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domingo, 3 de abril de 2011

Incrédulos e o Pacto

Rev. Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto


Uma objeção dos Batistas ao batismo infantil é que alguns que não são
e nunca serão salvos são batizados. Eles constantemente recordam àqueles
que praticam o batismo infantil que ao batizar infantes, estão batizando
pessoas que não se arrependeram e não professaram a fé. Para os Batistas isso
parece totalmente arbitrário.
Ao responder a essa objeção, apontaremos que é impossível, quer nas
igrejas Batistas ou Reformadas, batizar somente pessoas salvas. Porque os
segredos do coração são desconhecidos para nós, mesmo as igrejas Batistas
podem batizar aqueles que meramente fizeram uma profissão (confissão) de fé e
arrependimento.
Quando temos apontado isso para vários amigos e conhecidos Batistas,
a resposta deles tem sido geralmente: “Mas nós batizamos menos pessoas nãosalvas
do que vocês”. A verdade é que, se um Batista batizar ao menos uma
pessoa não-salva, ele não está mais praticando o “batismo de crentes”, mas
algo que pode ser chamado de “batismo de professos”.
Mais importante, contudo, é o fato que na Escritura tanto circuncisão
como batismo são deliberadamente aplicados aos incrédulos. Abraão
circuncidou Ismael após ser informado que Ismael não tinha nenhuma parte
no pacto (Gn. 17:18, 19), e Isaque circuncidou Esaú após saber que este era
réprobo (Gn. 25:23, 24).
O Batista argumenta nesse ponto que a circuncisão era somente uma
marca de identidade nacional. Isso simplesmente não é verdade, contudo, à
luz do que a Escritura diz sobre circuncisão. Ela sempre foi um sinal de
despojar-se “do corpo dos pecados da carne pela circuncisão [morte] de
Cristo” (Cl. 2:11; ver também Dt. 10:16; Dt. 30:6; Jr. 4:4).
O mesmo é verdade do batismo. O batismo no Mar Vermelho
(identificado como um batismo em 1Co. 10:1, 22) foi aplicado por Deus a
muitos de quem “Deus não se agradou” e que subseqüentemente foram
destruídos por Satanás (vv. 5-10). Cão também foi “batizado” (1Pe. 3:20, 21)
com o restante da família de Noé.
A única questão, então, é esta: “Por que Deus se agradou em ter o sinal
do pacto e da salvação, tanto no Antigo como no Novo Testamento, aplicar
tanto aos não-salvos como aos salvos?”. Se eles são adultos ou crianças não
faz diferença. Mesmo o Batista deve responder essa pergunta.
A resposta a essa pergunta reside no propósito eterno de Deus.
Somente alguém que creia firmemente que Deus ordenou eternamente todas
as coisas, incluindo a salvação de alguns e não de outros, pode dar uma
resposta clara e inequívoca.
A resposta deve ser que a circuncisão no Antigo Testamento e o
batismo no Novo, bem como a pregação do evangelho, é um poder e
testemunho tanto para a salvação como para o endurecimento e condenação, e
fazem isso de acordo com o propósito de Deus (2Co. 2:14-16). Portanto,
batizamos infantes e adultos, entendendo que Deus usará isso para a salvação
de alguns e para a condenação de outros, de acordo com o seu propósito,
como no caso de Ismael, Esaú e Cão.

Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko,
Reformed Free Publishing Association, p. 270-71.

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