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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Salvos da idiotice

*escrevendo com dor de ouvido e cabeça, mas pressionado pela consciência de que o meu mês de folga já passou.

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Tirando as brincadeirinhas sobre a “Graça irresistível” como uma linda mulher com este nome, a noção de que a iniciativa salvadora de Deus não pode encontrar resistência final do homem é coisa séria, tanto para calvinistas, quanto para arminianos, e ainda para os confusos.
Obviamente, se você é reformado, entenderá a graça irresistível como um desdobramento lógico natural do sistema calvinista de pensamento:

Se
1. o homem é depravado e incapaz de ir a Deus
e
2. Deus escolheu salvar indivíduos segundo a Sua graça,
3. enviando Jesus para morrer no lugar dos eleitos, recebendo sobre Si a culpa deles, e colocando sobre eles a Sua justiça,

Então
4. Deus cumprirá a Sua vontade salvadora, agindo de modo tal que o homem será salvo, sem ter a sua vontade violentada, mas conduzido pela graça Divina, receberá prontamente a salvação.

O termo “graça irresistível” pode causar alguma confusão aqui. Em um sentido, a graça sempre é resistida pelo pecador – é exatamente este o ponto da Depravação Total: o homem não quer as coisas de Deus. Paulo diz em Rm.3, citando o Sl.14, que não há quem queira, ou quem busque a Deus. Isso é um tipo de resistência à graça Divina.
Falar em uma graça irresistível, portanto, não é proclamar a inexistência da postura avessa do homem em relação ao Pai. Na verdade, é afirmar que finalmente a graça de Deus será triunfante - romperá a resistência humana e cumprirá o Seu propósito salvífico. Em outras palavras, a graça irresistível não pode ser absolutamente resistida, embora encontre relativa oposição.
Afirmei, acima, que a vontade do humana não é violentada por Deus, e agora escrevo que a graça de Deus rompe a resistência do homem. Existe aí alguma contradição?
Há uma diferença entre triunfar e violentar, que precisa ser esclarecida. Se afirmamos que Deus violenta vontade do pecador na salvação, estamos dizendo que o Pai salva o homem contra a vontade deste.
Na Escritura, porém, a ação de Deus é tal que sempre o pecador recebe arrependimento e fé, de modo que clama pela salvação. O triunfo da graça está no fato de que ela não combate a vontade humana, mas a transforma – o pecador amante do pecado passa a ser o regenerado em busca de Deus.
Isso fica claro em textos como Ez.36, que falam sobre a cardio-cirurgia operada por Deus: o coração de pedra vai pro lixo, enquanto o coração de carne passa a bater. Assim o homem passa a agir naturalmente como quem tem coração de carne, e não de pedra. Fp.2.13 também demonstra o ponto: é Deus quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar – a nossa vontade está submetida à de Deus.
Pra não estender demais o assunto, que pode ser desenvolvido em posts subsequentes, fica a dica: a graça irresistível foi a ação de Deus, salvando-nos de nós mesmos e de nossa resistência idiota.

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