RADIO IPB DE LIMOEIRO DO NORTE/CE

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

REFORMA E IGREJA MODERNA


Contexto da Reforma
Carlos V

Contexto Político e Social da Europa / Grandes Descobrimentos / Turcos Otomanos / A Igreja


Erasmo e os Humanistas
Erasmo

Humanistas Importantes / Erasmo de Roterdã / Erasmo vs. Lutero


Martinho Lutero - Parte 1
Lutero

O Soldado / Altos e Baixos / Inimigos / A Palavra Fez Tudo / Família / Erros


Martinho Lutero - Parte 2 - Teologia
Lutero - 95 Teses

Solas / Romanos 1:17 / Metodologia / Melanchton


Zwinglio
Zwinglio

Zurique / 67 Artigos / Soli Deo Gloria / Zwinglio vs. Lutero / Bullinger


Radicais da Reforma
Radicais da Reforma

Alemanha / Anabatistas / Menno Simmons / São antepassados dos batistas?


Calvino - Parte 1
Calvino

Genebra / Estrasburgo / Família / Genebra de novo / Serveto


Calvino - Parte 2 - Teologia
Calvino

Comentários / Institutas da Religião Cristã


Reforma na Inglaterra
Henrique VIII

Igreja Anglicana - Reis e Rainhas / Anglicanismo / Líderes da Reforma


John Knox e a Reforma na Escócia
John Knox

John knox: Origens / Inglaterra e Alemanha / Genebra com Calvino / Escócia


A Reforma Católica Romana
Concílio de Trento

Contra-reforma / Companhia de Jesus / Espanha - bastião do catolicismo / Concílio de Trento


Resultados da Reforma
Massacre São Bartolomeu

Divisão, Reforma e Avivamento


Os Puritanos
Assembléia de Westminster

O Que é? / Grandes Nomes / Por Que Não Deu Certo? / Algumas Características / Assembléia de Westminster


Protestantismo no Novo Mundo
Mayflower

França Antártica / Puritanos na Nova Inglaterra / Roger Williams


Iluminismo e Romantismo
Descartes

Iluminismo - Racionalismo, Empirismo e Deísmo / Romantismo - Rousseau e Schleiermacher


Pietismo
Conde Zinzendorf e os morávios

Philip Jacob Spener / Universidade de Halle / Conde Zinzendorf e os Morávios


Avivamento Evangélico na Grã-bretanha
John Wesley

Morávios / Metodistas / John Wesley / George Whitefield


Grande Despertamento nos Estados Unidos
George Whitefield

Sonolência / Jovens Pregadores / George Whitefield / Evangelicalismo


Jonathan Edwards
Jonathan Edwards

Importante Hoje / Sua Vida / O Legado de Edwards


Segundo Grande Despertamento nos EUA
Charles Finney

Revolução / Expansão da Fronteira / Asahel Nettleton / Charles Finney / Grandes Transformações


Missões no Grande Século
William Carey

Primeiros sucessos / William Carey / Comitês e Sociedades Missionárias


Cristianismo e Liberalismo
John Gresham Machen

A Força das Idéias / Cinco Livros / John Gresham Machen


Protestantismo no Brasil
Primeira igreja batista em Salvador 1882

Huguenotes / Luteranos / Metodistas / Presbiterianos / Batistas / Assembléia de Deus


Grandes Nomes dos Séculos XX e XXI
D.M.Lloyd-Jones

Doutor Martyn Lloyd-Jones e companhia

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domingo, 31 de janeiro de 2010

Graça e Conhecimento


Graça e Conhecimento
“Crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.”
(II Pedro 3.18)

A bíblia manda que cresçamos em graça e em conhecimento (II Pe 3.18). Isso é mais que óbvio, já que até Jesus crescia nestes dois aspectos da vida cristã (Lc 2.52) e manifestou seu ministério com esses dois atributos bem visíveis (Jo 1.14). Sabendo disto, não quero falar sobre os benefícios de obedecer este mandamento, que são muitos. O que eu desejo falar neste artigo é sobre a medida de empenho que empregamos em cada um desses dois aspectos da vida cristã. Quero falar sobre a medida da Graça e a medida do Conhecimento que buscamos adquirir.

O que é muito prejudicial nos dias de hoje é que as pessoas não buscam crescer nestes dois atributos de uma maneira saudável e bem medida. O que mais acontece hoje é que as pessoas ou buscam exclusivamente a graça ou buscam exclusivamente o conhecimento. Poucos são os que buscam de um modo sóbrio desenvolver a graça e o conhecimento equivalentemente, sem focalizar excessivamente um ou o outro.

A Graça e o Conhecimento devem crescer sempre juntos. O desenvolvimento de um desses em detrimento do outro pode ser desastroso. Se, por algum motivo, um bom cristão passa a ignorar a graça de Deus (mesmo sem perceber) e começa a mergulhar em um estudo apenas intelectual das escrituras, por um tempo ele será edificado, mas com o passar dos dias, ele pensará que está crescendo em conhecimento, mas, na verdade, ele está apenas vivificando seu raciocínio carnal para interpretar a Palavra e Deus. Com isso, ele acabará se tornando um escravo da erudição. Na melhor das hipóteses, ele será servo de uma ortodoxia morta.

No outro lado, quando ele se entrega às manifestações da graça de Deus e ignora o estudo teológico das escrituras, por um tempo curto ele estará atuando de acordo com o poder de Deus, mas, rapidamente, perderá o guiar do Espírito Santo manifesto através da Palavra de Deus. Achando que está crescendo na Graça, estará crescendo na sua própria emoção e em manifestações anti-bíblicas.

Temos que analisar nossas vidas e ver se estamos realmente de acordo com a Palavra de Deus. Precisamos nos examinar para saber se estamos crescendo de um modo saudável na Graça e no Conhecimento do nosso Senhor Jesus. "Examine-se, pois, o homem a si mesmo." (I Co 11:28).

Em relação ao conhecimento, o tempo que passamos orando antes de estudar as Escrituras nos mostra se a nossa confiança está em Deus ou na carne. Se oramos pouco para que Deus nos ilumine, isso mostra que confiamos no nosso próprio raciocínio e erudição para interpretar as escrituras, e com certeza nos tornaremos escravos de nossa própria mente carnal. Quando oramos profundamente a Deus suplicando que Ele nos dê o conhecimento e a interpretação correta de cada verso, isso mostra que confiamos em Deus para nos dar o conhecimento correto da sã doutrina. Isso é que representa um estudo teológico saudável. Como dizia Lutero: “Orar bem é a melhor parte dos estudos.[1]”

Outro ponto que mostra se somos escravizados pela teologia vã é quando nos tornamos como os doutores da Lei, os quais Cristo combateu vorazmente. Estudando, mas não praticando. Pregando, mas não vivendo. Atando fardos, mas sem levantá-los (Lc 11.45-52). Iguais àqueles que gritam “Senhor! Senhor!”, mas que praticam a iniquidade (Mt 7.21-23). Achando que conhece a Deus, mas vivendo uma mentira (I Jo 2.4). Esse ponto é muito importante e devemos ressaltá-lo bem.

Após nos lembrar que o reino de Deus não consiste em palavras, mas em virtude (Mt 23:3; I Co 4:20), John Bunyan, em O Peregrino[2], nos expõe a vida de um falso mestre chamado Loquaz:
Haiti-VE
O que Jesus diria sobre a catástrofe?

Naquela ocasião, alguns dos que estavam presentes contaram a Jesus que houve um deslizamento de terra em Angra dos Reis. Jesus respondeu:

"Vocês pensam que esses cariocas eram mais pecadores que todos os outros, por terem sofrido dessa maneira? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. Ou vocês pensam que aqueles 200 mil que morreram, no terremoto do Haiti, eram mais culpados do que todos os outros habitantes do Haiti? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão".

Então contou esta parábola: "Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Foi procurar fruto nela, e não achou nenhum. Por isso disse ao que cuidava da vinha: 'Já faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não acho. Corte-a! Por que deixá-la inutilizar a terra?' "Respondeu o homem: 'Senhor, deixe-a por mais um ano, e eu cavarei ao redor dela e a adubarei. Se der fruto no ano que vem, muito bem! Se não, corte-a' ".

(Paráfrase de Lucas 13:1-9)



FAQ-Haiti

Deus estava no controle do terremoto do Haiti?
Sim, nada escapa de seu controle (nem a morte de pardais, nem a queda de fios de cabelos – Mateus 10:29-30), Ele promove a paz e causa a desgraça (Isaías 45:7) e em tudo isso, todas as coisas Lhe servem (Salmo 119:91)

Deus matou aquelas aproximadas 200 mil pessoas (estimativa) no Haiti?
Sim, e Ele tira a vida de aproximadamente 150 mil pessoas por dia (estimativa atual). “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela.” (1 Samuel 2:6)

O fato de Deus estar por trás de uma catástrofe como essa reflete sua vingança contra um povo que pratica idolatria?
Pode até ser, mas não nos cabe julgar isso, porque como disse Jesus no texto supracitado, eles não são mais pecadores e merecedores da condenação divina que qualquer outro. E digo mais, que qualquer outro cristão! Somos salvos pela misericórdia de Deus. Não temos nada em nós para nos gloriar.
Aqueles que buscam condená-los são como Tiago e João querendo mandar fogo dos céus a uma cidade: Não sabem de que espírito são, porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. (Lucas 9:54-56)

Devemos nos alegrar com a catástrofe?
Não. “O que se alegra na calamidade, não ficará impune” (Provérbios 17:5) Devemos chorar com os que choram (Romanos 12:15)

Qual deve ser nosso sentimento e atitude?
1) Conforme o texto de Lucas 13:1-9, reconhecer nossos próprios pecados e arrepender-nos, sabendo que só estamos vivos pela graça.

2) "Compadecer-nos e ajudar na prática, pois se o Senhor tem nos poupado, como a figueira da parábola, é pra que venhamos a dar frutos (v. 6-9)." (extraído do artigo do Solano Portela)
  • “Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade” (1 João 3.17-18).
  • O ESPÍRITO do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; (Isaías 61:1)
3) Saber que esta é uma grande oportunidade de glorificarmos ao Pai.
  • Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. (João 15:8)
[Reformanda] Uma Introdução: Perigo de Explosão


[Reforma Protestante] Uma Introdução: Perigo de Explosão
UMA INTRODUÇÃO EXPLOSIVA


UM BREVE RESUMO

Idade Média, séc. XVI. A Basílica de São Pedro, em Roma, está sendo construída e para custear as despesas o papa Leão X tem uma brilhante idéia: vender indulgências. Assim, comprando um documento de indulgência assinado pelo Papa, a pessoa garantia seu lugar no céu, e poderia também garantir, desde que comprasse mais indulgências, o lugar de seus familiares vivos ou mortos. Conclama-se o maior marqueteiro da época, o dominicano Tetzel, na Alemanha, e essa bestialidade começa a ser vendida. Tetzel chegava a cantar: “quando a moeda na caixa tilintar a alma do purgatório vai saltar”. O povo pobre e crédulo da Alemanha, enganados pelos truques de prestidigitação (mágica) de Tetzel, e seus dotes propagandísticos, acorre para comprar aos montes. As caixas de Roma se enchem, o Papa Leão X exulta e luxa, e a população se afunda cada vez mais nas trevas da ignorância.
Wittemberg, Alemanha. Um sacerdote lê a Bíblia e a explica para o povo de sua paróquia. Ele fala a língua do povo, e diz que a salvação é apenas através da fé na obra redentora de Cristo, que não pode ser comprada ou vendida, mas se aceita a mesma em arrependimento, convicção de pecados e obediência a Deus. Ele escreve um tratado em 95 teses e o prega na porta da capela do castelo da cidade, local público para que fosse visto pelo maior número de pessoas possível. Era o dia 31 de outubro de 1517, e o homem era Matinho Lutero.
A partir desse episódio estava começando a maior revolução religiosa da história, surgia o Protestantismo. Agora passa a ser ensinado que só a graça é a fonte da salvação; só a fé, é a “mão” que a recebe; só as Escrituras são as palavras de Deus; só Cristo é o Salvador e o caminho para o céu; e só a Deus deve-se dar toda a glória. Eram estes os pilares da Reforma que começavam a ressoar por todo canto.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Por que Não Falamos em Línguas? (dos irmãos batistas)

A resposta? Simplesmente esta: Nós não falamos em línguas porque não é bíblico assim fazer. "Mas, no Novo Testamento as pessoas não falavam em línguas? Isto não faz dela uma prática bíblica?" Não. Algumas coisas na Bíblia pertencem a pessoas e tempos especiais; não a nós. Jesus ressuscitou dos mortos e os apóstolos podiam manejar miraculosamente serpentes mortais sem dano algum; mas nós não podemos fazer estas coisas hoje.

Os batistas são acusados de não terem o Espírito Santo, porque nos cultos genuinamente batistas tradicionais não se ouve o que se chama de línguas, e não se faz barulho. Não há gente caindo, desmaiando, não há gritaria, choro contínuo e histeria. Os cultos da igreja batista, dizem, são frios, silenciosos. Dou Graças a Deus por este silêncio. Imagine como o pastor iria pregar, se todos estivessem fazendo ruído e barulho ao mesmo tempo! Como iríamos examinar e entender a Bíblia?

O fruto do Espírito Santo é o domínio próprio. A pessoa que tem o Espírito Santo tem domínio próprio; ela se domina; é temperante, equilibrada; não fica fora de si, entregue a espíritos malignos. Quem tem o Espírito Santo, não se descontrola. O Espírito Santo não derruba ninguém. Ele levanta o caído, ergue o homem abatido.

O pentecostes

Os judeus de diversas nações - cada qual falando o seu próprio idioma - se reuniam em Jerusalém no 50º dia (que em hebraico é pentecostes) após a grande solenidade pascal para celebrarem a Festa do Pentecostes - a segunda das três grandes festas anuais que deviam comparecer todo o povo de Deus. Por ocasião desta reunião solene, todos deviam trazer as primícias (primeiros frutos) da colheita, dedicando-as ao Criador. Por estas características, esta celebração era também chamada, alternadamente, de Festa das Semanas (pois era comemorada ao se completarem 7 semanas após a Páscoa), Festa das Primícias e Festa da Colheita.

Foi num dia de Pentecostes que Deus manifestou a presença do Espírito Santo através de um milagre verdadeiro, pois "todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus" (At 2.11). Falaram-se línguas (note o plural; a Bíblia não está falando de algum idioma celestial). Não se falou "língua de anjos", não se fez barulho incompreensível ou outras esquisitices. Falaram-se línguas e todos os presentes puderam se entender, pois cada um ouvia no seu próprio idioma, mesmo sendo de nações diferentes (At 2.6).

O que são "línguas"?

Tudo o que sai da boca em matéria de barulho é língua? A razão porque muitos interpretam mal o "dom de Línguas" é porque não sabem nem o que significa uma língua. O que vem a ser as tais línguas? Serão um ruído estranho que ninguém entende? Não! Língua é um idioma; é um sistema de palavras que exprimem pensamentos falados por um certo povo (inglês, português, espanhol, alemão, etc.).

Línguas estranhas ou estrangeiras?

"Línguas estranhas" na Bíblia significa idiomas estrangeiros, de outros países e não, como muitas pessoas acham, língua esquisita, indecifrável, não conhecida por qualquer povo ou nação. Em 1Co 14:16 e 23 os Coríntios são advertidos que os indoutos (pessoas com pouca ou nenhuma escolaridade) não podiam entender as línguas. Essas declarações seriam sem sentido se as línguas não fossem idiomas humanos já conhecidos por alguns. Em 1Co 14:21, Paulo cita uma profecia do Velho Testamento relativa ao propósito das línguas. Esta profecia trata-se do idioma humano que revela novamente a natureza da língua em Corinto. Não são línguas esquisitas, línguas de anjos e nem falsos idiomas, mas línguas verdadeiras, faladas por algum povo. Então, um idioma não deve ser usado numa congregação que fala outro idioma. Sem a interpretação, o falar em línguas estrangeiras não edifica. E Paulo enfatiza que todos as coisas devem ser feitas para edificar (ou fortalecer) os outros - 1Co 14:26b. Usá-las na igreja era inadequado e inconveniente, visto que elas deviam ser interpretadas/traduzidas.

O registro de línguas na Bíblia

O dom de línguas é mencionado apenas em três livros do Novo Testamento (Mc 16:17-20, At 2:1-13; 10:45-46; 19:6, 1Co 12:1 a 14:40). É importante observar que poucos livros das Escrituras mencionam línguas. Entre as 21 epístolas do Novo Testamento, nas quais salvação, gozo Cristão, crescimento espiritual, qualificações ministeriais e o trabalho do Espírito de Deus são mencionados, apenas em uma única são mencionadas as línguas (e mesmo assim tratava-se de uma repreensão devido a elevação e o abuso sobre este dom). É inexplicável, biblicamente falando, o dom de línguas como é visto no movimento pentecostal.
Porque as línguas cessaram?

Deus nunca teve a intenção de que o falar em línguas continuasse indefinidamente. Paulo expressamente escreveu: "as línguas cessarão" (1Co 13:8). O esforço evangelístico que estabeleceu a igreja primitiva em todo o mundo Mediterrâneo, foi realizado sob a liderança dos apóstolos. Os ofícios apostólicos e proféticos eram revelatórios (Ef 3:5). Durante o período no qual o Novo Testamento estava sendo escrito, eles recebiam a verdade diretamente de Deus. A revelação que eles receberam foi registrada nos livros que chamamos o Novo Testamento. Pelos dons extraordinários, Deus confirmou os escritos dos apóstolos (Hb 2:2-4). Quando a escrita das Escrituras se completou (o Canôn foi fechado), sua autoria não necessitava de confirmação adicional. Foi somente durante o lançamento dos fundamentos da igreja que os dons miraculosos eram necessários. As funções de apóstolo e profeta, sobre quem Deus depositou estes dons, cessaram quando este fundamento foi lançado. Isto é claro a partir de Ef 2:20. Um fundamento é lançado somente no princípio; ele não se estende até às paredes ou ao texto!

Os sinais e maravilhas pertenceram ao período fundacional da igreja. Eles não têm mais lugar na igreja hoje tal como a continuação da escrita da Bíblia. Você pode assumir, portanto, que não importa quão bem intencionadas as pessoas que reivindicam o dom de línguas possam ser - ou o "balbuciar celestial" que elas possam parecer falar - elas têm enganado a si mesmas e aos outros sobre o assunto. Não importa a sinceridade delas.

E os dons cessariam - línguas, ciência e profecias

Em 1Co 13:8, fomos instruídos que os dons cessariam. Os dons definitivamente cessaram entre 95-96 d.C., quando as Escrituras foram completadas.

A Cessação das Línguas: "Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado." (1Co 13:10). Há aqueles que querem dizer que "o que é perfeito" refere-se a Jesus Cristo, e que esta passagem fala sobre a segunda volta de nosso Senhor. Para quem que conhece o grego, fica mais fácil compreender o assunto, porque o grego é bem claro. Quando se diz "quando vier o perfeito", o artigo "o" não é masculino, como se o artigo se referisse a uma pessoa, do sexo masculino, como à pessoa de Cristo. Há os que afirmam que os dons só vão cessar quando Cristo voltar, mas Cristo não veio ainda e então acham que precisam falar "língua estranha" (não um idioma, como a Bíblia claramente diz). No grego, o artigo "o" que está antes da palavra "perfeito" é um artigo neutro. No grego isso se refere a coisa e não a pessoa, porque as pessoas, ou são do sexo masculino, ou são do feminino. A construção em grego é neutra, o que descarta a possibilidade de estar tratando de alguém, não sendo, assim, uma referência a Jesus, nem, como querem alguns outros, ao Espírito Santo. Esta construção trata de algo, de um objeto, e não de alguém. A frase "o perfeito" - em grego, "to teleion" - contém a idéia do fim ou objetivo alcançado, se referindo claramente ao fechamento do Cânon Sagrado - os 66 Livros da Bíblia. Não há outro entendimento possível senão o de que este texto está tratando da Palavra de Deus que ainda estava sendo escrita na época em que este texto foi escrito.

A Cessação da Ciência: "Ciência" aqui deve ser entendida, não como o que entendemos hoje por ciência, ciência humana, ciência natural. Não. "Ciência" é sinônimo de "conhecimento". É um dom do Espírito Santo, dom de um conhecimento sobrenatural. Aqui não se diz que a "ciência" vai cessar no sentido atual da palavra ciência. Pelo contrário, Daniel diz, neste sentido, que a ciência se multiplicará. Não está Paulo falando de ciências físicas ou naturais. Não está falando dos conhecimentos tecnológicos do mundo. Estes estão se multiplicando, não estão cessando. Aqui "ciência" era um dom sobrenatural de conhecer verdades que o Espírito Santo revelava.

A Cessação das Revelações: Revelações? Quem tem revelações hoje? Geralmente são pessoas dadas ao ocultismo, ao espiritismo. Mesmo certos "evangélicos" acham que estão tendo revelações. E chegam a dizer: "Eu fui revelado(a)". Revelado do que? E quem te revelou? Foi o Espírito Santo? Atribuem tudo isso ao Espírito Santo. E quando a gente afirma, biblicamente, que isto não é bíblico, porque as revelações cessaram com a Bíblia, que a Bíblia é a ultima revelação de Deus aos homens, nos atacam dizendo: "Você está blasfemando contra o Espírito Santo. Cuidado! Está dizendo que não é o Espírito Santo que revelou aquele sonho que eu tive? Isso é blasfêmia contra o Espírito Santo!" Outra má interpretação da Bíblia. Quanta ignorância!

Hoje a Bíblia está completa e temos o conhecimento completo, a perfeita revelação de Deus (to teleion); porque procurar mais? Todos aqueles que estão procurando revelações fora da Bíblia estão dizendo, em outras palavras, que para eles a Bíblia não é suficiente, não é completa. Sim, porque se eu dissesse aos irmãos: "Eu tive um sonho, uma revelação, uma visão. Atentem para o meu sonho, aquilo que Deus me mostrou, aquilo que Deus me revelou em visão", então eu estaria dizendo: "a Bíblia não é suficiente para os irmãos. Somem isso à Bíblia. Isso que eu tive de revelação de Deus acrescentem à sua Bíblia." Viria um outro e diria: "Eu também tive uma visão. Acrescentem mais uma à Bíblia." Onde é que iríamos parar com essas revelações todas por aí? Onde caberiam as "bíblias" que seriam escritas com todas as revelações e visões que andam por aí, no espiritismo e em certos cultos chamados evangélicos?

As línguas hoje

Alguns podem estar se perguntando como eu explicarei o fenômeno moderno de falar em línguas encontrado no movimento pentecostal. Fácil! Primeiro gostaria de deixar bem claro que há somente duas fontes de poder espiritual: a) Deus (infinitamente poderoso), e b) o Diabo (limitado mas, se e enquanto permitido por Deus, pode imitar milagres, fazer coisas poderosíssimas). Então, por estas "línguas modernas" contradizerem a Bíblia no ensino relativo à sua natureza, propósito, duração e regulamento, elas não podem ser de Deus. Deus não contradiz a Sua Palavra (1Co 14:37, Mateus 5:17-18).

Além da certeza bíblica, temos também: 1) o testemunho da história, em 20 séculos (quase 2000 anos) onde não houve nenhuma manifestação dos tais "dons" até o início do fenômeno herético da rua Azuza (EUA) em 1906; 2) o testemunho dos pais da igreja, que presenciaram e escreveram sobre a cessação progressiva dos dons conforme foram morrendo os apóstolos até a cessação completa destes dons; 3) o testemunho dos reformadores e dos grandes teólogos e pregadores do passado, que nunca acreditaram na atualidade dos tais dons e sempre ensinaram e provaram biblicamente que os mesmo cessaram. Agora pergunto: Deus ficou sem agir durante quase 2000 anos? Os pais da igreja eram mentirosos? Os reformadores e os pregadores e teólogos do passado (Lutero, Calvino, Spurgeon, Bunyan, Wycliff, Müller, entre outros) não tinham o Espírito Santo?

Há apenas 4 causas para as línguas pentecostais que tanto contrariam a Bíblia

a) É falso porque é mero fingimento consciente: O falante de línguas pode estar desavergonhadamente fingindo consciente e propositadamente, para não ficar por baixo na sua reputação, ou para obter renome ou outras vantagens.

b) É falso porque resulta de pressões: O falante de línguas pode estar tendo um comportamento psicológico e socialmente doentio, de imitação inconsciente, de sucumbir às pressões de seus líderes e de outras pessoas. Ao contrário do Novo Testamento, os defensores das línguas modernas ensinam as pessoas como falar. Uma forma de auto-hipnose, na qual o cérebro entra em "curto circuito" (surta) e começa a falar sem parar.

c) É falso porque resulta de problemas fisiológicos: Certos tumores cerebrais e distúrbios neurológicos podem levar qualquer um a um "estado alterado de consciência" e ao mesmíssimo fenômeno de línguas dos pentecostais! A psiquiatria sempre associou a glossolalia (do grego "glóssa" [língua]; "laló" [falar] - falar línguas "estranhas", sem sentido) a distúrbios mentais, tanto que o Dicionário de Psiquiatria em seu verbete glossolalia a aponta como grave distorção de linguagem provocada por desequilíbrio mental provocada por patologia ou induzida por medicação ou situações de crise emocional (surto psiquiátrico).

d) É falso porque tudo resulta de influência de demônios: Muitos são os acontecimentos em que demônios falam através dos possuídos. Os cristãos sempre viram a fala extática dos pagãos como tendo procedência demoníaca. A glossolalia incide em praticamente todo culto religioso humano. Há "línguas estranhas", idênticas as pentecostais, no Afeganistão entre uma seita muçulmana, no budismo, no xamanismo, na umbanda, quimbanda etc.

Se você fala "em línguas estranhas" e não um idioma verdadeiro, falado por alguma nação, analise-se bem e me responda: Qual é o seu caso: a) fingimento consciente?; b) inconsciente resultado de pressões?; c) resultado de problemas fisiológicos?; d) resultado de influência de demônios? Não há nenhuma outra causa lógica e bíblica possível para as "línguas" dos pentecostais, apenas as quatro causas citadas e suas combinações.

Conforme tudo o que foi exposto aqui, concluo que as Igrejas Batistas têm todo o direito de proibir e combater as imitações e falsificações modernas deste dom, e afirmo que ninguém é obrigado a aceitar ou concordar com a Declaração Doutrinária da Fé Batista, porém, as Igrejas Batistas também não são obrigadas a aceitarem ou compactuarem com ninguém que não creia, não pratique ou rejeite a sua Confissão Bíblica de Fé e Doutrina.

Creia Pensando e Pense Crendo, pois Crer é também Pensar!