RADIO IPB DE LIMOEIRO DO NORTE/CE

sexta-feira, 29 de junho de 2012

"A igreja tem se desviado da sã doutrina"







Ainda vivendo resquícios da Idade Média (séc XVI), o cristianismo passou por uma fase de caráter definitivo: a Reforma Protestante. Oficialmente iniciada na Alemanha por Martinho Lutero, o movimento se caracterizava pelo desejo de que falhas existentes na Igreja pudessem ser corrigidas e foi ganhando adeptos inicialmente pela Europa e posteriormente alcançou outros continentes.


A igreja evangélica desfruta nos dias atuais, muitos dos efeitos desse movimento, porém em diversas denominações, a Reforma Protestante e seus protagonistas já não mais lembrados com tanta frequência. Em entrevista exlcusiva ao Portal Guiame, o teólogo, escritor e atualmente diretor da Editora Luz para o Caminho, Pr. Hernandes Dias Lopes falou sobre a atual situação das Igreja em relação à sua história, o resgate de valores hoje perdidos e até mesmo a necessidade de uma “Nova Reforma Protestante”. 


Confira a entrevista na íntegra:


Portal Guiame: A reforma protestante aconteceu motivada pela necessidade de mudança visível para o cristianismo no final da Idade Média. Em um artigo seu, você fala sobre a necessidade de uma nova reforma na Igreja Protestante. Quais pontos especificamente precisariam mais dessa reforma?
Hernandes Dias Lopes: Quando afirmamos que a Igreja Evangélica Brasileira está precisando de uma nova reforma, não estamos dizendo que precisamos de novos modelos de ação, como igreja celular. O que afirmamos com toda veemência é que a igreja tem se desviado da sã doutrina, ou seja, da doutrina apostólica e precisa retornar às suas origens. Uma nova reforma não é busca de novidades estranhas e forâneas às Escrituras, mas uma volta às Escrituras. Nossos púlpitos têm pregado prosperidade no lugar de arrependimento; têm pregado curas e milagres em lugar de novo nascimento; têm pregado psicologia de auto-ajuda, em lugar de ajuda do alto; têm pregado um antropocentrismo idolátrico, em vez de pregar a soberania de Deus, a centralidade de Cristo e o poder do Espírito Santo. A igreja evangélica brasileira precisa de um retorno aos solas da Reforma: Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solus Christus e Soli Deo Gloria.

Guiame: O sincretismo religioso tem se feito cada vez mais presente nas igrejas – até mesmo nas evangélicas – atraindo cada vez mais pessoas e confundindo-as quanto ao verdadeiro evangelho. Como é possível, hoje, combater esta prática?
Hernandes Dias Lopes: Segmentos da igreja evangélica brasileira têm aderido a práticas estranhas às Escrituras, caindo num verdadeiro sincretismo religioso. Muitos pregadores inescrupulosos, em busca de resultados imediatos ou até mesmo de lucro, mudam a mensagem, e acrescentam práticas místicas como água ungida sobre o rádio, rosa ungida, cair no espírito, e coisas semelhantes, levando o povo a colocar sua confiança em amuletos e coisas de nenhum valor aos olhos de Deus, aliás coisas contrárias às Sagradas Escrituras. Não temos o direito de mudar a mensagem para agradar o povo. O papel da igreja é ser fiel a Deus, ser íntegra na pregação da Palavra e viver em santidade de vida. O misticismo atrai multidões, mas mantém essas multidões prisioneiras do engano. Precisamos pregar Cristo e este crucificado. Precisamos pregar sobre a centralidade da cruz. Precisamos anunciar a salvação pela graça, mediante a fé.

Guiame: Grandes nomes que participaram da reforma protestante, como Martinho Lutero, João Calvino e outros têm sido, muitas vezes, esquecidos pelas igrejas evangélicas da atualidade. É possível fazer a menção a esses nomes sem que isso possa parecer idolatria ou simplesmente algum tipo de nostalgia?
Hernandes Dias Lopes: A nossa falta de memória nos leva a um presente confuso e a um futuro nebuloso. Quando voltamos a esses instrumentos levantados por Deus no tempo da Reforma não é para enaltecê-los, mas para relembrar as verdades benditas do evangelho que eles resgataram. Qualquer forma de idolatria é pecado. Qualquer exaltação humana na igreja está fora de propósito. Deus não divide sua glória com ninguém. Os reformadores jamais chamaram a atenção para si mesmos. Jamais buscaram o pedestal. Eles anunciavam Cristo. Eles proclamavam o evangelho. Deus abomina o culto à personalidade. Precisamos imitar os reformadores e voltar ao antigo evangelho, o evangelho da graça!

Guiame: Em seu artigo sobre o assunto você diz “A Reforma não foi um desvio do cristianismo primitivo, mas uma volta a ele”. Em que ponto você acha que perdeu-se o foco, desde aquele tempo até os dias atuais?
Hernandes Dias Lopes: Penso que alguns segmentos da igreja contemporânea perdeu o foco quando abraçou o liberalismo teológico de um lado e o misticismo por outro. Ambas as vertentes relativizam a Palavra de Deus. Uma retira da Bíblia o que lá está, a outra, acrescenta o que nela não está. O liberalismo nega o sobrenatural. O misticismo acrescenta um falso sobrenatural. O liberalismo tem matado igrejas em todo o mundo. Não temos sequer um exemplo de uma igreja liberal que tenha experimentado um reavivamento. Onde a Palavra de Deus não é considerada como inerrante, infalível e suficiente não há evangelho para ser pregado. Por outro lado, onde o evangelho é substituído por práticas místicas e sincréticas não é o evangelho genuíno que se anuncia. O sincretismo místico atrai multidões, mas sonega-lhes a verdade. Há igrejas cheias de pessoas vazias de Deus. O Senhor Jesus não precisa de admiradores. Ele quer discípulos. Estou certo de que precisamos de uma volta às Escrituras, uma volta à santidade, uma volta ao cristianismo bíblico, apostólico.


Por João Neto
Fonte: www.guiame.com.br

sábado, 9 de junho de 2012

A Santificação (Parte 1)





O que é santificação?

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Co 3:18)

Podemos dizer que a santificação é o processo pelo qual o cristão torna-se cada vez mais parecido com Cristo. Consiste em, constantemente, abandonar o pecado e procurar viver de acordo com os mandamentos de Deus. Uma das palavras usadas no NT para santificação é hagiadzo (Jo 10:36), que significa separação. Assim, podemos dizer também que santificação é separar-se do pecado, dedicando-se a Deus, mediante a operação do Espírito Santo.

Todos os cristãos passam por esse processo, de modo que, tão logo alguém é justificado, começa também a se santificar. O justificado necessariamente está se santificando.

E também devemos dizer que apenas os cristãos conhecem esse processo. Incrédulos não querem e nem podem se santificar. Não querem, pois tem prazer no pecado e não desejam se separar dele; e não podem porque não contam com o agir poderoso do Espírito dentro de si.

Tendo procurado definir o que é santificação, passemos agora para o que não é santificação. A mente carnal sempre confunde as coisas, distorcendo a verdade de Deus, o que não é diferente com este assunto.

Primeiramente, devemos dizer que a santificação não é apenas uma “moralização”, ou uma apreensão de valores éticos e de bom comportamento. É claro que a moral está inclusa, mas não é apenas isso. E digo mais: qualquer tentativa de santidade que não vise à glória de Deus e não seja motivada por amor a Ele, é maldita, sendo terrivelmente pecaminosa e inaceitável aos olhos do Senhor.

Também não devemos confundir santificação com professar alguma religião. Há muitas religiões no mundo, cada uma delas com seus variados ensinos e doutrinas, e é impossível ao homem que segue uma religião falsa conhecer algo da santificação verdadeira. E mesmo entre os que professam seguir a santa religião, a saber, o Cristianismo, há muitos hipócritas e mentirosos, muitas pessoas que se misturam no meio do povo de Deus, porém não fazem parte desse povo. Estão na igreja apenas porque se sentem bem, ou porque apreenderam apenas mentalmente as verdades cristãs, ou encontram lá um ambiente gostoso que ajuda a esquecer os problemas da vida.

Muito menos devemos achar que santificação é um isolamento do mundo, como fazem aqueles que se enclausuram em um mosteiro, passando a vida em atividades religiosas e com mínimo contato com outras pessoas. O pecado não está “fora”, ele está dentro do ser humano, o próprio coração humano é naturalmente mal. Ainda que alguém se esconda de tudo e de todos, a natureza pecaminosa certamente se manifestará, de um modo ou de outro. A ilusão dos monges é não compreender isso. A verdadeira santificação é aquela em que, mesmo estando no mundo, o cristão não se corrompe com o mundo, mas resplandece como o sol em meio a um sistema tenebroso.

Tornamos a dizer: somente o cristão experimenta a santificação. Entraremos em maiores detalhes sobre isso nos próximos tópicos deste estudo. Não deixe de acompanhar! Que Deus te abençoe!

A Santificação (Parte 2)



O que há de diferente no cristão?

“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (I Jo 3:9)

Observamos de modo explícito, tanto nas Escrituras como no presente século, o quanto o incrédulo odeia a Deus e ao Evangelho. Ele é indiferente à Palavra de Deus, não se importa com o Seu Criador, e só quer viver para agradar a si mesmo, amando mais as trevas do que a luz (Jo 3:19). O mundo zomba do cristão e o persegue, odeia ao Pai e ao Filho (Jo 15:18-26), e se deleita no pecado (2Ts 2:12). E não somente isso, mas “inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1:22), inventando diversas teorias e filosofias para desonrar o único Deus. De tal modo é corrompido o mundo, que se tornou inimigo do Deus de toda graça.

Porém, enquanto vemos os incrédulos nessa miserável situação, podemos perceber que há pessoas diferentes deles, que amam a Deus e odeiam o pecado, e procuram viver uma vida de santificação. Enquanto muitos têm “coceira nos ouvidos”, não querendo ouvir a voz de Deus, há outros que dizem “fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (I Sm 3:10). Há algo diferente nesses corações, que os leva a remar contra a maré. Enquanto o mundo tem prazer no pecado, eles se entristecem profundamente quando pecam. Enquanto o mundo considera Jesus como um bom homem, um simples mestre, ou até mesmo um mentiroso, há aqueles que o amam supremamente e se esforçam para andar segundo os seus mandamentos. Esses são os cristãos.

Diante disso, nos perguntamos: o que há de diferente nessas pessoas? O que ocorreu com o cristão, para que ele de tal modo abandone as suas maldades e busque a santificação? Por que dissemos no primeiro tópico deste estudo que só o cristão busca a santificação?

Em primeiro lugar, devemos entender que não é devido a algum mérito próprio, ou disposição natural do coração, pois as Escrituras declaram que “não há justo, nem um sequer.” (Rm 3:10). A condição original do homem é de pecado, rebeldia e maldade (Sl 51:5), e tão terrível é a sua condição que Jesus declarou que ninguém pode crer Nele, se o Pai não o conceder (Jo 6:44,65). Só o fato de alguém se tornar um cristão é um grande milagre.

A principal resposta que as Escrituras trazem é que o cristão busca a santificação porque uma grande maravilha ocorreu no seu coração. Uma obra que só Deus poderia realizar, e que Ele mesmo descreve pela boca do profeta Ezequiel: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.” (Ez 36:26-27). Em outras palavras, o que há de diferente no cristão é que ele nasceu de novo (Jo 3:3-8). Deus, se compadecendo de pobres e miseráveis pecadores, concedeu-lhes um novo coração, implantou neles um princípio de vida, uma disposição gloriosa por conhecer a Deus e guardar os Seus mandamentos. O cristão, como todos os outros homens, esteve morto em delitos e pecados, porém Deus deu vida a este defunto espiritual, o levando a crer no Evangelho e a buscar um estilo de vida separado do pecado.

Assim, o cristão é um pecador convertido. Antes ele amava o pecado e não dava ouvidos à voz de Deus. Estava voltado para o mundo, e dava as costas a Deus. Porém, chegou o dia em que o Espírito Santo operou poderosamente em seu coração e, percebendo a sua terrível culpa e sua grande necessidade, volveu os seus olhos para Cristo, se arrependeu e creu. Agora, ele deu as costas ao mundo e se voltou para Deus, estando decidido em viver uma vida agradável a Deus. Cumpriu-se o que Paulo diz: “se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. (2Co 5:17). O milagre do novo nascimento!

O cristão, por ter nascido de novo, não pode viver na prática do pecado, como vimos no nosso primeiro versículo. Observe que o apóstolo João não diz “não deve”, como se referindo a um dever moral do cristão. É claro que o filho de Deus tem o dever moral de não andar no pecado. Mas João vai mais além: “não pode”! É impossibilidade, incapacidade mesmo. Aquele que nasceu de Deus não consegue viver na prática do pecado, de tal modo foi transformado o seu coração que ele não quer nem saber de viver uma vida de desobediência. Ele pode até cair em graves pecados, e se esfriar terrivelmente por um tempo, mas a “divina semente” está nele, e assim como a árvore boa não produz maus frutos, o cristão não vive em pecado.

Há um outro texto bíblico que também explica o motivo do cristão andar em santificação. Esse motivo é uma conseqüência do novo nascimento, porém é vital que o compreendamos, por causa da sua grande importância. Jesus o ensina em João 14:21,23: “Aquele tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e o que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. (...) Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada”. O cristão guarda os mandamentos de Cristo porque o ama! Jesus foi e é muito bondoso para com o cristão, que o sabe muito bem. Ele é cheio de graça e verdade. O cristão entende um pouco do glorioso amor de Cristo, compreende que Ele deu a Sua vida para purificá-lo de todo pecado, que Ele o amou com amor eterno! Assim, “nós o amamos porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4:19)! O maior temor do cristão é ofender ao Seu Salvador, e não há maior desejo em sua alma do que glorificá-Lo e agradá-Lo. O cristão anela pelo “me manifestarei a ele”, o seu coração bate forte pelo seu Amado, não há nada no mundo que se compare a estar em comunhão com o seu Senhor. Ele se deleita em Deus! O nome de Jesus está escrito no coração de cada cristão!

Por fim, desejo fazer uma advertência a todos os meus leitores. Assim como guardar os mandamentos de Jesus é a grande evidência de que o amamos, viver na prática do pecado é a grande evidência de que não o amamos. Considere o que o apóstolo João diz: “Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu.” (1Jo 3:6). Não se engane, amigo! Se alguém vive na prática do pecado, é sinal de que nunca conheceu a Cristo, nunca foi salvo, nunca nasceu de Deus. Se algum de vocês acha que pode servir a Cristo e, ao mesmo tempo, servir aos desejos da carne, saiba que isso é impossível. Ou se está com Cristo, ou se está fora Dele. Você pode professar todas as verdades cristãs, pode estar semanalmente no templo, pode até profetizar e fazer milagres em nome de Jesus, porém se você vive no pecado, é sinal de que você não conhece a Jesus. E se não se arrepender, ouvirá a terrível condenação do Rei: “nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7:23).

Aquele que nasceu de novo, que de fato é um cristão, busca a santificação. Como está a sua vida? “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos.” (2Co 13:5).

A Santificação (Parte 3)




Os perigos do pecado na vida do cristão

“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.” (Salmo 32:3,4)

Já falei a respeito do que é santificação, bem como expliquei o porquê do cristão remar contra a maré, vivendo de modo santo. Agora, com a graça de Deus abordarei a questão dos perigos do pecado na vida do cristão, daquele que nasceu de novo.

Antes de tudo, relembremos, resumidamente, algumas coisas que a Bíblia diz a respeito do pecado. Primeiramente, “o pecado é a transgressão da lei” (I Jo 3:4). Deus deu ao homem mandamentos justos e bons, os quais, quando obedecidos, redundam em glória a Deus e em felicidade para nós. Porém, quando negligenciamos essas ordens do Soberano, não as cumprindo, estamos cometendo pecado. Assim, percebemos que o pecado é uma grande rebeldia do homem, é um insulto terrível ao Criador de todas as coisas, uma ofensa ao Rei do universo. É como se o pecador estivesse dizendo: “eu não me importo com Deus, o que Ele ordena não significa nada para mim; eu quero viver de acordo com os meus próprios desejos, eu sei mais do que ninguém o que é melhor para mim”. Pereça tal pensamento!

A malignidade do pecado se agrava mais ainda quando pensamos sobre o caráter Daquele que é ofendido. Deus é amor, a Sua bondade dura para sempre, Ele é cheio de misericórdia e ternura. Nele não há nada que seja impuro, Ele é santíssimo e cheio de graça. Veja, amigo, que não é contra alguém mau ou cruel que o homem peca, antes, é contra o mais amável do universo! Consideremos também os benefícios que Deus dá ao homem, como a vida, o alimento, a bebida, as vestes, a alegria do coração, e inumeráveis bênçãos. O homem peca contra Aquele que o abençoa diariamente, que o mantém vivo! Que ingratidão! O pecado é tolice, é odioso, é amargo, procede do diabo e produz a morte!

A grande conseqüência do pecado é a morte (Rm 3:23), se referindo à morte espiritual, à morte física, e também à segunda morte, no lago de fogo e enxofre (Ap 20:14). Porém nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, fomos salvos do pecado e do seu salário. Ele carregou os nossos pecados no calvário, ofereceu o sacrifício perfeito que remove todas as ofensas, tanto as passadas como as futuras, eternamente. Fomos vivificados pelo Espírito, jamais provaremos a segunda morte, absolutamente nunca haverá condenação para nós, porque todo o nosso pecado já foi punido em Cristo, e o “escrito de dívidas que era contra nós” foi cravado na cruz, de uma vez por todas.

Contudo, mesmo nós, que somos salvos, estamos sujeitos a pecar, enquanto estivermos nesse mundo. O apóstolo João é claríssimo quando diz: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados...” (I Jo 1:8-9a). E o pecado gera conseqüências em nossas vidas, mesmo como filhos de Deus.

Antes de falar dos males que o pecado traz para nós, que somos justificados, gostaria de falar daquilo que o pecado não faz a nós. E o principal ponto é: o pecado não faz com que “percamos a nossa salvação”. Algumas pessoas acham que, se o cristão cometer terríveis pecados, pode deixar de ser salvo. Outros pensam que o cristão pode chegar ao ponto de blasfemar contra o Espírito Santo. Outros ainda sustentam que se o cristão pecar, e logo depois morrer, estará eternamente perdido. Porém, tal doutrina é antibíblica. Jamais podemos, irmãos, conceber que uma ovelha de Cristo seja lançada no inferno, pois Ele garantiu que “nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará de minha mão”. É impossível que alguém que tenha sido justificado possa no fim das contas ser condenado, pois senão o Juiz infalível teria errado em seu pronunciamento, teria voltado atrás com relação aos seus dons, que são irrevogáveis, e a gloriosa e triunfante passagem de Romanos 8:30 (“aos que justificou, a estes também glorificou”) seria uma grande mentira. Oh meus irmãos, o Filho de Deus teria falhado em sua missão, pois Ele diz: “a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6:39). É inconcebível que Deus não conclua a boa obra que começou em nós, o seu povo (Fl 1:6). Portanto, vocês, que já foram alcançados pela graça de Deus, saibam que não poderão perder a sua salvação.

Algum insensato poderá questionar: “ora, se eu jamais poderei perder a minha salvação, porque me preocupar com a santificação? Vou viver uma vida segundo os prazeres da carne, me deleitando no pecado!”. Esse tipo de frase me assusta. Pode proceder isso dos lábios de um cristão? Essa declaração é um tanto estranha a um filho de Deus. Aqueles que nasceram de Deus odeiam o pecado, e amam ao seu Senhor supremamente. Como poderiam cogitar em viver uma vida assim? Eles foram transformados, suas mentes foram renovadas, receberam um novo coração. Jamais diriam ou fariam uma coisa dessas. Não podem viver na prática do pecado.

O pecado também não faz com que o cristão deixe de ser filho de Deus, ou passe a ser menos amado por Ele. Não é porventura o Seu amor qualificado como eterno? (Jr 31:3). O amor de Deus é incondicional e imutável, Ele nos amou desde antes da fundação do mundo, Ele nos ama assim como ama a Cristo! (Jo 17:23).

Tendo considerado o que o pecado não faz ao cristão, consideremos alguns dos terríveis males que ele causa.

O primeiro deles que quero citar é que o pecado entristece a Deus. É por isso que o apóstolo Paulo disse: “não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef. 4:30). Que pai não fica triste, quando o seu filho, a quem tanto ama e tanto faz bem, o desobedece? O prazer de Deus é ver os seus filhos andando santamente. Cristão, porventura você pode suportar a visão da tristeza do Pai por causa do seu pecado?

Uma segunda conseqüência do pecado é que ele traz a correção de Deus. Ele, como um bom Pai, repreende e castiga os Seus filhos, a quem ama. E o castigo pode ser dolorido, apesar de ser para o nosso supremo bem. Imagine, meu irmão, não só o olhar de tristeza do Pai, porém também o Seu olhar de desaprovação e repreensão, por causa do seu pecado! Se quando o nosso pai terreno fazia isso, o nosso coração já se partia, imagine quando o Pai eterno faz isso! Cuidado, irmão, Deus tem em suas mãos vara para corrigir seus filhos desleixados.

Devemos considerar também que o pecado traz muito pesar ao coração do cristão (Sl 32:3-4). Quando o salvo peca, ele se entristece profundamente, porque entende que ofendeu ao Seu Salvador a quem tanto ama. Ele fica privado da alegria da salvação, chega ao ponto de sentir vergonha de adentrar na presença de Deus, ou de participar das reuniões de culto a Deus, prejudicando assim até mesmo a sua comunhão com o Pai. E mais: o pecado nos impede de desfrutar da plenitude da vida cristã, da “vida abundante”, do “ser tomado pela plenitude de Deus”, etc. Também obscurece a nossa visão das coisas espirituais!

Todas essas terríveis conseqüências já bastariam, porém há mais. O pecado torna o crente desqualificado para o ministério, pode destruir o seu testemunho diante dos homens, dá ocasião a que os homens blasfemem de Cristo! Por causa do pecado, Deus pode até mesmo “encurtar” a vida do cristão, punindo-o com morte, para que o espírito seja salvo no dia de Cristo! (I Co 5:5)

Por fim, meu querido irmão, quero lhe fazer um apelo. Você observou as terríveis conseqüências do pecado? O seu efeito é devastador, mesmo para o coração do servo de Deus. Você continuará a viver uma vida desleixada com relação à santificação, ou a tolerar certos pecados em sua vida? Desperte, cristão! O pecado é perigoso para você, então aprenda a “passar de largo”, a se desviar do mal, a fugir do pecado! Evite as companhias que induzem ao pecado, os programas televisivos, os sites da internet, as músicas, ou qualquer outra coisa que porventura faça você tropeçar. Vigie e ore! Mortifique a sua natureza carnal! Ouça o clamor de Deus, amado irmão, quando Ele diz: “retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei” (II Co 6:17). O Soberano ordena, com todas as letras: “sede santos, porque Eu sou santo” (I Pe 1:16).

A Santificação (Parte 4)




A batalha contra o pecado

“Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” (Gl 5:17)

Chegamos ao último tópico de nossa série sobre a santificação, e terminaremos de modo bem prático, abordando a batalha individual do crente contra o pecado.

Em primeiro lugar, precisamos estabelecer que a batalha contra o pecado só começa na vida de uma pessoa quando esta é salva pela graça de Deus. No seu estado natural, o ser humano é dominado pela sua natureza pecaminosa, tem grande prazer no pecado e não pensa em se afastar dele. Não há fome e sede de justiça, é escravo do pecado e o pratica deliberadamente. (Jo 8:34, Ef 2:3, Rm 3:9-18)

E o cristão, mesmo tendo sido regenerado, ainda possui uma natureza carnal (Gl 5:17; Rm 7:18). A culpa e a penalidade do pecado foi de todo removida, ele está plenamente justificado, porém a semente da corrupção ainda permanece, o pecado original persiste, de modo que o cristão só será plenamente livre da presença do pecado na glorificação final. Assim, observamos de modo claro nas Escrituras que há estes dois princípios operando no crente: a carne, que é a sua natureza pecaminosa, e o Espírito, que operou a regeneração e que habita nele. Podemos dizer que, na conversão de um homem, a carne é gravemente ferida, porém a sua influência continua existindo.

A presença do Espírito na vida do cristão explica o porquê dele viver uma vida de santificação e temor de Deus. Este Espírito opera eficazmente nele, trabalha profundamente em seu coração e o leva a amar e buscar a Deus. E a continuidade da presença da “carne” também nos dá o motivo pelo qual os filhos de Deus ainda enfrentam dificuldades no seu processo de santificação, caem em tentações e ficam aquém do estado em que tanto gostariam de estar.

Talvez você, meu irmão, esteja com problemas na sua batalha pessoal contra o pecado, e com a graça de Deus quero mostrar a você algumas verdades para o consolo e fortalecimento do seu coração. Há um texto clássico sobre o assunto, que é o que está na carta de Paulo aos Filipenses, capítulo 2, versos 12 e 13:

“(...) desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”

Este texto fala do desenvolvimento da nossa salvação, que é um outro modo de se referir à santificação, e ele nos apresenta duas facetas desse processo: o dever do cristão e o agir de Deus; a parte do homem e a parte de Deus.

O papel do crente na santificação
A santificação é um processo que exige grande esforço do cristão. Enquanto a regeneração é uma ação instantânea e totalmente divina onde o homem é passivo (Ef 2:1), a santificação requer uma participação humana ativa. Dentre muitos textos, seleciono dois que demonstram claramente qual é o papel do filho de Deus: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena” (Cl 3:5) e “Exercita-te, pessoalmente, na piedade” (1 Tm 4:7).

Em outras palavras, devemos mortificar a carne e alimentar o nosso espírito. Se alimentarmos a nossa natureza perversa, ela se tornará cada vez mais forte e freqüentemente cairemos, mas se nutrirmos a nossa natureza espiritual, certamente seremos vitoriosos contra o pecado.

A nossa natureza terrena se fortalece sempre quando damos lugar à carne e relaxamos nos nossos deveres espirituais. Quando deixamos de lado a oração, o estudo e meditação nas Escrituras, a comunhão com os irmãos, enfim, aqueles meios pelos quais Deus nos concede graça, a carne ganha força. Isso também acontece quando passamos a permitir que as coisas do mundo entrem em nosso coração, que a sua filosofia ganhe algum espaço em nossa mente, que os seus caminhos influenciem a nossa vida.

Por isso, meus irmãos, eu os conclamo a se exercitarem na oração e jejum. Orem sem cessar, estejam sempre em espírito de oração. Quanto mais estivermos em comunhão com Deus, mais nos deleitaremos Nele e aborreceremos o pecado. Não desprezem também a leitura da Palavra! É na Bíblia que encontramos consolo e força para caminhar, é ela quem nos mostra a vileza do pecado e a santidade de Deus. Louvem o Seu nome em todo tempo, porque Ele habita em meio aos louvores e inspira a gratidão que nos impede de pecar contra o Senhor. Estejam sempre na comunhão dos irmãos, porque eles são nossos companheiros de corrida, que nos ajudam e precisam da nossa ajuda. Se envolvam com a obra de Deus, pratiquem o bem, ocupem a mente com pensamentos santos, e não terão tempo para as maldades do mundo.

Devemos estar em constante vigilância, irmãos. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”, disse o nosso Senhor. O pecado não dá trégua, o velho homem está sempre à procura de uma oportunidade para vir à tona. O diabo está sempre colocando as suas armadilhas para nos fazer cair, por isso temos sempre que resistir. Não se deixe tomar pelo sono, esteja com os olhos bem abertos, fique atento!

Precisamos continuamente nos encher do Espírito Santo, pois Ele é o nosso Aliado contra o pecado. Se há um texto bíblico que resume tudo isso que temos dito, é este: “andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl 5:16).

O papel de Deus na santificação
Falamos do dever do cristão na santificação, mas graças a Deus, meus irmãos, não estamos sozinhos na batalha. O Deus que iniciou a Sua boa obra em nós não nos desampara nunca, e a Sua mão está continuamente operando em nosso favor. Lemos em nosso texto que “Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar”, ou seja, Ele opera em nossos corações e nos torna desejosos a perseverar na santidade. Ainda que haja o nosso esforço, tanto o nosso querer como o nosso realizar provém Dele, é Ele quem está agindo em nós maravilhosamente. É como diz o profeta Ezequiel: “Porei dentro de vós o meu Espírito e farei com que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ez 36:27).

Há outros textos bíblicos que mostram a ação de Deus no processo da santificação, o Seu poder em nossas vidas, e quero citar alguns deles para a sua consolação.

O apóstolo Paulo, na sua grande exposição sobre a segurança eterna dos santos, disse que “o Espírito, semelhantemente, nos ajuda em nossa fraqueza; pois não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26). Ah, meus irmãos, o Espírito Santo é o nosso Grande Companheiro na vida cristã, e Ele nos ajuda em todas as nossas fraquezas. É Ele quem nos faz vencer o pecado e nos levanta quando caímos!

Lemos também que o poder de Deus “se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). Cristão, talvez você esteja olhando para você mesmo e contemplando um cristão cheio de fraquezas e falhas, mas eu o desafio a olhar para o poder de Deus que opera em você. Sim, o poder “que Ele exerceu sobre Cristo, ressuscitando-o dos mortos” (Ef 1:20), esta “suprema grandeza do Seu poder” (Ef 1:19) está em atividade em nossas vidas!

E que dizer de Hebreus 4:15-16? “Porque não temos Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. Você percebe que Jesus sabe o que é ser tentado? Ele foi grandemente tentado em todas as áreas, por isso Ele entende o quão difícil é suportar a tentação e pode se compadecer de nós para nos ajudar. Cristão, por acaso as tentações tem sido muito violentas e você tem sucumbido diante delas? O Seu Salvador se compadece de você, então vá com ousadia ao trono da graça e implore a Sua ajuda! Ele socorre você!

Regozijem-se no Senhor, filhos de Deus! “Ora, Àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória” (Judas 24). “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.” (2 Ts 5:23,24). “Todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo” (1 Jo 5:4).

E quando eu cair em pecado, o que farei? “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça” (I Jo 1:9)! Aleluia!

Conclusão
Enfim, meus irmãos, falamos um pouco sobre a nossa batalha diária contra o pecado. Vimos que temos o dever de nos esforçar, e que ao mesmo tempo Deus nos ajuda tremendamente. Qual será a sua reação diante dessas verdades? Você que tem caído em pecado e está em sonolência espiritual, continuará a ser relaxado em sua vida? E você que tem se desesperado porque não tem conseguido vencer certos pecados, vai ignorar o Deus que o ama e ajuda?

Com esse tema terminamos nossa série sobre a santificação, que o Senhor abençoe os leitores tremendamente, e que todos nós carreguemos como bandeira a “santidade ao SENHOR”!