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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Lutero (1483-1546) e a Justificação pela Fé




"Com toda certeza, gostaria de ter compreendido o que Paulo dizia em sua carta aos Romanos. Contudo, o que me impedia de compreendê-lo não era tanto a falta de coragem, mas aquela frase do primeiro capítulo 'Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus' (Rm.1.17). Pois eu odiava aquela expressão 'a justiça de Deus', que haviam me ensinado a entender como a justiça por meio da qual Deus, que é justo, pune os pecadores injustos. Embora, como monge, vivesse uma vida irrepreensível, sentia-me um pecador com a consciência culpada diante de Deus. E também não podia acreditar que havia agradado a Deus com minhas obras. Longe de amar aquele Deus justo que punia os pecadores, eu, na verdade, o odiava...

Ficava desesperado para saber o que Paulo queria dizer naquela passagem. Por fim, à medida que meditava dia e noite a respeito da relação que havia entre aquelas palavras, 'porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé', como está escrito: 'O justo viverá pela fé', comecei a entender a 'justiça de Deus' como aquela justiça por meio da qual o justo vive pelo dom de Deus (a fé); em que essa frase: 'é revelada a justiça de Deus', faz referência a uma justiça passiva, por meio da qual o Deus misericordioso nos justifica pela fé, conforme está escrito, 'O justo viverá pela fé'. Imediatamente, tive a sensação de haver nascido de novo, como se tivesse entrado pelos portões abertos do paraíso. Desde aquele momento, vi toda a Bíblia sob a perspectiva de uma nova luz... E agora, aquilo que eu havia uma vez odiado na frase 'a justiça de Deus', comecei a amar e a glorificar como a mais doce das frases, pois essa passagem em Paulo tornou-se para mim o verdadeiro portão do paraíso."

Bibliografia: Teologia Sistemática de Franklin Ferreira e Allan Myatt, Editora Vida Nova.

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