RADIO IPB DE LIMOEIRO DO NORTE/CE

segunda-feira, 1 de março de 2010

A PROPÓSITO DO QUINCENTENÁRIO DE JOÃO CALVINO



“Cor meum tibi offero, Domine, prompte et sincere”.[1]

Neste ano (10 de julho de 2010) marca o aniversário de 5001 anos do nascimento do reformador francês Jean Cauvin, ou como é popularmente conhecido no Brasil e nos demais países lusófonos, João Calvino. Trata-se de uma data importante para o protestantismo mundial, especialmente, para os protestantes da tradição reformada ou calvinista. Exatamente há 500 anos (10 de julho de 1509) nasceu na cidade francesa de Noyon, região da Picardia, aquele que, anos mais tarde, seria alcunhado com justiça de “A Mente da Reforma” ou “O Exegeta da Reforma”.[2] Isso devido ao fato de que, no que concerne à Reforma Protestante, podemos afirmar que, enquanto Lutero foi o desbravador e iniciador, João Calvino foi o sistematizador e grande organizador do movimento.

Não tenho o propósito de escrever um post que se constitua numa obra-prima sobre Calvino. Até porque, mesmo que tal fosse o meu intento, deparar-me-ia com dois enormes problemas: 1) a impossibilidade, pois um blog é um espaço por demais pífio e diminuto; e 2) a incapacidade, pois o gênio de Calvino é incompreendido até mesmo pelos seus mais ilustres biógrafos. No entanto, quero aqui apenas apresentar minha gratidão a Deus pela figura histórica e notável do Reformador de Genebra.

Calvino aparece elencado na História do Cristianismo como um dos grandes teólogos que já existiram. De acordo com a minha leitura da história (há quem discorde, e para isso tem total liberdade!), ele aparece como o terceiro maior teólogo que o Cristianismo já produziu, ficando atrás do apóstolo Paulo e de Agostinho de Hipona. Como tal, Calvino foi um gigante, e como afirma o Prof. Armando Araújo Silvestre, “os gigantes do passado tornaram-se paradigmas para o presente o futuro”.[3] Todavia, creio que a importância de João Calvino como paradigma para o protestantismo brasileiro ainda não foi devidamente compreendida. Para a grande maioria dos evangélicos brasileiros Calvino ainda permanece nas sombras, como uma figura desconhecida.

Particularmente, como presbiteriano que sou, sinto-me triste por perceber como mesmo em nosso meio jaz uma verdadeira ignorância quanto ao nosso passado. Mais triste ainda é perceber no meio presbiteriano alguns traços de descaso e desrespeito para com o legado deixado por Calvino. Mais uma vez, valho-me das palavras do Prof. Armando para expressar minha tristeza:

A triste constatação de que nem mesmo os que se dizem fiéis calvinistas conhecem algo de substancial desse reformador universal chega a estarrecer. Há mesmo alguns que se dizem guardiães da herança deixada por Calvino, mas que não conseguem passar de meras citações a favor ou contra, com acusações pesadas ou defesas apaixonadas. Leitura e compreensão para acusar ou defender? Quase nada. Conhecimento? Praticamente nulo.[4]

É no mínimo curioso que Jabocus Arminius, considerado como o grande antagonista de Calvino, tenha demonstrado duas coisas que muitos dos seus pretensos “herdeiros” não demonstram: respeito e consideração. Segundo Arminius, “João Calvino está um nível acima de qualquer comparação, no que diz respeito à interpretação da Escritura. Os seus comentários precisam ser muito mais valorizados do que qualquer dos escritos que recebemos dos pais da igreja”.[5]

É preciso enfatizar que, Calvino não inventou nada, nenhuma doutrina, nenhuma prática. Ele simplesmente identificou, de forma hábil, o que já se encontrava registrado de forma inspirada nas Sagradas Escrituras. Ele não inventou a doutrina da predestinação, como alguns sugerem. Apenas expôs o que a Bíblia traz em seu escopo sobre este assunto. Ele também não inventou o assassinato por motivações religiosas, como alguns o acusam como principal responsável pela morte do médico espanhol Miguel Serveto (1553). Com tanta informação disponível sobre este incidente, é de admirar que ainda hoje existam indivíduos que o difamem por causa disso. Tais apedeutas ignóbeis e obtusos desconhecem que Serveto já havia sido condenado pela Igreja Católica Romana e era caçado pela Inquisição, tendo fugido da cidade francesa de Vienne. É importante que se diga, que Calvino, apesar de não ter sido responsável pela morte de Serveto, consentiu com a sua morte. O problema é que os opositores de Calvino o apresentam como um desalmado violento e excessivamente cruel. Ele pode ser acusado de intolerância, não de crueldade. Eis suas palavras sobre o assunto numa carta a Guilherme Farel: “Espero que Serveto seja condenado à morte, mas desejo que seja poupado da atrocidade da pena”.[6] Pena que o Pequeno Conselho (Petit Conseil) de Genebra não tenha dado ouvidos a Calvino. Sem querer me estender muito nesse assunto, penso que será elucidativo lembrar que, de acordo com Alister McGrath, os habitantes de Genebra eram divididos em três grupos distintos: 1) os citoyens ou cidadãos, grupo composto por aqueles que nasceram e foram batizados em Genebra e eram filhos de outros citoyens; 2) os bourgeois ou burgueses, grupos composto por pessoas abastadas que tinham condições de adquirir ou negociar o título de bourgeois; e 3) os habitants ou habitantes, que não se enquadravam nessas duas categorias, porém, eram estrangeiros que residiam legalmente na cidade, com nenhum direito a voto, de portar armas ou de assumir qualquer posto público na cidade. Calvino não era suíço, era francês, portanto, um estrangeiro. No caso de Serveto, “como um mero habitant, ele era rigorosamente excluído da administração da justiça civil e criminal”.[7] Coloco a próxima frase em letras garrafais na tentativa de ajudar os analfabetos funcionais de plantão a compreenderem a História: QUEM CONDENOU E EXECUTOU SERVETO FOI O PEQUENO CONSELHO DE GENEBRA, DO QUAL CALVINO NÃO FAZIA PARTE!

É preciso dizer também que, Calvino não é o pai do capitalismo selvagem, como frequentemente é afirmado. Em parte, isso é devido à interpretação confusa que Max Weber faz da ética calvinista sobre o trabalho, e, em parte, isso também é uma consequência de inúmeras interpretações bestiais da obra de Weber. Calvino não trouxe o capitalismo para Genebra. Pelo contrário, quando chegou a Genebra, Calvino já encontrou uma cidade aquecida pelo comércio e com toda a estrutura ideal para o desenvolvimento do sistema capitalista. A gênese do capitalismo genebrino remonta a meados do século XV, portanto, é anterior a Calvino.

João Calvino foi, na realidade, unus de plebe (um do povo comum).[8] Ele foi um homem devoto a Deus; um homem que apresentou seu coração “pronto e sincero” ao Senhor. Ele foi grandemente usado por Deus para organizar o movimento da Reforma Protestante e transformar toda uma cidade. Em Genebra, sua influência foi exercida primariamente por sua dedicação à pregação. Seu único desejo era servir ao Senhor, como ele mesmo afirmou: “Basta-me viver e morrer por Cristo, o qual é lucro para todos os seus seguidores, tanto na vida como na morte”.[9] Logicamente, ele não foi perfeito. Ele também teve de lutar com os seus próprios pecados, os quais lhe eram tão evidentes. No entanto, como um vaso nas mãos do oleiro, foi usado para levar a fiel pregação da Palavra a um povo faminto e carente. A influência de João Calvino ainda hoje pode ser sentida na teologia, educação, política e economia.

A importância de João Calvino para nós reside no fato de que, ele nos deu um notável exemplo do que é viver para a glória de Deus somente. Diferentemente do que acontece na grande maioria das igrejas evangélicas do nosso tempo, não encontramos no pensamento e na vida de Calvino nenhuma tentativa de fazer algo dissociado da vontade de Deus revelada nas Sagradas Escrituras. Somos herdeiros de uma tradição riquíssima, amplamente fundamentada na Palavra. Precisamos valorizar (que ninguém entenda isso como idolatrar!) mais o legado deixado a nós por este servo de Deus.

Pessoalmente, sinto-me duplamente abençoado por Deus: por pertencer ao ramo do Cristianismo Protestante conhecido como Calvinismo, e também por ter tido a graça de nascer no mesmo dia em que nasceu João Calvino, 10 de julho. Parabéns pra mim duas vezes!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

REFORMA E IGREJA MODERNA


Contexto da Reforma
Carlos V

Contexto Político e Social da Europa / Grandes Descobrimentos / Turcos Otomanos / A Igreja


Erasmo e os Humanistas
Erasmo

Humanistas Importantes / Erasmo de Roterdã / Erasmo vs. Lutero


Martinho Lutero - Parte 1
Lutero

O Soldado / Altos e Baixos / Inimigos / A Palavra Fez Tudo / Família / Erros


Martinho Lutero - Parte 2 - Teologia
Lutero - 95 Teses

Solas / Romanos 1:17 / Metodologia / Melanchton


Zwinglio
Zwinglio

Zurique / 67 Artigos / Soli Deo Gloria / Zwinglio vs. Lutero / Bullinger


Radicais da Reforma
Radicais da Reforma

Alemanha / Anabatistas / Menno Simmons / São antepassados dos batistas?


Calvino - Parte 1
Calvino

Genebra / Estrasburgo / Família / Genebra de novo / Serveto


Calvino - Parte 2 - Teologia
Calvino

Comentários / Institutas da Religião Cristã


Reforma na Inglaterra
Henrique VIII

Igreja Anglicana - Reis e Rainhas / Anglicanismo / Líderes da Reforma


John Knox e a Reforma na Escócia
John Knox

John knox: Origens / Inglaterra e Alemanha / Genebra com Calvino / Escócia


A Reforma Católica Romana
Concílio de Trento

Contra-reforma / Companhia de Jesus / Espanha - bastião do catolicismo / Concílio de Trento


Resultados da Reforma
Massacre São Bartolomeu

Divisão, Reforma e Avivamento


Os Puritanos
Assembléia de Westminster

O Que é? / Grandes Nomes / Por Que Não Deu Certo? / Algumas Características / Assembléia de Westminster


Protestantismo no Novo Mundo
Mayflower

França Antártica / Puritanos na Nova Inglaterra / Roger Williams


Iluminismo e Romantismo
Descartes

Iluminismo - Racionalismo, Empirismo e Deísmo / Romantismo - Rousseau e Schleiermacher


Pietismo
Conde Zinzendorf e os morávios

Philip Jacob Spener / Universidade de Halle / Conde Zinzendorf e os Morávios


Avivamento Evangélico na Grã-bretanha
John Wesley

Morávios / Metodistas / John Wesley / George Whitefield


Grande Despertamento nos Estados Unidos
George Whitefield

Sonolência / Jovens Pregadores / George Whitefield / Evangelicalismo


Jonathan Edwards
Jonathan Edwards

Importante Hoje / Sua Vida / O Legado de Edwards


Segundo Grande Despertamento nos EUA
Charles Finney

Revolução / Expansão da Fronteira / Asahel Nettleton / Charles Finney / Grandes Transformações


Missões no Grande Século
William Carey

Primeiros sucessos / William Carey / Comitês e Sociedades Missionárias


Cristianismo e Liberalismo
John Gresham Machen

A Força das Idéias / Cinco Livros / John Gresham Machen


Protestantismo no Brasil
Primeira igreja batista em Salvador 1882

Huguenotes / Luteranos / Metodistas / Presbiterianos / Batistas / Assembléia de Deus


Grandes Nomes dos Séculos XX e XXI
D.M.Lloyd-Jones

Doutor Martyn Lloyd-Jones e companhia

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domingo, 31 de janeiro de 2010

Graça e Conhecimento


Graça e Conhecimento
“Crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.”
(II Pedro 3.18)

A bíblia manda que cresçamos em graça e em conhecimento (II Pe 3.18). Isso é mais que óbvio, já que até Jesus crescia nestes dois aspectos da vida cristã (Lc 2.52) e manifestou seu ministério com esses dois atributos bem visíveis (Jo 1.14). Sabendo disto, não quero falar sobre os benefícios de obedecer este mandamento, que são muitos. O que eu desejo falar neste artigo é sobre a medida de empenho que empregamos em cada um desses dois aspectos da vida cristã. Quero falar sobre a medida da Graça e a medida do Conhecimento que buscamos adquirir.

O que é muito prejudicial nos dias de hoje é que as pessoas não buscam crescer nestes dois atributos de uma maneira saudável e bem medida. O que mais acontece hoje é que as pessoas ou buscam exclusivamente a graça ou buscam exclusivamente o conhecimento. Poucos são os que buscam de um modo sóbrio desenvolver a graça e o conhecimento equivalentemente, sem focalizar excessivamente um ou o outro.

A Graça e o Conhecimento devem crescer sempre juntos. O desenvolvimento de um desses em detrimento do outro pode ser desastroso. Se, por algum motivo, um bom cristão passa a ignorar a graça de Deus (mesmo sem perceber) e começa a mergulhar em um estudo apenas intelectual das escrituras, por um tempo ele será edificado, mas com o passar dos dias, ele pensará que está crescendo em conhecimento, mas, na verdade, ele está apenas vivificando seu raciocínio carnal para interpretar a Palavra e Deus. Com isso, ele acabará se tornando um escravo da erudição. Na melhor das hipóteses, ele será servo de uma ortodoxia morta.

No outro lado, quando ele se entrega às manifestações da graça de Deus e ignora o estudo teológico das escrituras, por um tempo curto ele estará atuando de acordo com o poder de Deus, mas, rapidamente, perderá o guiar do Espírito Santo manifesto através da Palavra de Deus. Achando que está crescendo na Graça, estará crescendo na sua própria emoção e em manifestações anti-bíblicas.

Temos que analisar nossas vidas e ver se estamos realmente de acordo com a Palavra de Deus. Precisamos nos examinar para saber se estamos crescendo de um modo saudável na Graça e no Conhecimento do nosso Senhor Jesus. "Examine-se, pois, o homem a si mesmo." (I Co 11:28).

Em relação ao conhecimento, o tempo que passamos orando antes de estudar as Escrituras nos mostra se a nossa confiança está em Deus ou na carne. Se oramos pouco para que Deus nos ilumine, isso mostra que confiamos no nosso próprio raciocínio e erudição para interpretar as escrituras, e com certeza nos tornaremos escravos de nossa própria mente carnal. Quando oramos profundamente a Deus suplicando que Ele nos dê o conhecimento e a interpretação correta de cada verso, isso mostra que confiamos em Deus para nos dar o conhecimento correto da sã doutrina. Isso é que representa um estudo teológico saudável. Como dizia Lutero: “Orar bem é a melhor parte dos estudos.[1]”

Outro ponto que mostra se somos escravizados pela teologia vã é quando nos tornamos como os doutores da Lei, os quais Cristo combateu vorazmente. Estudando, mas não praticando. Pregando, mas não vivendo. Atando fardos, mas sem levantá-los (Lc 11.45-52). Iguais àqueles que gritam “Senhor! Senhor!”, mas que praticam a iniquidade (Mt 7.21-23). Achando que conhece a Deus, mas vivendo uma mentira (I Jo 2.4). Esse ponto é muito importante e devemos ressaltá-lo bem.

Após nos lembrar que o reino de Deus não consiste em palavras, mas em virtude (Mt 23:3; I Co 4:20), John Bunyan, em O Peregrino[2], nos expõe a vida de um falso mestre chamado Loquaz:
Haiti-VE
O que Jesus diria sobre a catástrofe?

Naquela ocasião, alguns dos que estavam presentes contaram a Jesus que houve um deslizamento de terra em Angra dos Reis. Jesus respondeu:

"Vocês pensam que esses cariocas eram mais pecadores que todos os outros, por terem sofrido dessa maneira? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. Ou vocês pensam que aqueles 200 mil que morreram, no terremoto do Haiti, eram mais culpados do que todos os outros habitantes do Haiti? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão".

Então contou esta parábola: "Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Foi procurar fruto nela, e não achou nenhum. Por isso disse ao que cuidava da vinha: 'Já faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não acho. Corte-a! Por que deixá-la inutilizar a terra?' "Respondeu o homem: 'Senhor, deixe-a por mais um ano, e eu cavarei ao redor dela e a adubarei. Se der fruto no ano que vem, muito bem! Se não, corte-a' ".

(Paráfrase de Lucas 13:1-9)



FAQ-Haiti

Deus estava no controle do terremoto do Haiti?
Sim, nada escapa de seu controle (nem a morte de pardais, nem a queda de fios de cabelos – Mateus 10:29-30), Ele promove a paz e causa a desgraça (Isaías 45:7) e em tudo isso, todas as coisas Lhe servem (Salmo 119:91)

Deus matou aquelas aproximadas 200 mil pessoas (estimativa) no Haiti?
Sim, e Ele tira a vida de aproximadamente 150 mil pessoas por dia (estimativa atual). “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela.” (1 Samuel 2:6)

O fato de Deus estar por trás de uma catástrofe como essa reflete sua vingança contra um povo que pratica idolatria?
Pode até ser, mas não nos cabe julgar isso, porque como disse Jesus no texto supracitado, eles não são mais pecadores e merecedores da condenação divina que qualquer outro. E digo mais, que qualquer outro cristão! Somos salvos pela misericórdia de Deus. Não temos nada em nós para nos gloriar.
Aqueles que buscam condená-los são como Tiago e João querendo mandar fogo dos céus a uma cidade: Não sabem de que espírito são, porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. (Lucas 9:54-56)

Devemos nos alegrar com a catástrofe?
Não. “O que se alegra na calamidade, não ficará impune” (Provérbios 17:5) Devemos chorar com os que choram (Romanos 12:15)

Qual deve ser nosso sentimento e atitude?
1) Conforme o texto de Lucas 13:1-9, reconhecer nossos próprios pecados e arrepender-nos, sabendo que só estamos vivos pela graça.

2) "Compadecer-nos e ajudar na prática, pois se o Senhor tem nos poupado, como a figueira da parábola, é pra que venhamos a dar frutos (v. 6-9)." (extraído do artigo do Solano Portela)
  • “Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade” (1 João 3.17-18).
  • O ESPÍRITO do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; (Isaías 61:1)
3) Saber que esta é uma grande oportunidade de glorificarmos ao Pai.
  • Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. (João 15:8)
[Reformanda] Uma Introdução: Perigo de Explosão


[Reforma Protestante] Uma Introdução: Perigo de Explosão
UMA INTRODUÇÃO EXPLOSIVA


UM BREVE RESUMO

Idade Média, séc. XVI. A Basílica de São Pedro, em Roma, está sendo construída e para custear as despesas o papa Leão X tem uma brilhante idéia: vender indulgências. Assim, comprando um documento de indulgência assinado pelo Papa, a pessoa garantia seu lugar no céu, e poderia também garantir, desde que comprasse mais indulgências, o lugar de seus familiares vivos ou mortos. Conclama-se o maior marqueteiro da época, o dominicano Tetzel, na Alemanha, e essa bestialidade começa a ser vendida. Tetzel chegava a cantar: “quando a moeda na caixa tilintar a alma do purgatório vai saltar”. O povo pobre e crédulo da Alemanha, enganados pelos truques de prestidigitação (mágica) de Tetzel, e seus dotes propagandísticos, acorre para comprar aos montes. As caixas de Roma se enchem, o Papa Leão X exulta e luxa, e a população se afunda cada vez mais nas trevas da ignorância.
Wittemberg, Alemanha. Um sacerdote lê a Bíblia e a explica para o povo de sua paróquia. Ele fala a língua do povo, e diz que a salvação é apenas através da fé na obra redentora de Cristo, que não pode ser comprada ou vendida, mas se aceita a mesma em arrependimento, convicção de pecados e obediência a Deus. Ele escreve um tratado em 95 teses e o prega na porta da capela do castelo da cidade, local público para que fosse visto pelo maior número de pessoas possível. Era o dia 31 de outubro de 1517, e o homem era Matinho Lutero.
A partir desse episódio estava começando a maior revolução religiosa da história, surgia o Protestantismo. Agora passa a ser ensinado que só a graça é a fonte da salvação; só a fé, é a “mão” que a recebe; só as Escrituras são as palavras de Deus; só Cristo é o Salvador e o caminho para o céu; e só a Deus deve-se dar toda a glória. Eram estes os pilares da Reforma que começavam a ressoar por todo canto.