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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


Enfrentando a Depressão


"Ao ouvi-la, Elias cobriu o rosto com a capa e, saindo, ficou à entrada da caverna. E veio uma voz que dizia: Elias, que fazes aqui? Ele respondeu: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque os israelitas abandonaram a tua aliança, derrubaram os teus altares e mataram os teus profetas pela espada; e fiquei eu, somente eu, e procuram tirar minha vida. Então o Senhor lhe disse: Vai, volta por onde vieste para o deserto de Damasco. Quando chegares lá, ungirás a Hazael rei sobre a Síria. E a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei sobre Isarel.

E a Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meloá, ungirás para ser profeta e, teu lugar. O que escapar da espada de Hazael, Jeú o matará; e o que escapar da espada de Jeú, Eliseu o matará. Mas deixarei sete mil em Israel: todos os joelhos que não se dobraram a Baal e toda boca que não o beijou. Elias partiu dali e encontrou Eliseu, filho de Safate, que arava com doze juntas de bois adiante dele, e ele estava com a décima segunda. Elias se aproximou de Eliseu e lançou sua capa sobre ele. Então, deixando os bois, Eliseu correu até Elias e disse: Deixa-me beijar meu pai e minha mãe, e então te seguirei. Elias lhe respondeu: Vai e volta. O que fiz contigo? Ele voltou, pegou a junta de bois e os matou. E com o jugo dos bois cozinhou acarne e a deu ao povo, e eles comeram. Então, ele se levantou e passou a seguir Elia e a servi-lo"

(1º Reis 19.13-21)

Introdução:

Constantemente ouvimos alguém falar que viveu uma depressão em sua vida ou tem um parente que passou por tal situação ou um amigo(a). No relato, falam de como essa pessoa perdeu a vontade de viver, trancou-se no quarto, quando se comunicava com alguém, logo vinha o choro, falava que queria morrer ou que Deus o(a) levasse. Passar por momentos assim é difícil e requer cuidado. Vamos pensar e conversar um pouco sobre esse assunto e ver como o texto bíblico nos orienta. Mas, primeiro, precisamos saber um pouco, em síntese, o que é a depressão.

A Depressão é um Transtorno Afetivo (ou do Humor), caracterizada por uma alteração psíquica e orgânica global, com conseqüentes alterações na maneira de valorizar a realidade e a vida. Há três origens da depressão: genética, intra-psíquica e acontecimentos externos.

A genética não carece muito de explicação, pois vem do nosso histórico familiar, encontra-se na fita genética e surge em um momento da vida da pessoa. O intra-psíquico são as imaginações, pensamentos que mantemos, que fogem do real, pois são idealizações que fazemos e, quando não alcançadas ou vividas, tornam-se um fato só da pessoa, só está na cabeça dessa pessoa. Para ela é verdade, mas para os que estão em sua volta, torna-se questionável. O acontecimento externo é o alvo de nossa conversa, pois todos nós vivemos. Muitas pessoas passam por situações difíceis na vida, como por exemplo: perda do emprego, discussões em casa, separações, confrontos, doenças, mortes... essas situações e tantas outras levam o ser humano a um quadro depressivo. Existem dois tipos de depressão.

Depressão Típica

Sintomas afetivos, relacionados ao humor: pode haver angústia, acompanhada ou não de ansiedade, tristeza, desânimo, apatia, desinteresse e irritabilidade. Na esfera intelectual: certa preguiça do pensamento, tornando-o lento e trabalhoso, diminuição da memória, a qual pode falhar e confundir as coisas, dificuldade para resolver problemas antes considerados fáceis e tendência à pensamentos negativos ou pessimistas. Por causa desses pensamentos negativos surge insegurança e auto-estima diminuída. Fisicamente pode aparecer indisposição geral, apatia, sensação de peso ou pressão na cabeça, e zonzeira . Não é raro uma queixa de "bolo na garganta", como uma coisa que não sobe nem desce. É comum também impotência sexual ou frigidez, devido ao desinteresse ou mesmo a falta de energia para o sexo.

Depressão Atípica

Sem que a pessoa se perceba deprimida e sem a grande maioria das queixas contidas na Depressão Típica. Algumas pessoas acreditam ser obrigatório um motivo de vida (existencial) para aparecer a Depressão. Quando não detectam um motivo justo para sua Depressão, acabam achando impossível manifestar um sentimento depressivo. Por uma questão biológica e natural, normalmente as emoções não obedecem cegamente a razão e, apesar de sabermos racionalmente não haver motivos suficientes para nossa Depressão, esta alteração afetiva acaba aparecendo mascaradamente e com sintomas diferentes da Depressão Típica. Tais sintomas não deixam de representar um sinal de alerta sobre uma eminente falência psíquica (ou esgotamento, como gostam de dizer). Estima-se que 17% das pessoas adultas sofram de uma doença depressiva em algum período da vida.

Depois desse breve relato sobre depressão, sem nos atermos com os casos mais graves, pois carecem de orientação profissional, podemos olhar para a depressão situacional, com os acontecimentos externos e focarmos nela. Caso você passe por um caso mais grave, minha orientação é que você procure um psiquiatra e conte o seu caso. A intenção desse texto é verificarmos, brevemente, como o profeta Elias, um homem de Deus, enfrentou a sua depressão e recebeu o remédio que o tirou desse quadro.

No texto que vamos meditar, acreditamos que o profeta Elias sofreu um quadro depressivo, pois o relato nos leva a pensar dessa forma. Vejamos:

Explicação:

O profeta Elias entrou no reino do norte sob o governo do rei Acabe, filho de Onri. Influenciado pela esposa, a rainha Jezabel, que havia oficializado em Israel o culto às divindades de Baal, enguendo, inclusive, um santuário real para ele em Samaria (1Rs 16.32). O texto de 1Rs 19 é antecedido pelo julgamento dos profetas de Baal no monte Carmelo, que encerra com a matança dos mesmos. Depois da perseguição, Elias foge rumo ao sul, atravessa o reino de Judá e entra no deserto.

Elias faz uma longa caminha e vai para o monte Horebe, monte onde Moisés encontro-se com Deus. Foi neste lugar que se estabeleceu a aliança entre Javé e o seu povo. É para esse mesmo lugar que Elias vai ao encontro de Deus. Ele volta às origens, com esperança para o desabafo e encontrar respostas para as suas dúvidas. Ali entra numa caverna e Deus lhe dirige uma pergunta: "Que fazes aqui Elias? (19.9). Deus sabe do que Elias necessita, mas Deus pergunta para fazer Elias desabafar.

O profeta Elias experimenta Deus de uma forma muito próxima e íntima através do diálogo. Elias fala do seu zelo a Deus, da sua frustação em relação aos filhos de Israel, que abandonaram a aliança e derrubaram os altares, dos profetas que foram mortos, e ele ficou só, e, ainda, procuram tirar a sua vida. Ele fala do seu medo e da sua dor.

Chega um momento que só há silêncio e, quando nada mais se faz audível, a voz de Javé se faz ouvir. A majestade de Deus se mostra nas coisas pequenas e fracas, como a brisa suave e tranquila. Elias ouve Deus, envolve o seu rosto no manto, cria coragem e coloca-se na entrada da caverna, para onde foi. Aquele local era seu refúgio seguro, distante de todos, escondido, protegido dos ataques. Ali ele pôde dormir o tempo que quisesse, ficou só, não queria saber de ninguém, não queria comer... Mas, Deus o procura, fala com ele e mostra um caminho a seguir.

Nós somos cristãos e sabemos como Deus agiu em nossas vidas, mas, as situações da vida nos afligem. Por isso, nos fechamos em nossos medos e recuamos muitas vezes, mas Deus diz para sair da caverna e:

Tema: "Enfrentar a Depressão"

No enfrentamento da depressão, por questões externas acontecidas e que mexeram com o nosso psíquico, a primeira coisa que o texto nos orienta é para:

Assumir sua condição

Depois que Elias vive sua dor, suas frustrações, dorme, é alimentado pelos corvos, foi fortalecido no seu físico, ele toma uma atitude e coloca-se na entrada da caverna. Deus aparece para Elias, em um vento suave e tranqüilo, não com agitação e tormenta, mas, de forma simples e calma, sua voz surge serena. A pergunta que Deus faz aparesse duas vezes (repetida) 19.9; 19.13b: Elias, que fazes aqui?

O profeta lamenta-se diante de Deus, porém, assume sua missão: sai dali e unge Hazael, Jeú e Eliseu. Deus promove o juízo na nação. Mas, quem cumpre a função é o profeta. A tarefa é dele e precisa sair daquela condição para cumprir seu ofício.

Assumir a condição é extremamente importante. Recuar só no caso de refazer as forças para depois avançar. Aristóteles sugere isto aos generais gregos, pois a estratégia militar da época era somente avançar e nunca recuar. Aristóteles questiona essa estratégia e argumenta se não devem recuar para dar descanso aos guerreiros e rever o avanço, se precisarão de reforço e, somente depois disso, avançar para vencer.

No novo Testamento, o escritor aos Hebreus, no capítulo 10, versículos de 37 a 39, fala o seguinte: "Pois aquele que vem, virá dentro em breve e não tardará. Mas o meu justo viverá da fé. Se recuar, a minha alma não se agradará dele. Nós, porém, não somos dos que recuam para a destruição, mas sim dos que crêem para a preservação da vida". Observe que o autor fala do recuo para a perdição e não do estratégico para avançar com força e estrutura. Acreditamos que Deus nos dá condição de refazer as forçar, mas, seguir no propósito de cumprir nossas tarefas diárias.

Elias assume sua condição de profeta de Deus e sai da caverna. Unge Eliseu como seu sucessor (19-21). Lança o manto sobre Eliseu. Ele assume sua nova condição (de lavrador passa a ser profeta). Eliseu pede para se despedir dos pais e Elias diz: "Vai e volta; pois já sabes o que fiz contigo".

Torna-se importante para sua vida a não desistência. Enfrente sua dor, peça para Deus refazer suas forças, dar condições para você cumprir suas tarefas e retomar sua vida.

Depois de retomar a vida e assumir nossa condição, também precisamos:

Olhar sob nova perspectiva

A conversa com Deus traz mudança para Elias. Além de conceder um sucessor, Eliseu, separa mais dois reis e fecha o cerco. Elias achava que ia morrer, mas Deus mostra que isso é fruto do seu pensamento, embora tivesse uma ameaça de Jezabel dizendo que ele iria morrer. Porém, Deus é quem protege e faz o cerco de proteção e não permite que a ameaça de Jezabel se cumpra.

Além de mostrar outra visão para Elias, provando que não era o momento de sua morte, Deus diz que há sete mil joelhos que não se dobraram a Baal. O número sete tem o sentido de totalidade. Deus mostra para Elias que sua percepção estava equivocada. Ele não era o único, não estava sozinho. Isso era fruto do seu pensamento, não retratava a realidade dos fatos. O cerco está montado e Elias não estava sozinho como pensou.

A mudança do olhar consola e anima. Olhar na visão de Deus faz a diferença. Olhar sob nova perspectiva é fundamental. Elias pensava que ia morrer e que a batalha estava perdida, mas Deus é o general que não perde nenhuma batalha. Deus muda esta visão.

Devemos olhar sob nova perspectiva, com o olhar de Deus. O que você tem feito: olhado com os seus olhos ou olhado sob nova perspectiva?

Sai e vai para a vida

Deus chama e coloca em movimento. Quando Elias vai para caverna buscar um pouco de alívio, depois de falar com Deus, coloca-se em movimento novamente

Elias cumpre sua missão até o fim e unge um sucessor (depois de acompanhá-lo e treiná-lo): profetiza contra a nação injusta e corrupta, fala de seca e depois ora pra chover, desafia os profetas de Baal e testemunha o poder de Javé, envolve-se por inteiro na missão que Deus colocou em suas mãos

Eliseu faz a mesma coisa: de trabalhador da terra, assume sua nova missão de profeta, deixa tudo, se despede da família e vai cumprir a missão para qual Deus o vocacionou. Ele aceita o seu manto (esta ação significa tomar posse e adquirir um direito. Esse gesto é uma espécie de investidura para o ministério profético)

Temos que sair em busca daquilo que Deus tem para nós. Colocar-se em movimento e sair da caverna trazem benefícios para a vida. Precisamos viver! A vida é linda e cheia de atrativos, com vários afazeres e muita beleza.

Uma boa alternativa para o enfrentamento da depressão é a prática de esportes, pois estimula a produção de serotonina e dopamina. Esses dois hormônios nos tiram da depressão. Você sabia que alguns antidepressivos são recapitadores de serotonina? Pois é, você pode adquirir uma produção maior pelo seu próprio cérebro fazendo exercícios. Por isso, torna-se importante fazer o que você gosta: natação, caminhada, bicicleta, futebol, tênis, peteca... pense nisso!

No Novo Testamento o apóstolo Paulo aconselha seu filho na fé, Timóteo. Ele instrui a Timóteo a permanecer firme e cumprir a missão com esmero (1Tm 1.18-19; 4.14-16). Há um incentivo para o jovem cumprir a missão. Para cumprir a missão ou tarefas da vida, precisamos sair do quarto (caverna), comer, ir pra rua, pro trabalho, conversar com os amigos, ir para a igreja, louvar ao Senhor e seguir enfrente.

Conclusão

Você quer sair da depressão? Pratique a Palavra de Deus e viva os ensinamentos que Ela traz: assuma sua condição e encare os problemas de frente; olhe sob nova perspectiva e saia para vida, com a bênção de Deus!

Enfrentando a Ansiedade



"Lançando sobre ele toda vossa ansiedade, pois ele tem cuidado de vós" (1ª Pedro 5.7).

A ansiedade é um tema muito discutido atualmente, tanto pelos profissionais de saúde, como pelas pessoas que passaram, passam ou tem alguém passando por esse momento de vida. Nossa proposta é analisar brevemente o que é a ansiedade, o que ela provoca em nossa vida e como podemos enfrentá-la.

O que é ansiedade? Ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho. A ansiedade e o medo passam a ser reconhecidos como patológicos quando são exagerados, desproporcionais em relação ao estímulo, ou qualitativamente diversos do que se observa como norma naquela faixa etária e interferem com a qualidade de vida, o conforto emocional ou o desempenho diário do indivíduo.

A ansiedade aparece em nossa vida como um sentimento de apreensão, uma sensação de que algo está para acontecer, ela representa um contínuo estado de alerta e uma constante pressa em terminar as coisas que ainda nem começamos. Desse jeito, nosso domingo têm uma apreensão de segunda-feira e a pessoa antes de dormir já pensa em tudo que terá de fazer quando o dia amanhecer. É a corrida para não deixar nada para trás, além de nossos concorrentes. É um estado de alarme contínuo e uma prontidão para o que der e vier.

O sintoma principal é a expectativa apreensiva ou preocupação exagerada. A pessoa está a maior parte do tempo preocupada em excesso. Além disso, sofre de sintomas como inquietude, cansaço, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular, insônia e sudorese.

Assim sendo, considerando a nossa necessidade fisiológica de nos adaptarmos às diversas circunstâncias através da ansiedade, falamos em Ansiedade Normal. Por outro lado, falamos também da Ansiedade Patológica como uma forma de resposta inadequada, em intensidade e duração a solicitações de adaptação. Um determinado estímulo (interno ou externo) funcionando como uma convocação de alarme continuamente.

Todas as pessoas enfrentam situações no dia a dia que precisam de ansiedade, que dá movimento, impulsiona a realização. O problema é quando temos uma preocupação excessiva e isso afeta nossa vida. Queremos realizar muitas coisas e, quando não conseguimos, pensamos muito naquilo que deixamos de fazer ou no que vamos fazer, gerando palpitações, tremores, inquietude, irritabilidade e tira nosso sono. O que temos que decidir ou algo que temos que resolver, seja um problema pessoal ou no trabalho, também nos conduz a uma apreensão.

A Bíblia apresenta algumas situações de pessoas que passaram por esses momentos tensos na vida. Nossa escolha foi o texto do apóstolo Pedro, que apresenta solução para uma situação vivida pela comunidade de fé.

No texto da nossa meditação, o apóstolo Pedro chama a atenção para a ansiedade do povo diante das dificuldades vividas. A palavra utilizada, traduzida por ansiedade, também tem o sentido de preocupação. De fato a comunidade da fé vivia uma preocupação intensa com relação a situação de conflito. O trecho mais claro que fala de sofrimento e conflito é o 1ª Pedro 4.12-19. O versículo 12 diz assim: "Amados, não estranheis a provação que como fogo vos sobrevém, como se vos estivesse acontecendo alguma coisa estranha".

O autor chamado Elliott diz que o "contexto se refere a pressão social, discriminação religiosa e hostilidade local, as quais costumeiramente eram dirigidas pelos nativos contra seitas religiosas exóticas, estranhas e inferiores. Além do mais... tais incidentes eram típicos das reações populares contra o cristianismo no império romano da época". Eles viviam várias pressões, dentro e fora da igreja.

Dentro da igreja eles viviam algumas disputas, fofocas, crises na autoridade e tudo aquilo que é comum nos relacionamentos. Mas, a questão estava em excesso, pois tirava a harmonia do convívio e gerava várias confusões.

Fora da igreja eles viviam as perseguições religiosas e os ataques da sinagoga dos judeus. Eram chamados de praticantes de seita religiosa e inferiorizados constantemente. Muitos que iam para a igreja vinham das chamadas classes inferiores.

Mas, Pedro apresenta um caminho para viver e conviver com essas situações de pressão interna e externa. Essas preocupações precisam de canalização, de alívio interno, para que possamos prosseguir em nossa caminhada.



Tema: Enfrentando a Ansiedade



Lançando-a fora

Pedro apresenta uma solução bastante interessante, como parte importante daqueles que vivem as situações difíceis. Essa parte não é de Deus e, sim, da pessoa. Quem deve "lançar" é quem vive tal situação.

O lançamento solicitado por Pedro é a ansiedade. Seus ouvintes estavam ansiosos, muito preocupados com as dificuldades passadas, com tensões e pressões sociais. Também é natural quando vivemos situações difíceis sentirmos agitação e inquietação. Eles não negaram diante de Pedro que estavam preocupados, mas assumiram a condição.

Lançar não é somente um ato de atletismo, daqueles preparados para fazer o lançamento a uma longa distância ou uma imagem militar da época de arremessar para acertar um alvo. O lançar apresentado por Pedro é um ato de fé e o caminho da libertação, como o texto do salmista, no Salmo 55.22: "Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado".

Essa direção apresentada é um tratamento que nos leva a compreensão que temos que tirar de nós algo que incomoda, impede o prosseguir natural e saudável da vida, cria tensões internas, abala nosso sono, o convívio com as pessoas e nos leva para a improdutividade. Tirar algo assim da vida é libertador!

Você deve pensar que essa é uma proposta difícil ou quase impossível aos olhos humanos. De fato é verdade. Você já deve ter feito várias tentativas, se esforçado e até alcançado algum sucesso imediato. Mas, depois de algum tempo, lá está você novamente, se preocupando em exagero, irritado, nervoso e muito tenso. É por isso que o apóstolo fala que é um ato de fé! Tirar a preocupação de nossas mãos e lançar. Mas, em que lugar?



Em Deus (no lugar certo)

Pensar em tirar essas preocupações da gente é formidável. Porém, eu jogo logo ali? Jogo num lugar acessível e disponível para eu pegar novamente e viver todas as tensões? Ou então, você pode pensar em jogar em alguém que irá entender e jogará fora por você! Mas, esse alguém não é uma pessoa, por mais capacitada que seja, mais conhecedora dos assuntos humanos. Pedro fala para lançar em Deus! "Lançando sobre ele (Deus) toda vossa ansiedade..."

Podemos observar na Bíblia que o povo de Deus sempre se voltou para Ele em suas necessidades. Quando viveu a escravidão do Egito, clamou a Deus e Ele os libertou. Os profetas sempre convocaram e alertaram o povo para que voltassem para Deus e o buscassem. Pedro faz a mesma coisa, voltem-se para Deus, lancem em Deus, joguem nele tudo o que preocupa vocês, todas as dores e temores, todos os lamentos e descontentamentos, toda a aflição, angústia, insônia... Ele lutará por vocês!

O texto de Provérbios 12.25 diz que "A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa palavra o alegra". Deus sempre tem a boa Palavra. A Palavra dele é boa e agradável e Pedro sabe disso. Ele viveu ao lado de Jesus e sempre ouviu qual era o caminho de Deus. O próprio Jesus mostrou a Pedro o que deveria fazer e onde deveria lançar suas questões. Pedro aprendeu com Jesus, seu mestre e guia. Ele ensina a comunidade que o lançar é um ato de fé, mas, única e exclusivamente em Deus, pois só Ele pode pegar e nos libertar desse mal que nos aflige com tamanha intensidade.

O lançar em Deus a nossa ansiedade nos conduz a confiança de que Ele pode fazer algo, ou melhor, já fez pelo povo e pode continuar fazendo em todas as gerações, inclusive na de Pedro e na nossa.



Pois Ele cuida de nós

Deus sempre cuidou do seu povo, desde a antiguidade. O profeta Jeremias, escrevendo Lamentações, no capítulo 3, versículo 21 diz o seguinte: "Quero trazer à memória o que me pode dar esperança". Jeremias recapitula a história do seu povo e sabe que sua esperança é o Senhor.

Vamos olhar para o cuidado de Deus na história e ver como ele fez. Quando tirou o povo do Egito, Deus abriu o mar vermelho quando o povo estava sendo perseguido e o livrou. Quando estavam no deserto, Deus alimentou o povo em suas necessidades, enviando pão e carne, fazendo sair água da rocha; protegeu o povo do sol com uma grande nuvem, do frio e escuridão com uma coluna de fogo. Deus alimentou e cuidou dos seus profetas, como fez com Elias na caverna.

No Novo Testamento temos o texto de Mateus 6.25-34, que fala para não andarmos ansiosos, mas para observar como Deus cuida e alimenta as aves, que não trabalham; veste os lírios do campo com o melhor. Ele cuida de todas as suas criaturas, não cuidará de sua maior criação que somos nós?

Há uma música do pastor Kleber Lucas que diz o seguinte: "Deus cuida de mim, na sobra das suas asas, Deus cuida de mim, eu amo a sua casa... eu sei, Deus cuida de mim! Essa é nossa certeza!

O cuidado divino é presente. O cuidado divino é tema de vários cânticos, hinos e poesias. Há um hino do Hinário Novo Cântico, de número 165, no seu coro, diz assim: "Deus cuidará de ti! Na tua dor, com todo amor, jamais te deixará! Deus cuidará de ti!"

Ele cuida do nosso coração, da nossa vida inteira. Por isso, podemos descansar nele e aliviar nossa carga!



Conclusão:

Aceite o convite e orientação do apóstolo Pedro e lance em Deus toda a sua ansiedade, pois Ele cuida de nós!

Eu tenho escolha, você pode pensar. Tem sim! Pode ficar com você mesmo, toda a sua ansiedade, viver agitado, preocupado, com fadiga, agitado, taquicardia, insônia... Ou, pode lançar em Deus e se livrar dessa carga que o aflige. Deus sabe como fazer, como eliminar a ansiedade e cuidar de nós!

Faça uma experiência. Jogue em Deus todo o seu peso e descansa nele. Tira de você e lança nas alturas, arremessando com fé e esperança!

Que Deus o abençoe

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Eleição Incondicional


Deus o Pai escolheu soberanamente aqueles que serão salvos.

Todos os cristãos confessam que Deus é soberano. Mas não tem valor algum dizer que Deus é supremo, a não ser que nós realmente tenhamos a intenção na inteireza de nossa confissão. Mas ouça: “Deus, por toda a eternidade, fez, pelo mais sábio e santo conselho de sua própria vontade, livremente, e de ordem imutável tudo aquilo que vier a ser” (CFW, III: 1).

E novamente: “Deus o grande criador de todas as coisas e mantenedor direto, dispõe, e governa todas as criaturas, ações, e coisas, das maiores as menores” (CFW, V:1). Não existe, em todo universo, algo como “sorte” ou “chance”. Este é o ensinamento que significa que Deus realmente é Deus. Pois como dizem as Escrituras, “Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dan. 4:35). Não é meramente que Deus pode fazer sua vontade e sim que Ele realmente a faz - sem nenhuma interferência de ninguém ou coisa alguma. Mesmo em respeito ao homem caído em Adão, e o destino eterno de homens e anjos, a Confissão Reformada diz que Ele é Senhor de tudo. “Pelo decreto de Deus, pela manifestação de sua glória, alguns homens e anjos são predestinados para vida eterna; e outros, ordenados de antemão para morte eterna... Seu número não é certo e definido, e não pode ser acrescido ou reduzido.” (CFW, III: 3-4). Mas também, que seja imediatamente observado que esta mesma confissão enfaticamente nega que Deus seja o autor do pecado ou que a violência é oferecida pela vontade das criaturas por seu controle divino (III:1). Isto parece contraditório, claramente, por que parece que se Deus controla todas as coisas, então tem que ser sua culpa se o homem está condenado. Mas este não é o caso. As Escrituras não explicam como Deus determina o destino humano enquanto, assim mesmo, a responsabilidade total pelos pecados repousa em nossos ombros. Somente sabemos que é assim. A diferença da Fé Reformada e outros tipos de confissões cristãs não muito consistentes é que a Fé Reformada não argumenta ou tenta racionalizar contra a supremacia de Deus. Não contra aquilo que a Bíblia deixa claro. É um antigo objetivo da doutrina da Absoluta Soberania de Deus, que não pode ser colocado como um meio desqualificado sem a negação da liberdade humana. Pois como, é a pergunta, pode o homem ser livre se Deus controla todas as coisas? Muitos quando encaram esse problema, imediatamente decidem que Deus não pode ser absolutamente soberano no fim das contas. Mas isso não somente representa equivocadamente a Deus, mas também faz compreender mal o homem, pelo fato da liberdade do ser humano ser realmente limitada. Existem muitas coisas que ele não pode fazer por causa de suas limitações devidas à herança, meio ambiente, educação familiar, e oportunidades. E todas essas limitações foram impostas por Deus. Ele é verdadeiramente Senhor de Tudo, e “segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef. 1:11). E - como já temos visto - o ser humano é também limitado pela perda de suas habilidades. Então, não é a soberania de Deus que torna impossível para o ser humano fazer aquilo que precisa ser feito! Não, foi a própria rebeldia que fez isto. Voltemos ao mundo antigo, antes do dilúvio, e o que você vê? Vemos o retrato daquilo que o ser humano escolheu pela sua própria e livre vontade! Mas então vemos que um homem e sua família forem salvos da ruína total. Mas por que foi ele salvo? Era Noé melhor que os outros homens? Era ele bom o suficiente para escolher Deus pela sua habilidade natural e inclinação de seu coração? Se esse fosse o caso, a Bíblia não teria dito que ele “achou graça” aos olhos de Deus. Ela então afirma o seguinte, porque Noé não merecia a misericórdia de Deus mais do que qualquer outro; Deus simplesmente o escolheu. E por que Deus salvou a Abraão? Seu povo adorava a “outros deuses” (Josué 24:2), ainda assim Deus o tirou de Ur dos Caldeus. Deus também fez uma distinção ainda maior entre seus descendentes: Ele escolheu Isaque, não Ismael, como herdeiro da promessa. Então, para ser ainda mais conclusivo, ele disse para Isaque e Rebeca antes de seus filhos gêmeos nascerem, “O mais velho servirá ao mais moço’... ‘Amei a Jacó, mas odiei a Esaú” (Rom. 9:12-13). Ele assim o fez “para que o propósito de Deus na eleição se mantivesse” (vers. 11), para esclarecer que não “depende do desejo humano ou esforço, mas na misericórdia de Deus” (vers. 16), e para mostrar que “Deus mostra sua misericórdia para aqueles a quem ele quer que recebam sua misericórdia, e endurece aqueles que ele quer endurecer” (vers. 18). Deus é como um oleiro; de um pedaço de argila Eles faz “alguns vasos de bênçãos e vasos de maldição” (ver. 21). Esta é a eleição incondicional. Simplesmente significa que Deus tem a decisão final sobre os que serão salvos, e Ele não os escolhe pelo fato de terem algo diferente em si mesmos. E qual é a reação mais comum para essa doutrina maravilhosa? Bem, é mais ou menos assim: “Se eu sou eleito, serei salvo independente daquilo que eu venha fazer. E se eu não sou eleito, não fará nenhuma diferença o que eu faço ou deixo de fazer, por que Deus não irá me aceitar de qualquer jeito.” A natureza corrupta do homem, sempre quer “virar a mesa” e culpar a Deus ao invés de si mesmo. Mas os caminhos de Deus não são os nossos caminhos. Sua eleição soberana não destrói de forma alguma nossa responsabilidade. Se seu medo é de que você não seja eleito, sua posição é bem parecida com a dos leprosos mencionados em 2 Reis 7:3-8. Jerusalém estava sitiada e o povo estava morrendo de fome; do lado de fora dos muros de Jerusalém estavam os soldados da Síria. Então um dos leprosos disse, “Por que ficar aqui até morrermos?... Vamos ao acampamento dos Sírios e nos render. Se eles nos pouparem, viveremos; se eles nos matarem, então morreremos.” Assim é com pecadores perdidos a oferta do evangelho. Se ficarem como estão, morrerão; Se eles buscarem ao Senhor em arrependimento e fé, não é possível que faça a situação piorar. Alem do mais, Jesus disse que ninguém que faz a sua vontade será rejeitado (João 6:37). A verdade é que o homem natural odeia a única coisa de que ele mais depende: ser prostrado de joelhos em reconhecimento de seu desespero e sua falta de poder para se auto socorrer. Ainda que somente uma atitude nessa escala, poderá ser verdadeiramente salva.