RADIO IPB DE LIMOEIRO DO NORTE/CE
sexta-feira, 29 de junho de 2012
"A igreja tem se desviado da sã doutrina"
Ainda vivendo resquícios da Idade Média (séc XVI), o cristianismo passou por uma fase de caráter definitivo: a Reforma Protestante. Oficialmente iniciada na Alemanha por Martinho Lutero, o movimento se caracterizava pelo desejo de que falhas existentes na Igreja pudessem ser corrigidas e foi ganhando adeptos inicialmente pela Europa e posteriormente alcançou outros continentes.
A igreja evangélica desfruta nos dias atuais, muitos dos efeitos desse movimento, porém em diversas denominações, a Reforma Protestante e seus protagonistas já não mais lembrados com tanta frequência. Em entrevista exlcusiva ao Portal Guiame, o teólogo, escritor e atualmente diretor da Editora Luz para o Caminho, Pr. Hernandes Dias Lopes falou sobre a atual situação das Igreja em relação à sua história, o resgate de valores hoje perdidos e até mesmo a necessidade de uma “Nova Reforma Protestante”.
Confira a entrevista na íntegra:
Portal Guiame: A reforma protestante aconteceu motivada pela necessidade de mudança visível para o cristianismo no final da Idade Média. Em um artigo seu, você fala sobre a necessidade de uma nova reforma na Igreja Protestante. Quais pontos especificamente precisariam mais dessa reforma?
Hernandes Dias Lopes: Quando afirmamos que a Igreja Evangélica Brasileira está precisando de uma nova reforma, não estamos dizendo que precisamos de novos modelos de ação, como igreja celular. O que afirmamos com toda veemência é que a igreja tem se desviado da sã doutrina, ou seja, da doutrina apostólica e precisa retornar às suas origens. Uma nova reforma não é busca de novidades estranhas e forâneas às Escrituras, mas uma volta às Escrituras. Nossos púlpitos têm pregado prosperidade no lugar de arrependimento; têm pregado curas e milagres em lugar de novo nascimento; têm pregado psicologia de auto-ajuda, em lugar de ajuda do alto; têm pregado um antropocentrismo idolátrico, em vez de pregar a soberania de Deus, a centralidade de Cristo e o poder do Espírito Santo. A igreja evangélica brasileira precisa de um retorno aos solas da Reforma: Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solus Christus e Soli Deo Gloria.
Guiame: O sincretismo religioso tem se feito cada vez mais presente nas igrejas – até mesmo nas evangélicas – atraindo cada vez mais pessoas e confundindo-as quanto ao verdadeiro evangelho. Como é possível, hoje, combater esta prática?
Hernandes Dias Lopes: Segmentos da igreja evangélica brasileira têm aderido a práticas estranhas às Escrituras, caindo num verdadeiro sincretismo religioso. Muitos pregadores inescrupulosos, em busca de resultados imediatos ou até mesmo de lucro, mudam a mensagem, e acrescentam práticas místicas como água ungida sobre o rádio, rosa ungida, cair no espírito, e coisas semelhantes, levando o povo a colocar sua confiança em amuletos e coisas de nenhum valor aos olhos de Deus, aliás coisas contrárias às Sagradas Escrituras. Não temos o direito de mudar a mensagem para agradar o povo. O papel da igreja é ser fiel a Deus, ser íntegra na pregação da Palavra e viver em santidade de vida. O misticismo atrai multidões, mas mantém essas multidões prisioneiras do engano. Precisamos pregar Cristo e este crucificado. Precisamos pregar sobre a centralidade da cruz. Precisamos anunciar a salvação pela graça, mediante a fé.
Guiame: Grandes nomes que participaram da reforma protestante, como Martinho Lutero, João Calvino e outros têm sido, muitas vezes, esquecidos pelas igrejas evangélicas da atualidade. É possível fazer a menção a esses nomes sem que isso possa parecer idolatria ou simplesmente algum tipo de nostalgia?
Hernandes Dias Lopes: A nossa falta de memória nos leva a um presente confuso e a um futuro nebuloso. Quando voltamos a esses instrumentos levantados por Deus no tempo da Reforma não é para enaltecê-los, mas para relembrar as verdades benditas do evangelho que eles resgataram. Qualquer forma de idolatria é pecado. Qualquer exaltação humana na igreja está fora de propósito. Deus não divide sua glória com ninguém. Os reformadores jamais chamaram a atenção para si mesmos. Jamais buscaram o pedestal. Eles anunciavam Cristo. Eles proclamavam o evangelho. Deus abomina o culto à personalidade. Precisamos imitar os reformadores e voltar ao antigo evangelho, o evangelho da graça!
Guiame: Em seu artigo sobre o assunto você diz “A Reforma não foi um desvio do cristianismo primitivo, mas uma volta a ele”. Em que ponto você acha que perdeu-se o foco, desde aquele tempo até os dias atuais?
Hernandes Dias Lopes: Penso que alguns segmentos da igreja contemporânea perdeu o foco quando abraçou o liberalismo teológico de um lado e o misticismo por outro. Ambas as vertentes relativizam a Palavra de Deus. Uma retira da Bíblia o que lá está, a outra, acrescenta o que nela não está. O liberalismo nega o sobrenatural. O misticismo acrescenta um falso sobrenatural. O liberalismo tem matado igrejas em todo o mundo. Não temos sequer um exemplo de uma igreja liberal que tenha experimentado um reavivamento. Onde a Palavra de Deus não é considerada como inerrante, infalível e suficiente não há evangelho para ser pregado. Por outro lado, onde o evangelho é substituído por práticas místicas e sincréticas não é o evangelho genuíno que se anuncia. O sincretismo místico atrai multidões, mas sonega-lhes a verdade. Há igrejas cheias de pessoas vazias de Deus. O Senhor Jesus não precisa de admiradores. Ele quer discípulos. Estou certo de que precisamos de uma volta às Escrituras, uma volta à santidade, uma volta ao cristianismo bíblico, apostólico.
Por João Neto
Fonte: www.guiame.com.br
sábado, 9 de junho de 2012
A Santificação (Parte 1)
O que é santificação?
“E
todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a
glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua
própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Co 3:18)
Podemos
dizer que a santificação é o processo pelo qual o cristão torna-se cada
vez mais parecido com Cristo. Consiste em, constantemente, abandonar o
pecado e procurar viver de acordo com os mandamentos de Deus. Uma das
palavras usadas no NT para santificação é hagiadzo (Jo 10:36),
que significa separação. Assim, podemos dizer também que santificação é
separar-se do pecado, dedicando-se a Deus, mediante a operação do
Espírito Santo.
Todos
os cristãos passam por esse processo, de modo que, tão logo alguém é
justificado, começa também a se santificar. O justificado
necessariamente está se santificando.
E
também devemos dizer que apenas os cristãos conhecem esse processo.
Incrédulos não querem e nem podem se santificar. Não querem, pois tem
prazer no pecado e não desejam se separar dele; e não podem porque não
contam com o agir poderoso do Espírito dentro de si.
Tendo
procurado definir o que é santificação, passemos agora para o que não é
santificação. A mente carnal sempre confunde as coisas, distorcendo a
verdade de Deus, o que não é diferente com este assunto.
Primeiramente,
devemos dizer que a santificação não é apenas uma “moralização”, ou uma
apreensão de valores éticos e de bom comportamento. É claro que a moral
está inclusa, mas não é apenas isso. E digo mais: qualquer tentativa de
santidade que não vise à glória de Deus e não seja motivada por amor a
Ele, é maldita, sendo terrivelmente pecaminosa e inaceitável aos olhos
do Senhor.
Também
não devemos confundir santificação com professar alguma religião. Há
muitas religiões no mundo, cada uma delas com seus variados ensinos e
doutrinas, e é impossível ao homem que segue uma religião falsa conhecer
algo da santificação verdadeira. E mesmo entre os que professam seguir a
santa religião, a saber, o Cristianismo, há muitos hipócritas e
mentirosos, muitas pessoas que se misturam no meio do povo de Deus,
porém não fazem parte desse povo. Estão na igreja apenas porque se
sentem bem, ou porque apreenderam apenas mentalmente as verdades
cristãs, ou encontram lá um ambiente gostoso que ajuda a esquecer os
problemas da vida.
Muito
menos devemos achar que santificação é um isolamento do mundo, como
fazem aqueles que se enclausuram em um mosteiro, passando a vida em
atividades religiosas e com mínimo contato com outras pessoas. O pecado
não está “fora”, ele está dentro do ser humano, o próprio coração humano
é naturalmente mal. Ainda que alguém se esconda de tudo e de todos, a
natureza pecaminosa certamente se manifestará, de um modo ou de outro. A
ilusão dos monges é não compreender isso. A verdadeira santificação é
aquela em que, mesmo estando no mundo, o cristão não se corrompe com o
mundo, mas resplandece como o sol em meio a um sistema tenebroso.
Tornamos
a dizer: somente o cristão experimenta a santificação. Entraremos em
maiores detalhes sobre isso nos próximos tópicos deste estudo. Não deixe
de acompanhar! Que Deus te abençoe!
A Santificação (Parte 2)
O que há de diferente no cristão?
“Todo
aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que
permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando,
porque é nascido de Deus” (I Jo 3:9)
Observamos
de modo explícito, tanto nas Escrituras como no presente século, o
quanto o incrédulo odeia a Deus e ao Evangelho. Ele é indiferente à
Palavra de Deus, não se importa com o Seu Criador, e só quer viver para
agradar a si mesmo, amando mais as trevas do que a luz (Jo 3:19). O
mundo zomba do cristão e o persegue, odeia ao Pai e ao Filho (Jo
15:18-26), e se deleita no pecado (2Ts 2:12). E não somente isso, mas
“inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1:22), inventando
diversas teorias e filosofias para desonrar o único Deus. De tal modo é
corrompido o mundo, que se tornou inimigo do Deus de toda graça.
Porém,
enquanto vemos os incrédulos nessa miserável situação, podemos perceber
que há pessoas diferentes deles, que amam a Deus e odeiam o pecado, e
procuram viver uma vida de santificação. Enquanto muitos têm “coceira
nos ouvidos”, não querendo ouvir a voz de Deus, há outros que dizem
“fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (I Sm 3:10). Há algo diferente
nesses corações, que os leva a remar contra a maré. Enquanto o mundo tem
prazer no pecado, eles se entristecem profundamente quando pecam.
Enquanto o mundo considera Jesus como um bom homem, um simples mestre,
ou até mesmo um mentiroso, há aqueles que o amam supremamente e se
esforçam para andar segundo os seus mandamentos. Esses são os cristãos.
Diante
disso, nos perguntamos: o que há de diferente nessas pessoas? O que
ocorreu com o cristão, para que ele de tal modo abandone as suas
maldades e busque a santificação? Por que dissemos no primeiro tópico
deste estudo que só o cristão busca a santificação?
Em
primeiro lugar, devemos entender que não é devido a algum mérito
próprio, ou disposição natural do coração, pois as Escrituras declaram
que “não há justo, nem um sequer.” (Rm 3:10). A condição original do
homem é de pecado, rebeldia e maldade (Sl 51:5), e tão terrível é a sua
condição que Jesus declarou que ninguém pode crer Nele, se o Pai não o
conceder (Jo 6:44,65). Só o fato de alguém se tornar um cristão é um
grande milagre.
A
principal resposta que as Escrituras trazem é que o cristão busca a
santificação porque uma grande maravilha ocorreu no seu coração. Uma
obra que só Deus poderia realizar, e que Ele mesmo descreve pela boca do
profeta Ezequiel: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós
espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de
carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus
estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.” (Ez 36:26-27). Em
outras palavras, o que há de diferente no cristão é que ele nasceu de
novo (Jo 3:3-8). Deus, se compadecendo de pobres e miseráveis pecadores,
concedeu-lhes um novo coração, implantou neles um princípio de vida,
uma disposição gloriosa por conhecer a Deus e guardar os Seus
mandamentos. O cristão, como todos os outros homens, esteve morto em
delitos e pecados, porém Deus deu vida a este defunto espiritual, o
levando a crer no Evangelho e a buscar um estilo de vida separado do
pecado.
Assim,
o cristão é um pecador convertido. Antes ele amava o pecado e não dava
ouvidos à voz de Deus. Estava voltado para o mundo, e dava as costas a
Deus. Porém, chegou o dia em que o Espírito Santo operou poderosamente
em seu coração e, percebendo a sua terrível culpa e sua grande
necessidade, volveu os seus olhos para Cristo, se arrependeu e creu.
Agora, ele deu as costas ao mundo e se voltou para Deus, estando
decidido em viver uma vida agradável a Deus. Cumpriu-se o que Paulo diz:
“se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já
passaram; eis que se fizeram novas”. (2Co 5:17). O milagre do novo
nascimento!
O
cristão, por ter nascido de novo, não pode viver na prática do pecado,
como vimos no nosso primeiro versículo. Observe que o apóstolo João não
diz “não deve”, como se referindo a um dever moral do cristão. É claro
que o filho de Deus tem o dever moral de não andar no pecado. Mas João
vai mais além: “não pode”! É impossibilidade, incapacidade mesmo. Aquele
que nasceu de Deus não consegue viver na prática do pecado, de tal modo
foi transformado o seu coração que ele não quer nem saber de viver uma
vida de desobediência. Ele pode até cair em graves pecados, e se esfriar
terrivelmente por um tempo, mas a “divina semente” está nele, e assim
como a árvore boa não produz maus frutos, o cristão não vive em pecado.
Há
um outro texto bíblico que também explica o motivo do cristão andar em
santificação. Esse motivo é uma conseqüência do novo nascimento, porém é
vital que o compreendamos, por causa da sua grande importância. Jesus o
ensina em João 14:21,23: “Aquele tem os meus mandamentos e os guarda,
esse é o que me ama; e o que me ama será amado por meu Pai, e eu também o
amarei e me manifestarei a ele. (...) Se alguém me ama, guardará a
minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele
morada”. O cristão guarda os mandamentos de Cristo porque o ama! Jesus
foi e é muito bondoso para com o cristão, que o sabe muito bem. Ele é
cheio de graça e verdade. O cristão entende um pouco do glorioso amor de
Cristo, compreende que Ele deu a Sua vida para purificá-lo de todo
pecado, que Ele o amou com amor eterno! Assim, “nós o amamos porque Ele
nos amou primeiro” (1Jo 4:19)! O maior temor do cristão é ofender ao Seu
Salvador, e não há maior desejo em sua alma do que glorificá-Lo e
agradá-Lo. O cristão anela pelo “me manifestarei a ele”, o seu coração
bate forte pelo seu Amado, não há nada no mundo que se compare a estar
em comunhão com o seu Senhor. Ele se deleita em Deus! O nome de Jesus
está escrito no coração de cada cristão!
Por
fim, desejo fazer uma advertência a todos os meus leitores. Assim como
guardar os mandamentos de Jesus é a grande evidência de que o amamos,
viver na prática do pecado é a grande evidência de que não o amamos.
Considere o que o apóstolo João diz: “Todo aquele que permanece nele não
vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu.”
(1Jo 3:6). Não se engane, amigo! Se alguém vive na prática do pecado, é
sinal de que nunca conheceu a Cristo, nunca foi salvo, nunca nasceu de
Deus. Se algum de vocês acha que pode servir a Cristo e, ao mesmo tempo,
servir aos desejos da carne, saiba que isso é impossível. Ou se está
com Cristo, ou se está fora Dele. Você pode professar todas as verdades
cristãs, pode estar semanalmente no templo, pode até profetizar e fazer
milagres em nome de Jesus, porém se você vive no pecado, é sinal de que
você não conhece a Jesus. E se não se arrepender, ouvirá a terrível
condenação do Rei: “nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que
praticais a iniqüidade” (Mt 7:23).
Aquele
que nasceu de novo, que de fato é um cristão, busca a santificação.
Como está a sua vida? “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na
fé; provai-vos a vós mesmos.” (2Co 13:5).
A Santificação (Parte 3)
Os perigos do pecado na vida do cristão
“Enquanto
calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes
gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o
meu vigor se tornou em sequidão de estio.” (Salmo 32:3,4)
Já
falei a respeito do que é santificação, bem como expliquei o porquê do
cristão remar contra a maré, vivendo de modo santo. Agora, com a graça
de Deus abordarei a questão dos perigos do pecado na vida do cristão,
daquele que nasceu de novo.
Antes
de tudo, relembremos, resumidamente, algumas coisas que a Bíblia diz a
respeito do pecado. Primeiramente, “o pecado é a transgressão da lei” (I
Jo 3:4). Deus deu ao homem mandamentos justos e bons, os quais, quando
obedecidos, redundam em glória a Deus e em felicidade para nós. Porém,
quando negligenciamos essas ordens do Soberano, não as cumprindo,
estamos cometendo pecado. Assim, percebemos que o pecado é uma grande
rebeldia do homem, é um insulto terrível ao Criador de todas as coisas,
uma ofensa ao Rei do universo. É como se o pecador estivesse dizendo:
“eu não me importo com Deus, o que Ele ordena não significa nada para
mim; eu quero viver de acordo com os meus próprios desejos, eu sei mais
do que ninguém o que é melhor para mim”. Pereça tal pensamento!
A
malignidade do pecado se agrava mais ainda quando pensamos sobre o
caráter Daquele que é ofendido. Deus é amor, a Sua bondade dura para
sempre, Ele é cheio de misericórdia e ternura. Nele não há nada que seja
impuro, Ele é santíssimo e cheio de graça. Veja, amigo, que não é
contra alguém mau ou cruel que o homem peca, antes, é contra o mais
amável do universo! Consideremos também os benefícios que Deus dá ao
homem, como a vida, o alimento, a bebida, as vestes, a alegria do
coração, e inumeráveis bênçãos. O homem peca contra Aquele que o abençoa
diariamente, que o mantém vivo! Que ingratidão! O pecado é tolice, é
odioso, é amargo, procede do diabo e produz a morte!
A
grande conseqüência do pecado é a morte (Rm 3:23), se referindo à morte
espiritual, à morte física, e também à segunda morte, no lago de fogo e
enxofre (Ap 20:14). Porém nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, fomos
salvos do pecado e do seu salário. Ele carregou os nossos pecados no
calvário, ofereceu o sacrifício perfeito que remove todas as ofensas,
tanto as passadas como as futuras, eternamente. Fomos vivificados pelo
Espírito, jamais provaremos a segunda morte, absolutamente nunca haverá
condenação para nós, porque todo o nosso pecado já foi punido em Cristo,
e o “escrito de dívidas que era contra nós” foi cravado na cruz, de uma
vez por todas.
Contudo,
mesmo nós, que somos salvos, estamos sujeitos a pecar, enquanto
estivermos nesse mundo. O apóstolo João é claríssimo quando diz: “Se
dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a
verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados...” (I Jo
1:8-9a). E o pecado gera conseqüências em nossas vidas, mesmo como
filhos de Deus.
Antes
de falar dos males que o pecado traz para nós, que somos justificados,
gostaria de falar daquilo que o pecado não faz a nós. E o principal
ponto é: o pecado não faz com que “percamos a nossa salvação”. Algumas
pessoas acham que, se o cristão cometer terríveis pecados, pode deixar
de ser salvo. Outros pensam que o cristão pode chegar ao ponto de
blasfemar contra o Espírito Santo. Outros ainda sustentam que se o
cristão pecar, e logo depois morrer, estará eternamente perdido. Porém,
tal doutrina é antibíblica. Jamais podemos, irmãos, conceber que uma
ovelha de Cristo seja lançada no inferno, pois Ele garantiu que “nunca
hão de perecer, e ninguém as arrebatará de minha mão”. É impossível que
alguém que tenha sido justificado possa no fim das contas ser condenado,
pois senão o Juiz infalível teria errado em seu pronunciamento, teria
voltado atrás com relação aos seus dons, que são irrevogáveis, e a
gloriosa e triunfante passagem de Romanos 8:30 (“aos que justificou, a
estes também glorificou”) seria uma grande mentira. Oh meus irmãos, o
Filho de Deus teria falhado em sua missão, pois Ele diz: “a vontade de
quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo
contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6:39). É inconcebível
que Deus não conclua a boa obra que começou em nós, o seu povo (Fl 1:6).
Portanto, vocês, que já foram alcançados pela graça de Deus, saibam que
não poderão perder a sua salvação.
Algum
insensato poderá questionar: “ora, se eu jamais poderei perder a minha
salvação, porque me preocupar com a santificação? Vou viver uma vida
segundo os prazeres da carne, me deleitando no pecado!”. Esse tipo de
frase me assusta. Pode proceder isso dos lábios de um cristão? Essa
declaração é um tanto estranha a um filho de Deus. Aqueles que nasceram
de Deus odeiam o pecado, e amam ao seu Senhor supremamente. Como
poderiam cogitar em viver uma vida assim? Eles foram transformados, suas
mentes foram renovadas, receberam um novo coração. Jamais diriam ou
fariam uma coisa dessas. Não podem viver na prática do pecado.
O
pecado também não faz com que o cristão deixe de ser filho de Deus, ou
passe a ser menos amado por Ele. Não é porventura o Seu amor qualificado
como eterno? (Jr 31:3). O amor de Deus é incondicional e imutável, Ele
nos amou desde antes da fundação do mundo, Ele nos ama assim como ama a
Cristo! (Jo 17:23).
Tendo considerado o que o pecado não faz ao cristão, consideremos alguns dos terríveis males que ele causa.
O
primeiro deles que quero citar é que o pecado entristece a Deus. É por
isso que o apóstolo Paulo disse: “não entristeçais o Espírito de Deus,
no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef. 4:30). Que pai não
fica triste, quando o seu filho, a quem tanto ama e tanto faz bem, o
desobedece? O prazer de Deus é ver os seus filhos andando santamente.
Cristão, porventura você pode suportar a visão da tristeza do Pai por
causa do seu pecado?
Uma
segunda conseqüência do pecado é que ele traz a correção de Deus. Ele,
como um bom Pai, repreende e castiga os Seus filhos, a quem ama. E o
castigo pode ser dolorido, apesar de ser para o nosso supremo bem.
Imagine, meu irmão, não só o olhar de tristeza do Pai, porém também o
Seu olhar de desaprovação e repreensão, por causa do seu pecado! Se
quando o nosso pai terreno fazia isso, o nosso coração já se partia,
imagine quando o Pai eterno faz isso! Cuidado, irmão, Deus tem em suas
mãos vara para corrigir seus filhos desleixados.
Devemos
considerar também que o pecado traz muito pesar ao coração do cristão
(Sl 32:3-4). Quando o salvo peca, ele se entristece profundamente,
porque entende que ofendeu ao Seu Salvador a quem tanto ama. Ele fica
privado da alegria da salvação, chega ao ponto de sentir vergonha de
adentrar na presença de Deus, ou de participar das reuniões de culto a
Deus, prejudicando assim até mesmo a sua comunhão com o Pai. E mais: o
pecado nos impede de desfrutar da plenitude da vida cristã, da “vida
abundante”, do “ser tomado pela plenitude de Deus”, etc. Também
obscurece a nossa visão das coisas espirituais!
Todas
essas terríveis conseqüências já bastariam, porém há mais. O pecado
torna o crente desqualificado para o ministério, pode destruir o seu
testemunho diante dos homens, dá ocasião a que os homens blasfemem de
Cristo! Por causa do pecado, Deus pode até mesmo “encurtar” a vida do
cristão, punindo-o com morte, para que o espírito seja salvo no dia de
Cristo! (I Co 5:5)
Por
fim, meu querido irmão, quero lhe fazer um apelo. Você observou as
terríveis conseqüências do pecado? O seu efeito é devastador, mesmo para
o coração do servo de Deus. Você continuará a viver uma vida desleixada
com relação à santificação, ou a tolerar certos pecados em sua vida?
Desperte, cristão! O pecado é perigoso para você, então aprenda a
“passar de largo”, a se desviar do mal, a fugir do pecado! Evite as
companhias que induzem ao pecado, os programas televisivos, os sites da
internet, as músicas, ou qualquer outra coisa que porventura faça você
tropeçar. Vigie e ore! Mortifique a sua natureza carnal! Ouça o clamor
de Deus, amado irmão, quando Ele diz: “retirai-vos do meio deles,
separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos
receberei” (II Co 6:17). O Soberano ordena, com todas as letras: “sede
santos, porque Eu sou santo” (I Pe 1:16).
A Santificação (Parte 4)
A batalha contra o pecado
“Porque
a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque
são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do
vosso querer.” (Gl 5:17)
Chegamos
ao último tópico de nossa série sobre a santificação, e terminaremos de
modo bem prático, abordando a batalha individual do crente contra o
pecado.
Em
primeiro lugar, precisamos estabelecer que a batalha contra o pecado só
começa na vida de uma pessoa quando esta é salva pela graça de Deus. No
seu estado natural, o ser humano é dominado pela sua natureza
pecaminosa, tem grande prazer no pecado e não pensa em se afastar dele.
Não há fome e sede de justiça, é escravo do pecado e o pratica
deliberadamente. (Jo 8:34, Ef 2:3, Rm 3:9-18)
E
o cristão, mesmo tendo sido regenerado, ainda possui uma natureza
carnal (Gl 5:17; Rm 7:18). A culpa e a penalidade do pecado foi de todo
removida, ele está plenamente justificado, porém a semente da corrupção
ainda permanece, o pecado original persiste, de modo que o cristão só
será plenamente livre da presença do pecado na glorificação final.
Assim, observamos de modo claro nas Escrituras que há estes dois
princípios operando no crente: a carne, que é a sua natureza pecaminosa,
e o Espírito, que operou a regeneração e que habita nele. Podemos dizer
que, na conversão de um homem, a carne é gravemente ferida, porém a sua
influência continua existindo.
A
presença do Espírito na vida do cristão explica o porquê dele viver uma
vida de santificação e temor de Deus. Este Espírito opera eficazmente
nele, trabalha profundamente em seu coração e o leva a amar e buscar a
Deus. E a continuidade da presença da “carne” também nos dá o motivo
pelo qual os filhos de Deus ainda enfrentam dificuldades no seu processo
de santificação, caem em tentações e ficam aquém do estado em que tanto
gostariam de estar.
Talvez
você, meu irmão, esteja com problemas na sua batalha pessoal contra o
pecado, e com a graça de Deus quero mostrar a você algumas verdades para
o consolo e fortalecimento do seu coração. Há um texto clássico sobre o
assunto, que é o que está na carta de Paulo aos Filipenses, capítulo 2,
versos 12 e 13:
“(...)
desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem
efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa
vontade.”
Este
texto fala do desenvolvimento da nossa salvação, que é um outro modo de
se referir à santificação, e ele nos apresenta duas facetas desse
processo: o dever do cristão e o agir de Deus; a parte do homem e a
parte de Deus.
O papel do crente na santificação
A
santificação é um processo que exige grande esforço do cristão.
Enquanto a regeneração é uma ação instantânea e totalmente divina onde o
homem é passivo (Ef 2:1), a santificação requer uma participação humana
ativa. Dentre muitos textos, seleciono dois que demonstram claramente
qual é o papel do filho de Deus: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza
terrena” (Cl 3:5) e “Exercita-te, pessoalmente, na piedade” (1 Tm 4:7).
Em
outras palavras, devemos mortificar a carne e alimentar o nosso
espírito. Se alimentarmos a nossa natureza perversa, ela se tornará cada
vez mais forte e freqüentemente cairemos, mas se nutrirmos a nossa
natureza espiritual, certamente seremos vitoriosos contra o pecado.
A
nossa natureza terrena se fortalece sempre quando damos lugar à carne e
relaxamos nos nossos deveres espirituais. Quando deixamos de lado a
oração, o estudo e meditação nas Escrituras, a comunhão com os irmãos,
enfim, aqueles meios pelos quais Deus nos concede graça, a carne ganha
força. Isso também acontece quando passamos a permitir que as coisas do
mundo entrem em nosso coração, que a sua filosofia ganhe algum espaço em
nossa mente, que os seus caminhos influenciem a nossa vida.
Por
isso, meus irmãos, eu os conclamo a se exercitarem na oração e jejum.
Orem sem cessar, estejam sempre em espírito de oração. Quanto mais
estivermos em comunhão com Deus, mais nos deleitaremos Nele e
aborreceremos o pecado. Não desprezem também a leitura da Palavra! É na
Bíblia que encontramos consolo e força para caminhar, é ela quem nos
mostra a vileza do pecado e a santidade de Deus. Louvem o Seu nome em
todo tempo, porque Ele habita em meio aos louvores e inspira a gratidão
que nos impede de pecar contra o Senhor. Estejam sempre na comunhão dos
irmãos, porque eles são nossos companheiros de corrida, que nos ajudam e
precisam da nossa ajuda. Se envolvam com a obra de Deus, pratiquem o
bem, ocupem a mente com pensamentos santos, e não terão tempo para as
maldades do mundo.
Devemos
estar em constante vigilância, irmãos. “Vigiai e orai, para que não
entreis em tentação”, disse o nosso Senhor. O pecado não dá trégua, o
velho homem está sempre à procura de uma oportunidade para vir à tona. O
diabo está sempre colocando as suas armadilhas para nos fazer cair, por
isso temos sempre que resistir. Não se deixe tomar pelo sono, esteja
com os olhos bem abertos, fique atento!
Precisamos
continuamente nos encher do Espírito Santo, pois Ele é o nosso Aliado
contra o pecado. Se há um texto bíblico que resume tudo isso que temos
dito, é este: “andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência
da carne” (Gl 5:16).
O papel de Deus na santificação
Falamos
do dever do cristão na santificação, mas graças a Deus, meus irmãos,
não estamos sozinhos na batalha. O Deus que iniciou a Sua boa obra em
nós não nos desampara nunca, e a Sua mão está continuamente operando em
nosso favor. Lemos em nosso texto que “Deus é quem efetua em vós tanto o
querer como o realizar”, ou seja, Ele opera em nossos corações e nos
torna desejosos a perseverar na santidade. Ainda que haja o nosso
esforço, tanto o nosso querer como o nosso realizar provém Dele, é Ele
quem está agindo em nós maravilhosamente. É como diz o profeta Ezequiel:
“Porei dentro de vós o meu Espírito e farei com que andeis nos meus
estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ez 36:27).
Há
outros textos bíblicos que mostram a ação de Deus no processo da
santificação, o Seu poder em nossas vidas, e quero citar alguns deles
para a sua consolação.
O
apóstolo Paulo, na sua grande exposição sobre a segurança eterna dos
santos, disse que “o Espírito, semelhantemente, nos ajuda em nossa
fraqueza; pois não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito
intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26).
Ah, meus irmãos, o Espírito Santo é o nosso Grande Companheiro na vida
cristã, e Ele nos ajuda em todas as nossas fraquezas. É Ele quem nos faz
vencer o pecado e nos levanta quando caímos!
Lemos
também que o poder de Deus “se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9).
Cristão, talvez você esteja olhando para você mesmo e contemplando um
cristão cheio de fraquezas e falhas, mas eu o desafio a olhar para o
poder de Deus que opera em você. Sim, o poder “que Ele exerceu sobre
Cristo, ressuscitando-o dos mortos” (Ef 1:20), esta “suprema grandeza do
Seu poder” (Ef 1:19) está em atividade em nossas vidas!
E
que dizer de Hebreus 4:15-16? “Porque não temos Sumo Sacerdote que não
possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi Ele tentado em
todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos,
portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos
misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. Você
percebe que Jesus sabe o que é ser tentado? Ele foi grandemente tentado
em todas as áreas, por isso Ele entende o quão difícil é suportar a
tentação e pode se compadecer de nós para nos ajudar. Cristão, por acaso
as tentações tem sido muito violentas e você tem sucumbido diante
delas? O Seu Salvador se compadece de você, então vá com ousadia ao
trono da graça e implore a Sua ajuda! Ele socorre você!
Regozijem-se
no Senhor, filhos de Deus! “Ora, Àquele que é poderoso para vos guardar
de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da
sua glória” (Judas 24). “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o
vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e
irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos
chama, o qual também o fará.” (2 Ts 5:23,24). “Todo aquele que é nascido
de Deus vence o mundo” (1 Jo 5:4).
E
quando eu cair em pecado, o que farei? “Se confessarmos os nossos
pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos
purificar de toda injustiça” (I Jo 1:9)! Aleluia!
Conclusão
Enfim,
meus irmãos, falamos um pouco sobre a nossa batalha diária contra o
pecado. Vimos que temos o dever de nos esforçar, e que ao mesmo tempo
Deus nos ajuda tremendamente. Qual será a sua reação diante dessas
verdades? Você que tem caído em pecado e está em sonolência espiritual,
continuará a ser relaxado em sua vida? E você que tem se desesperado
porque não tem conseguido vencer certos pecados, vai ignorar o Deus que o
ama e ajuda?
Com
esse tema terminamos nossa série sobre a santificação, que o Senhor
abençoe os leitores tremendamente, e que todos nós carreguemos como
bandeira a “santidade ao SENHOR”!
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