna-se verdadeira e fisicamente a carne de Jesus Cristo enquanto o vinho torna-se de fato seu sangue. Os “acidentes” ou qualidades exteriores do pão e do vinho permanecem os mesmos, mas a substância interior é transformada de tal maneira que, segundo a doutrina, a pessoa que participa da eucaristia realmente come e bebe o corpo e sangue de Cristo. Embora essa doutrina da eucaristia não tenha se tornado um dogma definitivo e formal – já não mais passível de debate – antes do Concílio de Trento no século XVI, ainda na época de Wycliffe chegou a ser crença e doutrina aceita pela Igreja Católica Romana. Wycliffe lutou com ferocidade contra essa doutrina e usou o realismo como aliado.
Na obra On the eucharist, Wycliffe levantou muitas objeções contra a doutrina da transubstanciação e até mesmo a rotulou de “fantasias infiéis e infundadas” e argumentou que ela levava à adoração idólatra dos alimentos. Mas seu argumento mais forte baseava-se na metafísica realista. A referida doutrina subentende que uma substância, como o pão e o vinho, pode ser destruída e que “acidentes” podem existir sem que haja nenhuma relação com a substância. Segundo Wycliffe, essa crença desonra a Deus que é o autor de todas as substâncias. Além disso, viola as regras básicas da metafísica e da lógica. Em qualquer metafísica realista, quando uma substância ou proposição universal é destruída, seus acidentes também são destruídos. Pelo menos, assim ele acreditava e argumentava.
De qualquer forma, Wycliffe apresentou seu próprio conceito da eucaristia como alternativa ao que chamava de “heresia moderna” da transubstanciação. Segundo seu conceito, as substâncias do pão e do vinho permanecem enquanto o Espírito do Deus vivo estiver nelas, de modo que contêm a “presença real” de Jesus Cristo, embora continuem sendo pão e vinho. Em suas próprias palavras: “Assim como Cristo é duas substâncias, a saber, terrena e divina, também esse sacramento é o corpo do pão material e o corpo de Cristo”9. Wycliffe rejeitava a ideia de que qualquer sacramento funcionasse ex opere operato. Nessa questão, rompeu com seu amado pai da igreja, Agostinho, e insistiu que, para que o sacramento fosse verdadeiro e transmitisse graça, devia existir a presença da fé. A visão de Wycliffe sobre os sacramentos – especialmente da refeição eucarística – foi prenúncio do pensamento dos grandes reformadores protestantes magisteriais: Lutero e Calvino. Sua doutrina da presença real de Cristo por meio do Espírito Santo antecipa, sobretudo, a de Calvino.
A rejeição de Wycliffe à doutrina e à prática católica romana medieval ia muito além da crítica à transubstanciação. Seus conceitos sobre ministério e autoridade foram ainda mais importantes para sua luta por reforma. O teólogo de Oxford argumentava que a responsabilidade básica do ministro cristão – o sacerdote – era proclamar o evangelho e esse dever sobrepujava todos os demais. “Pregar o evangelho é infinitamente mais importante do que orar e administrar os sacramentos. […] Difundir o evangelho produz um benefício maior e mais evidente; é, por isso, a atividade mais preciosa da igreja. […] Portanto, os que pregam o evangelho devem realmente ser consagrados pela autoridade do Senhor”10.
Como eles deviam ser escolhidos e consagrados? Wycliffe chegou a recomendar que os membros de cada paróquia escolhessem seu próprio sacerdote – uma ideia bastante radical para a época. Ele estava profundamente desiludido com o poder, as riquezas, a corrupção e os abusos de autoridade por parte dos líderes da igreja e voltou sua atenção para o povo de Deus como a voz da vontade de Deus no governo eclesiástico. Embora fosse realista, sua eclesiologia converge, em certos aspectos, para a de Occam. Assim como o nominalista de Munique, Wycliffe defendia reformas radicais do clero e até a abolição do papado em qualquer forma reconhecível.
Talvez o principal trabalho de Wycliffe na teologia tenha sido sua defesa da autoridade suprema das Escrituras para tudo que tem relação com a fé e a vida. A Igreja Católica medieval chegou a considerar que a tradição tinha a mesma autoridade das Escrituras. A palavra do papa era considerada, por muitos sacerdotes e bispos, a palavra de Deus, embora a teologia católica não exigisse necessariamente essa crença. O dogma da infalibilidade papal só foi promulgado oficialmente no século XIX, mas na prática, as palavras e ações dos papas medievais eram respeitadas como autoridade absoluta. Wycliffe rejeitava totalmente essa ideia e depois de 1380 começou a chamar os papas de anticristos. Até o papa precisava obedecer ao “padrão evangélico” de ensino e prática derivado inteiramente das Escrituras e, à medida que o papa deixava de ser verdadeiramente evangélico, deixava mesmo de fazer parte da verdadeira igreja de Jesus Cristo e não devia ser considerado seu senhorio temporal ou espiritual.
Wycliffe escreveu o tratado chamado De veritae Sacrae Scripturae [Da veracidade das Sagradas Escrituras] em 1378, ano em que começou o Grande Cisma Ocidental. Nele, apresentou a tese de que as “Sagradas Escrituras são a suprema autoridade para todo o cristão e o padrão de fé e de toda a perfeição humana”11. Afirmou, também, a infalibilidade das Escrituras, que se interpretavam a si mesmas e o papel do Espírito Santo em iluminar a mente dos leitores enquanto as lêem e estudam. Em outras palavras, assim como os principais Reformadores protestantes de tempos posteriores, Wycliffe rejeitava a necessidade do magisterium autorizado – o ofício da igreja no ensino e interpretação das Escrituras. A Bíblia, a Palavra inspirada de Deus, assume esse ofício e está acima de todas as agências eclesiásticas.
Wycliffe rejeitava, também, o sistema medieval penitencial da salvação. Nos séculos subsequentes a Gregório Magno, a igreja ocidental e, especialmente, os monges desenvolveram um sistema meticuloso e exigente de penitências, ou atos de contrição, que os cristãos tinham que seguir para conquistar mérito perante Deus. Embora Wycliffe não chegasse a aceitar plenamente o evangelho protestante da justificação unicamente pela graça, antecipou Lutero e Calvino e outros reformadores do século XVI ao condenar todas as práticas humanas que visavam conquistar méritos diante de Deus. Sem nunca criticar ou abandonar as genuínas obras de amor como parte integrante da vida cristã, Wycliffe atribuía todo o mérito somente a Cristo e enfatizava a graça e a fé de maneira que não se ouviu falar na igreja durante séculos. Além disso, endossava com firmeza a crença na predestinação e tendia ao monergismo no seu conceito da intervenção de Deus em relação à atuação humana. Baseava-se nas Escrituras e não na metafísica escolástica ou na teologia natural.
Início do evangelho de João na tradução de WycliffMuitas razões justificam a reputação de Wycliffe como precursor da Reforma protestante. Nenhuma delas é mais importante, entretanto, do que a sua ênfase à Bíblia como infinitamente superior, em veracidade e autoridade, a qualquer tradição ou ofício humano. “Cento e cinquenta anos antes daqueles tempo [da Reforma protestante], Wycliffe agarrou-se à única autoridade adequada à Reforma, concedeu-lhe posição de destaque em sua obra e não poupou esforços para torná-la conhecida pelo povo, graças à tradução e à insistência na pregação da Palavra”12.
Nos anos finais, em Lutterworth, organizou o grupo de evangelistas e pregadores leigos, posteriormente chamados de lollardos, que ajudaram a preparar a Reforma na Inglaterra. Além disso, lutou pela tradução da Bíblia para a língua inglesa e seus esforços produziram entre seus seguidores a primeira Bíblia em inglês, chamada Bíblia de Oxford. Seus livros e ensinos chegaram à cidade de Praga, na Boêmia, onde o grande pregador e reformador João Hus usou-os para estabelecer ali um movimento permanente pré-protestante. Posteriormente, Lutero aproveitou os trabalhos tanto de Hus quanto de Wycliffe em sua luta bem-sucedida para reformar a teologia e a vida eclesiástica na Europa.
Notas
6 Apud John Stacey, John Wyclif and Reform (Philadelphia, Westminster Press, 1964, p.21).
7 Ibid., p. 42.
8 STACEY, op. cit., p. 52.
9 Apud Stancey, op. cit., p. 107.
10 Matthew SPINKA, org., Advocates of Reform: from Wyclif to Erasmus, Philadelphia, Westminster Press, 1953, p. 49. (The Library of Christian Classics 14)
11 Ibid., p. 26.
12 STACEY, op. cit., p. 156.
Fonte: http://www.e-cristianismo.com.br/pt/biografias/175-john-wycliff

domingo, 14 de agosto de 2011

Tertuliano de Cartago (155-?)


Tertuliano de Cartago


Figura contraditória e polêmica - mas de capital importância no contexto da Igreja primitiva - pouco se sabe dos dados biográficos de Tertuliano, em especial as datas de nascimento e morte. Sabe-se apenas que, como boa parte dos Pais da Igreja, Tertuliano era africano, nascido em Cartago (estima-se que por volta do ano 155 d.C.), e segundo Jerônimo relata, era filho de um centurião, o mais alto grau que um não romano podia atingir na hierarquia político-militar romana. Os cartagineses, desde os tempos de Aníbal e das Guerras Púnicas, 3 séculos antes de Cristo, nutriam uma especial aversão a Roma, e o cristianismo, nos seus primórdios, foi um fator aglutinador também do sentimento anti-romano. É nesse contexto que nasceu e viveu Tertuliano. Outra certeza que se tem a respeito dele é que suas obras foram escritas entre os últimos anos do século II e as duas primeiras décadas do século III.

O evangelho chegou à África provavelmente logo após o Pentecostes, já que, entre os ouvintes de Pedro naquele dia havia alguns judeus que habitavam “no Egito e em partes da Líbia” (Atos 2:10), e escavações na cidade de Hadrumeto (hoje na Tunísia) descobriram um cemitério judaico em que havia túmulos cristãos datados dos anos 50 e 60 d.C. O historiador Paul Johnson descreve a Igreja de Cartago como “entusiasmada, imensamente corajosa, completamente desafiadora perante as autoridades seculares, muito perseguida, intransigente, intolerante, virulenta e, de fato, violenta em suas controvérsias. Há evidências de que Cartago e outras áreas do litoral africano tenham sido evangelizadas por essênios e zelotes cristãos, demonstrando, desde o princípio, uma tradição de militância e resistência à autoridade e à perseguição. Tertuliano corporificava essa tradição.” (“História do Cristianismo”, Ed. Imago, 2001, pág. 63). A igreja africana, apesar das grandes contribuições que trouxe à Igreja primitiva, era conhecida pela sua combatividade prática e por seu silêncio literário, já que pouco se escrevia a seu respeito, talvez em função da forte perseguição das autoridades romanas. O primeiro documento que se conhece da Igreja africana são as Atas dos mártires de Scilli – sete homens e cinco mulheres – que foram condenados pelo procônsul de Cartago a “morrer pela espada” em 17 de julho de 180. Os mártires de Scilli (um povoado pequeno e nunca mais identificado) conheciam e usavam uma tradução latina das cartas de Paulo, que levavam consigo numa “capsa” (caixa), e as Atas de seu martírio são referidas por Tertuliano em sua obra “Ad Scapulam 3” (vide trecho em destaque abaixo), o que comprova a forte influência que recebeu da primitiva Igreja africana. O fato dos mártires se valerem da versão latina das cartas paulinas revela outra faceta da Igreja africana: embora, muito provavelmente, tenha sido formada a partir das Igrejas orientais, foi nos laços com Roma que ela se solidificou, abandonando, pouco a pouco, suas referências helênicas.

UM TRECHO DE “OS MÁRTIRES DE SCILLI”
Saturnino leu a sentença na tabula: “Speratus, Nartzalus, Cittinus, Donata, Vestia, Secunda e todos os outros confessaram que vivem segundo o rito cristão. Visto que lhes foi oferecido o retorno à religião romana, e eles o recusaram com obstinação, nós os condenamos a morrer pela espada”.
Speratus: “Nós damos graças a Deus”.
"Os mártires de scilli, Tertuliano"

Sabe-se que Tertuliano recebeu sólida formação intelectual, sobretudo em direito e retórica, e, muito provavelmente, foi em Roma que viveu boa parte de seus estudos e primeiros passos na vida profissional, ainda jovem. Tertuliano teve uma juventude tempestuosa, pelo que se depreende de seus escritos. Chegou a se casar e supõe-se, com boa dose de certeza, que foi o exemplo dos mártires, não só os de Scilli, mas os de outras tantas perseguições perpetradas pelos romanos, que foi decisivo na conversão de Tertuliano, aos 40 anos de idade, que imediatamente integrou-se à já sólida Igreja africana, levando a ela o seu fervor de neófito, a sua genialidade e a instabilidade do seu temperamento, que não raro o fazia cometer excessos.

João Huss (1370-1415)


João Hus


João Huss nasceu por volta de 1370 de uma família camponesa que vivia na pequena aldeia de Hussinek, e ingressou na universidade de Praga quando tinha uns dezessete anos. A partir de então toda sua vida transcorreu na capital de seu país, excetuados seus dois anos de exílio e encarceramento em Constança. Em 1402 ele foi nomeado reitor e pregador da capela de Belém. Ali ele pregou com dedicação a reforma que tantos outros checos propugnavam desde tempos de Carlos IV. Sua eloquência e fervor eram tamanhos que aquela capela em pouco tempo se transformou no centro do movimento reformador. Venceslau e sua esposa Sofia o escolheram por seu confessor, e lhe deram apoio. Alguns dos membros mais destacados da hierarquia começaram a encará-lo com receio, mas boa parte do povo e da nobreza parecia segui-lo, e o apoio dos reis ainda era suficientemente importante para que os prelados não se atrevessem a tomar medidas contra o pregador entusiasmado.
No mesmo ano que passou a ocupar o púlpito de Belém, Huss foi feito reitor da universidade, de modo que se encontrava em ótima posição para impulsionar a reforma.
Ao mesmo tempo que pregava contra os abusos que havia na igreja Huss continuava sustentando as doutrinas geralmente aceitas, e nem mesmo seus piores inimigos se atreviam a censurar sua vida ou sua ortodoxia. Diferente de Wycliff, João Huss era um homem extremamente gentil, e contava com grande apoio popular.
O conflito surgiu nos círculos universitários. Pouco antes tinham começado a chegar a Praga as obras de Wycliff. Um discípulo de João Huss, Jerônimo de Praga, passou algum tempo na Inglaterra, e trouxe consigo algumas das obras mais radicais do reformador inglês. Huss parece ter lido estas obras com interesse e entusiasmo, pois se tratava de alguém cujas preocupações eram muito semelhantes às dele. Mas Huss nunca se tornou um adepto de Wycliff. Os interesses do inglês não eram os mesmos do boêmio, que não se preocupava tanto com as questões doutrinárias como com uma reforma prática da igreja. Ele particularmente nunca esteve de acordo com o que Wycliff tinha dito sobre a presença de Cristo na ceia, e até o fim continuou defendendo uma posição muito semelhante à que era comum em seu tempo – a transubstanciação.
Na universidade, entretanto, as obras de Wycliff eram discutidas. Os alemães se opunham a elas por uma longa série de razões, mas principalmente no que referiam à questão das idéias universais, que já discutimos anteriormente; Wycliff era "realista", e os alemães seguiam as correntes "nominalistas" do momento. Os alemães tratavam os checos como um punhado de bárbaros antiquados, que não estavam em dia em questões filosóficas e teológicas, e por isto não adotavam o nominalismo que estava na moda. Agora as obras de Wycliff vinham em socorro dos boêmios, mostrando que na muito prestigiosa universidade de Oxford um famoso mestre tinha defendido o realismo, e isto em data relativamente recente.
Por isto, em sua origem, a disputa teve um caráter altamente técnico e filosófico. Mas os alemães, em seu intento de ganhar a batalha, tentaram dirigir o debate para as doutrinas mais controvertidas de Wycliff, no propósito de provar que ele era herege, e que por isto suas obras deveriam ser proibidas. João Huss e seus companheiros boêmios se deixaram levar por esta política, e logo se viram na difícil situação de ter de defender as obras de um autor com cujas idéias eles não estavam completamente de acordo. Repetidamente os checos declararam que não estavam defendendo as doutrinas de Wycliff, mas seu direito de ler as obras do mestre inglês. Mas apesar disto os alemães começaram a chamar seus adversários de "wyclifitas".
Sem demora, diversos integrantes da hierarquia que eram alvos dos ataques de Huss e de seus seguidores, e que viam nos ensinos de Wycliff uma ameaça séria à sua posição, se reuniram ao grupo dos alemães.
Era a época em que, em resultado do concílio de Pisa, havia três papas. Venceslau apoiava o papa pisano, enquanto o arcebispo de Praga e os alemães da universidade apoiavam Gregório XII. Venceslau necessitava do apoio da universidade para sua política, e já que os checos estavam em maioria nela, o rei simplesmente mudou o sistema de votação, dando três votos aos checos e um aos alemães. Estes, então, abandonaram a cidade e foram para Leipzig, onde fundaram uma universidade rival, declarando que a de Praga se entregara à heresia. Se bem que isto constituiu um grande trunfo para o movimento hussita, também contribuiu para propagar a idéia de que este movimento não passava de outra versão do wyclifismo, sendo, portanto, herege.
Mais tarde o arcebispo se submeteu à vontade do rei, e reconheceu o papa pisano. Mas se vingou de Huss e dos seus solicitando deste papa, Alexandre V, que proibisse a posse das obras de Wycliff. O papa concordou, e proibiu também as pregações fora das catedrais, dos mosteiros ou das igrejas paroquiais. Como o púlpito de Huss, na capela de Belém, não se enquadrava nestas determinações, o golpe estava claramente dirigido contra ele. A universidade de Praga protestou. Mas João Huss tinha agora de fazer a difícil escolha entre desobedecer o papa e deixar de pregar. Com o passar do tempo sua consciência se impôs. Ele subiu ao púlpito e continuou pregando a tão ansiada reforma. Este foi seu primeiro ato de desobediência, e a ele seguiram muitos outros, pois quando em 1410 foi convocado para Roma, para dar conta das suas ações, ele se negou a ir, e em consequência o cardeal Colonna o excomungou em 1411, em nome do papa, por não ter acedido à convocação papal. Mas apesar disto Huss continuou pregando em Belém e participando da vida eclesiástica, pois contava com o apoio dos reis e de boa parte do país.
Assim Huss chegou a um dos pontos mais revolucionários da sua doutrina. Um papa indigno, que se opunha ao bem-estar da igreja, não deve ser obedecido. Huss não estava dizendo que o papa não era legítimo, pois continuava favorável ao papa pisano. Mas mesmo assim o papa não merecia ser obedecido. Até aqui Huss não estava dizendo mais que os líderes do movimento conciliar, na mesma época. A diferença estava em que estes se ocupavam principalmente da questão jurídica de como decidir entre vários papas rivais, e buscavam a solução deste problema nas leis e nas tradições da igreja, enquanto Huss acabara por seguir Wycliff até este ponto, declarando que a autoridade final é a Bíblia, e que um papa que não se conforme a ela não deve ser obedecido. Mas mesmo assim isto era, com poucas diferenças, o que Guilherme de Occam tinha dito, ao declarar que nem o papa nem o concílio, mas somente as Escrituras eram infalíveis.
Outro incidente turbou a questão ainda mais. João XXIII, o papa pisano, estava em guerra com Ladislau de Nápoles. Nesta contenda sua única esperança de vitória estava em obter o apoio, tanto militar como econômico, do restante da cristandade latina. Para tanto ele declarou que a guerra com Ladislau era uma cruzada, e promulgou a venda de indulgências para custeá-la. Os vendedores chegaram à Boêmia, usando de todo tipo de métodos para vender sua mercadoria. Huss, que vinte anos antes tinha comprado uma indulgência, mas que agora mudara de opinião, protestou contra este novo abuso. Em primeiro lugar uma guerra entre cristãos dificilmente poderia receber o título de cruzada. E em segundo, somente Deus pode conceder indulgência, e ninguém pode querer vender o que vem unicamente de Deus.
O rei, entretanto, tinha interesse em manter boas relações com João XXIII. Entre outras razões para isto, a questão de se ele ou seu irmão Sigismundo era o imperador legítimo ainda não fora decidida, e era possível que, se a autoridade de João XXIII viesse a se impor, seria ele quem teria de decidir a questão. Por isto o rei proibiu que a venda de indulgências continuasse sendo criticada. Sua proibição, todavia, veio tarde demais. A opinião de João Huss e de seus companheiros já era conhecida de todos, a ponto de terem surgido passeatas do povo, em protesto contra esta nova maneira de explorar o povo checo.
Enquanto isto João XXIII e Ladislau fizeram as pazes, e a pretensa cruzada foi revogada. Huss, no entanto, para Roma ficou sendo o líder de uma grande heresia, e até chegou-se a dizer que todos os boêmios eram hereges. Em 1412 Huss foi excomungado de novo, por não ter comparecido diante da corte papal, e foi fixado um prazo curto para ele se apresentar. Se não o fizesse, Praga ou qualquer outro lugar que lhe desse acolhida estaria sob interdito. Desta forma a suposta heresia de Huss resultaria em prejuízo da cidade.
Por esta razão o reformador checo decidiu abandonar a cidade onde tinha passado a maior parte da sua vida, e se refugiar no sul da Boêmia, onde continuou sua atividade reformadora dedicando-se à literatura. Ali ele recebeu a notícia de que finalmente se reuniria um grande concílio em Constança, e que ele estava convidado para lá comparecer e se defender pessoalmente. Para isto o imperador Sigismundo lhe ofereceria um salvo-conduto, que lhe garantiria sua segurança pessoal.

Huss diante do concílio

João Hus diante do concílioO concílio de Constança prometia ser a aurora de um novo dia na igreja. Tinham comparecido a ele os mais distintos defensores da reforma através de um concílio, João Gerson e Pedro de Ailly. Nele seria decidido de uma vez por todas quem era o papa legítimo, e seriam tomadas medidas contra a simonia, o pluralismo e tantos outros males. E João Huss estava convidado, para apresentar seu caso. Aquela assembléia poderia ser o grande púlpito que ele usaria para pregar a reforma. Por isto Huss não poderia deixar de ir.
Mas por outro lado já o fato de ter sido necessário um salvo-conduto era um indício dos perigos que poderiam estar esperando por ele. Huss sabia que os alemães que tinham se transferido para Leipzig tinham continuado espalhando o rumor de que ele era herege. E sabia também que não podia contar com nenhuma simpatia da parte de João XXIII e da sua cúria. Por isto antes de partir ele deixou um documento que deveria ser lido no caso de sua morte. Para medirmos o caráter deste homem, observemos de passagem que este documento era uma confissão em que declarava que um dos seus grandes pecados era – que gostava demais de jogar xadrez! Os perigos que o esperavam em Constança eram grandes. Mas sua consciência o obrigava a ir. E assim partiu o reformador checo, confiando no salvo-conduto imperial e na justiça da sua causa.
João XXIII o recebeu com cortesia, mas poucos dias depois o chamou para o consistório papal. Huss foi, mesmo insistindo em que tinha vindo para expor sua fé diante do concílio, e não do consistório. Ali ele foi formalmente acusado de herege, e ele respondeu que preferia morrer que ser herege, e que o convencessem de que o era, ele se retrataria. A questão ficou suspensa, mas a partir de então Huss foi tratado como um prisioneiro, primeiro em sua casa, depois no palácio do bispo, e por último em uma série de conventos que lhe serviam de prisão.
Quando o imperador, que ainda não tinha chegado em Constança, soube o que tinha acontecido, ficou extremamente irado, e prometeu fazer respeitar seu salvo-conduto. Mas depois começou a dar menos ênfase nisto, pois não lhe convinha aparecer como protetor de hereges. Em vão foram os protestos do próprio Huss, como o foram os que chegaram de muitos nobres boêmios. Huss possuía inclusive um certificado do Grande Inquisidor da Boêmia, declarando que ele era inocente de qualquer heresia. Só que para os italianos, alemães e franceses, que eram a imensa maioria no concílio, os boêmios não passavam de bárbaros que sabiam pouco de teologia, e cujos pronunciamentos não deveriam ser levados a sério.
No dia 5 de junho de 1415, Huss compareceu diante do concílio. Poucos dias antes João XXIII tinha sido aprisionado e trazido de volta para Constança, como narramos no capítulo IV. Já que isto significava que o papa pisano tinha perdido todo o poder, e já que Huss tivera seus piores conflitos com ele, era de se supor que a situação do reformador melhoraria. Mas sucedeu o contrário. Quando Huss foi levado para a assembléia ele estava acorrentado, como se tivesse tentado fugir ou se já tivesse sido julgado. Foi acusado formalmente de ser herege, e de seguir as doutrinas de Wycliff. Huss tentou expor suas opiniões, mas a algazarra foi tamanha que ele não se podia fazer ouvir. Por fim foi decidido adiar a questão para o dia 7 do mesmo mês.
O processo de Huss durou mais três dias. Repetidamente ele foi acusado de herege. Mas quando foram relacionadas as doutrinas concretas de que supostamente consistia sua heresia, Huss demonstrou que era perfeitamente ortodoxo. Pedro de Ailly assumiu a liderança do julgamento, exigindo que Huss se retratasse de suas heresias. Huss insistia em que nunca tinha crido nas doutrinas de que exigiam que ele se retratasse, e que por isto não podia fazer o que de Ailly requeria dele.
Não havia maneira de resolver o conflito. De Ailly queria que Huss se submetesse ao concílio, cuja autoridade não podia ficar em dúvida. Huss lhe mostrava que o papa que o tinha acusado de desobediência era o mesmo que o concílio acabara de depor. Mostrar suas contradições a um homem supostamente sábio, tido como homem mais ilustre da época, e isto diante de uma grande assembléia, nem sempre é uma atitude sábia. O rancor do seu juiz aumentava cada vez mais. Outros líderes do concílio, entre eles João Gerson, diziam que estava desperdiçando o tempo que deveriam dedicar a questões mais importantes, e que de qualquer forma os hereges não merecem tanta atenção. O imperador se deixou convencer de que ele não precisa guardar sua palavra para com os que não têm fé, e retirou seu salvo-conduto. Quando Huss acabou dizendo que era verdade que ele tinha dito que se não quisesse ter vindo para Constança, nem o imperador nem o rei teriam podido obrigá-lo, seus acusadores viram nisto a prova de que ele era um herege obstinado e orgulhoso – apesar de o nobre boêmio João de Clum, que o defendeu valentemente até o final, ter declarado que o que Huss dissera era verdadeiro, e que tanto ele como muitos outros mais poderosos do que ele teriam protegido Huss se este tivesse decidido não ir ao concílio.
O concílio pedia unicamente que o Huss se submetesse a ele, retratando-se das suas doutrinas. Mas não estava disposto a escutar nem crer no acusado, quanto a quais eram as doutrinas que tinham crido e ensinado na verdade. Uma simples retratação teria bastado. O cardeal Zabarella preparou um documento em que exigia de Huss que se retratasse de seus erros, e aceitasse a autoridade do concílio. O documento estava cuidadosamente redigido, porque seus juízes queriam lhe dar todas as oportunidades para que se retratasse, e assim ganhar a disputa, mas o reformador checo sabia que se se retratasse, com isto estaria condenado todos os seus seguidores, pois se declarasse que suas doutrinas eram aquelas que seus inimigos tinham apresentado, estaria nisto implícito que seus companheiros criam nas mesmas coisas, e que portanto eram hereges.

João Hus na fogueira


Por vários dias o deixaram encarcerado, na esperança de que fraquejasse e se retratasse. Muitos foram lhe pedir que o fizesse, talvez sabendo que sua condenação seria uma mancha indelével para o concílio de Constança. Mas João Huss continuou firme.
Por fim, no dia 6 de julho, ele foi levado para a catedral de Constança. Ali, depois de um sermão sobre a teimosia dos hereges, ele foi vestido de sacerdote e recebeu o cálice, somente para logo em seguida lhe arrebatarem ambos, em sinal de que estava perdendo suas ordens sacerdotais. Depois lhe cortaram o cabelo para estragar a tonsura, fazendo-lhe uma cruz na cabeça. Por último lhe colocaram na cabeça uma coroa de papel decorada com diabinhos, e o enviaram para a fogueira. A caminho do suplício, ele teve de passar por uma pira onde ardiam seus livros.
Mais uma vez lhe pediram que se retratasse, e mais uma vez ele negou com firmeza. Por fim orou, dizendo: "Senhor Jesus, por Ti sofro com paciência esta morte cruel. Rogo-Te que tenhas misericórdia dos meus inimigos". Morreu cantando os salmos.


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