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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A Teologia do Medo


O romancista russo Dostoievski diz que

“se for destruída no homem a fé em sua imortalidade, não somente o amor secará nele, mas também a força de continuar a vida no mundo. Mais ainda, não haverá então nada de imoral, tudo está autorizado, até mesmo a antropofagia” ( - DOSTOIÉVSKI, Fiódor, Os Irmãos Karamazov, p. 80, 2004)


O pensamento do romancista russo lembra os pregadores fervorosos que afirmando a imortalidade da alma, a impossibilidade de dissolvê-la, aconselhava os ouvintes a terem cuidado com os castigos do mundo vindouro, pois seria impossível escapar das chamas do fogo eterno. A obediência forçada pelo medo teria que existir, caso contrário, o tormento eterno estava à espera depois da morte do pecador. A imortalidade da alma tornara-se uma condição de obediência a Deus, pois “não há virtude sem imortalidade” (- DOSTOIÉVSKI, Fiódor, Os Irmãos Karamazov, p. 31, 2004 )


Embora isso venha desaparecendo aos poucos, o que é um fato positivo, a doutrina da imortalidade natural da alma tem servido de base para uma espécie de teologia do medo. Eu fui vítima dessa teologia dentro das paredes da igreja em que nasci.

Essa teologia do medo adotada por vários segmentos do cristianismo tem enchido templos com pessoas apavoradas. Elas temem um dia cair nas chamas devoradoras do inferno, sendo esse o único motivo que as mantêm nas igrejas.

O uso de ameaças é tão antigo quanto a doutrina imortalista. Orlando Boyer, em seu clássico Heróis da Fé, lembrando o sermão de Jhonatas Edwards relata que:

“há dois séculos que o mundo fala do famoso sermão: pecadores nas mãos de um Deus irado e dos ouvintes que se agarravam aos bancos pensando que iam cair no fogo eterno. Esse fato foi, apenas, um dos muitos que aconteceram nas reuniões em que o Espírito Santo desvendava os olhos dos presentes para eles contemplarem as glórias do céu e a realidade do castigo que está bem perto daqueles que estão afastados de Deus” (BOYER, Orlando, Heróis da Fé, p. 51, 2001)



Vários homens de Deus, reconhecidamente heróis e sábios da fé cristã, que em muito contribuíram para o Evangelho de Jesus Cristo, tiveram suas mentes manchadas com o pensamento do tormento eterno.

A doutrina de um castigo futuro é bíblica, mas devemos fazer uso legítimo dela. A segunda morte é uma conseqüência da desobediência, e não o motivo para nos aproximarmos de Deus, que deve ser o amor.

Profetas Modernos?

Tenho dificuldades em aceitar os profetas “modernos”. Em muitas denominações cristãs a quantidade de revelações é assustadora.

Os profetas de plantão têm sempre uma nova mensagem para a congregação ansiosa para ouvir a voz de Deus. O curioso é que não é incomum presenciarmos revelações contraditórias.

A maioria dessas revelações é desnecessária ou absurda. As desnecessárias são aquelas que já estão na Escritura, as absurdas são aquelas que a contrariam.

Eu creio na suficiência da Escritura. Acredito que tudo que precisamos saber está nas páginas da Bíblia. Nenhuma revelação adicional é necessária. Entre um milhão de revelações modernas e um versículo da Bíblia, vou escolher o texto bíblico sempre.

Se fosse necessário revelações especiais a Bíblia não seria suficiente. Creio que toda a Escritura é inspirada por Deus, e suficiente.


Deus nas Mãos de Arminianos Irados

Embora seja o pensamento predominante, o arminianismo tem ensinado um outro evangelho. O curioso é que o pensamento arminiano tem sido aceito pelos cristãos com muita naturalidade, como verdade bíblica.

Deus "está nas mãos de arminianos irados". O Deus das Escrituras Sagradas perdeu a sua Soberania e o seu poder. Os arminianos tiraram Deus do trono e colocaram o homem em seu lugar. Embora não admitam, a questão do destino da humanidade está nas mãos dos homens, e não de Deus.

O arminianismo tem ensinado um Deus pequeno demais, que depende dos homens para a realização dos seus planos. Um Deus que precisa ficar quieto, esperando que o homem decida as coisas não pode ser soberano em hipótese alguma.

Os arminianos, irados com a soberana graça de Deus, irritados com o controle de Deus sobre cada partícula do universo, e com a sua vontade santa que promove todas as coisas para a sua glória, procuram tirá-lo do seu trono majestoso.

O livre-arbítrio é uma ilusão. Percebemos isso na prática todos os dias. Não somos capazes, por exemplo, de vivermos sem pecar, mesmo que queiramos isso. Apenas os arminianos não percebem essa escravidão da vontade humana.

Somos incapazes de nos aproximarmos de Deus por nossas próprias forças, afinal, assim como o leopardo não pode mudar suas manchas, também não podemos fazer o bem inclinados a fazer o mal.

Presos pela tendência pecaminosa do nosso coração, damos graças a Deus pelo fato de ele nos ter dado vida espiritual em Jesus Cristo, quando estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2.1).


Autor: Oseas de G. Oliveira

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