RADIO IPB DE LIMOEIRO DO NORTE/CE

terça-feira, 11 de maio de 2010


Batismo Infantil – Uma doutrina peculiar aos Presbiterianos


INTRODUÇÃO
Este assunto é muito polêmico, há muitos que têm preconceito com este assunto.Isso porque muitos de nós temos o pensamento de que o batismo de bêbes é uma prática da Igreja Católica Romana. Outros pensam que é uma prática bíblica. Mas o que diz a Bíblia. E o debate sobre este assunto gira em torno da seguinte pergunta: Será que existe no Novo Testamento um mandamento ou ordenança para batizar os Filhos dos crentes? Os contrários à prática do batismo infantil dizem: Já que no Novo Testamento não podemos achar uma ordenança clara para batizar crianças,então, não devemos batizá-las.Para eles isso encerra o assunto. Na verdade podemos dizer sobre o assunto mais do que se imagina. Há coisas que a igreja crê e que não está claramente mostrado na Bíblia: Por exemplo, podemos citar a doutrina da Trindade – a Bíblia nunca diz que Deus é três Pessoas distintas e co-eternas. Mas, nem por isso deixamos de crer na doutrina ali revelada. Qual é o problema com a doutrina? Podemos sugerir algumas respostas:

1) É um problema de Metodologia: Se nos aproximamos da Bíblia acreditando que a igreja é um fenômeno do Novo Testamento somente, jamais vamos entender o Batismo de Crianças; a Bíblia diz que a igreja sempre existiu em Atos 7.38[1] está escrito “a igreja que estava no deserto”.
2) É um problema de não considerar a unidade da Bíblia: O problema aumenta quando nós não consideramos a unidade entre o V.T e o N.T. Não se conhece que há uma unidade entre os dois testamentos. O Velho Testamento é Palavra de Deus tanto quando o Novo Testamento.
3) É um problema de desconhecimento da eclesiologia: Muitos não aceitam a doutrina do Batismo infantil porque desconhecem o que seja a igreja. Há muita falta de conhecimento sobre isso na igreja atual.

Diante disso, podemos agora considerar o nosso assunto com muita cautela. O que podemos dizer sobre o Batismo Infantil? O que diz o nosso Catecismo maior sobre isso? “A quem deve ser administrado o Batismo? O Batismo não deve ser administrado aos que estão fora da Igreja visível, e assim estranhos ao pacto da promessa, enquanto não professarem a sua fé em Cristo e a obediência a Ele, porém as crianças cujos pais, ou um só deles professarem a fé em Cristo e obediência a Ele,então, quanto a isto, dentro do pacto e devem ser batizadas”(Catecismo Maior, Questão 166)

I – ANALISANDO O ANTIGO TESTAMENTO

Por onde devemos começar o nosso estudo? A resposta é no Antigo Testamento. Nós presbiterianos podemos dizer que este ensino começa com Abraão. Você pode dizer que é um crente do Novo Testamento e que o Antigo Testamento tem nada haver com você.Mas quero dizer-lhe que cada mensagem e doutrina no N.T tem as suas raízes no V.T. Se desejarmos conhecer profundamente a doutrina do pecado, é necessário ir até as páginas do Gênesis. Se quisermos conhecer adequadamente a Cruz precisamos ir aos cinco primeiros livros do V.T. Da mesma forma dizemos que se você quer aprender sobre o Batismo infantil ou Pedobatismo
[2] é preciso começar com o Antigo Testamento.
Deus ao Criar o homem deu-lhe uma ordem de “crescer e multiplicar”(Gn.1.27-78) o propósito desta ordem é que Deus quer trazer ao mundo uma geração santa. Os filhos do primeiro casal devem ser santos. Vocês acham que Deus criou Adão e Eva para ficarem sozinhos? A resposta é Não! Este não é o propósito da família.
Em Gênesis 3 vemos o homem cair do estado em que foi criado, então , Deus vem ao homem vs.9 e pergunta: “onde estás?” é a graça de Deus vindo até o pecador.Antes da queda tínhamos a esperança de se ter filhos santos, mas agora temos uma geração de pecadores. Mas Deus não quer esses pecadores, decide fazer uma promessa de redenção Gn 3.15, Deus vem até a primeira família dizer que há esperança . Existe a esperança de que Ele ainda trata com gerações. Deus quer se relacionar com famílias, e isso, incluem os filhos de Adão e Eva.
Nos dias de Noé temos a mesma coisa.Deus não salva apenas uma pessoa, mas uma família conforme vemos Gênesis 6.9. A redenção vem em termos de família, em termos de gerações. Deus ao longo da História vem tratando com a família.
Alguns exemplos são pertinentes quando a isso: Abraão foi salvo por Deus. Em Romanos 4, Paulo explica que a Salvação de Abraão foi pela graça e pela fé.Gênesis 15.6; Romanos 4.9, então toda a doutrina nasce no Antigo Testamento.
No texto de Gênesis 17.7-14 o pacto é chamado de eterno. Deus escolhe o sinal da circuncisão para simbolizar a salvação. Deus dá um sinal que indica a salvação aos adultos como as crianças. Para alguém se tornar o seguidor de Javé era necessário ser circuncidado Êxodo 12.48. Todo crente do A.T deveria circuncidar o Filho, imagine-se no A.T Testamento e o que você faria? Certamente você circundaria o seu filho


II – O NOVO TESTAMENTO
O que o Novo Testamento tem a nos ensinar sobre este assunto? Os anti-pedobatistas dizem que para uma pessoa ser batizada é necessário crer. E citam Marcos 16.15-16. O ato de crer precede o de batizar, e assim, as crianças não podem crer, logo, não devem ser batizadas. Essa é uma conclusão dos anti-pedobatistas, todavia, vejamos o que diz o texto:
QUEM CRER E FOR BATIZADO SERÁ SALVO – esta declaração é correta, mas dizer que isso invalida o batismo de bêbes é um absurdo, pois, os nossos oponentes não leram o resto do versículo que diz:
POREM, QUEM NÃO CRER ESTÁ CONDENADO – isto significa que para ser salva a criança precisa crer, e ela não crer, logo,ela está condenada.
Se o batismo é símbolo da fé, então como entender Romanos 4.11. A circuncisão é vista como o símbolo da fé que Abraão teve, e este símbolo foi aplicado aos bêbes do V.T, logo, a criança deve ser batizada. O batismo é o cumprimento da circuncisão.
Paulo no N.T diz que o “batismo” é a “circuncisão de Cristo” Colossenses 2.11-12. O apóstolo Pedro fala do batismo de Criança quando proclama sobre Cristo em Atos 2.38-39 – A palavra grega usada aqui é teknia (teknia) que significa “criancinhas” filhos pequeninos, crianças de peito.Ele diz isso porque sabe que Deus continua agindo com família ao longo da história redentiva do povo do pacto. E, assim entendemos porque Paulo diz que os filhos dos crentes na igreja são santos em 1 Corintios 7.14.
Há também o batismo de famílias inteiras registradas nas paginas do N.T Atos. 11.14,44-48; 16.14-15; Atos 16.31

III – A HISTORIA E O BATISTMO INFANTIL

Neste momento desejamos mostrar os indícios de que a história confirma o Batismo infantil. Este ponto é importante para mostrar que a igreja sempre praticou o pedobatismo.
IRINEU( do 1 século) - Escreveu sobre o batismo infantil dizendo que Cristo mandou a igreja batizar todos os que foram alvos do evangelho, e assim, as criancinhas deveriam ser batizadas, ele declara isso em seu livro “Contra as Heresias, Livro III, Capítulo 9”.

JUSTINO, O MARTIR – Confirma o testemunho de Irineu dizendo que ele está referindo-se ao batismo de Criancinhas, ele diz isso no seu livro “Apologia I”.,
TERTULIANO – Ele é um teólogo do 3 século, defendia que seria melhor aos homens serem batizados mais tarde, pois, entendia que o batismo perdoa os pecados, e assim diz que as criancinhas deveriam ser batizadas mais tarde. Pelo testemunho de Tertuliano percebemos que o batismo de Crianças era uma prática comum na história da Igreja
Lembremos que isso não é do período da Igreja Católica Romana, mas é muito antes.
ORIGENES – Escreve dizendo que a “Igreja tinha dos apóstolos a tradição(ordem) para administrar o batismo as criancinhas”.
As tradições não devem ser abandonadas, especialmente, aquelas advindas dos apóstolos 2 Tess. 2.15;3.6
O CONCILIO DE CATARGO – Esse concílio responde a uma carta de Fido sobre que tempo deve-se esperar para batizar uma criancinha, o concílio com 66 bispos, decidiram unanimente que a Criança poderia ser batizada antes do oitavo dia de nascido.
PELÁGIO – No ano 350 escreveu o seguinte:”Nunca tive conhecimento de alguém, nem mesmo o mais ímpio herege, que negasse o batismo às criancinhas”.
AGOSTINHO – Conhecido como o doutor da graça escreveu defendendo o Batismo infantil como sendo a fonte de redenção dos pequeninos.

Conclusão
O Batismo infantil é uma prática Bíblica e histórica da Igreja e precisamos resgatá-la em nosso meio, pois, ela nos garante a certeza de que a criança faz parta da igreja de Deus como povo do pacto do Senhor.

BIBLIOGRAFIA:
1) Estudos Bíblicos sobre o Batismo de Crianças – Philippe Landes – Casa Editora Presbiteriana, S.D.
2) Confissão de Fé e Catecismo Maior da Igreja Presbiteriana do Brasil - Casa Editora Presbiteriana, 1980.
3) Batismo Infantil – O que os Pais deveriam saber acerca deste sacramento – Editora Os Puritanos, 2000.
4) Batismo – O Sinal do Pacto, Rev.Onezio Figueiredo, Sínodo de São Paulo, Presbitério de Casa Verde – IPB, 1993.
5) Revistas Os Puritanos – Vamos a Casa do Senhor & A família do Pacto – Artigo: Batismo Infantil, Kenneth Wieske,2005 & 2006.

[1] O termo grego ekklhsia(ekklesía) significa igreja, Congregação dos chamados para fora do mundo e consagrados para Deus.
[2] A expressão grega “pedobatismoV” significa batismo de bêbes recém-nascidos.
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Por João Ricardo Ferreira de França - jrcalvino9@hotmail.com

sábado, 17 de abril de 2010

Igreja presbiteiana do Brasil se manifesta sobre o acordo do presidente Lula com Vaticano.

Manifesto da Igreja Presbiteriana do Brasil sobre o acordo firmado entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, e a “Lei Geral das Religiões” (Projeto de Lei n.º 5.598/2009 e o PLS 160/2009

I. - O Vaticano, embora um Estado Soberano e Pessoa Jurídica de Direito Público Internacional, é a sede política e administrativa da religião Católica Apostólica Romana e, portanto, um Estado Teocrático. Todo acordo entre Ele e o Brasil que contemple matéria envolvendo assuntos referentes à dimensão da fé e não a assuntos temporais agride o princípio da separação entre Estado e Igreja, que é uma conquista obtida pela nação brasileira e se constitui na base da nossa República;
II. - Para Igreja Católica Apostólica Romana, as demais religiões e seus ritos próprios são apenas “elementos de religiosidade” preparatórios ao cristianismo verdadeiro, do qual ela é exclusiva detentora: “Com efeito, algumas orações e ritos das outras religiões podem assumir um papel de preparação ao Evangelho, enquanto ocasiões ou pedagogias que estimulam os corações dos homens a se abrirem à ação de Deus. Não se lhes pode, porém atribuir à origem divina nem a eficácia salvífica ex opere operato, própria dos sacramentos cristãos. (DECLARAÇÃO "DOMINUS IESUS" SOBRE A UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE SALVÍFICA DE JESUS CRISTO E DA IGREJA);
III. - A identidade jurídica peculiar do Vaticano, a apresentar-se ora como Estado, ora como Religião, facilita a tentativa de ingerência e pode confundir administradores sobre os limites das concessões, quando tratam de assuntos que transcendem aqueles meramente administrativos e temporais. E, por ser o Vaticano um Estado, não pode impor ao Estado Brasileiro a aceitação de sua religião e da Igreja que representa para a obtenção de privilégios e vantagens diferenciadas;
IV. - É inegável que tal Acordo é flagrantemente inconstitucional, pois fere a Constituição da República, que destaca em seu artigo 19: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-las, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; (..); III – criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. Ora, o Estado do Vaticano é o REPRESENTANTE da Igreja Católica Apostólica Romana. O ACORDO, portanto, é INCONSTITUCIONAL e não pode prosperar num Estado Democrático de Direito, pois fere a cláusula pétrea da Constituição da República no caput do Artigo 5º, ou seja, o princípio Constitucional da ISONOMIA;
V. - Que o referido Acordo Internacional nos artigos 7º, 10º e, principalmente, 14º, impõe DEVERES ao Estado Brasileiro para com a Igreja Católica Apostólica Romana nos planejamentos urbanos a serem estabelecidos no respectivo PLANO DIRETOR, que deverá ter espaços destinados a fins religiosos de ação da Igreja Católica Apostólica Romana, contemplando a referida Igreja com destinação de patrimônio imobiliário;
VI. - O termo católico após a expressão “ensino religioso”, contido no Acordo, afronta a previsão do § 1º do artigo 210 da Constituição da República, que preceitua: “O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”. O Acordo com a Santa Sé consignou no § 1º do artigo 11 que: “O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental...”. Trata-se de evidente discriminação religiosa;
VII. – a aprovação pelo Congresso Nacional do referido Acordo conferiu privilégios históricos à Igreja Católica Apostólica Romana em nosso País reconhecendo-os como direitos, constituindo norma legal, uma vez que acordos internacionais, conforme a Constituição de 1988, têm força de lei para todos os fins. Aquilo que a história legou, a cultura vem transformando e o Direito não pode aceitar por consolidar dissídio na sociedade brasileira, que tem convivido de forma tolerante com o legado, mas não o admitirá como imposição contrária ao direito à liberdade de consciência, de crença e de culto, amparado pela Carta Magna e pelo Direito Internacional;
VIII. - De igual forma, o Projeto de Lei n.º 5.598/2009 e o PLS 160/2009 denominado “Lei Geral das Religiões”, já aprovado pela Câmara Federal e pelo Senado, mero espelho do Acordo, incorre nos mesmos equívocos de inconstitucionalidade e desprezo à laicidade do Estado Brasileiro, estendendo as pretensões da Igreja Católica Apostólica Romana a todos os demais credos religiosos. O nivelamento no tratamento pelo Estado às religiões não pode ser amparado por fundamentos manifestamente inconstitucionais que agridem a soberania do Brasil e retrocede-nos ao indesejável modelo do “padroado” no Império.Ante o exposto, em consonância com a Palavra de Deus, sua única regra de fé e prática, e com a sua doutrina, a IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL manifesta-se contra a aprovação do Congresso Nacional do referido Acordo Internacional ou de qualquer norma legal que privilegie determinada religião/denominação em detrimento de outras; não considerando a cidadania dos ateus e agnósticos também presentes no Brasil, consagrando ingerência de Estado Estrangeiro sobre o Estado Brasileiro e afrontando a separação entre o Estado e a Igreja, preservada em todas as Cartas Constitucionais da República Brasileira.A IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL reitera sua submissão e intercessão em favor das autoridades constituídas, mas não abre mão de seu ministério profético nesta geração a denunciar todo e qualquer desvio contrário ao Estado de Direito e à Lei de Deus.

Brasília – DF, outubro de 2009Rev. Roberto Brasileiro SilvaPresidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil

MAIS UMA DO PAPA BENTO XVI














Bento XVI despreza um dos pilares da Reforma e reitera que só Igreja Católica tem interpretação “autêntica” da Bíblia.

Na mesma semana em que se comemorou os 492 anos da Reforma Protestante, o papa Bento XVI reiterou que apenas a Igreja Católica pode interpretar “autenticamente” a Bíblia. O dogma, que contraria frontalmente a tese do livre exame das Escrituras defendida por Martinho Lutero, foi lembrado pelo líder do catolicismo em um encontro com estudantes e professores do Pontifício Instituto Bíblico, no Vaticano, nas celebrações do centenário da instituição. “Somente à Igreja é destinado o trabalho de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita e transmitida, exercitando a sua autoridade em nome de Jesus Cristo”, defendeu o papa, na ocasião. Considerando as Escrituras como um livro “selado” se analisado fora da tradição da Igreja, o pontífice católico referiu-se à Igreja Romana como portadora da verdade: “É da Igreja, nos seus organismos institucionais, a palavra decisiva na interpretação da Escritura.”

"Os seguidores da Reforma do século XVI não precisam se preocuparem com essa opinião equivocada do Papa, pois eles nunca irão aceitar a queda do império Católico Romano. Porém o resultado da Reforma Protestante é notório em todo o mundo. O Calvinismo por exemplo, é o 3º pensamento que mais influência em 4 séculos. Portanto, Oremos para que Deus seja glorificado pelo Movimento reformador que aconteceu no século XVI e até hoje continua e deve continuar louvando-o pela volta à prática autentica a Soli Scripturas".

Fonte: CristianismoHoje.com.br

sexta-feira, 2 de abril de 2010

AS DORES DE JESUS NA CRUZ E SEUS BENEFICIOS PARA AS NOSSAS


Is 53.3-6; Mt 26.36-46

Na cruz de Cristo, temos os maiores benefícios para nossa vida.

“Somente conhecemos a Cristo, na medida em que conhecemos os benefícios de sua obra da cruz” - Calvino. Se entendermos o que Jesus fez por nós, encontraremos mudança em nossa vida. Há provisões abençoadoras na cruz de Cristo. Rios de bênçãos fluem da obra de Cristo na cruz.
Vejamos as bênçãos que nos vêm de Cristo na cruz:
O QUE ELE SOFREU (v.3)
Foi rejeitado e desprezado por todos.
Suportou dores e sofrimentos sem fim.
Foi ignorado como pessoa
POR QUE ELE SOFREU (VS 4,5 a )
Por causa de nossos pecados.
Por causa de nossas maldades.
O RESULTADO DE SEUS SOFRIMENTOS (vs 5b – 6)
Somos curados de nossas doenças pelo seu castigo.
Somos curados de nossas dores pelos seus sofrimentos.
Fomos recuperados de nossos descaminhos.
Nos substitui diante de Deus.
Vemos neste texto, portanto, a maravilhosa obra de Jesus na cruz por nós.
Vemos a grandiosidade de seus sofrimentos.
Suas feridas não foram tratadas para que as nossas fossem.
Suas aflições foram imensas para que as nossas fossem levadas embora (veja Is 52.14)
Ele sofreu injustamente e perdoou aqueles que o fizeram sofrer.
Estas afirmações nos levam a conclusões maravilhosas sobre os sofrimentos de Jesus.
Vejamos as bênçãos de seus sofrimentos para nós.
1 – NO SOFRIMENTO DE JESUS NA CRUZ, ENCONTRAMOS TAMBÉM, ALÉM DO PERDÃO DE NOSSOS PECADOS, A CURA PARA NOSSAS MAIS PROFUNDAS MÁGOAS.
Assim como na cruz, nossas dividas, nossos pecados são creditados a Cristo, e sua justiça creditada a nós - nossas feridas emocionais foram transferidas para os ombros dele. Assim como os pecados de quem se arrepende.
Jesus foi ferido emocionalmente. Ele foi ignorado, rejeitado, traído e desprezado totalmente para que nossos fardos emocionais fossem lançados sobre ele (ver 1 Pe 5.7)
Jesus foi abandonado, para que nos sentíssemos acolhidos. Ele experimentou o inferno parra que pudéssemos experimentar o céu.
2- NO SOFRIMENTO DE JESUS NA CRUZ, ELE CARREGOU NOSSAS MISÉRIAS EXISTENCIAIS PARA QUE FICASSEMOS LIVRES DELAS.
A angustia de Cristo na cruz foi extrema.
Sobre ele foram lançados todos os males do coração dos executores.
A ira de todos. O recalque de todos. A vingança de todos. O ciúme de todos.
Toda a sede de vingança. Toda a maldade humana foi descarregada sobre ele.
A vingança de todos, a fúria, a inimizade humana, tudo foi descarregado sobre ele.
No Salmo 22 temos demonstrações do que ele sofreu.
1. Ele sentiu-se abandonado por Deus v.1,2
2. Inferiorizado vs 4-6
3. Zombado v.7
4. oprimido vs 12,13
5. deprimido v.14
6. desanimado v.15
7. atacado v. v.16
Tudo o que sentimos na vida. Os piores traumas que carregamos.
Os piores complexos, as piores neuroses, as piores doenças da alma – foram sentidas por ele. Tudo foi lançado sobre ele. Não precisamos mais viver carregando estes pesos, ele carregou por nós.
3 – O SOFRIMENTO DE JESUS NA CRUZ, LEMBRA QUE NOSSA AUTOCOMISERAÇÃO DEVE TER UM FIM.
A cruz de Cristo, traz uma obra que age na vida de quem crê.
Não precisamos mais ficar lembrando do passado. Precisamos receber o perdão que Deus oferece. Ninguém precisa viver na culpa. Alguns pensam que a morte de Jesus não foi suficiente para seus pecados. Não podemos duvidar – ele é capaz de salvar todo aquele que crê.
Não precisamos viver no pecado.
Não precisamos viver na culpa. Não precisamos mais ficar olhando para nosso fracasso em se santificar. Precisamos olhar para Jesus na cruz.
4 – O SOFRIMENTO DE JESUS NA CRUZ NOS POSSIBILITA VENCER AS GUERRAS TRAVADAS NA NOSSA ALMA.
Veja que ele suportou o desprezo, sem desprezar.
Foi rejeitado, sem rejeitar. Suportou dores, sem provocar dores em ninguém.
Ele foi adoecido, sem adoecer. Ele foi provocado, sem provocar.
Ele foi machucado, sem machucar. Ele foi ferido, sem ferir.
Fizeram injustiça com ele, mas ele deu justiça.
Fizeram feridas nele, mas ele ofereceu cura.
Provocaram dores, mas ele ofereceu alivio. Fizeram guerra contra ele, mas ele deu paz.
Todos se voltaram contra ele, se lançaram para matá-lo, mas enquanto o matavam – dele saia vida.
Quiseram derrotá-lo, mas ele transbordou vitória.
O seu grito – “está consumado” – mesmo sendo dito na hora de sua morte, foi o maior grito de vitória. O maior grito de guerra que já foi proclamado.
Foi dito na aparente derrota. Foi dito depois do grito de abandono. Mas, foi o grito da vitória. Derrotado para si, mas vitorioso para todos nós.

Por isso, ele oferece vida para todo o nosso ser.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A PROPÓSITO DO QUINCENTENÁRIO DE JOÃO CALVINO



“Cor meum tibi offero, Domine, prompte et sincere”.[1]

Neste ano (10 de julho de 2010) marca o aniversário de 5001 anos do nascimento do reformador francês Jean Cauvin, ou como é popularmente conhecido no Brasil e nos demais países lusófonos, João Calvino. Trata-se de uma data importante para o protestantismo mundial, especialmente, para os protestantes da tradição reformada ou calvinista. Exatamente há 500 anos (10 de julho de 1509) nasceu na cidade francesa de Noyon, região da Picardia, aquele que, anos mais tarde, seria alcunhado com justiça de “A Mente da Reforma” ou “O Exegeta da Reforma”.[2] Isso devido ao fato de que, no que concerne à Reforma Protestante, podemos afirmar que, enquanto Lutero foi o desbravador e iniciador, João Calvino foi o sistematizador e grande organizador do movimento.

Não tenho o propósito de escrever um post que se constitua numa obra-prima sobre Calvino. Até porque, mesmo que tal fosse o meu intento, deparar-me-ia com dois enormes problemas: 1) a impossibilidade, pois um blog é um espaço por demais pífio e diminuto; e 2) a incapacidade, pois o gênio de Calvino é incompreendido até mesmo pelos seus mais ilustres biógrafos. No entanto, quero aqui apenas apresentar minha gratidão a Deus pela figura histórica e notável do Reformador de Genebra.

Calvino aparece elencado na História do Cristianismo como um dos grandes teólogos que já existiram. De acordo com a minha leitura da história (há quem discorde, e para isso tem total liberdade!), ele aparece como o terceiro maior teólogo que o Cristianismo já produziu, ficando atrás do apóstolo Paulo e de Agostinho de Hipona. Como tal, Calvino foi um gigante, e como afirma o Prof. Armando Araújo Silvestre, “os gigantes do passado tornaram-se paradigmas para o presente o futuro”.[3] Todavia, creio que a importância de João Calvino como paradigma para o protestantismo brasileiro ainda não foi devidamente compreendida. Para a grande maioria dos evangélicos brasileiros Calvino ainda permanece nas sombras, como uma figura desconhecida.

Particularmente, como presbiteriano que sou, sinto-me triste por perceber como mesmo em nosso meio jaz uma verdadeira ignorância quanto ao nosso passado. Mais triste ainda é perceber no meio presbiteriano alguns traços de descaso e desrespeito para com o legado deixado por Calvino. Mais uma vez, valho-me das palavras do Prof. Armando para expressar minha tristeza:

A triste constatação de que nem mesmo os que se dizem fiéis calvinistas conhecem algo de substancial desse reformador universal chega a estarrecer. Há mesmo alguns que se dizem guardiães da herança deixada por Calvino, mas que não conseguem passar de meras citações a favor ou contra, com acusações pesadas ou defesas apaixonadas. Leitura e compreensão para acusar ou defender? Quase nada. Conhecimento? Praticamente nulo.[4]

É no mínimo curioso que Jabocus Arminius, considerado como o grande antagonista de Calvino, tenha demonstrado duas coisas que muitos dos seus pretensos “herdeiros” não demonstram: respeito e consideração. Segundo Arminius, “João Calvino está um nível acima de qualquer comparação, no que diz respeito à interpretação da Escritura. Os seus comentários precisam ser muito mais valorizados do que qualquer dos escritos que recebemos dos pais da igreja”.[5]

É preciso enfatizar que, Calvino não inventou nada, nenhuma doutrina, nenhuma prática. Ele simplesmente identificou, de forma hábil, o que já se encontrava registrado de forma inspirada nas Sagradas Escrituras. Ele não inventou a doutrina da predestinação, como alguns sugerem. Apenas expôs o que a Bíblia traz em seu escopo sobre este assunto. Ele também não inventou o assassinato por motivações religiosas, como alguns o acusam como principal responsável pela morte do médico espanhol Miguel Serveto (1553). Com tanta informação disponível sobre este incidente, é de admirar que ainda hoje existam indivíduos que o difamem por causa disso. Tais apedeutas ignóbeis e obtusos desconhecem que Serveto já havia sido condenado pela Igreja Católica Romana e era caçado pela Inquisição, tendo fugido da cidade francesa de Vienne. É importante que se diga, que Calvino, apesar de não ter sido responsável pela morte de Serveto, consentiu com a sua morte. O problema é que os opositores de Calvino o apresentam como um desalmado violento e excessivamente cruel. Ele pode ser acusado de intolerância, não de crueldade. Eis suas palavras sobre o assunto numa carta a Guilherme Farel: “Espero que Serveto seja condenado à morte, mas desejo que seja poupado da atrocidade da pena”.[6] Pena que o Pequeno Conselho (Petit Conseil) de Genebra não tenha dado ouvidos a Calvino. Sem querer me estender muito nesse assunto, penso que será elucidativo lembrar que, de acordo com Alister McGrath, os habitantes de Genebra eram divididos em três grupos distintos: 1) os citoyens ou cidadãos, grupo composto por aqueles que nasceram e foram batizados em Genebra e eram filhos de outros citoyens; 2) os bourgeois ou burgueses, grupos composto por pessoas abastadas que tinham condições de adquirir ou negociar o título de bourgeois; e 3) os habitants ou habitantes, que não se enquadravam nessas duas categorias, porém, eram estrangeiros que residiam legalmente na cidade, com nenhum direito a voto, de portar armas ou de assumir qualquer posto público na cidade. Calvino não era suíço, era francês, portanto, um estrangeiro. No caso de Serveto, “como um mero habitant, ele era rigorosamente excluído da administração da justiça civil e criminal”.[7] Coloco a próxima frase em letras garrafais na tentativa de ajudar os analfabetos funcionais de plantão a compreenderem a História: QUEM CONDENOU E EXECUTOU SERVETO FOI O PEQUENO CONSELHO DE GENEBRA, DO QUAL CALVINO NÃO FAZIA PARTE!

É preciso dizer também que, Calvino não é o pai do capitalismo selvagem, como frequentemente é afirmado. Em parte, isso é devido à interpretação confusa que Max Weber faz da ética calvinista sobre o trabalho, e, em parte, isso também é uma consequência de inúmeras interpretações bestiais da obra de Weber. Calvino não trouxe o capitalismo para Genebra. Pelo contrário, quando chegou a Genebra, Calvino já encontrou uma cidade aquecida pelo comércio e com toda a estrutura ideal para o desenvolvimento do sistema capitalista. A gênese do capitalismo genebrino remonta a meados do século XV, portanto, é anterior a Calvino.

João Calvino foi, na realidade, unus de plebe (um do povo comum).[8] Ele foi um homem devoto a Deus; um homem que apresentou seu coração “pronto e sincero” ao Senhor. Ele foi grandemente usado por Deus para organizar o movimento da Reforma Protestante e transformar toda uma cidade. Em Genebra, sua influência foi exercida primariamente por sua dedicação à pregação. Seu único desejo era servir ao Senhor, como ele mesmo afirmou: “Basta-me viver e morrer por Cristo, o qual é lucro para todos os seus seguidores, tanto na vida como na morte”.[9] Logicamente, ele não foi perfeito. Ele também teve de lutar com os seus próprios pecados, os quais lhe eram tão evidentes. No entanto, como um vaso nas mãos do oleiro, foi usado para levar a fiel pregação da Palavra a um povo faminto e carente. A influência de João Calvino ainda hoje pode ser sentida na teologia, educação, política e economia.

A importância de João Calvino para nós reside no fato de que, ele nos deu um notável exemplo do que é viver para a glória de Deus somente. Diferentemente do que acontece na grande maioria das igrejas evangélicas do nosso tempo, não encontramos no pensamento e na vida de Calvino nenhuma tentativa de fazer algo dissociado da vontade de Deus revelada nas Sagradas Escrituras. Somos herdeiros de uma tradição riquíssima, amplamente fundamentada na Palavra. Precisamos valorizar (que ninguém entenda isso como idolatrar!) mais o legado deixado a nós por este servo de Deus.

Pessoalmente, sinto-me duplamente abençoado por Deus: por pertencer ao ramo do Cristianismo Protestante conhecido como Calvinismo, e também por ter tido a graça de nascer no mesmo dia em que nasceu João Calvino, 10 de julho. Parabéns pra mim duas vezes!