RADIO IPB DE LIMOEIRO DO NORTE/CE

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

ESCOLHIDOS E CHAMADOS POR DEUS PARA LOUVOR E GLÓRIA DE SEU NOME




II Pedro 1:3-15

Introdução

A segunda carta de Pedro foi escrita a cristãos que estavam enfrentando as ameaças de heresias que eram introduzidas por falsos mestres. Assim Pedro pede a estes cristãos que permaneçam firmes na vida cristã, mantendo uma vida de fé pura em Cristo.

Um dos grandes desafios que temos em nosso relacionamento com Deus é o permanecermos firmes e constantes em servi-lo, mesmo em meio às dificuldades.
Nos versos que lemos no capitulo 1:3-15, observamos que Pedro sabia que sua morte se aproximava, pois Cristo lhe havia revelado isso. Mesmo ciente disso, Pedro permanece fiel, procurando cumprir a sua missão de ajudar os seus irmãos em Cristo.

Assim, Pedro escreve nestes versos para os irmãos pedindo que se lembrem de algumas coisas que os ajudariam a ficar firmes em Cristo(V.12-13). Também faz questão de lembrar-lhes deviam se apegar a lembrança de que Deus os havia chamado e escolhidos (v.10). Pedro também lhes lembra que em Cristo, eles teriam tudo que é necessário para permanecerem firmes e fieis em cumprir o que Deu havia estabelecido para eles (v.3).

Vejamos então as principais lições para nossas vidas que podem ser tiradas destes versos:

Em Cristo, temos tudo que precisamos para ser vencedores. V.3

Se as lutas são grandes, não desanime. Se as montanhas são altas demais, creia que Deus pode lhe dar as ferramentas para superá-las. Se os vales são escuros e tenebrosos, o Senhor é a nossa luz. Portanto, fique firme. Deus sempre esta conosco. Alguem já disse: "Quando eu acordar, o Senhor estará comigo. E se eu não acordar, eu estarei com Ele".

No verso 3, aprendemos que Cristo esta sempre conosco providenciando tudo que necessitamos para viver uma vida que agrada a Ele. Assim, podemos vencer todas as circunstâncias difíceis, o pecado, e as nossas próprias fraquezas e limites quando estamos em Cristo.

Pedro nos mostra no verso 3, que na medida em que conhecemos ao Senhor, passamos a ser mais envolvidos pela sua glória e bondade. Nesse aspecto passamos a ser mais semelhantes a Deus. Passamos a refletir mais sua luz.

Assim meu irmão, não desanime. Em Cristo tudo já foi providenciado. Venha e participe do grande banquete que Deus já nos preparou.

Lembra-se da parábola do grande banquete. Os convidados foram chamados e o Senhor que tudo já estava preparado. Descanse e venha com tranquilidade para participar do grande banquete de celebração da sua vitória em Cristo que já foi preparada bem antes.


Em Cristo, temos as características de um vencedor. V.4, 8, 9

No verso 4, Pedro declara que Cristo tem nos dado maravilhosos e preciosos dons que prometeu. São estes dons que nos capacitam a sermos vitoriosos sobre o pecado.
É por meio de Cristo, que adquirimos as características de um vencedor. Vejamos estas características:



· V.5. A bondade. Que nos faz ser pessoas que promovem o bem para o próximo.

· V.5. O conhecimento de Deus. Que nos faz ser mais íntimos dEle. Conhecimento que nos ajuda a termos uma vida de mais equilíbrio.

· V.6. O domínio próprio. Que nos ensina a ter controle em situações de pressão e dificuldade.

· V.6. A perseverança. Que nos transforma em pessoas constantes e firmes em terminar tudo que começamos.

· V.7. A devoção. Que nos leva sermos mais dedicados e consagrados ao Senhor.

· V.8. A amizade. Que nos leva a termos mais comunhão com nossos irmãos.

· V. 8. O amor. Que é o sentimento mais importante na vida do Cristão, no serviço ao Senhor e a Igreja.

Mas porque precisamos destas qualidades? Nos versos 8 e 9 Pedro nos responde isso ao dizer que quando temos estas qualidades seremos cada vez mais ativos na obra do Senhor, produzindo cada vez mais frutos. Pedro ainda diz que quando não cultivamos estas qualidades somos como cegos, que não sabem para onde estão indo, e assim encontram-se perdidos.
Li há pouco tempo, a respeito da bananeira. É quase indestrutível. Você pode picá-la em pedacinhos, mas vai continuar crescendo. Pode queimá-la, mas vai continuar crescendo. Há apenas uma maneira de acabar com a bananeira: arrancando suas raízes. As raízes são a chave do fruto. (Rick Warren, em "Poder Para Ser Vitorioso", Pág. 188 – Ed Vida).
A bondade, o conhecimento de Deus, o domínio próprio, a perseverança, a devoção, a amizade, o amor são algumas das raízes que necessitamos para não sermos abatidos na vida espiritual.

Em Cristo, esta firmada nossa chamada e escolha. V.10

Pedro lembra aos irmãos que procurem ficar cada vez mais firmes na convicção de que foram chamados e escolhidos por Deus. Fazendo isso, jamais abandonariam a fé.

O que Pedro nos ensina aqui é importante. Precisamos aprender a nos apegar as promessas de Deus quando estamos enfrentamos lutas espirituais.
Precisamos aprender a pensar mais nestas promessas quando passamos por tribulações.
Há pessoas que enchem seus corações com dúvidas e conflitos terríveis nestas horas. Pedro aqui nos ensina a ficar firmes na promessa de que fomos chamados e escolhidos.

Conclusão

Pedro finaliza suas palavras, relembrando a seus irmãos, nos versos 12-15, que enquanto vivesse viveria para servir ao Senhor, procurando lembrar a todos de tudo aquilo que havia aprendido com Cristo.
Pedro nos ensina que todos nós vivemos para um grande proposito. Nosso propósito é o de servir a Cristo. Não percamos mais tempo com coisinhas supérfluas que nos afastam de Deus e de sua glória. Vivamos para servir. Tenhamos o cuidado de não cair na cilada da frieza espiritual como muitos tem caído neste últimos dias, deixando que o primeiro amor morra em seus corações.
Sigamos firmes e constantes, confiando nas promessas do Senhor.

 Pr Josias moura

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

ARREPENDER OU PERECER


POR
ARTHUR W. PINK


Estas foram as palavras do Filho encarnado de Deus. Elas nunca foram canceladas; e não serão, enquanto este mundo durar. O arrependimento é absoluto e necessário se é para o pecador fazer paz com Deus (Isaías 27:5), porque arrependimento é o lançar fora as armas da rebelião contra Ele. O arrependimento não salva, todavia nenhum pecador jamais foi ou será salvo sem ele. Nada senão Cristo salva, mas um coração impenitente não pode recebê-LO.

Um pecador não pode crê verdadeiramente até que ele se arrependa. Isto é claro a partir palavras de Cristo concernente o Seu precursor, "Pois João veio a vós no caminho da justiça, e não lhe deste crédito, mas os publicanos e as meretrizes lho deram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para crerdes nele" (Mateus 21:32). Isso é também evidente a partir de Sua chamada como trombeta em Marcos 1:15, "Arrependei-vos, e crede no evangelho". Isto é o porque o apóstolo Paulo testificava "o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus" (Atos 20:21). Não faça confusão neste ponto querido leitor, Deus "ordena agora que todos os homens em todo lugar se arrependam" (Atos 17:30).
Em requerer arrependimento de nós, Deus está pressionando Suas justas reivindicações sobre nós. Ele é infinitamente digno de supremo amor e honra, e de universal obediência. Isto nós temos impiamente Lhe negado. Tanto um reconhecimento como uma correção disto é requerido de nós. Nossa desafeição por Ele e nossa rebelião contra Ele devem ser reconhecidas e exterminadas. Dessa forma, o arrependimento é uma compreensão profunda de quão terrivelmente tenho falhado, durante toda minha vida, em dar a Deus Seu justo lugar em meu coração e em meu andar diário.
A justiça da demanda de Deus por meu arrependimento é evidente se considerarmos a natureza hedionda do pecado. Pecado é uma renúncia dAquele que me fez. É Lhe recusar Seu direito de me governar. É a determinação de agradar a mim mesmo; assim, é uma rebelião contra o Altíssimo. O pecado é uma ilegalidade espiritual, e uma indiferença absoluta à autoridade de Deus. Ele está dizendo em meu coração: Eu não me importo com o que Deus requeira, eu vou seguir o meu próprio caminho; eu não me importo com o que Deus reivindique de mim, eu serei o senhor de mim mesmo. Leitor, você não percebe que é assim que você tem vivido?
O arrependimento verdadeiro origina-se a partir de uma compreensão no coração, operado neste pelo Espírito Santo, da excessiva malignidade do pecado, do terror de ignorar as reivindicações dAquele que me fez, de desafiar Sua autoridade. Ele é conseqüentemente um santo ódio e horror do pecado, uma profunda tristeza por ele, e o reconhecimento dele diante de Deus, e um completo abandono dele de coração. Até que isto tinha sido feito, Deus não nos perdoará. "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Provérbios 28:13).
No verdadeiro arrependimento o coração se volta para Deus e reconhece: Meu coração tem sido posto sobre um mundo vão, que não pode satisfazer as necessidades de minha alma; eu Te abandonei, a fonte de águas vivas, e me voltei para cisternas rotas que nada retêm: eu agora reconheço e lamento minha tolice. Ele ainda diz mais: eu tenho sido uma criatura desleal e rebelde, mas eu não mais serei assim. Eu agora desejo e determino com todo meu poder servir e obedecer a Ti como meu único Senhor. Eu me entrego a Ti como minha presente e eterna Porção.
Leitor, seja você um Cristão professante ou não, é arrepender ou perecer. Para cada um de nós, membro de igreja ou não, é voltar ou queimar; voltar da direção da obstinação e auto-satisfação; voltar para Deus com um coração quebrantado, procurar Sua misericórdia em Cristo; voltar com total propósito de coração de Lhe agradar e servir: ou ser atormentado dia e noite, para sempre e sempre, no Lago de Fogo. Qual deve ser sua porção? Oh, ajoelhe-se agora mesmo e implore a Deus que te dê o espírito de verdadeiro arrependimento.
"Sim, Deus, com a sua destra, o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão de pecados" (Atos 5:31).
"Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo opera a morte". (2 Coríntios 7:10).
Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto

CONFISSÃO DE FÉ WESTMISTER





MAS O QUE É A CONFISSÃO DE FÉ?

A Confissão de Fé nada mais é do que a enunciação daqueles pontos nos quais 
(1) apoiamos nossa fé em Deus, 
(2) nosso relacionamento com Ele, 
(3) nosso relacionamento com os outros seres humanos, 
(4) nossa missão como Igreja.

·       A Confissão de Fé não é superior a Bíblia Sagrada.

Ela está baseada na Bíblia Sagrada, mas o texto da Confissão de Fé não é considerado canônico apesar de ter profunda relevância, estar fundamentada na Bíblia Sagrada e também ser importante documento pedagógico para o cristão preocupado em viver de forma a agradar a Deus.

·  Por que grande parte do mundo cristão abandonou a Confissão de Fé ou a praticada  confessionalidade?

A Igreja Cristã tem cometido, ao longo do tempo de sua existência, alguns erros que são:

1)    Esperar que problemas de ordem doutrinária aconteçam para depois corrigi-los. (Colocar a tranca depois que o ladrão entrou pela primeira vez). A Confissão de Fé existe como terapia profilática, preventiva. Daí a relevância e importância do seu estudo.

A Igreja primitiva existia sob a liderança dos apóstolos. Por isso Lucas nos diz no livro de Atos dos Apóstolos que “aqueles cristãos da Igreja de Jerusalém, permaneciam na doutrina dos apóstolos”. (Atos 2.42) 

Um exemplo clássico encontramos quando a Igreja experimentou o problema com o sustento das viúvas dos helenistas (sejam esses helenistas quem forem, pois essa questão aqui se torna secundária diante da discriminação a que seram submetidas a suas viúvas). Os apóstolos foram consultados e a decisão que eles propuseram foi acatada. Portanto, a Igreja Primitiva não esteve órfã nessa questão. As palavras e orientações dos Apóstolos eram consideradas inspiradas e norteadoras para a vida da Igreja.

A Confissão de Fé é um texto, baseado nas Escrituras Sagradas, que nos ajuda a vivenciarmos nossa fé cristã individual e comunitária, (como Igreja), de forma que evitemos cometer erros que possam comprometer nossa santificação ou mesmo quebrar a unidade do Corpo de Cristo, a Igreja.

2) A Igreja Cristã sempre revelou certa tendência a departamentalizar nossa compreensão sobre Deus e sua ação na história. Por exemplo: Houve momentos na história do cristianismo em que o enfoque era a pessoa de Cristo. Assim aprofundou-se em assuntos na Cristologia. Houve momentos em que o enfoque foi o Espírito Santo e então se pendeu mais para estudar Pneumatologia. Houve momentos em que havia mais prazer em se estudar doutrina a respeito da Volta de Jesus e então se dedicou mais em assuntos Escatológicos. A questão toda não era que enfocavam esses assuntos, mas a falta de uma visão global a respeito desses departamentos na teologia. Não é correto estudar Cristologia sem ter uma visão ampla que considere a Pneumatologia, a Escatologia, a Eclesiologia ou a Doutrina de Deus, em absoluto. 

A Confissão de Fé é de certa forma, abrangente, porque trata de todos os assuntos importantes sem priorização deste em detrimento daquele.

3) O maior perigo hoje é a preguiça em se estudar a Bíblia de forma mais sistemática. Essa preguiça está disfarçada no comodismo que declara: “Não quero saber dessas coisas (doutrinas, teologia, confissão de fé). Meu negócio é pregar Jesus Cristo”.Ao se pensar assim jogamos fora todo o trabalho de homens ilustres que, com profundidade trataram dessa questão da confessionalidade. Cito aqui Agostinho, Calvino, Tomás de Aquino, etc...

Quando eu olho para o tipo de cristianismo esboçado hoje, no Brasil (já que posso falar só daqui), fico preocupado em ver o quanto se tem desprezado o estudo sistemático das Escrituras. Muitos que se dizem cristãos hoje, no Brasil, não passam de arremedos, de sombras. Eles não são cristãos de verdade porque desprezaram a Escritura Sagrada e nem estão apercebidos de que caminham a passos largos para uma eternidade sem Deus, com a Bíblia em suas mãos, orando e cantando sem consistência teológica.

Jesus viu isso em seus dias e disse aos saduceus dos seus dias: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus”. (Mateus 22.29). 

Há no Brasil um número incontável de líderes que leem a Bíblia para seus propósitos e objetivos, e fazendo assim desviam deixam de apontar o caminho para um relacionamento correto com Deus. São cegos guiando cegos.

Por isso precisamos, urgentemente, resgatar não apenas o gosto, mas principalmente, o zelo pelo estudo sistemático das Escrituras Sagradas e o texto da Confissão de Fé de Westminster é, sem sombra de dúvidas o melhor de todos. Muitos professores de Teologia Sistemática se baseiam na Confissão de Fé de Westminster.

Mas antes de entrarmos propriamente no estudo dos 33 pontos de nossa Confissão de Fé, é preciso que entendamos quais os fatores e circunstâncias históricas que fizeram com que essa Confissão de Fé fosse elaborada e escrita.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus



 
                                                        Josivaldo de França Pereira


A autodesignação de Paulo comoprisioneiro de Cristo Jesus é comum em suas epístolas (cf. Ef 3.1; Fm 1,9).[1]Certamente foi da providência de Deus que Paulo ficasse em prisões muitas vezes (cf. 2Co 11.23), a fim de que, de dentro delas ele escrevesse, por exemplo, boa parte de suas epístolas. Ademais, o cuidado do Senhor com a integridade física do seu apóstolo era evidenciado nessas prisões. Jesus protegia seu servo dos perigos de morte constantemente impostos por seus perseguidores.
A carta a Filemom é a única epístola de Paulo que inicia com a expressão "prisioneiro de Cristo Jesus". Ele a repete no verso nove. É provável que o apóstolo quisesse mostrar a Filemom que se ele (Paulo) podia ser prisioneiro de Cristo, Filemom não devia ter dificuldade em fazer algo menor, isto é, receber de volta o escravo fugitivo Onésimo, não maiscomo escravo, mas agora como irmão caríssimo (Fm 16).
Contudo, o que significava ser "prisioneiro de Cristo Jesus" para Paulo? Além de demonstrar amor aos gentios (Ef 3.1) e contribuir para o progresso do evangelho (Fp 1.12-14), ser prisioneiro de Jesus significava desfrutar da segurança divinal de Jesus. Paulo nunca foi abandonado pelo Senhor e sabia que jamais o seria (cf. 2Tm 4.17,18). Um bom exemplo disso é o fato do apóstolo não ter problema com as autoridades enquanto estava preso.
Na cidade de Filipos, juntamente com Silas, Paulo não foi impedido de cantar e orar (At 16.25). Em Jerusalém as autoridades o salvaram do espancamento dos judeus que o levaria à morte (At 21.30-34). Em Cesaréia o governador Félix "mandou ao centurião que conservasse a Paulo detido, tratando-o com indulgência e não impedindo que os seus próprios o servissem" (At 24.23). Lucas conclui o livro de Atos dizendo que em Roma "Por dois anos, permaneceu Paulo na sua própria casa, que alugara, onde recebia todos que o procuravam, pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as cousas referentes ao Senhor Jesus Cristo" (At 28.30,31).
A falta de liberdade gerada pela prisão - o direito de ir e vir - representava liberdade em Cristo dentro da prisão. Por mais paradoxal que isso pareça ser, era assim que Paulo via as coisas (cf. Fp 1.12-14). Leia a epístola de Paulo aos Filipenses, escrita também da prisão, e você a achará cheia de alegria, triunfo e confiança no Senhor. É por isso que os cristãos não deviam ficar envergonhados por aqueles que iam para a prisão por causa do evangelho (2Tm 1.8,16).
Depois de dois anos prisioneiro na Palestina (Cesaréia), Paulo foi mandado a Roma numa viagem marítima muito perigosa, que acabou em naufrágio na ilha de Malta. Por conseguinte, ele chegou são e salvo à capital do império, conforme a promessa de Deus (At 27.23,24). Em Roma, Paulo foi prisioneiro de Nero, um dos mais tiranos imperadores, porém, em nenhuma de suas cartas o apóstolo faz referência a si mesmo como sendo prisioneiro de César. Ele sempre diz que é o prisioneiro do Senhor porque, além das correntes, dos guardas e dos processos imperiais de justiça, ele via a mão de Jesus dirigindo todas as coisas. Em momento algum ele se lamenta por estar na prisão, como se dissesse: "Com tanta coisa para se fazer lá fora, e eu perdendo tempo aqui dentro".
Na prisão, Paulo ocupou muito bem o seu tempo com a pregação do evangelho à guarda pretoriana, àqueles que o visitavam e escrevendo suas cartas.
 



[1] Para outras expressões correlatas em Paulo, veja Rm 16.7; 2Co 6.5; 11.23; Ef 4.1; 6.20; Fp 1.7,13,14,17; Cl 4.3,10,18; 2Tm 1.16; 2.9; Fm 10,13,23.

CARTAS DA PRISÃO





Enquanto estava preso pela primeira vez, em Roma, o apóstolo Paulo escreveu cartas aos Efésios, Filipenses, Colossenses e a seu amigo Filemom.



Aos Efésios
Escrita entre 60 e 61 (dC) - Confinado e aguardando julgamento (3.1; 4.1; 6.20), o apóstolo escreve esta carta, uma espécie de circular - para ser lida por várias outras congregações.
Éfeso era um importante porto da Ásia Menor, localizado perto da atual Izmir ( ou Esmirna, na Turquia). Éfeso está presente também em  Ap 2-3. É o lugar onde Paulo, em sua terceira viagem missionária, cerca de 10 anos antes, permaneceu por cerca de três anos, fazendo maravilhas extraordinárias ( ver Atos 19-11 ).
A mensagem mais forte  de Efésios é  “Para louvor de Sua (Cristo) glória” (1.6,12,14). A palavra glória ocorre oito vezes no texto. O seu grande objetivo é a  ênfase no compromisso de Jesus em construir uma igreja ( corpo de Cristo )  gloriosa, madura sem mácula, nem ruga... (5.27).
Efésios revela Deus  trazendo a igreja para seu objetivo que é Cristo. Os passos básicos de amadurecimento são dados na direção do compromisso da igreja em lutar contra os poderes do mal. A carta divide-se em duas seções: A) Os capítulos da 1 a 3 são de natureza doutrinária e tratam dos privilégios espirituais da Igreja; B) Os capítulos de 4 a 6 são exortações e tratam das responsabilidades espirituais dos cristãos.
Referencias a Cristo: Aos Efésios  foi chamado de “Os Alpes do NT”, “O grande Cânon da Escritura” e “O ápice real das Epístolas”, não somente por seu grande tema, mas devido à majestade do Cristo revelado aqui. Cap. 1: Ele é o redentor (1.7), aquele em quem e por quem a história será definida (1.10); Ele é o Senhor ressuscitado que  ressuscitou dos mortos e do inferno e que reina como Rei, derramando sua vida através de seu corpo, a igreja - a expressão atual dele mesmo na Terra (1.15-23). Cap. 2: Ele é o pacificador que reconciliou o homem com Deus e que também possibilita a reconciliação entre os homens (2.11-18); Ele é a principal pedra da esquina do novo templo, que consiste no seu próprio povo sendo habitado pelo próprio Deus (2.19-22). Cap. 3: Ele é o tesouro em que são encontradas as riquezas inescrutáveis da vida (3.8); Ele é o que habita nos corações humanos, garantindo-nos o amor de Deus (3.17-19). Cap.4: Ele é o vencedorque acabou com a capacidade do inferno de manter a humanidade cativa (4.8-19). Cap. 5:Ele é o marido modelo, dando-se sem egoísmo para realçar sua noiva - sua igreja (5.25-27, 32). Cap.6: Ele é o Senhor, poderoso na batalha, a força necessária para seu povo enquanto eles se armam para a batalha espiritual (6.10).
Referências ao Espírito Santo: Assim como Cristo, o ES é revelado de uma forma ampla e através do crente: em 1.13, ele é o selador, autorizando o crente a representar Cristo; em 1.17 e 3.5, ele é o revelador, iluminando o coração para aprender o propósito de Deus; em 3.16, ele é o doador, a quem Cristo dá força; em 4.3, ele é o Espírito da unidade, desejando sustentar a ligação de paz no corpo de Cristo; em 4.30, ele é o Espírito de santidade, que pode se entristecer por causa da carne; em 5.18, ele é a fonte através da qual todos devem ser continuamente cheios; em 6.17-18 ele é que dá a Palavra como espada para uma batalha e o assistente celeste que nos foi concedido para nos ajudar a orar e a intervir até que obtenhamos a vitória.


Aos Filipenses
A Igreja de Felipo foi estabelecida por Paulo, por volta do ano 51 dC, e está registrada no livro dos Atos dos Apóstolos 16:12-40. Desde o começo, a Igreja apresentava um forte zelo missionário e era constante em seu apoio ao ministério de Paulo.
Paulo desfrutou de uma amizade mais próxima com os filipenses do que com qualquer outra igreja.
Paulo escreveu esta carta  por volta de 61 dC, para agradecer suas contribuições, aproveitando para elogiar a Epafrodito, que tinha trazido a doação de Filipos, e a quem Paulo estava enviando de volta.
Em muitos aspectos, esta é a mais bela cara de Paulo, cheia de ternura, calor e afeição. Seu estilo é espontâneo, pessoal e informal, apresenta-nos um diário íntimo de suas próprias experiências espirituais de Paulo. A sensação dominante por toda a carta é a alegria triunfante. Paulo, embora prisioneiro, era muito feliz, e invocava seus leitores para sempre se regozijarem em Cristo. Para Paulo, Cristo era mais do que um exemplo, Ele era a própria vida do apóstolo.
A mensagem permanente aos filipenses diz respeito à natureza e base de alegria cristã. Para Paulo, a verdadeira alegria não é uma emoção superficial que depende de circunstâncias favoráveis do momento. A alegria cristã é independente de condições externas, e é possível mesmo em meio a circunstâncias adversas, como sofrimento e perseguição.
A alegria definitiva surge da comunhão com Cristo ressuscitado e glorificado. Por toda a carta, Paulo fala da alegria do Senhor, enfatizando que somente através de Cristo se alcança a alegria. Essencial para essa alegria é a convicção da autoridade de Cristo, baseada na experiência do poder de sua ressurreição. Devido a essa convicção, a vida de Paulo ganhou sentido.
Mesmo a morte tornou-se uma amiga, pois o levaria a uma maior experiência da presença de Cristo (v 1.21-23) A alegria apresentada em filipenses envolve uma expectativa ávida da volta eminente de Cristo.
Paulo também descreve uma alegria que surge da comunhão na propagação do evangelho. Ele começa a carta agradecendo aos filipenses por sua parceria na divulgação dos evangelhos através de suas ofertas monetárias. As ofertas, entretanto, são apenas uma expressão de seu espírito de comunhão, ou como ele coloca em 4.17, “o fruto que cresça para a vossa conta”.
Sendo assim, a alegria cristã é uma conseqüência de estar em comunhão ativa com o corpo de Cristo.
Referências a Cristo:Para Paulo, Cristo é a soma e a essência da vida. Pregar Cristo era sua grande paixão; conhecê-lo era sua maior aspiração; sofrer por ele era um privilégio. Seu principal desejo para seus leitores era de que eles pudessem ter a mente de Cristo. Para sustentar sua exortação de humildade, o apóstolo descreve a atitude de Cristo, que renuncia à glória dos céus para sofrer e morrer por nossa salvação (vers 2.5-11),realçando tanto a divindade quanto a humanidade de Cristo.
O Espírito Santo: A obra do Espírito é mencionada 3 momentos: primeiro, Paulo declara que o Espírito de Jesus, juntamente com as orações dos filipenses, será o responsável por sua libertação. (vers 1.19). O Espírito Santo também promove unidade e comunicação com o corpo de Cristo, um só espírito e uma só atitude (vers 2.1).Então, sem rituais e formalidades, o Espírito Santo inspira e direciona o louvor dos verdadeiros crentes (vers 3.3).


Aos Colossenses
Paulo nunca tinha visitado Colossos, uma pequena cidade na província da Ásia, a cerca de 160 km de Éfeso. Epafras, um nativo da cidade e provavelmente convertido pelo apóstolo, talvez tenha sido o fundador e líder da igreja ( 1:7-8; 4:12-13). A igreja aparentemente se reunia na casa de Filemom (Fm 2).
Está carta foi escrita por volta do ano 61 dC. Em algum momento da prisão de Paulo Epafras solicitou sua ajuda para lidar com falsas doutrinas que ameaçavam a igreja em Colossos (2:8-9) e, ao que tudo indica ensinava que Jesus não era nem completamente Deus e nem completamente homem, mas apenas um dos seres semi-divinos que ligavam o abismo entre Deus e o mundo.
Nenhum outro livro do NT apresenta de forma tão completa a autoridade universal de Cristo ou a defende com tanto cuidado.
Colossenses  apresenta Cristo como o Senhor supremo em cuja suficiência o crente encontra perfeição (1:15-20). Os primeiros dois capítulos apresentam e defendem essa verdade; os últimos dois desvendam as implicações práticas.
Paulo declara a autoridade de Cristo de três formas : Primeiro, Cristo é o Senhor de toda a criação. Sua autoridade abrange todo o universo material e espiritual (1:16). Como isso inclui os anjos e planetas (1:16; 2:10), só Cristo merece ser louvado e não os anjos (2.18). Além disso, não há motivo para temer os poderes espirituais demoníacos ou buscar através de superstições  sua proteção  pois Cristo neutralizou o poder deles na cruz (2:15). Como soberano e detentor de todo o poder, Cristo não é apenas o Criador do universo, mas também o preserva (1:17), é seu princípio e seu fim (1:16).
Em segundo lugar, Jesus é o superior na igreja (1:8). Ele é a vida e líder dela, e a igreja só deve submeter-se a Ele. Os colossenses devem permanecer arraigados a Ele (2:6-7) ao invés de se encantarem com especulações e tradições vazias (2:8,16:18).
Em terceiro lugar, Jesus é supremo na salvação (3:11). Nele somem todas as distinções criadas pelo homem e caem as barreiras. Ele transformou os cristãos em uma única família onde os membros são iguais em perdão e adoção; é Ele quem importa, em primeiro e em último lugar. Portanto, contrário à heresia, não há qualificações ou exigências especiais para vivenciar o privilégio de Deus (2:8-20).
Os caps. 3-4 lidam com as implicações práticas de Cristo na vida diária dos colossenses. Paulo usa a palavra “Senhor” nove vezes em 3:1-4:8, o que indica que a supremacia de Cristo invade cada aspecto de seus relacionamentos e atividades.
Paulo eleva Cristo como o centro de tudo que existe,  Ele é a revelação e representação exata do Pai (1:5), bem como a encarnação da total divindade (1:19; 2:9). Ele, que é Senhor da criação (1:16), da igreja (1:18), e da salvação (3:11), habita os crentes e é sua “esperança e glória” (1:27). O supremo criador e mantenedor de todas as coisas (1:16-17) também é um salvador suficiente para seu povo (2:10)
A Carta aos colossensses faz uma única referência explícita ao ES, usada em associação com o amor (1:8). Alguns sábios também entendem “sabedoria e inteligência espiritual” em 1:.9 em termos de dons do Espírito. Para Paulo, a autoridade de Cristo na vida do crente é a evidência mais crucial da presença do Espírito.


A Filemon
Juntamente com a carta que escreveu aos colossenses, de sua prisão romana, por volta de 61 dC, Paulo enviou essa pequena epistola, ao seu amigo pessoal Filemom.
Tudo indica que Filemom tinha se convertido sob o ministério de Paulo (v.10), que morava em Colossos, e que a igreja colossense se reunia em sua casa (v.2). Onésimo, um de seus escravos tinha fugido para Roma, aparentemente depois de danificar ou roubar a propriedade do mestre (vs. 11,18). Em Roma, Onésimo entrou em contato com o preso Paulo, através do qual se converteu aos caminhos do Senhor (v.10). Tíquico e o próprio Onésimo aparentemente entregaram as duas cartas (Cl 4.7-9; Fm 12).
O relacionamento próximo de Paulo e Filemom é evidenciado através de suas orações mútuas (vs 4 e 22) e de uma hospitalidade que deixa as “portas abertas” (v.22). Amor, confiança e respeito caracterizavam a amizade deles (v 1, 14,21) O Apóstolo desejava uma verdadeira reconciliação cristã entre o proprietário de escravos que fora lesado e o escravo, agora convertido. Paulo, com delicadeza, mas com urgência e, sem se utilizar de sua autoridade apostólica, intercedeu por Onésimo e expressou total confiança de que a fé e amor de Filemom resultariam no perdão (vs 5,21).
Mesmo sendo a mais curta das epístolas de Paulo, Fm é uma profunda revelação de Cristo operando em sua vida  e na vida daqueles à sua volta. Ela revela como Paulo endereçou com educação, porém com firmeza, expressando o tema central da vida cristã, isto é, o amor através do perdão. A epístola é uma revelação autêntica dos verdadeiros relacionamentos cristãos.
Depois de agradecer pessoalmente a Filemom e seus companheiros crentes, Paulo dá graças por seu amor e fé em relação a Cristo e a seus companheiros crentes. O amor fraternal normalmente exige graça e misericórdia práticas, e Paulo logo chega a esse tópico. Ele explica a conversão de Onésimo e o novo valor do escravo no ministério e família de Jesus Cristo (12-16).
Essa transformação, junto com a profunda amizade de Paulo com os dois homens, é a base de um novo começo. Não se trata de um apelo superficial de Paulo, pois ele preenche um “cheque em branco” em nome de Onésimo para pagar qualquer tipo de dívida (vs 17-19). Ele faz a petição já sabendo que o amor e caráter de Filemom prevalecerão.
Essa epístola é um exemplo poderoso da mensagem do evangelho. Antes um escravo alienado, Onésimo agora também é um “querido Irmão” em Cristo (v.16). Dessa forma Filemom é desafiado a mostrar o mesmo perdão incondicional que ele recebeu através da graça e amor de Jesus. A oferta de Paulo em pagar uma dúvida que não era sua é um quadro claro da obra do Calvário. A intercessão de Paulo é, além disso, tipifica à intercessão contínua de Cristo junto ao Pai em nosso nome.
Mesmo não mencionando especificamente o Espírito Santo, foi ativo no ministério de Paulo e na vida da igreja. É o ES que batiza todos os crentes, seja escravo ou livre, no corpo de Cristo (1Co 12.13); e Paulo aplica essa verdade na vida de Filemom e de Onésimo. O amor, fruto do Espírito, é evidente por toda a carta.