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quarta-feira, 6 de abril de 2011


Salvação pela Graça mediante a Fé

Bruce McDowell
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto






A característica distintiva da verdade do Evangelho de Cristo é a graça
– favor imerecido de Deus para conosco. Em contraste, a religião mundana é
um sistema de leis, regulamentos e obras. Isso é facilmente entendido e aceito
pelo mundo, que pensa que devem fazer algo para merecer sua salvação e
aceitação por Deus. Nossa tendência natural é colocar-nos no centro,
pensando que somos capazes de ao menos contribuir para a nossa salvação.
Todavia, nunca podemos merecer o amor de Deus. Ele nos vem como um
dom gratuito: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de
vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef. 2:8, 9). O
dom gratuito da salvação é explicado adicionalmente na epístola de Paulo aos
Romanos:
Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela
ofensa de um só, morreram muitos [a pecaminosidade imputada de
Adão], muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só
homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos. O dom,
entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o
julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça
transcorre de muitas ofensas, para a justificação. Se, pela ofensa de um
e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a
abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de
um só, a saber, Jesus Cristo. (Rm. 5:15-17; ênfase minha)
A salvação é um dom gratuito porque não poderíamos adquiri-la
através de obras ou mérito da nossa parte. Somos justificados, significando
que somos feitos justos em nosso relacionamento com Deus, onde ele não
mais olha para o nosso pecado, através da justiça de Cristo que é aplicada em
nós mediante a nossa fé. À medida que Paulo fornece uma lista de pecados
aos quais nós como crentes fomos uma vez escravos antes de crermos, ele
contrasta isso com a obra da graça de Deus em nós agora.
Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso
Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça
praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou
mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele
derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso
Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus
herdeiros, segundo a esperança da vida eterna (Tito 3:4-7).
Mesmo a capacidade de crer em Cristo pela fé é um dom gratuito de
Deus. Como pecadores não-regenerados não podemos fazer isso à parte da obra
do Espírito de Deus em nós (cf. 1Co. 2:14; Tito 3:5). Embora estivéssemos
separados de Deus pelo nosso pecado, ele iniciou um relacionamento conosco.
“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo
morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8). Tendemos a olhar
para nós mesmos a fim de descobrir o motivo pelo qual Deus deveria nos
amar. Ele não nos vê resplandecentes em nossas boas obras. O que Deus vê é
uma vida cheia de culpa, rebelião, egoísmo, idolatria e vergonha, a menos que
sejamos vestidos pela justiça de Cristo. Mas é claro a partir da Palavra de Deus
que Deus nos ama somente porque estamos em Cristo Jesus, que em amor
deu sua vida por nós. “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do
mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos
predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo,
segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef. 1:4-5). “Que nos salvou e nos
chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a
sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos
tempos eternos, e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador
Cristo Jesus…” (2Tm. 1:9, 10). A salvação é totalmente a obra de Deus (Sl.
3:8; Jonas 2:9; Ap. 19:1). Portanto, quando o carcereiro de Filipo perguntou
aos prisioneiros Paulo e Silas, “Senhores, que devo fazer para que seja salvo?”,
eles responderam, “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (Atos
16:30, 31; ênfase minha).
Embora a fé para crer seja um dom da parte de Deus, ela é algo que
somos instados a usar diligentemente ao buscá-lo. “De fato, sem fé é
impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se
aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o
buscam” (Hb. 11:6). Aproximamos-nos de Deus e o encontramos através de
Jesus, que é o caminho e é quem nos mostra o Pai (João 14:6-11). A
recompensa última da nossa fé é receber a vida eterna agora e, entrando no
céu mediante a morte física, ficarmos na presença de Deus. Tendo agora
recebido pela graça essa fé, podemos cantar o hino de James M. Boice,
Visto que a graça é a fonte da vida que é minha –
E a fé é um dom do alto –
Gloriar-me-ei em meu Salvador, todo mérito declinarei,
E glorificarei a Deus até eu morrer.


Fonte: Requirements to Enter Heaven,
Bruce McDowell, 21-23.

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