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quinta-feira, 31 de março de 2011

O Sinal e a Realidade do Batismo

Rev. Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

É fundamental, quando falando de batismo, perceber que o uso da
palavra batismo no Novo Testamento tem dois sentidos diferentes. A falha em
reconhecer isso freqüentemente leva ao equívoco e erro.
Algumas vezes quando o Novo Testamento usa a palavra batismo, ele
está se referindo ao sacramento ou ritual: o que poderíamos chamar de batismo
com água (Mt. 3:7; Mt. 28:19; Atos 2:38, 41; 1Co. 10:2). O batismo com água na
verdade não é batismo, propriamente falando, mas o sinal do batismo, um
símbolo apontando para uma realidade invisível e espiritual.
Em distinção do símbolo ou sinal, a realidade do batismo é o lavar dos
pecados pelo sangue e Espírito de Jesus Cristo. Essa é a realidade da qual o
batismo com água é apenas uma figura. Falando de batismo nesse sentido
espiritual, é inteiramente apropriado dizer que o batismo nos salva (1Pe. 3:21).
Muitas passagens no Novo Testamento falam dessa realidade salvífica
espiritual e não do sinal do batismo com água. As mais notáveis dessas são
Romanos 6:3-6,2 1 Coríntios 12:13,3 Gálatas 3:27,4 Efésios 4:5,5 Colossenses
2:12,6 e todas aquelas passagens que falam de ser batizado no ou com o
Espírito Santo.
Nenhuma dessas passagens fala de batismo com água. A menos que
percebamos isso, cairemos em todos os tipos de erros e chegaremos a
conclusões muito errôneas, tais como pensar que a água salva (1Pe. 3:21) ou
que a água nos traz à união e comunhão com Cristo (1Co. 12:13).
A diferença entre sinal e realidade é evidente no fato que nem todos os
que são batizados com água recebem a realidade do batismo. Nem todos os
que permanecem sem serem batizamos com água perdem por causa disso a
realidade espiritual do batismo, pela qual somos salvos.
Todavia, os dois estão relacionados. O primeiro é o sinal ou figura do
outro, e isso não pode ser esquecido. Um sinal no qual lemos “Chicago”, mas


aponta para “Houston” seria apenas ilusão e engano. O sinal sempre deve
apontar para a realidade, se há de ser útil para nós. Assim, o sinal deve estar de
acordo com a realidade, e a realidade com o sinal.
Por exemplo, a questão do modo do batismo com água pode até certo
ponto ser respondida examinando-se o modo do batismo espiritual. Se
perguntarmos, “Como somos batizados pelo sangue e Espírito de Cristo?”, a
resposta da Escritura é, “por aspersão ou derramamento”. Seria estranho, para
não dizer enganoso, se o sinal e a realidade não estivessem de acordo nesse
ponto.
Da mesma forma, a realidade também deve estar de acordo com o
sinal. Não teria sentido de forma alguma ter o comer o pão e o beber o cálice,
embora também representem a morte de Cristo, como símbolos da limpeza do
pecado pelo sacrifício de Cristo. O sinal também deve sugerir limpeza.
De fato, Cristo nos deu o sinal para nos ajudar a entender e crer na
realidade. Eu posso dizer: “Pode algo realmente lavar o meu pecado – remover
todos eles? Isso é inacreditável! Meus pecados são grandes e muitos”. Então o
sinal do batismo diz, “Tão verdadeiramente como a água remove a sujeira do
corpo, assim o sangue de Cristo remove verdadeiramente o pecado”, e isso
encoraja a minha fé em Cristo e no seu sacrifício.

Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko,
Reformed Free Publishing Association, p. 259-60.

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