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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

VERDADES QUE TODO PECADOR PRECISA SABER PARA NÃO PERECER NO FOGO DO INFERNO

Pr. Dorisvan Cunha

1. DE DEUS, O ETERNO
Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições, Criador do Universo e de tudo o que nele existe. Ele é absolutamente santo, justo e bom.

2. DA LEI DE DEUS
Deus tem uma Lei que também é Santa, Justa e Boa a qual é o seu padrão de moral e de conduta. Esta Lei está resumida em 10 mandamentos (Ex 20); Deus exige que todos obedeçam esse padrão, caso contrário estarão reprovados diante Dele no juízo. .

3. DA MINHA FALÊNCIA
O meu e o seu problema, pecador, é que nós, em Adão, violamos o padrão de Deus e somos culpados diante Dele. Isso, de tal forma que hoje, no século XXI, não temos capacidade de satisfazer totalmente a Deus em tudo o que ele exige de nós, posto que qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. (Tiago 2.10). Aqui está a nossa divisão interior e nossa queda. Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

4. DA ABSOLUTA NECESSIDADE DO MEDIADOR
O ponto 4 me prova que Deus só se satisfaz com uma justiça perfeita, sem a qual estarei condenado para sempre ao fogo do inferno. Devo, portanto, tomar consciência de que eu não possuo tal justiça para apresentar diante Dele, por isso preciso urgentemente e desesperadamente de alguém que a tenha e que satisfaça a Deus totalmente em meu lugar, caso contrário morrerei prisioneiro do pecado e serei lançado no mais profundo abismo.

5. DA INCAPACIDADE DE TODOS OS HOMENS
Para aumentar meu desespero, ou para minha consolação momentânea (depende do ponto de vista) devo também tomar conhecimento de que Jamais encontrarei entre os filhos dos homens, de toda a história humana, alguém que tenha tal justiça para me ajudar diante de Deus no dia do juízo, posto que não há nenhum justo, nenhum sequer, uma vez que todos pecaram e estão alienados do Deus Eterno para sempre (Rm 3. 9-10).

6. DO ETERNO AMOR DE DEUS
A Verdade do Evangelho para o homem do século XXI é que você não precisa mais viver desesperado e com medo das chamas eternas. A justiça que você procura já se manifestou através da pregação do EVANGELHO (Rm 3.21). O que aconteceu é que Deus, Sendo rico em Misericórdia, por causa do grande amor com que me amou, sabedor de nossa incompetência e incapacidade em cumprir toda a sua Lei, satisfazendo, assim, suas exigências, enviou seu Amado Filho Jesus Cristo, A Esperança das Esperanças, o Sol nascente das alturas, para viver uma vida perfeita (que eu nunca vivi) e para morrer condenado no monte da Caveira no meu lugar (posto que o mereço por ser pecador é a morte) (Ef 2; Rm 3). Esta é a Verdade do Evangelho.

7. DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ
Quando cremos nesta verdade, hoje, no século XXI, Deus coloca na conta de Jesus todas as nossas transgressões, nossos pecados, nossa rebelião original e nossas deformidades de alma e de caráter; e, além disso, Ele deposita em nossa conta a justiça perfeita e santa do Cristo da Cruz, garantindo-nos que, de agora em diante, por causa da vida perfeita e da morte cruel do seu Filho, nós estamos justificados e totalmente livres da maldição e da condenação da Lei que estava sobre nós.

8. DO RESULTADO
Quem Creu nesta verdade abraçou A VERDADE DO EVANGELHO. E quem abraça o Evangelho deve tomar conhecimento de que, agora, no século XXI, pode viver sem o peso eterno da condenação, posto que tal peso acabou para sempre, na CRUZ DE CRISTO. Portanto, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da culpa do pecado e da morte para sempre (Rm 8.1-2).

9. DA PERSEVERANÇA DOS SANTOS
Finalmente, eu tenho que crer que Deus não corre o risco de deixar de me amar. Paulo afirmou com precisão em Romanos 8.30-39: “aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem se atreve a nos acusar, a nós que Deus escolheu para sermos dele? Será que Deus fará isso? Nunca! Foi Ele quem nos perdoou e nos deu o direito de ficar com Ele. Quem nos condenará, então? Cristo? Não! Foi Ele quem morreu por nós e voltou à vida por nossa causa, e agora está sentado no lugar de maior honra junto a Deus, rogando por nós lá no céu.- Quem, então, pode jamais ocultar de nós o amor de Cristo? Quando estamos em aflição ou em desventura, quando somos perseguidos de morte ou destruídos, será que isso acontece por que Ele não mais nos ama? E se tivermos fome, ou ficarmos, sem dinheiro, ou passarmos por perigos, ou formos ameaçados de morte, será pois que Deus nos desamparou? Não, pois as Escrituras nos dizem que por sua causa precisamos estar prontos a enfrentar a morte a qualquer momento do dia - somos como ovelhas, prontas a ser abatidas no matadouro. Mas apesar de tudo isso, temos uma vitória esmagadora por meio de Cristo, que nos amou a ponto de morrer por nós. Estou convencido de que nada poderá jamais nos separar do seu Amor. A morte não o pode, nem tampouco a vida. Os anjos não o poderão, e todas as forças do inferno não poderão afastar de nós o amor de Deus. Nossos temores pelo dia de hoje, nossas preocupações sobre o dia de amanhã, ou o lugar onde estivermos - bem alto no céu, ou nas profundezas do mar - nada, jamais, será capaz de separar-nos do amor de Deus demonstrado pelo nosso Senhor Jesus Cristo quando morreu por nós”.

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ephesians 2.8-9).
ESTA É A VERDADE DO EVANGELHO!
CREIA! JÁ ESTÁ TUDO CONSUMADO!

POR QUE DEUS ME SALVOU


R. C. SPROUL

Não conheço nenhuma pergunta teológica mais difícil de responder do que essa. Tenho estudado teologia por muitos anos, e ainda não consigo pensar numa razão que responda completamente por que Deus me salvaria ou a qualquer pessoa.

Algumas pessoas dão uma resposta muito simples a essa pergunta. Dizem que Deus o salvou porque você colocou sua confiança e sua fé em Cristo quando respondeu ao chamado do evangelho. A primeira vista essa é, certamente, uma resposta legítima, porque somos justificados pela fé e somos chamados a dar essa resposta.

Mas a pergunta mais profunda é: Por que você respondeu ao evangelho quando o ouviu e outra pessoa que o ouviu também — inclusive na mesma reunião e no mesmo momento — não respondeu a ele? O que havia em você que o levou a responder positivamente enquanto outros são levados a rejeitá-lo? Faço essa pergunta a respeito de minha própria vida. Poderia dizer que a razão pela qual eu respondi é que eu sou mais justo do que a outra pessoa. Deus me livre de dizer isso no dia do julgamento. Posso pensar que eu sou mais inteligente do que os outros, mas não desejo dizer isso também. Alguém pode dizer que eu reconheci melhor a minha necessidade do que as outras pessoas, mas mesmo esse reconhecimento é uma mistura de pelo menos um certo grau de inteligência e um certo grau de humildade, o que, na sua maior parte, encontraria suas raízes, em última análise, na graça de Deus. Tenho de repetir com o ancião, apenas pela graça de Deus eu prossigo. Não posso dar nenhuma outra razão do motivo de ser salvo senão a graça de Deus.

A Bíblia diz muitas coisas sobre o motivo de Deus iniciar a salvação das pessoas: Ele ama o mundo, tem uma atitude benevolente para com suas criaturas caídas. Sabemos disso. Mas quando chegamos aos detalhes mais específicos, a Bíblia fala do soberano trabalho de redenção de Deus e usa os termos eleição e predestinação. Essas são palavras bíblicas. O que está por trás da graça predestinadora de Deus ou de sua eleição? Alguns dizem que Deus prevê as escolhas das pessoas. Creio que isso remove o próprio cerne do ensino bíblico.

Quando as Escrituras falam a respeito da eleição que Deus faz de pessoas, falam de Deus elegendo pessoas em Cristo; nossa salvação está alicerçada em Jesus. Isso me leva a pensar no seguinte: você e eu somos salvos não apenas pelo cuidado de Deus a nosso respeito, mas especialmente, e em última análise, pela absoluta determinação de Deus em honrar o seu filho obediente. Nós somos as dádivas de amor que o Pai dá ao Filho, de forma que o Filho, que viveu uma vida de perfeita obediência e morreu na cruz, possa ver a agonia de sua alma e ficar satisfeito. Creio que essa é a razão principal pela qual Deus nos salva: honrar a Cristo.

É JUSTO NASCERMOS PECADORES


R.C.SPROUL

Por que é justo que toda a humanidade nasça em pecado por causa da queda de Adão?
Creio que o Novo Testamento ensina que o mundo inteiro nasce dentro das conseqüências de uma natureza decaída por causa do pecado de Adão e Eva. O Novo Testamento repete essa idéia freqüentemente — "que pela desobediência de um homem a morte veio ao mundo." Isso tem sido razão de muito protesto teológico. Que tipo de Deus puniria todas as pessoas com as conseqüências de um pecado individual? De fato, isso parece ser contrá­rio ao que ensina o profeta Ezequiel. Ele advertiu o povo de Israel quando disseram que os pais haviam comido uvas verdes e os dentes dos filhos nasceram embotados. O profeta diz que Deus trata cada pessoa de acordo com seu próprio pecado. Ele não pune a mim por aquilo que meu pai fez, nem pune meu filho por aquilo que eu fiz, embora as conseqüências pos­sam atingir até três ou quatro gerações. A mensagem de Ezequiel parece ser que a culpa não é transferida de uma pessoa para outra.
Isso torna a questão muito mais complicada. Em protesto, gostaríamos de dizer: "Nenhuma condenação sem representação." Não gostamos de ser responsabilizados por algo que outra pessoa fez, embora haja ocasiões em nosso sistema de justiça em que reconhecemos um certo grau de culpabilidade por aquilo que outra pessoa faz por razão de uma conspiração criminal.
Por exemplo, posso contratá-lo para matar alguém. Mesmo que eu esteja longe da cena do crime e não puxe o gatilho, ainda posso ser julgado por assassinato em primeiro grau. Sou culpado da intenção e malícia de preme­ditar aquilo que você executou na realidade.
Você pode argumentar que essa é uma analogia muito pobre sobre a queda porque ninguém contratou Adão para pecar contra Deus em meu nome. Obviamente não fizemos isso. Ele foi designado como representante de toda a raça humana. Novamente, tendemos a achar que isso é difícil de engolir porque não gosto de ser responsabilizado por aquilo que o meu representante faz se não tive a oportunidade de escolher o meu representante. Certamente, não escolhi Adão para me representar. Essa é uma das razões pelas quais gostamos de ter o direito de eleger nossos representantes no governo: As atitudes que eles tomam na esfera política têm enormes conse­qüências em nossas vidas. Nem todos podemos estar na capital do país pro­mulgando a legislação. Desejamos eleger nossos representantes na esperança de que eles representarão corretamente nossos desejos e nossas vontades.
Não houve nenhuma ocasião na história da humanidade em que você estivesse mais perfeitamente representado do que no Jardim do Éden, porque o seu representante foi escolhido infalivelmente por um Deus onisciente, perfeitamente santo, perfeitamente justo. Portanto, não posso dizer que eu teria agido de maneira diferente de Adão.
Um último ponto: se por princípio objetamos que Deus permite que uma pessoa aja pela outra, isso seria o fim da fé cristã. Toda nossa redenção repousa no mesmo princípio, que através das obras de Cristo nós somos redimidos.


sábado, 27 de novembro de 2010

Universidade Mackenzie: Em Defesa da Liberdade de Expressão Religiosa

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 [http://www.ipb.org.br/noticias/noticia_inteligente.php3?id=808] e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro. Para ampla divulgação.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010


A Certeza Absoluta da Morte


Talvez nenhum mistério tenha despertado mais curiosidade e pavor do que a experiência da morte. Sou obrigado a confessar que muitos anos a certeza da morte me deixou preso em grilhões psicológicos terríveis. Ela continua sendo a realidade mais perturbadora da existência humana. Todos os dias um incontável número de pessoas desce à sepultura, deixando dor e saudade e, além disso, a certeza absoluta de que a qualquer momento podemos ser os próximos.

R. C. Sproul, sabiamente observa que: “a morte é obscena. Ela contraria o fluir vibrante da vida. Quando ela surge a nossa frente recuamos horrorizados. Fazemos uso dos nossos melhores cosméticos para disfarçar o seu impacto. Ao atacar, a morte deixa sempre a pergunta: ‘Será esse o fim? Não haverá mais nada mesmo que possamos esperar?” (Razão Para Crer, pág. 104, 2002)

Jó, em seu desespero diante das desgraças que lhe sobrevieram, proferiu uma das verdades mais tristes que vivenciamos na prática durante a nossa existência:

“O homem, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação. Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece”. (Jó 14.1-2)

É simplesmente impossível que o homem não morra. Como diz o salmista: “Que homem há, que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro?”(Sl 89.48)

Como não é possível fugirmos da realidade da morte, procuramos respostas para o porquê de ela existir. Os cristãos comumente aceitam a doutrina bíblica, de que a morte é uma conseqüência do pecado: “Porque o salário do pecado é a morte”. (Rm 6.23).

Os cristãos acreditam que houve um tempo em que a morte não existia. O começo da história da humanidade foi lindo, sem mácula. Deus criou todas as coisas, e fez o homem, “por um pouco, menor que os anjos”. (Hb 2.7) Naquele paraíso o ser humano poderia viver eternamente, sem a presença devastadora da morte. A condição para a vida eterna seria a obediência, exigida em uma prova relativamente fácil:

“E o Senhor Deus lhe deu essa ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. (Gn 2.16-17).

O pecado de Adão e Eva foi grande demais justamente pela facilidade que teriam em resistir à prova. Eles só precisavam acreditar em Deus.

Quando a serpente disse à mulher que Deus não estava falando a verdade, ela deveria acreditar nAquele que havia dado tudo a eles, e não em uma serpente esperta, que sabia até falar.

Apesar de ser uma coisa difícil de aceitar, a sentença de morte foi justa. Deus, em sua sabedoria, sabia perfeitamente quais seriam as conseqüências de permitir que seres pecadores vivessem para sempre. O homem, vivendo poucos anos, contamina o mundo de toda sorte de malefícios, quanto mais se pudesse viver eternamente. O pecado é semelhante a um câncer. Quanto mais evolui, mais devastação acarreta na vida humana.

Por mais estranho que isso possa parecer para algumas mentes inquiridoras, acredito que a morte, além de uma justa punição pelo pecado, é também uma prova da misericórdia de Deus.


Perguntas e Respostas: Saul e a Pitonisa

(Pergunta feita por um internauta e respondida por Oseas de G. Oliveira em 12.09.2008)


Pergunta:

A paz do senhor Jesus meu irmÃo, gostaria que o irmão me respondesse se realmente quem apareceu para saul foi samuel.



Resposta:

Irmão, obrigado pela participação.

O caso de Saul e a pitonisa é muito interessante. Quando lemos esse texto a primeira vez, de princípio ele parece mostrar que o profeta realmente havia aparecido ao rebelde e abandonado Saul.

No entanto, com base em alguns fatos bíblicos, parece impossível que Samuel estivesse ali, conversando com o rei Saul. Vejamos alguns dados muito interessantes:

Os Escritos Sagrados ensinam que após a morte não existe consciência e nem participação daqueles que morrem em alguma que acontece debaixo do sol. Vejamos algumas evidências:

"Os seus filhos recebem honras, e ele não o sabe; são humilhados, e ele o não percebe" (Jó 14.21).

"Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem à região do silêncio" (Sl 115.17)
"Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol". Ec 9.5-6

A Escritura também afirma que o domicílio dos mortos é a sepultura:

"Mas, se eu aguardo já a sepultura por minha casa; se nas trevas estendo a minha cama" (Jó 17.13)

"Eles descem diretamente para a cova, onde a sua formosura se consome; a sepultura é o lugar em que habitam" (Sl 49.14)


Também nos é mostrado pela Escritura que a morte é um sono:

"Atenta para mim, responde-me, Senhor, Deus meu! Ilumina-me os olhos, para que eu não durma o sono da morte" (Sl 13.3)

"Assim o homem se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono" (Jó 14.12)

"Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes impute este pecado! Com estas palavras, adormeceu"(At 7.60)

Com esses dados bíblicos fica muito claro que era impossível Samuel estar ali com Saul, a menos que ele tenha ressuscitado, o que a Bíblia não afirma. Quando o homem morre deixa de existir até que Deus o ressuscite, seja para a salvação ou para a perdição.

Mas então, quem apareceu a Saul? A resposta mais provável é que tenha sido Satanás, fingindo ser o profeta de Deus. Lembremos que ele pode se transfigurar em um anjo de luz. Se ele pode aparecer como um anjo de luz, imagine como um ser humano.
Seria muito estranho que Deus se comunicasse com Saul através de Samuel, depois que este havia morrido, pois antes já havia se recusado a fazer isso enquanto o profeta estava vivo.


Autor: Oseas de G. Oliveira

A Teologia do Medo


O romancista russo Dostoievski diz que

“se for destruída no homem a fé em sua imortalidade, não somente o amor secará nele, mas também a força de continuar a vida no mundo. Mais ainda, não haverá então nada de imoral, tudo está autorizado, até mesmo a antropofagia” ( - DOSTOIÉVSKI, Fiódor, Os Irmãos Karamazov, p. 80, 2004)


O pensamento do romancista russo lembra os pregadores fervorosos que afirmando a imortalidade da alma, a impossibilidade de dissolvê-la, aconselhava os ouvintes a terem cuidado com os castigos do mundo vindouro, pois seria impossível escapar das chamas do fogo eterno. A obediência forçada pelo medo teria que existir, caso contrário, o tormento eterno estava à espera depois da morte do pecador. A imortalidade da alma tornara-se uma condição de obediência a Deus, pois “não há virtude sem imortalidade” (- DOSTOIÉVSKI, Fiódor, Os Irmãos Karamazov, p. 31, 2004 )


Embora isso venha desaparecendo aos poucos, o que é um fato positivo, a doutrina da imortalidade natural da alma tem servido de base para uma espécie de teologia do medo. Eu fui vítima dessa teologia dentro das paredes da igreja em que nasci.

Essa teologia do medo adotada por vários segmentos do cristianismo tem enchido templos com pessoas apavoradas. Elas temem um dia cair nas chamas devoradoras do inferno, sendo esse o único motivo que as mantêm nas igrejas.

O uso de ameaças é tão antigo quanto a doutrina imortalista. Orlando Boyer, em seu clássico Heróis da Fé, lembrando o sermão de Jhonatas Edwards relata que:

“há dois séculos que o mundo fala do famoso sermão: pecadores nas mãos de um Deus irado e dos ouvintes que se agarravam aos bancos pensando que iam cair no fogo eterno. Esse fato foi, apenas, um dos muitos que aconteceram nas reuniões em que o Espírito Santo desvendava os olhos dos presentes para eles contemplarem as glórias do céu e a realidade do castigo que está bem perto daqueles que estão afastados de Deus” (BOYER, Orlando, Heróis da Fé, p. 51, 2001)



Vários homens de Deus, reconhecidamente heróis e sábios da fé cristã, que em muito contribuíram para o Evangelho de Jesus Cristo, tiveram suas mentes manchadas com o pensamento do tormento eterno.

A doutrina de um castigo futuro é bíblica, mas devemos fazer uso legítimo dela. A segunda morte é uma conseqüência da desobediência, e não o motivo para nos aproximarmos de Deus, que deve ser o amor.

Profetas Modernos?

Tenho dificuldades em aceitar os profetas “modernos”. Em muitas denominações cristãs a quantidade de revelações é assustadora.

Os profetas de plantão têm sempre uma nova mensagem para a congregação ansiosa para ouvir a voz de Deus. O curioso é que não é incomum presenciarmos revelações contraditórias.

A maioria dessas revelações é desnecessária ou absurda. As desnecessárias são aquelas que já estão na Escritura, as absurdas são aquelas que a contrariam.

Eu creio na suficiência da Escritura. Acredito que tudo que precisamos saber está nas páginas da Bíblia. Nenhuma revelação adicional é necessária. Entre um milhão de revelações modernas e um versículo da Bíblia, vou escolher o texto bíblico sempre.

Se fosse necessário revelações especiais a Bíblia não seria suficiente. Creio que toda a Escritura é inspirada por Deus, e suficiente.


Deus nas Mãos de Arminianos Irados

Embora seja o pensamento predominante, o arminianismo tem ensinado um outro evangelho. O curioso é que o pensamento arminiano tem sido aceito pelos cristãos com muita naturalidade, como verdade bíblica.

Deus "está nas mãos de arminianos irados". O Deus das Escrituras Sagradas perdeu a sua Soberania e o seu poder. Os arminianos tiraram Deus do trono e colocaram o homem em seu lugar. Embora não admitam, a questão do destino da humanidade está nas mãos dos homens, e não de Deus.

O arminianismo tem ensinado um Deus pequeno demais, que depende dos homens para a realização dos seus planos. Um Deus que precisa ficar quieto, esperando que o homem decida as coisas não pode ser soberano em hipótese alguma.

Os arminianos, irados com a soberana graça de Deus, irritados com o controle de Deus sobre cada partícula do universo, e com a sua vontade santa que promove todas as coisas para a sua glória, procuram tirá-lo do seu trono majestoso.

O livre-arbítrio é uma ilusão. Percebemos isso na prática todos os dias. Não somos capazes, por exemplo, de vivermos sem pecar, mesmo que queiramos isso. Apenas os arminianos não percebem essa escravidão da vontade humana.

Somos incapazes de nos aproximarmos de Deus por nossas próprias forças, afinal, assim como o leopardo não pode mudar suas manchas, também não podemos fazer o bem inclinados a fazer o mal.

Presos pela tendência pecaminosa do nosso coração, damos graças a Deus pelo fato de ele nos ter dado vida espiritual em Jesus Cristo, quando estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2.1).


Autor: Oseas de G. Oliveira

O Evangelho Degenerado


Não faz muito tempo que fui a uma denominação da igreja onde fui criado. Presenciei coisas estranhas, como movimentos ridículos, danças macabras, e profetisas que gostam de ameaçar as pessoas caso não acreditemos que suas palavras vêm de Deus.

Algumas pessoas parecem estar fora de si, e “profetizam” a respeito de supostos problemas dentro da igreja. As músicas de vitória enchem o templo enquanto pessoas vibram com a mensagem de prosperidade.

Depois, quando observamos os fatos ficamos decepcionados. Profecias que não se cumprem, problemas que pessoas específicas não estão enfrentando, apesar de citadas em um culto público, e dificuldades entre aqueles que supostamente, por causa de sua fé, deveriam ser prósperos.

O curioso é que apesar das evidências da falsidade de certos profetas, eles continuam sendo vistos como portadores quase que infalíveis da palavra de Deus. Sobem ao púlpito e fazem orações fervorosas, mas não abrem a Bíblia para trazer uma mensagem de conforto. São portadores de uma mensagem mesclada de verdade e mentira, o que a torna ainda mais perigosa.

O fato é que o cristianismo tem se degenerado, e o evangelho da cruz não atrai mais as pessoas, o que é muito natural, pois o evangelho de Cristo não prioriza as recompensas terrenas, mas uma vida árdua sobre a terra.

O problema é mais complicado porque as igrejas, no intuito de atrair as pessoas, ensinam esse evangelho degenerado, enganando pessoas que estão dentro dela e dando motivos de sobra para serem criticados pelos que estão de fora dela.

Paulo escreveu que não sentia vergonha do evangelho, mas duvido que ele aprovasse essa mensagem e essas atitudes estranhas que hoje muitos chamam de cristãs!




A Igreja Corrompida


Tenho percebido que algumas denominações cristãs estão se afastando cada vez mais do cristianismo autêntico. A investigação cuidadosa das Escrituras tem sido substituída pelas emoções e por um misticismo danoso a espiritualidade da igreja.

A igreja está muito longe de ser a mesma dos tempos apostólicos. Ela se corrompeu, e isso é um fato. Hoje os líderes religiosos estão mais preocupados em atrair os ouvintes com promessas de prosperidade, cura e fortes emoções do que ensinar as grandes doutrinas da Bíblia.

É um evangelho de palha, fácil de queimar, o que é oferecido hoje aos ouvintes de muitas igrejas que se corrompem a uma velocidade assustadora. Tenho dificuldades para lembrar quando foi a última vez que escutei um sermão sobre a Segunda Vinda de Cristo. As grandes verdades das Escrituras estão sendo substituídas por promessas temporais, que trazem algum benefício imediato, mas estão longe de suprir as reais necessidades do coração humano.


Autor: Oseas de G. Oliveira

Resumo dos Cinco Pontos do Calvinismo

Depravação Total


Algumas vezes fico surpreso com as atitudes de crueldade de certas pessoas. Mas honestamente eu não deveria ficar. Em certo sentido o fato de as pessoas cometerem pecados grosseiros não é para surpreender-nos.


A Escritura mostra que o homem é decaído, corrupto, depravado.

Todo ser humano tem uma natureza depravada. Acredito que poderíamos ser piores do que somos se não fosse a interferência de Deus. Ser totalmente depravado não significa sermos maus ao extremo, ou até onde é possível ser. Ser depravado em sua totalidade significa que cada parte do meu ser foi corrompida pelo pecado. Nasci pecador, vivo em pecado e morrerei como conseqüência do pecado.


Nasci morto em meus delitos e pecados. Isso significa que por natureza não tenho nenhuma tendência, nenhuma vontade natural de me aproximar de Deus, muito menos de amá-lo. Somos completamente incapazes de nos interessarmos por Deus se Ele não mudar nosso coração.



Eleição Incondicional

Constantemente me pergunto por que a minha esposa me escolheu para compartilhar comigo seus planos, sonhos, alegrias e frustrações. Honestamente não vejo nada em mim que desperte a atenção dela. Mesmo assim ela me escolheu. Mesmo que eu não consiga enxergar isso, ela deve ter visto alguma coisa boa em mim. Por isso ela me elegeu como o seu futuro esposo, apesar de existirem homens bem mais interessantes do que eu.


Nossas escolhas normalmente são baseadas em alguma coisa boa que vemos naquilo que vamos escolher. Em relação à salvação é tudo muito diferente.


Eleição incondicional significa que Deus escolhe os que serão salvos sem qualquer mérito dos escolhidos. Não há nada em mim mesmo que possa despertar o desejo de Deus de salvar-me. Eu não sou interessante, atraente. Eu sou apenas um pecador, Ele é Santo. Sou apenas uma criatura, Ele é o Supremo Criador.


Deus não depende de mim para nada. No entanto, ele amou seres humanos pecadores, e os escolheu para terem uma vida eterna, cheia de alegria junto de Si mesmo.


Expiação Limitada

Quando resolvemos fazer uma festa de aniversário normalmente somos muito cuidadosos quando distribuímos os convites. Não sentimos atração em convidarmos todas as pessoas da cidade, mas apenas aquelas que de alguma forma estão mais ligadas a nós mesmos. Fazemos um esforço, “um sacrifício”, para preparar o que há de melhor para as pessoas que escolhemos para a nossa festa. Fazemos tudo isso para os escolhidos apenas, não para todas as pessoas.

Isso pode servir de analogia, mesmo que muito inferior, ao ato da expiação de Cristo em relação ao eleitos.

O Sacrifício de Cristo é sem dúvida suficiente para todas as pessoas do mundo inteiro. O termo Expiação Limitada talvez tenha sido infeliz pelo fato de não expressar exatamente o que ele quer dizer. Se Deus desejasse, salvaria todas as pessoas através de Jesus Cristo.

No entanto, aceitamos que o sacrifício de Cristo não foi feito por todas as pessoas, mas apenas por seus eleitos. Esse sacrifício é eficaz. O Senhor certamente salvará todos os eleitos por meio da expiação dos pecados realizada através da obra redentora de Cristo.

Cristo não preparou apenas uma festinha de aniversário, mas um banquete de misericórdia, bondade e alegria sem fim para os escolhidos de Deus.


Graça Irresistível

Tenho o hábito de evitar entrar em sites de editoras de livros teológicos. Eu costumo dizer aos meus amigos que eu não resisto. Durante o ano compro dezenas de livros, mesmo quando não deveria. O problema é que normalmente “não resisto”.

No entanto, mesmo com algum esforço, eu resisto à tentação e resolvo ler livros que estão na “fila”, ao invés de comprar novos títulos. Nesse caso, essa força não é irresistível. No meu caso ela é quase irresistível, mas ainda posso resisti-la de vez em quando.


Quando o tema é a graça de Deus a situação é diferente. É impossível o ser humano resistir à atuação do Espírito Santo, ao menos enquanto Ele quiser. Algumas pessoas morrem sem aceitar o sacrifício de Cristo, mesmo tendo ouvido falar da graça redentora de Deus. Por que isso acontece? A razão é simples, a graça irresistível é algo que Deus concede somente aos eleitos, àqueles que finalmente serão salvos.

No entanto, deve ficar bem claro que Deus não coage seus eleitos, mas realiza um milagre. Deus muda a inclinação do coração do eleito, torna atraente a sua mensagem, produzindo nele o desejo de aceitar o evangelho, de forma que ele de boa vontade aceita o sacrifício expiatório de Jesus Cristo.


Perseverança dos Santos

Vemos com certa freqüência na televisão histórias emocionantes de pessoas que subiram na vida, mesmo tendo nascido em situações extremamente desfavoráveis. A perseverança é algo muito necessário. Temos que estudar trabalhar, estudar, nos esforçarmos em muitas áreas de nossa vida. Se não fizermos isso estaremos fadados ao fracasso total. No entanto, apesar do nosso esforço, muitas vezes não atingimos o nosso objetivo. Muitas pessoas descem à sepultura sem nunca ter realizados os seus sonhos mais sublimes.


Não existe nada mais grandioso do que alcançar a vida eterna. O problema é que não temos força para perseverar até o fim. Somos falhos demais, pecadores demais. Aceitamos Jesus Cristo e cometemos erros grosseiros que nos entristecem e enchem de dúvida nosso coração.


No entanto, podemos ficar tranqüilos. A Escritura nos garante que Deus nos preservará até o fim. O eleito de Deus nunca se perderá. Estamos seguros nas mãos dAquele que nos chama.


Nossa salvação é assegurada por Deus, não por nossos próprios esforços. Quando Cristo voltar e entrarmos na salvação do nosso Deus, saberemos que a nossa perseverança foi uma dádiva dos céus, e que a nossa vitória foi conquistada pelo nosso Redentor.


Autor: Oseas de G. Oliveira

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A Teologia da Marcha para Jesus

A edição 2006 da “Marcha para Jesus” aconteceu semana passada. Como caiu no feriadão, nosso blog silenciou sobre o tema porque os articulistas, exaustos de suas atividades, saíram para merecido descanso. Um deles, cujo nome só la no fim é que revelarei, saiu de vez para Recife e deve estar na base da água de coco e rede na beira da praia. Mas, aqui vai, meio atrasado, mas vai.

O presente post não analisa o evento propriamente dito, mas as razões e argumentos apresentados para justificar o evento. Para quem já conhece, é uma versão resumida de um artigo que escrevi em 2005 sobre o assunto.

A IDEOLOGIA POR DETRÁS DA MARCHA

Existe uma justificativa teológica elaborada para a Marcha, que procura abonar o evento à luz da Bíblia. Os pontos abaixo foram retirados do site Marcha para Jesus (www.marchaparajesus.com.br, em 12/01/05) e se constituem na “teologia da Marcha”. Aliás, a maior parte deles se encontra exatamente debaixo do tópico “teologia” no site da Marcha. Segue um resumo dos principais argumentos, entre outros, seguidos de um breve comentário.

1. A ordem de “marchar” aparentemente foi dada mediante revelação do Espírito Santo. Diz o site:

A visão inicial da Marcha para Jesus, como qualquer outra ação em que os cristãos empreendem para Deus, está baseado [sic!] no conhecimento e na obediência. Nós acreditamos que Deus diz para nós marcharmos, e esta obediência precede uma revelação. O Espírito Santo de Deus nos conduz em toda a verdade (João 16:13) e a teologia do ato de marcharmos para Jesus emerge quando nós nos engajamos em ouvir o que o Espírito Santo está dizendo para uma Igreja atuante e batalhadora nesta terra.

Comentário: O parágrafo acima não é claro, mas dá a entender que a visão inicial foi mediante uma revelação de Deus, seguida da obediência de quem a recebeu, em cumprir a visão. O parágrafo acima sugere que a visão da Marcha foi dada pelo Espírito Santo. Quando nos lembramos que a denominação organizadora da Marcha tem um “apóstolo” (uso o termo entre aspas, não por qualquer desrespeito a esse líder, mas porque não creio que existam apóstolos hoje à semelhança dos Doze e de Paulo), imagino que “revelações” (uso o termo entre aspas não por desrespeito às práticas dessa denominação, mas porque não creio que existam novas revelações da parte de Deus hoje) devam ser freqüentes.

2. Segundo o site, a Marcha é uma declaração teológica: a Igreja está em movimento e está viva! É o meio pelo qual os cristãos querem ser conhecidos publicamente como discípulos de Jesus.

Comentário: Se esta é a forma bíblica dos cristãos mostrarem que estão vivos e que são seguidores de Jesus, é no mínimo estranho que não encontremos o menor traço de marchas para Jesus no Novo Testamento, ou para Deus no Antigo.

3. A Marcha é entendida como uma celebração semelhante às do Antigo Testamento, possuindo uma qualidade extremamente espontânea e alegre. Participam da Marcha jovens de caras pintadas, cartazes, roupas coloridas e canções vivazes. Isto é visto como uma celebração do amor extravagante de Deus para o mundo.

Comentário: Na minha avaliação, o ponto acima dificilmente pode ser tomado como um argumento bíblico ou teológico para justificar o evento. As “marchas” de Israel no Antigo Testamento, não tinham como alvo evangelizar os povos – ao contrário, eram marchas de guerra, para conquistá-los ou exterminá-los, conforme o próprio Deus mandou naquela época. Fica difícil imaginar os israelitas organizando uma marcha através de Canaã, com os levitas tocando seus instrumentos e dando shows, para ganhar os cananeus para a fé no Deus de Israel!

4. Marchar para Jesus é visto também como um ato profético que dá consciência espiritual às pessoas. Josué mobilizou as pessoas de Israel para marchar ao redor das paredes de Jericó. Jeosafá marchou no deserto entoando louvores a Deus. Quando os cristãos marcham, estão agindo profeticamente, diz o site.

Comentário: Entendo que se trata de um uso errado das Escrituras. Por exemplo: se vamos tomar o texto de Josué como uma ordem para que os cristãos marchem, por que então somente marchar? Por que não tocar trombetas? E por que só marchar uma vez, e não sete ao redor da cidade inteira? E por que não mandar uma arca com as tábuas da lei na frente? E por que não ficar silencioso as seis primeiras vezes e só gritar na sétima?

5. Marchar para Jesus traz uma sensação natural de estar reivindicando o lugar no qual os participantes caminham. Acredita-se que assim libera-se no mundo espiritual a oportunidade desejada por Deus: “Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, eu a darei ...” (Josué 1.3).

Comentário: Será esta uma interpretação correta das Escrituras? Podemos tomar esta promessa de Deus a Josué e ao povo de Israel como sendo uma ordem para que os cristãos de todas as épocas marquem o terreno de Deus através de marchas? Que evangelizem, conquistem, e ganhem povos e nações para Jesus através de marchar no território deles? Que estratégia é esta, que nunca foi revelada antes aos apóstolos, Pais da Igreja, missionários, reformadores, evangelistas, de todas as épocas e terras, e da qual não encontramos o menor traço na Bíblia?

6. A Marcha destrói as fortalezas erguidas pelo inimigo em certas áreas das cidades e regiões onde ela acontece, declarando com fé que Jesus Cristo é o Senhor do Brasil.

Comentário: Onde está a fundamentação bíblica para tal? Na verdade, este ponto é baseado em conceitos do movimento de batalha espiritual, especialmente o conceito de espíritos territoriais, e em conceitos da confissão positiva, que afirmam que criamos realidades espirituais pelo poder das nossas declarações e palavras.

7. Os defensores da Marcha dizem que ela projeta a presença dos evangélicos na mídia de todo o Brasil.

Comentário: É verdade, só que a projeção nem sempre tem sido positiva. Além de provocar polêmica entre os próprios evangélicos, a mídia secular tem tido por vezes avaliação irônica e negativa.

8. Os defensores da Marcha dizem que pessoas se convertem no evento.

Comentário: Não nos é dito qual é o critério usado para identificar as verdadeiras conversões. Se for levantar a mão ou vir à frente durante os shows e as pregações da Marcha, é um critério bastante questionável. As estatísticas que temos nos dizem que apenas 10% das pessoas que atendem a um apelo em cruzadas de evangelização em massa, como aquelas de Billy Graham, permanecem nas igrejas. Mas, mesmo considerando as conversões reais, ainda não justificaria, pois não raras vezes Deus utiliza meios para converter pessoas, meios estes que não se tornam legítimos somente porque Deus os usou. Por exemplo, o fato de que maridos descrentes se convertem através da esposa crente não quer dizer que Deus aprova o casamento misto e nem que namorar descrentes para convertê-los seja estratégia evangelística adequada.

9. Os defensores dizem ainda que a Marcha promove a unidade entre os cristãos. Em alguns lugares do mundo, a Marcha é concluída com um “pacto” entre as denominações, confissões e indivíduos, exigindo que cada um deles não faça mais discriminação por razões doutrinárias.

Comentário: Sou favorável à unidade entre os verdadeiros cristãos. Mas não a qualquer preço e não qualquer tipo de união. A unidade promovida pela Marcha, sob as condições mencionadas acima, tem o efeito de relegar a doutrina bíblica a uma condição secundária. O resultado é que se deixa de dar atenção à doutrina. Em nome da unidade, abandona-se a exatidão doutrinária. Deixa-se de denunciar os erros doutrinários grosseiros que estão presentes em muitas denominações, erros sobre o ser de Deus, sobre a pessoa de Jesus Cristo, a pessoa e atuação do Espírito, o caminho da salvação pela fé somente, etc. Unidade entre os cristãos é boa e bíblica somente se for em torno da verdade. Jamais devemos sacrificar a verdade em nome de uma pretensa unidade. A unidade que a Marcha mostra ao mundo não corresponde à realidade. Ela acaba escondendo as divisões internas, os rachas doutrinários, as brigas pelo poder e as divisões que existem entre os evangélicos. Se queremos de fato unidade, vamos encarar nossas diferenças de frente e procurar discuti-las e resolve-las em concílios, reuniões, na mesa de discussão – e não marchando.

10. Os defensores da Marcha dizem que ela é uma forma de proclamação do Evangelho ao mundo.

Comentário: A resposta que damos é que a proclamação feita na Marcha vem misturada com apresentações de artistas gospel profissionais, ambiente de folia e danceteria, a ponto de perder-se no meio destas outras coisas. Além do mais, a mensagem proclamada é aquela da denominação organizadora, de linha neo-pentecostal, com a qual naturalmente as igrejas evangélicas históricas não concordariam, pois é influenciada pela teologia da prosperidade e pela batalha espiritual.

É evidente que, analisada de perto, a “teologia da Marcha” não se constitui em teologia propriamente dita. Os argumentos acima não provam que há uma revelação para que se marche, e não justificam a necessidade de os cristãos obedecerem organizando marchas. Não há qualquer justificativa bíblica para que os cristãos façam marchas, nem qualquer sustentação bíblica para a idéia de “dar a Deus a oportunidade” mediante uma marcha, ou ainda de que, marchando e declarando, se conquistam regiões e cidades para Cristo. Se há fundamento bíblico, por que os primeiros cristãos não o fizeram? Por que historicamente a Igreja Cristã nunca fez?

Pelos motivos acima, entendo que os argumentos bíblicos e teológicos apresentados para justificar a Marcha para Jesus não procedem. Nada tenho contra que cristãos organizem uma Marcha para Jesus. Apenas acho que não deveriam procurar justificar bíblica e teologicamente como se fosse um ato de obediência à Palavra de Deus. Neste caso, estão condenando como desobedientes todos os cristãos do passado, que nunca marcharam, e os que, no presente, também não marcham.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pastor da Igreja Mundial é preso após exigir indenização da denominação


Pastor pediu passagens e dinheiro para voltar para o Rio de Janeiro, mas direção da Igreja Mundial do Poder de Deus teria negado.
















Ap. Valdemiro - líder da IMPD
O pastor evangélico Valdiney do Nascimento Morais, 49, foi encaminhado à Delegacia de Flagrantes (DEFLA), na última quarta-feira (8), após causar tumulto na sede da Igreja Mundial do Poder de Deus, no bairro Preventório, e liberado mais tarde depois de um acordo com a direção do templo.


Valdiney, que estava em companhia de sua esposa, se mostrava irritado com a maneira que foi tratado por dirigentes. Segundo ele, há pouco mais de dois meses foi trazido do Rio de Janeiro para pregar a palavra de Deus em Tarauacá. Devido a alguns desentendimentos, achou que deveria retornar para a terra natal.

Ele procurou a direção da Igreja Mundial do Poder de Deus e pediu as passagens para voltar e alguma compensação financeira, o que lhe teria sido negado. As informações são de que ele teria ficado irritado dentro da igreja e teve que ser contido por seguranças.

Na Central de Flagrantes, o pastor disse que em momento algum foi violento ou ameaçou qualquer pessoa, e que na realidade foi humilhado pelos seguranças.

Numa audiência com o delegado Adriálvaro Jorge, que era o plantonista do dia, a Igreja Mundial do Poder de Deus, por meio de um de seus representantes desistiu de representar contra o pastor, e se comprometeu em dar as passagens para que este voltasse com a esposa para o Rio de Janeiro.

Fonte: Portal Amazônia

Ex-pastor da Igreja Mundial faz acusações contra a igreja na Revista Época


Um dissidente da Igreja Mundial do Poder de Deus relata como foi orientado
a distorcer trechos da Bíblia para aumentar a coleta de dinheiro dos fiéis.
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A Igreja Mundial do Poder de Deus é tida como a igreja neopentecostal que mais cresce no Brasil. Tem mais de 2.300 templos e ocupa quase toda a programação da Rede 21, além de horários em outros canais.


Quando foi fundada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, em 1998, o então motorista de caminhão Givanildo de Souza (foto) começava a trabalhar em Sorocaba, no interior de São Paulo. Entusiasmado com as promessas de cura, enriquecimento e ressurreição, ele resolveu trocar o caminhão pelos templos. Virou discípulo de Valdemiro e obreiro da Mundial. Para provar sua proximidade com Valdemiro, Givanildo exibe fotos de sua família com a de Valdemiro, todos em trajes de lazer.

A dedicação ao altar lhe rendeu promoções

Givanildo passou por várias cidades até ser transferido para Araçatuba, a 525 quilômetros da capital paulista. Lá ficou responsável por 14 igrejas. Como pastor regional, chefiava os colegas e respondia pelo dinheiro arrecadado. Semanalmente, diz, enviava para a sede os montantes recolhidos. O vínculo com a Mundial durou até julho deste ano. Depois de se declarar descontente, Givanildo decidiu sair e agora faz acusações contra a Mundial. Ele afirma que era orientado a distorcer trechos da Bíblia para aumentar a arrecadação com os fiéis. É a primeira vez que um dissidente da Mundial dá um depoimento assim.

Representantes da igreja foram procurados para comentar, mas não quiseram responder. A seguir, suas principais afirmações sobre o funcionamento da Mundial.

A pressão por arrecadação

Os líderes da Igreja Mundial, segundo Givanildo, estabelecem metas financeiras a seus subordinados e cobram resultados. “Se eu não dobrasse o valor, ia ser mandado embora com minha família e tudo”, diz. Givanildo conta que, um pouco antes de deixar a Mundial, despachava para a sede cerca de R$ 300 mil por mês, oriundos do bolso dos fiéis. “Depositava na conta da igreja. Às vezes, pediam para levar em mãos.”

A pressão por arrecadação e as técnicas para extrair dinheiro de fiéis, segundo ele, eram ditadas pelo bispo Josivaldo Batista, o segundo homem da Mundial. Josivaldo, diz, lidera a segunda parte dos encontros periódicos de pastores para falar de crescimento financeiro. “A primeira parte da reunião é televisionada. Depois que desligam tudo, o bispo Josivaldo começa a falar: ‘O negócio é o seguinte, se não crescer, vamos fazer umas trocas aí. Vamos botar os pastores lá no fundão do Nordeste, no meio do mato’.”

O uso da Bíblia

Givanildo diz que, nas reuniões, Josivaldo também mostra como usar trechos da Bíblia para aumentar a arrecadação. “Houve uma campanha feita em cima de Isaías 61:7, sobre a dupla honra. Aí surgiu a proposta de pedir 30% do salário da pessoa.” Esse versículo diz o seguinte: “Em lugar da vossa vergonha tereis dupla honra; (...) por isso na sua terra possuirão o dobro e terão perpétua alegria”. Segundo Givanildo, os pastores passaram a pregar que para obter a “dupla honra” era necessário “dobrar” o dízimo e dar mais 10% do salário como oferta. Total: 30%. O “trízimo” ficou conhecido como uma inovação introduzida pela igreja de Valdemiro.

Outra orientação comum, diz Givanildo, é fazer associações simplórias entre números citados em textos sagrados e metas de ofertas. Num trecho bíblico que descreve uma batalha está dito que 7 mil guerreiros “não se dobraram a Baal”. É o que basta para uma associação. Depois de reler essa frase aos fiéis, os pastores passam a pedir doações de 7 mil pessoas, insinuando que se trata de uma determinação bíblica.

A barganha pela água benta

Na Mundial, de acordo com Givanildo, o acesso a bens sagrados são barganhados. Josivaldo, diz ele, mandava distribuir água benta só aos que contribuíssem financeiramente. “A gente tinha de dizer assim: ‘Eu quero 200 pessoas com oferta de R$ 100, que eu vou dar uma água’. Para aquelas que não tinham oferta, não podia dar.”

Os motivos da ruptura

“Eu fazia meu melhor no altar, só que quando chegava nesse momento de pedir oferta não me sentia bem. Ficava enojado”, afirma. “Se a igreja está passando necessidade, não pode ter fazenda, clube.” Givanildo conta que era considerado “rebelde” por não colocar em prática as campanhas de ofertas acima de R$ 100. E, quando o faturamento caía, era acusado de roubo, diz. “Um dia, na reunião, o bispo Josivaldo, querendo me humilhar, gritou assim: ‘Pastor Souza, vem aqui na frente’. Ele disse que tinha uma acusação, que eu estava pegando propina de outros pastores.”

A nova igreja

Fora da Mundial, Givanildo montou sua própria igreja, a Missionária do Amor. Seu primeiro templo, em Araçatuba, tem sistema de som, grafite na parede e quase uma centena de bancos estofados. Com que dinheiro montou tudo isso? “Tem gente que acredita e está me ajudando”, afirma. Sua igreja não parece ser muito diferente da Mundial. Givanildo afirma que, pelo menos no que diz respeito à forma de pedir ofertas, não segue os passos de Valdemiro.

Fonte: Revista Época

Por que o homem não é capaz de voltar para Deus?

"Suas ações não lhes permitem voltar para o seu Deus. Um espírito de prostituição está no coração deles; não reconhecem o Senhor”. Os 5:4

As duras palavras ditas por Deus através do profeta era dirigida aos religiosos, ao povo em geral e à família real, sem deixar ninguém de fora: “Ouçam isto, sacerdotes! Atenção, israelitas! Escute, ó família real! Esta sentença é contra vocês” (Os 5:1). As terríveis consequências da Queda não desviam de nenhum filho de Adão. “Todos pecaram e separados estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Mas o texto nos mostra que o problema com o pecado não é apenas sua extensão, atingindo a todos os homens, mas também a profundidade em que penetra em cada ser humano, afetando todas as suas faculdades.

As obras impedem de voltar para Deus, Is 59:2

O proceder do homem natural é corrompido de tal forma que ele só faz pecar e pecar. Nem mesmo uma reforma exterior ele pode apresentar de forma consistente, pois “suas ações não lhes permitem voltar para o seu Deus” (Os 5:4a). A prática do pecado se torna um hábito tão natural que o homem quase nunca percebe que sua natureza está dominada pelo pecado. Não raro as pessoas consideram seus pecados como sendo falhas desculpáveis, e as vezes os defendem como uma virtude. Na verdade, estão tão acostumados aos seus pecados quanto se acostumaram à cor da pele. “Será que o etíope pode mudar a sua pele? Ou o leopardo as suas pintas? Assim também vocês são incapazes de fazer o bem, vocês que estão acostumados a praticar o mal” Jr 13:23.

Contrariando os profetas citados, os homens acreditam que é tudo uma questão de escolha, que basta ao homem preferir o bem que é capaz de fazê-lo. Chamam a essa capacidade de livre-arbítrio. Porém, a Escritura não oferece nenhum respaldo a essa filosofia humanista, quando diz que “todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3:12). Isto é corroborado pela observação e a experiência de cada um, que não consegue encontrar um só homem na história que tenha superado sua inclinação para o mal e vivido sem pecar. E quando olhamos para nós, temos que confessar que o “porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7:19).

O coração é dominado pelo pecado, Mc 7:21-23

Num nível mais profundo, o pecado domina o coração das pessoas, “um espírito de prostituição está no coração deles” (Os 5:4b), diz o mensageiro do Senhor. No Gênesis o diagnóstico divino sobre o coração humano era de que “toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6:5) e que tal condição não exclui nem as crianças, pois “a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice” (Gn 8:21). As palavras de Salomão sobre o ímpio de que “há no seu coração perversidade, todo o tempo maquina mal” (Pv 6:14) não se aplica apenas a Hitler e a quem esquarteja namoradas, mas também a pais de famílias honestos, pois “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso” (Jr 17:9).

Não é o homem que determina como seu coração deve ser, mas o coração é que determina como o homem é, “porque, como imaginou no seu coração, assim é ele” (Pv 23:7). Um homem sempre procederá de acordo com a natureza de seu coração. Se este for endurecido e mau, então tal pessoa resistirá ao Espírito e procederá de forma contrária à lei de Deus. Por isso que as pessoas dos dias de Oséias não podiam voltar para Deus, pois seus coração estavam dominados por um espírito de prostituição e dominavam o comportamento deles. E é por isso que o homem moderno não pode converter-se a Deus, pois a natureza de seu coração é má e o incapacita para o bem.

O pecado cega o entendimento, 1Co 2:14

O pecado afeta também a mente do homem, cegando-o para as coisas de Deus. “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2:14). Ao invés de se voltar para Deus “o povo que não tem entendimento corre para a sua perdição” (Os 4:14), ainda mais que “por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes” (Rm 1:28). Outro profeta descreve a cegueira do povo como sendo pior que a dos animais, pois “o boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Is 1:3).

Como “tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas” (Tt 1:5), não são capazes de compreender a mensagem do evangelho. Precisam, antes, ter “iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos” (Ef 1:18), do contrário sua mente irá das trevas presente para as trevas exteriores, sem conhecer a luz do Senhor.

Conclusão

O livre-arbítrio como capacidade do homem se voltar para Deus é uma mentira de Satanás, que assim perverte o evangelho, levando homens a torná-lo persuasivo a defuntos. Pois os pecadores não experimentam outra realidade senão o pecar, tornando a rebelião a Deus um hábito que não podem mudar. Além disso, seu coração que determina suas ações é fonte de toda sorte de males, sendo enganoso e perverso, portanto desinclinado às coisas de Deus. E sua mente é corrompida de tal forma pelo pecado que o evangelho lhe parece loucura indigna de crédito, só aceitando naturalmente se a mensagem for modificada de tal maneira que não se pareça em nada com o evangelho da glória de Deus. Diante disso, eles até “voltam, mas não para o Altíssimo” (Os 7:16). Igrejas lotam, mas corações continuam vazios de Deus, ocupados somente com a prostituição espiritual “porque um espírito de prostituição os enganou, eles, prostituindo-se, abandonaram o seu Deus” (Os 4:12).

Soli Deo Gloria

Autor Clóvis Gonçalves


Simples demais

Se as igrejas fossem cinemas, os cultos de domingo à noite seriam as estréias de filmes. Acabo de escrever a frase, e ela não me soa bem. Algumas igrejas já estão mais para cinema do que qualquer outra coisa. Outras foram transformadas em um grande teatro, e ainda há aquelas nas quais a dança é a grande atração.

A lógica que regula o culto contemporâneo - generalizo de propósito, sabendo de exceções - é a do show business. "Queremos espetáculos", clama a multidão. "Dêem-nos uma programação recheada de surpresas, música, cores, sons, sensações, e assim seremos um auditório fiel" - gritam as massas. Nada mais falso. Os cristãos que buscam isso são os primeiros a deixar o barco quando o "concorrente" oferece experiências melhores. O "concorrente" pode ser outra igreja, ou o bar mais próximo.

Mas os crentes continuam na luta por um culto cada vez mais preenchido de atrações. O melhor som, a melhor banda, os dançarinos, as expressões combinadas, o cheiro do local, e a cor dos assentos acolchoados - tudo para produzir o ambiente perfeito e segurar a audiência.

O que está por trás disso tudo? Existem, pelo menos, duas possibilidades, que, às vezes, se misturam em um mesmo contexto. A primeira delas é a de pessoas honestas, que desejam fazer o melhor para Deus. O problema é que o seu referencial de melhor é o showbiz. Assim, eles tentam se igualar aos eventos populares, investindo nas atrações, pensando que assim estão oferecendo algo agradável ao Pai.

A segunda possibilidade é a daqueles que não confiam na suficiência da Escritura. Como a Palavra, em si, não é suficientemente chamativa, é necessário suprir essa necessidade com muito barulho, e tecnologia. Como a pregação da Bïblia é fraca, são necessárias as muletas da coreografia e equipes de dança. Como não se extrai vitamina suficiente do Evangelho, apela-se para os suplementos de um estacionamento grande, o ar-condicionado no templo, e a fumaça de gelo seco enquanto a banda toca.

No fim das contas, ambas as possibilidades cometem um crime contra a Palavra de Deus. A primeira, por não considerar a Bíblia como referencial último do culto. A segunda, por deliberadamente menosprezar a Escritura, reputando-a por insuficiente para a igreja.

O risco é grande. Desconhecer a Escritura abre espaço para maiores inovações no culto, cada vez mais ousadas. Uma vez que não há fio condutor nesse encontro, tudo é permitido, desde que se tenha um coração sincero, desejoso de oferecer os nossos talentos a Deus. Considerar a Bíblia insuficiente para o culto cristão é dizer a Deus que a Sua Palavra não é o nosso bem mais precioso - as nossas impressões e sensações são. E com isso, toda a Revelação de Deus é deixada de lado. Em consequência, Deus não é mais conhecido, e a igreja encontra o seu fim.

Sabe aquela igrejinha bem simples, sem muita pirotecnia, mas com o coração todo na Bíblia? O culto dela é agradável a Deus, porque foi prescrito por Ele mesmo.

Sola Scriptura.

Autor: Allen Porto

Salvos da idiotice

*escrevendo com dor de ouvido e cabeça, mas pressionado pela consciência de que o meu mês de folga já passou.

* * *

Tirando as brincadeirinhas sobre a “Graça irresistível” como uma linda mulher com este nome, a noção de que a iniciativa salvadora de Deus não pode encontrar resistência final do homem é coisa séria, tanto para calvinistas, quanto para arminianos, e ainda para os confusos.
Obviamente, se você é reformado, entenderá a graça irresistível como um desdobramento lógico natural do sistema calvinista de pensamento:

Se
1. o homem é depravado e incapaz de ir a Deus
e
2. Deus escolheu salvar indivíduos segundo a Sua graça,
3. enviando Jesus para morrer no lugar dos eleitos, recebendo sobre Si a culpa deles, e colocando sobre eles a Sua justiça,

Então
4. Deus cumprirá a Sua vontade salvadora, agindo de modo tal que o homem será salvo, sem ter a sua vontade violentada, mas conduzido pela graça Divina, receberá prontamente a salvação.

O termo “graça irresistível” pode causar alguma confusão aqui. Em um sentido, a graça sempre é resistida pelo pecador – é exatamente este o ponto da Depravação Total: o homem não quer as coisas de Deus. Paulo diz em Rm.3, citando o Sl.14, que não há quem queira, ou quem busque a Deus. Isso é um tipo de resistência à graça Divina.
Falar em uma graça irresistível, portanto, não é proclamar a inexistência da postura avessa do homem em relação ao Pai. Na verdade, é afirmar que finalmente a graça de Deus será triunfante - romperá a resistência humana e cumprirá o Seu propósito salvífico. Em outras palavras, a graça irresistível não pode ser absolutamente resistida, embora encontre relativa oposição.
Afirmei, acima, que a vontade do humana não é violentada por Deus, e agora escrevo que a graça de Deus rompe a resistência do homem. Existe aí alguma contradição?
Há uma diferença entre triunfar e violentar, que precisa ser esclarecida. Se afirmamos que Deus violenta vontade do pecador na salvação, estamos dizendo que o Pai salva o homem contra a vontade deste.
Na Escritura, porém, a ação de Deus é tal que sempre o pecador recebe arrependimento e fé, de modo que clama pela salvação. O triunfo da graça está no fato de que ela não combate a vontade humana, mas a transforma – o pecador amante do pecado passa a ser o regenerado em busca de Deus.
Isso fica claro em textos como Ez.36, que falam sobre a cardio-cirurgia operada por Deus: o coração de pedra vai pro lixo, enquanto o coração de carne passa a bater. Assim o homem passa a agir naturalmente como quem tem coração de carne, e não de pedra. Fp.2.13 também demonstra o ponto: é Deus quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar – a nossa vontade está submetida à de Deus.
Pra não estender demais o assunto, que pode ser desenvolvido em posts subsequentes, fica a dica: a graça irresistível foi a ação de Deus, salvando-nos de nós mesmos e de nossa resistência idiota.

* * *

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Proteste!

Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti -lhe face a face, porque se tornara repreensível. Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar -se, temendo os da circuncisão. E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? Nós, judeus por natureza e não pecadores dentre os gentios, sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado. (Gálatas 2:11-16)
A cada dia que passa, aumentam as minhas dificuldades em ligar as igrejas ditas "evangélicas" à teologia e a tradição da Reforma Protestante. Gradualmente, os evangélicos abandonam as bandeiras do protestantismo e abraçam posturas mais próprias do catolicismo ou do paganismo. E uma delas é exatamente a bandeira do "protesto".

A metáfora do cristão como "ovelha" parece ter entrado de modo tão forte na cabeça dos evangélicos que hoje não há mais questionamentos, atitudes de repúdio ou oposição às atitudes dos líderes. Qualquer crítica é apontada como pecado de desobediência, insubmissão ou "falta de companheirismo cristão". Aos membros (ovelhas) cabe apenas o papel de dar o amém (bééé) mesmo quando a ordem de comando é o rosnar de um lobo.

Na verdade, tanta passividade não é fruto de corações obedientes ao chamado de Cristo para o Seu rebanho. Lembra mais a figura de pessoas que tapam os olhos e ouvidos e calam a boca, dando assim o seu aval para que o pecado destrúa e dizime as igrejas.

O exemplo de Paulo
Mas, quando protestar? E como fazer isso? Creio que o relato de Paulo em Gálatas 2:11-16 nos ajuda a enxergar as respostas.

Em primeiro lugar, sempre que o Evangelho for colocado em perigo o dever dos cristãos é o protesto. A carta aos gálatas foi escrita pelo apóstolo Paulo com o objetivo de combater o ensino herético de que é preciso guardar a Lei de Moisés e se circuncidar para ser salvo. Caso essa heresia prevalecesse, o Evangelho perderia a sua razão de ser, pois o sacrifício de Jesus não seria 100% eficaz para produzir a salvação. Nestas situações, ser obediente a Deus é saber reconhecer o rosnar lupino e resistir.

Em segundo lugar, sempre que a conduta dos líderes puder trazer prejuízos ao Evangelho, o líder deve ser repreendido, independente de quem ele seja. A piedade ou o título eclesiástico de um líder não são imunidades contra as críticas da igreja. Ainda que seja o próprio apóstolo Pedro. Pedro não disse nada a favor do partido que era pró-circuncisão, mas suas atitudes davam a entender que ele os apoiava. Quando um grupo de judeus de Jerusalém chegou às igrejas da Galácia, Pedro afastou-se dos gentios. Parou de apoiar, publicamente, o grupo que tinha a razão, talvez até por motivos nobres, como preservar a unidade da Igreja ou evitar a criação de atritos. Mas, como o afastamento enfraquecia a defesa da verdade, Paulo repreendeu a Pedro. Publicamente! Sem conversas prévias! A paz, a unidade e até mesmo a hierarquia não estão acima da defesa do Evangelho.

Em terceiro lugar, o erro público de um líder deve sim ser questionado publicamente. De fato, o cristão não deve expor, desnecessariamente, a vida de ninguém. Por isso os erros privados devem, sempre que possível, serem tratados reservadamente. Contudo, o erro público precisa ser punido publicamente. Principalmente quando ele é cometido por um líder, porque a sua conduta influencia a outros. Ao repreender a Pedro, Paulo apenas cumpriu o que ele mesmo ensinou depois, em 1 Timóteo 5:19-20.
Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas. Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam.
Por causa de sua posição, o erro de um líder é mais danoso sim que o erro de um fiel. Por que então o fiel, quando disciplinado, é punido com rigor e o erro dos líderes não pode sequer ser apontado?

Ignorantes da própria história
Além de ser antibíblico, o silêncio dos fiéis diante dos erros de seus líderes é uma prova de amnésia evangelica. Os protestantes foram assim chamados exatamente porque lutaram contra a corrupção teológica e moral do catolicismo romano de seus dias. Os reformadores não "guardaram para si" a sua opinião nem buscaram audiências papais antes de questionarem, publicamente, o que viam. O amor pela verdade bíblica foi maior que o respeito à hierarquia clerical. Uma hierarquia que não é bíblica, diga-se de passagem.

Se o erro do pastor, do bispo, do apóstolo não pode ser apontado, se não há confrontação pública de posicionamentos errôneos, então estamos apenas reproduzindo o clericalismo católico-romano. Se os fiéis não podem protestar quando suas lideranças erram, nem questionar suas posturas e decisões, se não há debate entre ovelhas e pastores, se é uma ofensa se opor ao pastor...então, não temos moral para, por exemplo, censurarmos os católicos quando protegem padres pedófilos. Na prática, estamos fazendo o mesmo, protegendo líderes que erram.

E, se essa mensagem parece um libelo à desobediência eclesiástica, então, pare de identificar-se com Lutero, Calvino e os reformadores. Sem protesto, não haveria Reforma. Sem protesto, a Reforma não se mantém. E, sem "profecia", o povo se corrompe (Provérbios 29:18).