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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Um Breve Credo sobre Justificação

Douglas Wilson

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto


Creio que Jesus Cristo foi justificado por Deus em sua ressureição
dentre os mortos, sendo declarado com poder ser o Filho de Deus (Rm 1.4).
Ele foi justificado no Espírito (1Tm 3.16), vindicado por Deus, e exaltado à
destra de Deus o Pai. Essa justificação, juntamente com a obediência ativa e
passiva de Cristo, e todas as suas outras perfeições, é imputada ao seu povo, e
é a única base para tudo o que temos nele. Essa justificação de Cristo, essa
ressurreição dentre os mortos, foi para a nossa justificação (Rm 4.25).
Creio que Deus em seu soberano e secreto decreto elegeu por nome
incontáveis pessoas para a salvação eterna (Ef 1.11). Cada um desses eleitos é
justificado individualmente, e irreversivelmente, no momento de sua
conversão, quando Deus imputa a eles toda a justiça de Jesus Cristo (Rm 8.29-
30). A base dessa justificação é a justiça de Cristo, mais nada, e é apropriada
pelo instrumento da fé somente, mais nada, e até mesmo essa fé deve ser
entendida como um dom de Deus, de forma que ninguém possa se vangloriar
(Ef 2.8-10).
Creio que a Igreja de Jesus Cristo, um corpo pactual orgânico, é também
justificada, santificada, regenerada e eleita. Pelo fato de sua santificação, assim
como a nossa, não ser ainda completa (Ef 5.24-32), creio que indivíduos não
justificados, não eleitos, não santificados e não regenerados podem ser
membros (violadores do pacto) desse corpo pactual por um tempo. Mas com
o passar do tempo tais ramos estéreis são removidos (João 15.1-7; Rm 11.20;
Mt 13.24-40).
As máculas – os não eleitos – são removidas da Noiva eleita (Ef5.27).
Creio que Deus estabeleceu dois pactos distintos com a humanidade, um
antes da Queda, e outro após. O primeiro pacto foi chamado um pacto de
obras na Confissão de Westminster (7.2). Eu preferiria chamá-lo de um pacto
de graça da criação. A condição de guardar o pacto nesse primeiro pacto era
crer na graça, nos mandamentos, nas advertências e na promessa de Deus. Se
Adão tivesse evitado o pecado nessa tentação, ele não teria motivos para se
vangloriar, mas poderia somente dizer que Deus graciosamente o preservou.
“Obediência perfeita e pessoal”, mesmo para o homem antes da queda, não é
possível a menos que ele confie na bondade e graça de Deus.

Porque Deus capacitou Adão com o poder e a capacidade de guardar o pacto com ele
(CFW 19.1), Adão foi um recipiente da graça, e dessa forma, o pecado que
mergulhou nossa raça na morte foi uma revolta contra a graça.
O segundo pacto é um pacto de graça redentora. O que os dois pactos
têm em comum é a graça, não as obras. A condição para guardar esse pacto é
a mesma do primeiro, embora as circunstâncias sejam diferentes. A condição
sempre é crer em Deus.
Esses pontos são feitos, não para contrabandear “obras” do pacto das
obras para o pacto da graça, mas sim o contrário. Creio que devemos insistir
que obras autônomas devem ser banidas de toda esfera e empreendimento
humano (1Co 1.31).

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