RADIO IPB DE LIMOEIRO DO NORTE/CE

domingo, 23 de setembro de 2012

QUATRO DECISÕES QUE PRECISAMOS TOMAR



Filipenses 3:13-14


 INTRODUÇÃO
Na Vida tomamos decisões todos os dias. O que muita gente nunca parou para pensar é que toda decisão exige de nós algumas escolhas extremamente importantes. Aliás, as decisões da vida nos desafiam a repensar os nossos princípios, valores e ideais; a definir situações que atrapalham o nosso modo de viver; a julgar aquelas questões que interferem na realização dos nossos sonhos; a analisar aqueles pormenores que interferem diretamente nos nossos fracassos do dia-a-dia e que impedem a concretização nossos projetos.
           
O apóstolo Paulo, neste texto de Filipenses 3 está tomando quatro decisões importantes que deveriam chamar a sua e a minha atenção. E por que deveríamos analisar estas quatro decisões do apóstolo? Em primeiro lugar, eu creio que devemos fazer esta análise porque toda decisão mexe com as nossas preferências; em segundo lugar, porque toda decisão exige a solução de alguma dificuldade e em terceiro, porque algumas decisões que tomamos podem determinar o destino da nossa vida, da nossa família, dos nossos projetos, dos nossos amigos ou de uma nação inteira.

I – PRECISO ABRIR MÃO DE ALGUMAS COISAS (Versos 5-8)

1. O apóstolo Paulo abriu mão do seu status: ele era de linhagem nobre, israelita de nascimento, da tribo de Benjamim, de sangue hebreu (verso 5). E mais: a História da Igreja confirma que ele era doutor da lei, membro do Sinédro (a suprema corte judaica), grande orador, exímio poliglota e um pensador profundo formado pelas universidades de Tarso, Atenas e Jerusalém.

2. O apóstolo Paulo abriu mão da sua religiosidade doentia: ele era fiel seguidor do judaísmo, um fariseu fanático que perseguia a igreja de Cristo (verso 6). Agora que Cristo o transformara ele tinha consciência clara de que era o principal dos pecadores, pois fora brasfemo, perseguidor e opressor da igreja de Cristo (veja I Timóteo 1:13).

3. O apóstolo Paulo abriu mão de muitas vantagens, lucros e direito para cumprir os propósitos do reino de Deus neste mundo (Veja os versos 7 e 8).

4. Você já abriu mão de alguma coisa que comprometesse a imagem do reino de Deus ou da igreja de Cristo? Você já fez alguma renúncia por amor a Deus?

5. Você sabe o que significa abrir mão de comodidades, de vantagens, de uma carreira promissora, de direitos e lucros, só para agradar a Deus?

6. O apóstolo Paulo teve que abrir mão de algumas coisas para ser um vaso escolhido que levaria o nome de Jesus diante dos gentios (estrangeiros), dos reis e dos filhos de Israel (Atos 9:15).

7. O apóstolo Paulo teve que abrir mão de algumas coisas porque Jesus o comissionou para ser pregador da Palavra de Deus, apóstolo e doutor dos gentios na fé e na verdade (I Timóteo 2:7).

8. Você se sente comissionado por Jesus para fazer algo importante no reino de Deus?

 II – PRECISO ESQUECER AS COISAS PASSADAS (Verso 13)

1. O apóstolo Paulo fez uma declaração inquietante e contundente: “... mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam...”

2. O apóstolo Paulo tinha pressa de cumprir os grandes projetos do reino de Deus porque sabia que os dias em que vivia eram maus (Veja Efésios 5:16).

3. O apóstolo Paulo não tinha tempo para reclamar dos seus sofrimentos, das suas frustrações, dos seus traumas, das suas tristeza ou das injustiças sofridas.

4. Paulo, o apóstolo, era um homem de mente renovada, ele não deixava nenhum lixo emocional se juntar na sua mente. Ele simplesmente esquecia porque o Espírito Santo de Deus o capacitava para isto. Sua personalidade era cheia de vida.

5. Existe o perigo de nos envolvermos com coisas que ficaram para trás. Muitas vezes fazemos como a esposa de Ló, que olhou para trás e virou uma estátua de sal (Gênesis 19:26). Às vezes, olhamos para trás e a nossa vida espiritual fica paralisada com as nossas lembranças. As amarguras petrificam o nosso coração e não conseguimos exercitar o perdão; a desesperança toma conta dos nossos pensamentos e paralisam os nossos sonhos e ideais.

6. Muitas vezes pegaremos no arado do reino de Deus e olharemos para trás por causa do sentimento de incompetência que há em nós, contudo, o apóstolo Paulo nos ensina uma verdade contundente: “... mas a nossa capacidade vem de Deus...” II Coríntios 3:5).

7. Deus quer que destruamos os velhos arquivos da nossa vida que nos impedem de crer nos seus milagres. Existem gavetas em nossas mentes que precisam ser limpas para que possamos ver novas possibilidade de Deus atuar em nós ou através de nós.

8. Existem entulhos em nossas mentes que atrapalham a nossa maneira de compreender quem é Deus e como ele pode nos usar hoje, aqui e agora.

9. Gosto muito do conselho que Deus deu ao seu povo pela instrumentalidade do profeta Isaías:
“Não vos lembrei das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eis que farei coisa nova, e, agora, sairá a luz; porventura, não a sabereis? Eis que porei um caminho no deserto e rios, no ermo.” (Isaías 43:18-19).

10. Esqueça as coisas passadas que não edificam a sua vida espiritual. Esqueça aquelas coisas que estão adoecendo a sua vida emocional. Faça como o apóstolo Paulo, ponha uma pedra sobre questões passadas, esqueça tudo aquilo que pode matar a sua motivação de servir a Jesus.


 III – PRECISO AVANÇAR NA DIREÇÃO DOS DESAFIOS (Verso 13)

1. O apóstolo Paulo disse: “Avanço para o que está diante de mim...”

2. Paulo avançou destemidamente na direção dos desafios porque o Espírito o dotou de uma visão profética. Ele sabia que não podia fugir dos desafios do mundo e da vida. O foco da sua vida era abraçar e realizar todos os projetos do reino de Deus enquanto tivesse vida, saúde, inteligência, dons e talentos, disposição e paixão.

3. O povo de Israel ao sair do Egito ficou com saudades das panelas de carne, dos alhos e das cebolas, mas Josué e Calebe olharam para a frente e focavam a terra prometida.

4. Nas nossas igrejas, hoje, só existem dois grupos de crentes: os que OLHAM PARA TRÁS e querem viver de saudades e reclamarem do presente e os que OLHAM PARA A FRENTE e querem ver Deus fazer milagres maiores do que já foram feitos. E mais: esses crentes querem ser usados por Deus para fazerem uma revolução na igreja; eles querem ser agentes da nova historia que Deus quer escrever nesta igreja, nesta cidade, neste Estado, neste país! Amém.

5. Quem avança quer fazer a diferença e quem está fazendo diferença no mundo tem três características marcantes: é inconformado, é inovador e é ousado.

6. O apóstolo Paulo ousou avançar dizendo: “... e não vos conformeis com este mundo...” (Romanos 12:2).

7. O apóstolo Paulo era tão ousado que na sua epístola aos Efésios fez a seguinte ponderação: “E orem também por mim, a fim de que Deus me dê a mensagem certa para que, quando eu falar, fale com coragem e torne conhecido o segredo evangelho” (Efésios 6:19, NTLH).

8. O apóstolo era tão inovador que quando estava em Atenas foi convidado para ir ao areópago falar das últimas novidades pôde debater com os estóicos e os epicureus usando da contextualização cultural para chegar ao coração dos gregos. O seu artifício para entrar na cultura grega foi a expressão AO DEUS DESCONHECIDO (Atos 17:23).

9. Você está fazendo diferença? Você está avançando ou retrocedendo? Você está olhando para frente e querendo ser usado por Deus ou está olhando para trás, vivendo de passado?

10. A Bíblia diz em Hebreus 10:39 que nós, os crentes verdadeiros que olhamos para frente e para cima, não fazemos parte do grupo que retrocede na fé e em outras coisas.

 IV – PRECISO PROSSEGUIR NA DIREÇÃO DE DEUS (Versos 12 e 14)

1. A Bíblia ensina em Hebreus 12:1 que a vida cristã é uma corrida que precisa ser feita com perseverança e fé. Nessa corrida você e eu não veremos nenhuma placa com a inscrição PARADA PARA DESCANSO. E sabe por quê? Porque o crente que não prossegue, não cresce e nem amadurece.

2. Quando o apóstolo Paulo disse: “... prossigo para o alvo...”, na realidade ele estava falando que continuava perseguindo o seu alvo; que estava focado em Jesus e no prêmio que ele iria lhe dar.

3. Prosseguir exige renúncia de alguma coisa. Você está disposto a renunciar alguma coisa deste mundo para receber um prêmio de Deus?

4. Prosseguir exige determinação. Você tem o hábito de começar as coisas e terminar ou para no meio do caminho?

5. Quem prossegue na vida cristã precisa de metas para viver. Quais são as suas metas de vida?

6. A igreja do Senhor Jesus precisa ser mais ousada nos seus projetos e nas suas estratégias! O mundo já aprendeu uma lição antiga que alguns de nós procuram ignorar, qual seja: “Só pode ser bem sucedido quem persegue e cumpre as metas que foram estabelecidas.”

7. Esta lição é muito bem ensinada na Universidade do Inferno. As hostes espirituais da maldade seguem ao pé da letra a estratégia de Satanás, que é a seguinte: “Só destruiremos a igreja de Cristo se cumprirmos as metas de Satanás com inteligência, objetividade, fidelidade e dedicação incondicional”.

8. As igrejas evangélicas que estão fazendo a diferença neste mundo global não abrem mão de uma regra: prosseguir na direção de Deus e dos seus projetos. Elas são disciplinadas, focadas, determinadas, perseguem metas e cumprem todas as metas estabelecidas pelo reino de Deus. Você sabe cumprir metas?

9. O autor da epístola aos Hebreus ensinava a Igreja Primitiva essa mesma lição. Ele dizia que a igreja tinha que prosseguir “olhando para Cristo, autor e consumador da fé...” (Hebreus 12:2).

10. Sem olhar para Cristo, você não vai prosseguir na sua jornada para o céu. Sem olhar para Cristo você não vai perseverar na fé. Sem olhar para Cristo você não vai viver uma vida de santidade e temor. Sem olhar para Cristo o seu cristianismo será inconstante, pobre e medíocre. Olhe para Cristo e você cumprirá as metas dos seu reino.


CONCLUSÃO
            O foco da vida do apóstolo Paulo era ser fiel ao Senhor Jesus e cumprir as metas do reino de Deus. Ele tomou as quatro decisões porque queria agradar o coração de Deus. Qual é o foco da sua vida? Em que os seus olhos estão focados?
            O apóstolo Paulo decidiu quatro coisas: 1) Preciso abrir mão de algumas coisas; 2) Preciso esquecer as coisas passadas; 3) Preciso avançar na direção dos desafios; 4) Preciso prosseguir na direção de Deus.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A Natureza e Papel da Fé




 Escrito por: Vincent Cheung



Deus… nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos… (2 Timóteo 1.9)
A doutrina que é Deus e somente Deus quem salva se estende à natureza e papel da fé na salvação. Os cristãos estão acostumados à ideia que somos “salvos pela fé”, mas nem sempre é claro para eles o que isso significa. Paulo coloca a fé em contraste com as obras em suas exposições sobre a salvação. Contudo, as ideias simples de fé e obras são apenas abreviações de visões mais completas sobre o assunto. O apóstolo se opõe à visão que diz “Eu salvo a mim mesmo por minhas obras”, mas ele não substitui isso por “Eu salvo a mim mesmo por minha fé”! Todavia, alguns cristãos falam e pregam como se essa fosse a doutrina apostólica, que não nos salvamos pelas obras, mas nos salvamos pela fé. Quando os cristãos esquecem que a salvação pela fé é posta como um contraste contra a salvação pelas obras, eles tendem a colocar o foco sobre a fé como tal como o caminho ou o meio para a salvação. Mas a fé em si não pode salvar. Fé é um termo relacional – você crê em algo. É esse “algo” que salva você. Fé é somente um termo descritivo para a relação.
Isso é essencial porque Paulo não diz que Deus te salva porque você colocou sua fé nele. De fato, isso seria verdadeiro a partir de uma perspectiva – depende do que “porque” significa – mas Paulo está considerando o cerne da questão. Ele diz que Deus te salva por causa do seu propósito e graça. Isto é, ele te salva por causa da sua própria razão e bondade. Se é assim, então pelo menos quando falando neste nível, não podemos dizer que Deus te salva por causa de sua fé, visto que sua fé não é o mesmo que o propósito dele, e sua fé não é a graça dele. E se Deus não te salva por causa de sua fé, então ele não te salva por causa de fé prevista. Deus não te escolheu para salvação porque ele sabia de antemão que você creria em Cristo. Antes, ele te escolheu por causa do propósito dele, à parte da sua fé.
Estamos prontos para abordar um defeito generalizado no entendimento da salvação pela fé. Muitos cristãos falham em definir fé de tal forma a distingui-la das obras de forma significativa. Eles reconhecem que somos salvos pela fé, não pelas obras. Contudo, fé, ou crer, é algo que fazemos, ou não? Eles respondem que a fé não é uma ação que produz mérito para conquistar a salvação; antes, o crente é como uma pessoa que estende sua mão para aceitar um presente, não conquistado, mas dado gratuitamente por outra pessoa.
Há pelo menos dois problemas com isso. Primeiro, é arbitrário insistir que essa ação não é meritória ou pelo menos uma bondade moral, especialmente quando a Bíblia chama a incredulidade de pecaminosa. A fé é de fato uma bondade moral. Segundo, isso não pode explicar o porquê uma pessoa crê enquanto outra não. Deve haver alguma diferença entre as duas pessoas. Visto que é moralmente bom crer em Cristo, e visto que é moralmente mau rejeitar a Cristo, se a fé é como um homem que estende uma mão para aceitar algo, então a diferença entre as duas pessoas deve incluir uma dimensão moral também. Em outras palavras, sob essa visão, uma pessoa que aceita a Cristo o faz porque ela já é uma pessoa melhor que aquela que rejeita a Cristo mesmo antes de realmente aceitar a Cristo. Os cristãos são pessoas melhores que os não cristãos antes de se tornarem cristãos. Contudo, Paulo chama a si mesmo de o pior dos pecadores.
A Escritura define fé de uma forma diferente. Paulo diz que a própria fé é um dom (Efésios 2.8). E se a própria fé é um dom, o que é a mão que recebe a fé? A analogia da mão é inexata e inútil, mas se formos mantê-la por causa da ilustração, então ela deve ser drasticamente modificada. Visto que a própria fé é um dom, então a salvação não pode consistir em Deus estender o dom da justiça para nós enquanto esticamos a mão da fé para tomá-lo. Antes, não começamos com nenhuma mão, mas Deus cria uma mão onde não existia nenhuma antes. Então, ele chega, toma a nossa mão e a puxa, e coloca o dom da justiça na mão que ele criou, e após isso ele empurra a mão de volta para o nosso lado. Ela é “nossa” mão somente no sentido que está ligada a nós, mas ela é um dom e uma criação de Deus, e sujeita ao seu controle. É somente nesse sentido que Deus nos salva “por causa” da nossa fé, isto é, no sentido que fé é parte da sua obra de salvação em nós e que fé é parte do processo pelo qual ele nos salva. Dessa forma, permanece o fato que ele nos salva por causa dele mesmo. É mais preciso dizer que temos fé porque ele nos salva, e não que ele nos salva por causa da nossa fé.
Não somos salvos pela fé como tal, ou pela própria fé; antes, somos salvos por Cristo somente, e ele nos salva dando-nos fé. Fé é nossa consciência de sua operação em nós quando ele estabelece uma relação espiritual conosco. É correto dizer que somos salvos pela fé, conquanto percebamos que isso é uma forma resumida de dizer que é Cristo quem nos salva dando-nos fé, e a questão é posta dessa forma para fazer um contraste contra a visão que somos nós quem salvamos a nós mesmos por nossas obras, ou que Deus concede salvação a alguns e não a outros sobre a base das nossas obras. O dom da justiça é dado aos escolhidos por meio do dom da fé. Se você tem fé, é porque é o propósito de Deus que você tenha fé. Se você crê em Jesus Cristo, é porque Deus decidiu, à parte de algo em você ou sobre você, que você creria em Jesus Cristo. A salvação é totalmente uma obra de Deus, de forma que não existe nenhum lugar para nos orgulharmos, nem mesmo pelo fato de termos fé.
Fonte: Reflections on Second Timothy
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto, julho/2010
Fonte: http://monergismo.com/vincent-cheung/a-natureza-e-papel-da-fe/

quinta-feira, 6 de setembro de 2012


A Origem das Bênçãos Espirituais (Efésios 1.1-14)

Por que estudar a carta aos Efésios? Quatro razões principais: (1) Efésios proclama a mensagem bíblica da salvação – Ela é evangelística. (2) Efésios apresenta o ensino teológico sobre a igreja, a família de Deus – Ela é doutrinária. (3) Efésios declara como deve ser a vida e os relacionamentos do cristão – Ela é prática. (4) Efésios instrui o cristão sobre a batalha espiritual – Ela é estratégica.
Efésios é uma carta fascinante no seu estilo literário e no seu conteúdo. Para John Stott “Efésios é um resumo, muito bem elaborado, das boas novas do cristianismo e de suas implicações”. William Barclay diz que Efésios é a carta suprema de Paulo, é “a rainha das epístolas”.
Entendemos que o versículo chave para exposição de Efésios é o 1.3: Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo. O ponto central da mensagem da carta é que em Cristo, isto é, em nossa união com Ele, somos abençoados com todo tipo de bênção espiritual.

1.   PREFÁCIO E SAUDAÇÃO (Ef 1.1-2)

·         O autor: Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus. (Ef 1.1). Paulo reivindica para si a mesma vocação dos doze apóstolos (Lc 6.12-13). Ele diz que Deus o havia comissionado ou enviado. Ele é apóstolo pela vontade de Deus (Gl 1.13-15).
·         Os destinatários: Aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus (Ef 1.1). Os cristãos são santos, isto é, pessoas separadas por Deus para a santificação e proclamação das virtudes divinas (1Pe 2.9). Os cristãos são fiéis, pessoas que têm fé em Deus ou aqueles que são fiéis ao Pai. Os santos e fiéis estão em Cristo (residência espiritual) e em Éfeso (residência neste mundo).
·         A saudação: Graça a vós outros e paz (Ef 1.2). Graça (caris) e paz (shalom) resumem todos os dons de Cristo. A fonte desta é a divina, vem da parte de Deus e do Senhor Jesus Cristo (Jo 1.16-17; 14.27).

2.   A FONTE DE TODAS AS BÊNÇÃOS (Ef 1.3-14)
Paulo convida os seus leitores a louvarem a Deus, pelos Seus planos e propósitos, por sua soberania sobre tudo e todos. Deus é apresentado como Trindade, autor soberano da nossa salvação.

2.1. Deus Pai é o autor da eleição para salvação (Ef 1.3-6)
Deus é o autor da eleição. É ele que nos tem abençoado (v.3), quem nos escolheu (v.4), nos predestinou (v.5), derramou a sua graça sobre nós (v.6 e 8), tudo de acordo com os seus planos (v.11). O tempo da eleição foi antes da fundação do mundo (v.4); os propósitos da eleição são: para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele (v.4), para adoção de filhos (v.5) e para o louvor da sua glória (v.12); O objeto da eleição somos “nós” e não a humanidade inteira (vs.3-5);

2.2. Deus Filho é quem executa a salvação dos eleitos (Ef 1.7-12)
Jesus é quem executa na cruz a nossa salvação. É nele ou em Jesus que temos a adoção de filhos (v.5), a redenção e o perdão (vs. 6-7). Jesus ao morrer na cruz sabia por quem estava morrendo (Jo 10.14-18).

2.3. Deus Espírito é quem aplica a salvação nos eleitos (Ef 1.13-14)
O Espírito Santo é quem regenera e produz o novo nascimento (Jo 3.5-8). No ato da conversão pela fé em Cristo, o cristão é selado pelo Espírito (v. 13). O selo simboliza autenticidade, propriedade e inviolabilidade. A presença do Espírito no crente é a garantia ou penhor (v.14) da redenção completa que Deus concretizará em nós (2Co 1.21-22; 5.5).

 Arival Dias Casimiro

O CHAMADO (Mt 22.1-14)

A Parábola das Bodas diz que certo rei enviou seus servos para convidar os mais nobres súditos para a festa de casamento de seu filho. Em atitude de insubmissão e rebeldia todos recusaram o convite real. Sabiam que o convite era uma ordem real; entretanto, com respostas negativas foram hostis e, ainda, maltrataram e mataram alguns dos servos. O rei justamente puniu os assassinos e ordenou que seus servos fossem às ruas e becos e convidassem a todos da cidade, sem distinção. Com a casa cheia o pai entra para ver a festa e percebe que tem um convidado que não estava usando as “vestes nupciais” (que era uma obrigação). O rebelde é questionado e lançado para fora da festa.

Quem é quem na parábola?
O rei é Deus, o Pai, que preparou a terra para o nascimento do seu Filho Unigênito, Jesus Cristo. Os nobres convidados eram aqueles judeus que maltrataram e mataram muitos dos profetas do A. T., e fariam o mesmo com Jesus. “Ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam...” (Jo 1.14). Os servos são aqueles que anunciam as boas novas (Mt 28.18-20). O convite é uma ordem explícita e soberana de Deus – o Chamando do Evangelho do seu Filho (Jo 14.6). Todos são bem-vindos às bodas do Príncipe, desde que usem a roupa adequada, vestes de justiça. As vestes nupciais representam arrependimento, perdão e justiça de Deus aos pecadores que atendem ao Chamado.

Lições da Parábola das Bodas
Era a última semana de Jesus na terra. Ele estava sofrendo hostilidade dos fariseus e dos principais líderes religiosos de Israel, que pretendiam pegá-lo em contradição para prendê-lo e matá-lo. Então Jesus direciona esta parábola àqueles fariseus, que estavam a sua volta. Essa parábola nos ensina acerca do soberano chamado do Evangelho, pelo Deus Trino, e a responsabilidade humana em responder a esse chamado com arrependimento e fé. Também podemos tirar algumas lições: 1) O chamado é universal, pois todos, sem distinção, são convocados à crer e aceitar o Filho de Deus como Salvador e Senhor. Essa é a extensão do Evangelho de Cristo: “ Ide por todo o mundo...” (MT 28.18); então, não exite e pregue a todos que puder. 2) O chamado se torna eficaz no coração do eleito somente pela obra regeneradora do Espírito Santo, que age através da Palavra de Deus (At 16.14; Ez 37.1-14). Portanto, ore antes, durante e depois da mensagem. Ore para que o Espírito Santo abra o coração do eleito para que o mesmo creia e responda ao Chamado do Evangelho. 3) O chamado é sincero, porque Deus não tem prazer na morte do ímpio, mas deseja que todos se arrependam e sejam salvos (MT 23.27; Ez 18.23; 33.11; 2 Pe 3.9). Deus é amor e Ele realmente quer que todos aceitem o convite do Evangelho – essa é a Sua vontade. Apesar do fervoroso chamado, muitos, hoje, se escusam e recusam a oferta do Evangelho (Lc 14.15-24). Tenha o mesmo desejo do Pai na salvação dos eleitos, pois “muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (v.14). Ore e pregue a todos que encontrar, apresentando fielmente a Palavra de Deus; seja insistente e faça um convite ao arrependimento e fé e prometa o perdão e a vida eterna aos que crerem no Filho de Deus. Conscientize a todos do maravilho chamado.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Obstáculos para Vir a Cristo. Arthur W. Pink.





“Ninguém pode vir a mim” (João 6.44).

Ohomem natural é incapaz de “vir a Cristo”. Citemos João 6:44, “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer.” A razão pela qual “duro é esse discurso”, até mesmo para milhares que professam ser cristãos, é que eles fracassam completamente em compreender o terrível estrago que a queda provocou; e, o que é pior, eles mesmos não se dão contam da “chaga” que existe nos seus próprios corações (1 Rs. 8:38). Certamente se o Espírito já os tivesse despertado do sono da morte espiritual, e lhes dado ver alguma coisa do pavoroso estado em que estão por natureza, e feito sentir que suas “mentes carnais” são “inimizade contra Deus” (Rm. 8:7), então eles não mais discordariam dessa solene palavra de Cristo. Mas aquele que está espiritualmente morto não pode ver nem sentir espiritualmente.
Onde reside a total incapacidade do homem natural? Ela não está na falta das faculdades necessárias. Isso tem de ser bastante enfatizado, do contrário o homem caído deixaria de ser uma criatura responsável. Mesmo que os efeitos da queda tenham sido terríveis, eles não privaram o homem de nenhuma das faculdades que Deus originalmente lhe concedeu. É verdade que o pecado tirou do homem a capacidade de utilizar essas faculdades corretamente, ou seja, empregá-las para a glória do Criador. Entretanto, o homem caído possui ainda a mesma natureza, corpo, alma e espírito, que tinha antes da Queda. Nenhuma parte do ser do homem foi aniquilada, ainda que cada uma tenha sido contaminada e corrompida pelo pecado. De fato, o homem morreu espiritualmente, mas a morte não é a extinção do ser (aniquilação) – morte espiritual é a alienação de Deus (Ef. 4:18). Aquele que é espiritualmente morto está bem vivo e ativo no serviço de Satanás.
A incapacidade do homem caído (não regenerado) de vir a Cristo não reside em nenhum defeito físico ou mental. Ele tem o mesmo pé para levá-lo tanto a um local onde o Evangelho é pregado, como para caminhar até um bar. Ele possui os mesmos olhos que podem lhe servir para ler tanto as Escrituras Sagradas como os jornais. Ele tem os mesmos lábios e voz para clamar a Deus os quais usa agora em conversas fiadas e em canções ridículas. Assim, também, possui as mesmas faculdades mentais para ponderar sobre as coisas de Deus e sobre a eternidade, as quais ele utiliza tão diligentemente nos seus negócios. É por causa disso que o homem é “indesculpável”. É o mau uso das faculdades que o Criador lhe concedeu que aumenta a sua culpa. Que cada servo de Deus veja que essas coisas pesam constantemente sobre os seus ouvintes não convertidos.
1) A incapacidade do homem está na sua natureza corrompida.
Nós temos de ir bem mais a fundo se quisermos encontrar a fonte da incapacidade do homem. Devido à queda de Adão, e por causa do nosso próprio pecado, a nossa natureza se tornou tão corrompida e depravada que é impossível para qualquer homem “vir a Cristo”, amá-lO e serví-lO, estimá-lO mais que tudo neste mundo e submeter-se a Ele, até que o Espírito de Deus o regenere e implante nele uma nova natureza. A fonte amarga não pode jorrar água doce, nem a árvore má produzir bons frutos. Deixe-me tentar explicar isso melhor através de uma ilustração. É da natureza de um abutre alimentar-se de carniça; no entanto, ele tem os mesmos órgãos e membros que lhe permitiriam comer grãos, como fazem as galinhas, mas ele não possui nem a disposição nem o apetite para tal alimento. É da natureza da porca o chafurdar na lama; e apesar dela possuir pernas como a ovelha para levá-la à campina, lhe falta entretanto o desejo por pastos verdejantes. Assim acontece com o homem não-regenerado. Ele tem as mesmas faculdades físicas e mentais que o homem regenerado possui para empregar no serviço e nas coisas de Deus, mas não tem amor por elas.
“Adão… gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem” (Gn. 5:3). Que terrível contraste há aqui com o que lemos dois versículos antes: “… Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez”. No intervalo entre esses dois versos, o homem caiu, e um pai caído pode gerar somente um filho caído, transmitindo-lhe a sua própria depravação. “Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? (Jó 14:4). Por isso nós encontramos o salmista de Israel declarando, “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl. 51:5). No entanto, apesar de por natureza Davi ser um monte de iniquidade e pecado (como também somos nós), mas tarde a graça fez dele o homem segundo o coração de Deus. Desde que idade essa corrupção da natureza aparece nas crianças? “Até a criança se dá a conhecer pelas suas obras” (Pv. 20:11). A corrupção do seu coração logo se manifesta: orgulho, vontade própria, vaidade, mentira, aversão ao que é bom, são frutos amargos que cedo brotam no novo, mas corrupto, ramo.
2) A incapacidade do homem está na completa escuridão em que se encontra o seu intelecto.
Essa importante faculdade da alma foi destituída da sua glória original, e coberta de confusão. Tanto a mente como a consciência estão corrompidas: “Não há quem entenda”(Rm. 3:11). O apóstolo solenemente lembra os santos, “Pois outrora éreis trevas” (Ef. 5:8), não somente estavam “em trevas”, mas eram as própria “trevas”. O pecado fechou as janelas da alma e a escuridão se estende por todo o lugar: ela é a região das trevas e da sombra da morte, onde a luz é como a escuridão. Lá reina o príncipe das trevas, onde não se pratica nada além das obras das trevas. Nós nascemos espiritualmente cegos, e não podemos ter essa visão restaurada sem um milagre da graça. Esse é o seu caso quem quer que você seja, se ainda não nasceu de novo” (Thomas Boston, 1680). “São filhos sábios para o mal, e não sabem fazer o bem” (Jr. 4:22).
“O pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar”(Rm. 8:7). Existe no homem não regenerado uma oposição e aversão pelas coisas espirituais. Deus revelou a Sua vontade aos pecadores no tocante ao caminho da salvação, contudo eles não trilharão esse caminho. Eles sabem que somente Cristo é capaz de salvá-los, no entanto eles recusam se separar das coisas que obstruem o seu caminho até a Ele. Eles ouvem que é o pecado que mata a alma, no entanto o afagam em seu peito. Eles não dão ouvidos às ameaças de Deus. Os homens acreditam que o fogo há de consumir-lhes, e estão em grande tormento para evitá-lo; contudo, mostram com suas ações que consideram as chamas eternas como se fossem um mero espantalho. O mandamento divino é “santo, justo e bom”, mas o homem o odeia, e só o observa enquanto a sua respeitabilidade é promovida entre os homens.
3) A incapacidade do homem está na corrupção dos seus sentimentos.
“O homem, no estado em que se encontra, antes de receber a graça de Deus, ama tudo e qualquer coisa que não seja espiritual. Se você quiser uma prova disso, olhe ao seu redor. Não há necessidade de nenhum monumento à depravação dos sentimentos humanos. Olhe por toda parte. Não há uma rua, uma casa, e não somente isso, nenhum coração, que não possua uma triste evidência dessa terrível verdade. Por que no Dia do Senhor o homem não é encontrado congregando-se na casa de Deus? Por que não nos achamos mais freqüentemente lendo nossas Bíblias? O que acontece para a oração ser um dever quase que totalmente negligenciado? Por que Jesus Cristo é tão pouco amado? Por que até mesmo os seus seguidores professos são tão frios em seus sentimentos para com Ele? De onde procedem essas coisas? Seguramente, caros irmãos, nós não podemos creditá-las a outra fonte que não a corrupção e a perversão dos sentimentos. Nós amamos o que deveríamos odiar, e odiamos o que deveríamos amar. Não é outra coisa senão a natureza humana caída que nos faz amar esta vida mais do que a vida por vir. É um efeito da Queda o fato do homem amar o pecado mais que a justiça, e os caminhos do mundo mais que os caminhos de Deus”. (Sermão de C.H. Spurgeon em Jo. 6:44).
Os sentimentos do homem não regenerado são totalmente depravados e desordenados. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Jr. 17:9). O Senhor Jesus afirmou solenemente que os sentimentos do homem caído (não regenerado) são a fonte de toda abominação: “Porque de dentro do coração do homem, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, a malícia, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Mc. 7:21,22). Os sentimentos do homem natural estão miseravelmente deformados, ele é um monstro espiritual. O seu coração se encontra onde deveriam estar os seus pés, seguro ao chão; seus calcanhares estão levantados contra os Céus, para onde deveria estar posto o seu coração (At. 9:5). Sua face está voltada para o inferno; por isso Deus o chama para converter-se. Ele se alegra com o que deveria entristecê-lo, e se entristece com o que deveria alegrá-lo; se gloria com a vergonha, e se envergonha da sua glória; abomina o que deveria desejar, e deseja o que deveria abominar (Pv. 2:13-15) (extraído do Boston’s Fourfold State).
4) Sua incapacidade está na total perversão da sua vontade.
“O homem pode ser salvo se ele quiser”, diz o arminiano. Nós lhe respondemos, “Meu caro senhor, nós todos cremos nisso; mas essa é que é a dificuldade – se ele quiser.” Nós afirmamos que nenhum homem deseja vir a Cristo por sua própria vontade; não, não somos nós que o dizemos, mas Cristo mesmo declara: “Contudo não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo. 5:40); e enquanto esse “não quereis vir” estiver registrado nas Escrituras nós não podemos ser levados a crer em nenhuma doutrina do livre arbítrio. “É estranho como as pessoas, quando falam sobre livre arbítrio, falam de coisas das quais nada compreendem. Um diz “Ora, eu creio que o homem pode ser salvo ser ele quiser”. Mas essa não é toda a questão. O problema é: é o homem naturalmente disposto a se submeter aos termos do Evangelho de Cristo? Afirmamos, com autoridade bíblica, que a vontade humana é tão desesperadamente dada ao engano, tão depravada, e tão inclinada para tudo que é mau, e tão avessa a tudo aquilo que é bom, que sem a poderosa, sobrenatural e irresistível influência do Espírito Santo, nenhum homem nunca será constrangido a buscar a Cristo.” (C.H. Spurgeon).
“Há uma corda de três pontas contra o céu e a santidade, que não é fácil de ser rompida; um homem cego, uma vontade pervertida, e um sentimento desordenado. A mente, inchada pela vaidade, diz que o homem não deve se humilhar; a vontade, inimiga da vontade de Deus, diz: ele não quer; as emoções corrompidas levantando-se contra o Senhor, em defesa da vontade corrompida diz: ele não irá. Assim a pobre criatura permanece irredutível contra Deus, até o dia do Seu poder, quando é feito nova criatura” (Thomas Boston).
Pode ser que alguns leitores sejam inclinados a dizer: “ensinamentos como estes desencorajam pecadores e os levam ao desespero”. Nossa resposta é: Primeiro, eles estão de acordo com a Palavra de Deus! Segundo, esperamos que Ele se agrade em usar essas verdades para levar alguns a desesperarem-se de qualquer ajuda que possam encontrar neles mesmos. Terceiro, esse ensino manifesta a absoluta necessidade da obra do Espírito Santo nessas criaturas depravadas e espiritualmente impotentes, se algum dia vierem salvificamente a Cristo. Então, até que isso seja claramente entendido, o Seu auxílio nunca será realmente buscado.