RADIO IPB

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Por que Não Falamos em Línguas? (dos irmãos batistas)

A resposta? Simplesmente esta: Nós não falamos em línguas porque não é bíblico assim fazer. "Mas, no Novo Testamento as pessoas não falavam em línguas? Isto não faz dela uma prática bíblica?" Não. Algumas coisas na Bíblia pertencem a pessoas e tempos especiais; não a nós. Jesus ressuscitou dos mortos e os apóstolos podiam manejar miraculosamente serpentes mortais sem dano algum; mas nós não podemos fazer estas coisas hoje.

Os batistas são acusados de não terem o Espírito Santo, porque nos cultos genuinamente batistas tradicionais não se ouve o que se chama de línguas, e não se faz barulho. Não há gente caindo, desmaiando, não há gritaria, choro contínuo e histeria. Os cultos da igreja batista, dizem, são frios, silenciosos. Dou Graças a Deus por este silêncio. Imagine como o pastor iria pregar, se todos estivessem fazendo ruído e barulho ao mesmo tempo! Como iríamos examinar e entender a Bíblia?

O fruto do Espírito Santo é o domínio próprio. A pessoa que tem o Espírito Santo tem domínio próprio; ela se domina; é temperante, equilibrada; não fica fora de si, entregue a espíritos malignos. Quem tem o Espírito Santo, não se descontrola. O Espírito Santo não derruba ninguém. Ele levanta o caído, ergue o homem abatido.

O pentecostes

Os judeus de diversas nações - cada qual falando o seu próprio idioma - se reuniam em Jerusalém no 50º dia (que em hebraico é pentecostes) após a grande solenidade pascal para celebrarem a Festa do Pentecostes - a segunda das três grandes festas anuais que deviam comparecer todo o povo de Deus. Por ocasião desta reunião solene, todos deviam trazer as primícias (primeiros frutos) da colheita, dedicando-as ao Criador. Por estas características, esta celebração era também chamada, alternadamente, de Festa das Semanas (pois era comemorada ao se completarem 7 semanas após a Páscoa), Festa das Primícias e Festa da Colheita.

Foi num dia de Pentecostes que Deus manifestou a presença do Espírito Santo através de um milagre verdadeiro, pois "todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus" (At 2.11). Falaram-se línguas (note o plural; a Bíblia não está falando de algum idioma celestial). Não se falou "língua de anjos", não se fez barulho incompreensível ou outras esquisitices. Falaram-se línguas e todos os presentes puderam se entender, pois cada um ouvia no seu próprio idioma, mesmo sendo de nações diferentes (At 2.6).

O que são "línguas"?

Tudo o que sai da boca em matéria de barulho é língua? A razão porque muitos interpretam mal o "dom de Línguas" é porque não sabem nem o que significa uma língua. O que vem a ser as tais línguas? Serão um ruído estranho que ninguém entende? Não! Língua é um idioma; é um sistema de palavras que exprimem pensamentos falados por um certo povo (inglês, português, espanhol, alemão, etc.).

Línguas estranhas ou estrangeiras?

"Línguas estranhas" na Bíblia significa idiomas estrangeiros, de outros países e não, como muitas pessoas acham, língua esquisita, indecifrável, não conhecida por qualquer povo ou nação. Em 1Co 14:16 e 23 os Coríntios são advertidos que os indoutos (pessoas com pouca ou nenhuma escolaridade) não podiam entender as línguas. Essas declarações seriam sem sentido se as línguas não fossem idiomas humanos já conhecidos por alguns. Em 1Co 14:21, Paulo cita uma profecia do Velho Testamento relativa ao propósito das línguas. Esta profecia trata-se do idioma humano que revela novamente a natureza da língua em Corinto. Não são línguas esquisitas, línguas de anjos e nem falsos idiomas, mas línguas verdadeiras, faladas por algum povo. Então, um idioma não deve ser usado numa congregação que fala outro idioma. Sem a interpretação, o falar em línguas estrangeiras não edifica. E Paulo enfatiza que todos as coisas devem ser feitas para edificar (ou fortalecer) os outros - 1Co 14:26b. Usá-las na igreja era inadequado e inconveniente, visto que elas deviam ser interpretadas/traduzidas.

O registro de línguas na Bíblia

O dom de línguas é mencionado apenas em três livros do Novo Testamento (Mc 16:17-20, At 2:1-13; 10:45-46; 19:6, 1Co 12:1 a 14:40). É importante observar que poucos livros das Escrituras mencionam línguas. Entre as 21 epístolas do Novo Testamento, nas quais salvação, gozo Cristão, crescimento espiritual, qualificações ministeriais e o trabalho do Espírito de Deus são mencionados, apenas em uma única são mencionadas as línguas (e mesmo assim tratava-se de uma repreensão devido a elevação e o abuso sobre este dom). É inexplicável, biblicamente falando, o dom de línguas como é visto no movimento pentecostal.
Porque as línguas cessaram?

Deus nunca teve a intenção de que o falar em línguas continuasse indefinidamente. Paulo expressamente escreveu: "as línguas cessarão" (1Co 13:8). O esforço evangelístico que estabeleceu a igreja primitiva em todo o mundo Mediterrâneo, foi realizado sob a liderança dos apóstolos. Os ofícios apostólicos e proféticos eram revelatórios (Ef 3:5). Durante o período no qual o Novo Testamento estava sendo escrito, eles recebiam a verdade diretamente de Deus. A revelação que eles receberam foi registrada nos livros que chamamos o Novo Testamento. Pelos dons extraordinários, Deus confirmou os escritos dos apóstolos (Hb 2:2-4). Quando a escrita das Escrituras se completou (o Canôn foi fechado), sua autoria não necessitava de confirmação adicional. Foi somente durante o lançamento dos fundamentos da igreja que os dons miraculosos eram necessários. As funções de apóstolo e profeta, sobre quem Deus depositou estes dons, cessaram quando este fundamento foi lançado. Isto é claro a partir de Ef 2:20. Um fundamento é lançado somente no princípio; ele não se estende até às paredes ou ao texto!

Os sinais e maravilhas pertenceram ao período fundacional da igreja. Eles não têm mais lugar na igreja hoje tal como a continuação da escrita da Bíblia. Você pode assumir, portanto, que não importa quão bem intencionadas as pessoas que reivindicam o dom de línguas possam ser - ou o "balbuciar celestial" que elas possam parecer falar - elas têm enganado a si mesmas e aos outros sobre o assunto. Não importa a sinceridade delas.

E os dons cessariam - línguas, ciência e profecias

Em 1Co 13:8, fomos instruídos que os dons cessariam. Os dons definitivamente cessaram entre 95-96 d.C., quando as Escrituras foram completadas.

A Cessação das Línguas: "Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado." (1Co 13:10). Há aqueles que querem dizer que "o que é perfeito" refere-se a Jesus Cristo, e que esta passagem fala sobre a segunda volta de nosso Senhor. Para quem que conhece o grego, fica mais fácil compreender o assunto, porque o grego é bem claro. Quando se diz "quando vier o perfeito", o artigo "o" não é masculino, como se o artigo se referisse a uma pessoa, do sexo masculino, como à pessoa de Cristo. Há os que afirmam que os dons só vão cessar quando Cristo voltar, mas Cristo não veio ainda e então acham que precisam falar "língua estranha" (não um idioma, como a Bíblia claramente diz). No grego, o artigo "o" que está antes da palavra "perfeito" é um artigo neutro. No grego isso se refere a coisa e não a pessoa, porque as pessoas, ou são do sexo masculino, ou são do feminino. A construção em grego é neutra, o que descarta a possibilidade de estar tratando de alguém, não sendo, assim, uma referência a Jesus, nem, como querem alguns outros, ao Espírito Santo. Esta construção trata de algo, de um objeto, e não de alguém. A frase "o perfeito" - em grego, "to teleion" - contém a idéia do fim ou objetivo alcançado, se referindo claramente ao fechamento do Cânon Sagrado - os 66 Livros da Bíblia. Não há outro entendimento possível senão o de que este texto está tratando da Palavra de Deus que ainda estava sendo escrita na época em que este texto foi escrito.

A Cessação da Ciência: "Ciência" aqui deve ser entendida, não como o que entendemos hoje por ciência, ciência humana, ciência natural. Não. "Ciência" é sinônimo de "conhecimento". É um dom do Espírito Santo, dom de um conhecimento sobrenatural. Aqui não se diz que a "ciência" vai cessar no sentido atual da palavra ciência. Pelo contrário, Daniel diz, neste sentido, que a ciência se multiplicará. Não está Paulo falando de ciências físicas ou naturais. Não está falando dos conhecimentos tecnológicos do mundo. Estes estão se multiplicando, não estão cessando. Aqui "ciência" era um dom sobrenatural de conhecer verdades que o Espírito Santo revelava.

A Cessação das Revelações: Revelações? Quem tem revelações hoje? Geralmente são pessoas dadas ao ocultismo, ao espiritismo. Mesmo certos "evangélicos" acham que estão tendo revelações. E chegam a dizer: "Eu fui revelado(a)". Revelado do que? E quem te revelou? Foi o Espírito Santo? Atribuem tudo isso ao Espírito Santo. E quando a gente afirma, biblicamente, que isto não é bíblico, porque as revelações cessaram com a Bíblia, que a Bíblia é a ultima revelação de Deus aos homens, nos atacam dizendo: "Você está blasfemando contra o Espírito Santo. Cuidado! Está dizendo que não é o Espírito Santo que revelou aquele sonho que eu tive? Isso é blasfêmia contra o Espírito Santo!" Outra má interpretação da Bíblia. Quanta ignorância!

Hoje a Bíblia está completa e temos o conhecimento completo, a perfeita revelação de Deus (to teleion); porque procurar mais? Todos aqueles que estão procurando revelações fora da Bíblia estão dizendo, em outras palavras, que para eles a Bíblia não é suficiente, não é completa. Sim, porque se eu dissesse aos irmãos: "Eu tive um sonho, uma revelação, uma visão. Atentem para o meu sonho, aquilo que Deus me mostrou, aquilo que Deus me revelou em visão", então eu estaria dizendo: "a Bíblia não é suficiente para os irmãos. Somem isso à Bíblia. Isso que eu tive de revelação de Deus acrescentem à sua Bíblia." Viria um outro e diria: "Eu também tive uma visão. Acrescentem mais uma à Bíblia." Onde é que iríamos parar com essas revelações todas por aí? Onde caberiam as "bíblias" que seriam escritas com todas as revelações e visões que andam por aí, no espiritismo e em certos cultos chamados evangélicos?

As línguas hoje

Alguns podem estar se perguntando como eu explicarei o fenômeno moderno de falar em línguas encontrado no movimento pentecostal. Fácil! Primeiro gostaria de deixar bem claro que há somente duas fontes de poder espiritual: a) Deus (infinitamente poderoso), e b) o Diabo (limitado mas, se e enquanto permitido por Deus, pode imitar milagres, fazer coisas poderosíssimas). Então, por estas "línguas modernas" contradizerem a Bíblia no ensino relativo à sua natureza, propósito, duração e regulamento, elas não podem ser de Deus. Deus não contradiz a Sua Palavra (1Co 14:37, Mateus 5:17-18).

Além da certeza bíblica, temos também: 1) o testemunho da história, em 20 séculos (quase 2000 anos) onde não houve nenhuma manifestação dos tais "dons" até o início do fenômeno herético da rua Azuza (EUA) em 1906; 2) o testemunho dos pais da igreja, que presenciaram e escreveram sobre a cessação progressiva dos dons conforme foram morrendo os apóstolos até a cessação completa destes dons; 3) o testemunho dos reformadores e dos grandes teólogos e pregadores do passado, que nunca acreditaram na atualidade dos tais dons e sempre ensinaram e provaram biblicamente que os mesmo cessaram. Agora pergunto: Deus ficou sem agir durante quase 2000 anos? Os pais da igreja eram mentirosos? Os reformadores e os pregadores e teólogos do passado (Lutero, Calvino, Spurgeon, Bunyan, Wycliff, Müller, entre outros) não tinham o Espírito Santo?

Há apenas 4 causas para as línguas pentecostais que tanto contrariam a Bíblia

a) É falso porque é mero fingimento consciente: O falante de línguas pode estar desavergonhadamente fingindo consciente e propositadamente, para não ficar por baixo na sua reputação, ou para obter renome ou outras vantagens.

b) É falso porque resulta de pressões: O falante de línguas pode estar tendo um comportamento psicológico e socialmente doentio, de imitação inconsciente, de sucumbir às pressões de seus líderes e de outras pessoas. Ao contrário do Novo Testamento, os defensores das línguas modernas ensinam as pessoas como falar. Uma forma de auto-hipnose, na qual o cérebro entra em "curto circuito" (surta) e começa a falar sem parar.

c) É falso porque resulta de problemas fisiológicos: Certos tumores cerebrais e distúrbios neurológicos podem levar qualquer um a um "estado alterado de consciência" e ao mesmíssimo fenômeno de línguas dos pentecostais! A psiquiatria sempre associou a glossolalia (do grego "glóssa" [língua]; "laló" [falar] - falar línguas "estranhas", sem sentido) a distúrbios mentais, tanto que o Dicionário de Psiquiatria em seu verbete glossolalia a aponta como grave distorção de linguagem provocada por desequilíbrio mental provocada por patologia ou induzida por medicação ou situações de crise emocional (surto psiquiátrico).

d) É falso porque tudo resulta de influência de demônios: Muitos são os acontecimentos em que demônios falam através dos possuídos. Os cristãos sempre viram a fala extática dos pagãos como tendo procedência demoníaca. A glossolalia incide em praticamente todo culto religioso humano. Há "línguas estranhas", idênticas as pentecostais, no Afeganistão entre uma seita muçulmana, no budismo, no xamanismo, na umbanda, quimbanda etc.

Se você fala "em línguas estranhas" e não um idioma verdadeiro, falado por alguma nação, analise-se bem e me responda: Qual é o seu caso: a) fingimento consciente?; b) inconsciente resultado de pressões?; c) resultado de problemas fisiológicos?; d) resultado de influência de demônios? Não há nenhuma outra causa lógica e bíblica possível para as "línguas" dos pentecostais, apenas as quatro causas citadas e suas combinações.

Conforme tudo o que foi exposto aqui, concluo que as Igrejas Batistas têm todo o direito de proibir e combater as imitações e falsificações modernas deste dom, e afirmo que ninguém é obrigado a aceitar ou concordar com a Declaração Doutrinária da Fé Batista, porém, as Igrejas Batistas também não são obrigadas a aceitarem ou compactuarem com ninguém que não creia, não pratique ou rejeite a sua Confissão Bíblica de Fé e Doutrina.

Creia Pensando e Pense Crendo, pois Crer é também Pensar!

Nenhum comentário:

Postar um comentário