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sábado, 9 de junho de 2012

A Santificação (Parte 3)




Os perigos do pecado na vida do cristão

“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.” (Salmo 32:3,4)

Já falei a respeito do que é santificação, bem como expliquei o porquê do cristão remar contra a maré, vivendo de modo santo. Agora, com a graça de Deus abordarei a questão dos perigos do pecado na vida do cristão, daquele que nasceu de novo.

Antes de tudo, relembremos, resumidamente, algumas coisas que a Bíblia diz a respeito do pecado. Primeiramente, “o pecado é a transgressão da lei” (I Jo 3:4). Deus deu ao homem mandamentos justos e bons, os quais, quando obedecidos, redundam em glória a Deus e em felicidade para nós. Porém, quando negligenciamos essas ordens do Soberano, não as cumprindo, estamos cometendo pecado. Assim, percebemos que o pecado é uma grande rebeldia do homem, é um insulto terrível ao Criador de todas as coisas, uma ofensa ao Rei do universo. É como se o pecador estivesse dizendo: “eu não me importo com Deus, o que Ele ordena não significa nada para mim; eu quero viver de acordo com os meus próprios desejos, eu sei mais do que ninguém o que é melhor para mim”. Pereça tal pensamento!

A malignidade do pecado se agrava mais ainda quando pensamos sobre o caráter Daquele que é ofendido. Deus é amor, a Sua bondade dura para sempre, Ele é cheio de misericórdia e ternura. Nele não há nada que seja impuro, Ele é santíssimo e cheio de graça. Veja, amigo, que não é contra alguém mau ou cruel que o homem peca, antes, é contra o mais amável do universo! Consideremos também os benefícios que Deus dá ao homem, como a vida, o alimento, a bebida, as vestes, a alegria do coração, e inumeráveis bênçãos. O homem peca contra Aquele que o abençoa diariamente, que o mantém vivo! Que ingratidão! O pecado é tolice, é odioso, é amargo, procede do diabo e produz a morte!

A grande conseqüência do pecado é a morte (Rm 3:23), se referindo à morte espiritual, à morte física, e também à segunda morte, no lago de fogo e enxofre (Ap 20:14). Porém nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, fomos salvos do pecado e do seu salário. Ele carregou os nossos pecados no calvário, ofereceu o sacrifício perfeito que remove todas as ofensas, tanto as passadas como as futuras, eternamente. Fomos vivificados pelo Espírito, jamais provaremos a segunda morte, absolutamente nunca haverá condenação para nós, porque todo o nosso pecado já foi punido em Cristo, e o “escrito de dívidas que era contra nós” foi cravado na cruz, de uma vez por todas.

Contudo, mesmo nós, que somos salvos, estamos sujeitos a pecar, enquanto estivermos nesse mundo. O apóstolo João é claríssimo quando diz: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados...” (I Jo 1:8-9a). E o pecado gera conseqüências em nossas vidas, mesmo como filhos de Deus.

Antes de falar dos males que o pecado traz para nós, que somos justificados, gostaria de falar daquilo que o pecado não faz a nós. E o principal ponto é: o pecado não faz com que “percamos a nossa salvação”. Algumas pessoas acham que, se o cristão cometer terríveis pecados, pode deixar de ser salvo. Outros pensam que o cristão pode chegar ao ponto de blasfemar contra o Espírito Santo. Outros ainda sustentam que se o cristão pecar, e logo depois morrer, estará eternamente perdido. Porém, tal doutrina é antibíblica. Jamais podemos, irmãos, conceber que uma ovelha de Cristo seja lançada no inferno, pois Ele garantiu que “nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará de minha mão”. É impossível que alguém que tenha sido justificado possa no fim das contas ser condenado, pois senão o Juiz infalível teria errado em seu pronunciamento, teria voltado atrás com relação aos seus dons, que são irrevogáveis, e a gloriosa e triunfante passagem de Romanos 8:30 (“aos que justificou, a estes também glorificou”) seria uma grande mentira. Oh meus irmãos, o Filho de Deus teria falhado em sua missão, pois Ele diz: “a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6:39). É inconcebível que Deus não conclua a boa obra que começou em nós, o seu povo (Fl 1:6). Portanto, vocês, que já foram alcançados pela graça de Deus, saibam que não poderão perder a sua salvação.

Algum insensato poderá questionar: “ora, se eu jamais poderei perder a minha salvação, porque me preocupar com a santificação? Vou viver uma vida segundo os prazeres da carne, me deleitando no pecado!”. Esse tipo de frase me assusta. Pode proceder isso dos lábios de um cristão? Essa declaração é um tanto estranha a um filho de Deus. Aqueles que nasceram de Deus odeiam o pecado, e amam ao seu Senhor supremamente. Como poderiam cogitar em viver uma vida assim? Eles foram transformados, suas mentes foram renovadas, receberam um novo coração. Jamais diriam ou fariam uma coisa dessas. Não podem viver na prática do pecado.

O pecado também não faz com que o cristão deixe de ser filho de Deus, ou passe a ser menos amado por Ele. Não é porventura o Seu amor qualificado como eterno? (Jr 31:3). O amor de Deus é incondicional e imutável, Ele nos amou desde antes da fundação do mundo, Ele nos ama assim como ama a Cristo! (Jo 17:23).

Tendo considerado o que o pecado não faz ao cristão, consideremos alguns dos terríveis males que ele causa.

O primeiro deles que quero citar é que o pecado entristece a Deus. É por isso que o apóstolo Paulo disse: “não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef. 4:30). Que pai não fica triste, quando o seu filho, a quem tanto ama e tanto faz bem, o desobedece? O prazer de Deus é ver os seus filhos andando santamente. Cristão, porventura você pode suportar a visão da tristeza do Pai por causa do seu pecado?

Uma segunda conseqüência do pecado é que ele traz a correção de Deus. Ele, como um bom Pai, repreende e castiga os Seus filhos, a quem ama. E o castigo pode ser dolorido, apesar de ser para o nosso supremo bem. Imagine, meu irmão, não só o olhar de tristeza do Pai, porém também o Seu olhar de desaprovação e repreensão, por causa do seu pecado! Se quando o nosso pai terreno fazia isso, o nosso coração já se partia, imagine quando o Pai eterno faz isso! Cuidado, irmão, Deus tem em suas mãos vara para corrigir seus filhos desleixados.

Devemos considerar também que o pecado traz muito pesar ao coração do cristão (Sl 32:3-4). Quando o salvo peca, ele se entristece profundamente, porque entende que ofendeu ao Seu Salvador a quem tanto ama. Ele fica privado da alegria da salvação, chega ao ponto de sentir vergonha de adentrar na presença de Deus, ou de participar das reuniões de culto a Deus, prejudicando assim até mesmo a sua comunhão com o Pai. E mais: o pecado nos impede de desfrutar da plenitude da vida cristã, da “vida abundante”, do “ser tomado pela plenitude de Deus”, etc. Também obscurece a nossa visão das coisas espirituais!

Todas essas terríveis conseqüências já bastariam, porém há mais. O pecado torna o crente desqualificado para o ministério, pode destruir o seu testemunho diante dos homens, dá ocasião a que os homens blasfemem de Cristo! Por causa do pecado, Deus pode até mesmo “encurtar” a vida do cristão, punindo-o com morte, para que o espírito seja salvo no dia de Cristo! (I Co 5:5)

Por fim, meu querido irmão, quero lhe fazer um apelo. Você observou as terríveis conseqüências do pecado? O seu efeito é devastador, mesmo para o coração do servo de Deus. Você continuará a viver uma vida desleixada com relação à santificação, ou a tolerar certos pecados em sua vida? Desperte, cristão! O pecado é perigoso para você, então aprenda a “passar de largo”, a se desviar do mal, a fugir do pecado! Evite as companhias que induzem ao pecado, os programas televisivos, os sites da internet, as músicas, ou qualquer outra coisa que porventura faça você tropeçar. Vigie e ore! Mortifique a sua natureza carnal! Ouça o clamor de Deus, amado irmão, quando Ele diz: “retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei” (II Co 6:17). O Soberano ordena, com todas as letras: “sede santos, porque Eu sou santo” (I Pe 1:16).

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