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quinta-feira, 30 de setembro de 2010


A Certeza Absoluta da Morte


Talvez nenhum mistério tenha despertado mais curiosidade e pavor do que a experiência da morte. Sou obrigado a confessar que muitos anos a certeza da morte me deixou preso em grilhões psicológicos terríveis. Ela continua sendo a realidade mais perturbadora da existência humana. Todos os dias um incontável número de pessoas desce à sepultura, deixando dor e saudade e, além disso, a certeza absoluta de que a qualquer momento podemos ser os próximos.

R. C. Sproul, sabiamente observa que: “a morte é obscena. Ela contraria o fluir vibrante da vida. Quando ela surge a nossa frente recuamos horrorizados. Fazemos uso dos nossos melhores cosméticos para disfarçar o seu impacto. Ao atacar, a morte deixa sempre a pergunta: ‘Será esse o fim? Não haverá mais nada mesmo que possamos esperar?” (Razão Para Crer, pág. 104, 2002)

Jó, em seu desespero diante das desgraças que lhe sobrevieram, proferiu uma das verdades mais tristes que vivenciamos na prática durante a nossa existência:

“O homem, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação. Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece”. (Jó 14.1-2)

É simplesmente impossível que o homem não morra. Como diz o salmista: “Que homem há, que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro?”(Sl 89.48)

Como não é possível fugirmos da realidade da morte, procuramos respostas para o porquê de ela existir. Os cristãos comumente aceitam a doutrina bíblica, de que a morte é uma conseqüência do pecado: “Porque o salário do pecado é a morte”. (Rm 6.23).

Os cristãos acreditam que houve um tempo em que a morte não existia. O começo da história da humanidade foi lindo, sem mácula. Deus criou todas as coisas, e fez o homem, “por um pouco, menor que os anjos”. (Hb 2.7) Naquele paraíso o ser humano poderia viver eternamente, sem a presença devastadora da morte. A condição para a vida eterna seria a obediência, exigida em uma prova relativamente fácil:

“E o Senhor Deus lhe deu essa ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. (Gn 2.16-17).

O pecado de Adão e Eva foi grande demais justamente pela facilidade que teriam em resistir à prova. Eles só precisavam acreditar em Deus.

Quando a serpente disse à mulher que Deus não estava falando a verdade, ela deveria acreditar nAquele que havia dado tudo a eles, e não em uma serpente esperta, que sabia até falar.

Apesar de ser uma coisa difícil de aceitar, a sentença de morte foi justa. Deus, em sua sabedoria, sabia perfeitamente quais seriam as conseqüências de permitir que seres pecadores vivessem para sempre. O homem, vivendo poucos anos, contamina o mundo de toda sorte de malefícios, quanto mais se pudesse viver eternamente. O pecado é semelhante a um câncer. Quanto mais evolui, mais devastação acarreta na vida humana.

Por mais estranho que isso possa parecer para algumas mentes inquiridoras, acredito que a morte, além de uma justa punição pelo pecado, é também uma prova da misericórdia de Deus.


Perguntas e Respostas: Saul e a Pitonisa

(Pergunta feita por um internauta e respondida por Oseas de G. Oliveira em 12.09.2008)


Pergunta:

A paz do senhor Jesus meu irmÃo, gostaria que o irmão me respondesse se realmente quem apareceu para saul foi samuel.



Resposta:

Irmão, obrigado pela participação.

O caso de Saul e a pitonisa é muito interessante. Quando lemos esse texto a primeira vez, de princípio ele parece mostrar que o profeta realmente havia aparecido ao rebelde e abandonado Saul.

No entanto, com base em alguns fatos bíblicos, parece impossível que Samuel estivesse ali, conversando com o rei Saul. Vejamos alguns dados muito interessantes:

Os Escritos Sagrados ensinam que após a morte não existe consciência e nem participação daqueles que morrem em alguma que acontece debaixo do sol. Vejamos algumas evidências:

"Os seus filhos recebem honras, e ele não o sabe; são humilhados, e ele o não percebe" (Jó 14.21).

"Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem à região do silêncio" (Sl 115.17)
"Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol". Ec 9.5-6

A Escritura também afirma que o domicílio dos mortos é a sepultura:

"Mas, se eu aguardo já a sepultura por minha casa; se nas trevas estendo a minha cama" (Jó 17.13)

"Eles descem diretamente para a cova, onde a sua formosura se consome; a sepultura é o lugar em que habitam" (Sl 49.14)


Também nos é mostrado pela Escritura que a morte é um sono:

"Atenta para mim, responde-me, Senhor, Deus meu! Ilumina-me os olhos, para que eu não durma o sono da morte" (Sl 13.3)

"Assim o homem se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono" (Jó 14.12)

"Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes impute este pecado! Com estas palavras, adormeceu"(At 7.60)

Com esses dados bíblicos fica muito claro que era impossível Samuel estar ali com Saul, a menos que ele tenha ressuscitado, o que a Bíblia não afirma. Quando o homem morre deixa de existir até que Deus o ressuscite, seja para a salvação ou para a perdição.

Mas então, quem apareceu a Saul? A resposta mais provável é que tenha sido Satanás, fingindo ser o profeta de Deus. Lembremos que ele pode se transfigurar em um anjo de luz. Se ele pode aparecer como um anjo de luz, imagine como um ser humano.
Seria muito estranho que Deus se comunicasse com Saul através de Samuel, depois que este havia morrido, pois antes já havia se recusado a fazer isso enquanto o profeta estava vivo.


Autor: Oseas de G. Oliveira

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